terça-feira, novembro 23, 2010

No reino de Tamerlão




DIGNIFIQUEMOS E SUBLIMEMOS O SANTUÁRIO GENÉSICO E A NOSSA CONDUTA SEXUAL.

R. A. RANIERI

O SEXO ALÉM DA MORTE

(Obra Mediúnica - Orientada pelo Espírito André Luiz)

"A mais poderosa força que existe no organismo espiritual depois da força da mente é o sexo. Nele, Deus concentrou montanhas de energias. Liberadas indiscriminadamente, conduzem o ser à desilusão, ao desgaste e até à morte espiritual. É certo que toda a energia da natureza pode ser recomposta com facilidade. Na crosta terrestre, o homem ainda não tem idéia exata do que representa a sexualidade. Nem se deve condenar a sexualidade nem se deve exaltar demasiado as suas alegrias. Sexo como tudo que Deus fez deve se enquadrar na Lei do Equilíbrio. Não há crime algum em coisa alguma que Deus fez."


No reino de Tamerlão

Penetramos na caverna, imensa, espaçosa, cheia de Espíritos escuros e cruéis. Milhares talvez. O silêncio era geral. Aguardavam a chegada de Tamerlão. Ele jamais se atrasava. Lutava e trabalhava como relógio perfeito. Agora iria assumir suas novas funções de chefe dos legionários da sombra.

Gregório havia sido capturado pelos inimigos e a legião estava sem chefe.
No horário marcado, um sussurro percorreu a multidão. Nós havíamos entrado ali vibrando em altíssima vibração de modo que ninguém poderia nos ver ou perceber. Uma mesa de pedra rústica servia de tribuna para o General, pois Tamerlão significava um general para a sua Legião.
Eleutério dissera-me em voz baixa:
- Guarde o maior silêncio porque estamos no Reino de Tamerlão e aqui manda ele.
Um grande acontecimento estava para se realizar.
Pela primeira vez notei preocupação no olhar de Eleutério.
- Meu filho, esse Tamerlão, Gênio do Mal, deverá traçar diretrizes perigosas de combate às forças do Bem. Precisamos de estar vigilantes.

Gregório já buscava a Espiritualidade, mesmo inconscientemente.

Este não, este ainda vibra nas faixas mais inferiores, embora seja potentíssima inteligência. Cérebro dinâmico voltado para a destruição de tudo o que é bom e divino. Quer solapar-nos o movimento de libertação.

Eleutério silenciou e eu vi em seus olhos uma certa tristeza.

Tamerlão entrou. Grande estatura, forte, musculoso, passo firme e decisivo, figura extraordinária de mongol. Cabelos pretos, bigodes enormes caídos à margem da boca, à feição chinesa. Olhar que desprendia chama. Entrou e mal cumprimentou a multidão, como se fosse um novo Napoleão. A frente da mesa parou e dirigiu-se aos seus camaradas:
- Senhores, espíritas do submundo, assumo agora as legiões e o poder das trevas!

Ninguém disse nada. Reinou o silêncio mais profundo.

Percorreu com os olhos toda a multidão e falou:
- Ninguém tente me desrespeitar porque será punido! A vingança de Tamerlão é cruel e sem fim. Quem não quiser me seguir que diga agora e se manifeste. Terá liberdade para se retirar! Fora disso será punido se vier a cometer falta no futuro. Nós não perdoaremos ninguém!
Com essa afirmativa retirou do bolso da túnica um mapa, colocou sobre a mesa e com uma espécie de lápis vermelho na mão, declarou:
- Não seguiremos o caminho de Gregório que fracassou. Seguiremos nova rota.
Afirmando isso, riscou o estranho mapa de alto a baixo e gritou:
- Iremos combater os Espíritos e os espíritas aqui:
E com traço rápido escreveu SEXO.

O silêncio tornou a envolver a todos.

- Companheiros, falou de novo, só há um caminho para destruir os fanáticos da Espiritualidade Superior:
atacá-los sem tréguas no Castelo do Sexo. Poucos são os que resistem à fúria sexual! Nem os heróis e nem os santos! Atacaremos primeiro os líderes do Espiritismo e aqueles que se tornaram paladinos da Espiritualidade no mundo. Nosso campo de batalha será o campo sexual onde o homem é mais fraco! Tenho certeza que poucos restarão de pé! Destruídos os ignóbeis Filhos do Cordeiro será fácil destruir a massa!

Falou e uma onda de aplausos partiu de todos os lados. Era em verdade uma idéia genial.

Tamerlão sorriu.

- Ordeno aos nossos amigos que chefiam, organizarem grupos para o ataque.
Não perdoem nem homens nem mulheres. Desprestigio, desgaste, desmoralização através do Sexo e sairemos vitoriosos!

Novos aplausos. Tamerlão com um gesto rápido de despedida saiu.

Nós também nos retiramos. A lua brilhava no firmamento.

Eleutério comentou:
- Realmente, agora estou preocupado. Nem Adão resistiu à força do Sexo.

Espírito genial e mau, Tamerlão vai fazer muito mal em nossas hostes.

Precisamos preparar a defesa. Você, meu filho, entendeu o que ele disse?

Com um gesto de cabeça disse que sim.

- Pois é, atacará os espíritas na sua fragilidade, que é o sexo, procurará aproximar os lideres de mulheres que com eles tiveram ligações de outras vidas, que foram noutra época suas esposas ou suas amantes, e através desse velho amor buscará desmoralizá-los no mundo e inutilizar a obra evangélica que estejam realizando pelo escândalo. Precisamos andar depressa, antes que a sua devastação seja muito grande!

- Mas não haverá tempo para salvar ninguém?

- Meu amigo, nesse problema sexual poucos querem ser salvos. Mas precisam de compreender que o amor que lhes surgirá sorridente e amigo no caminho da vida, o amor ilegal, o amor impuro, porque fora do casamento, lhes será fatal. Espíritos dominados pelo escândalo sexual, rolarão nos séculos e perderão o direito de pregar a palavra do Cristo!

- Mas e o amor puramente espiritual entre as criaturas? - interroguei aflito. Deverá o cristão manter-se afastado das criaturas de outro sexo?

- Não, isso não, mas o que não poderão fazer é entregar-se ao comércio sexual inutilizando-se a si mesmos através do escândalo. O amor fraternal é divino e o amor sexual é sagrado, mas o mundo tem a sua moral que deve ser respeitada até que um dia mude. Enquanto isso, deveremos aguardar na planície. Nem tudo é licito, afirmou Paulo, embora tudo possa ser permitido. Guardemos por ora a moral Cristã.

Vi que Eleutério tinha pressa.

Antes de partir, porém, olhou o céu estrelado que falava do Universo imenso de Deus e convidou:
- Oremos.

Ouvi ainda a sua voz que pronunciava as mais belas e profundas palavras do mundo.

A brisa roçou-me a face.

Quando abri os olhos ele não estava mais.

No limiar do submundo

O problema de Elmiro ainda bailava em minha mente.

A descoberta do fato de que pela simples mentalização poderia a criatura espiritualmente estabelecer ligação com outras criaturas ao ponto de arrastá-las ou trazê-las através do espaço causara-me forte impressão.

Pensar e realizar espiritualmente, em parte, passava a ser questão de momento.

Assunto decisivo.

Eleutério conduzia-me agora para a zona boêmia de uma grande cidade. Era noite, e os homens andavam pelo bairro da devassidão buscando a solução para seus problemas íntimos. As ruas feias, sujas, lembravam algumas regiões espirituais. Mulheres de fisionomias gastas e maceradas exibiam-se às portas, mostrando-se humilhantemente à freguesia insaciável. Algumas bebiam nos bares de esquina com seus infelizes companheiros. Notei, porém, uma multidão de Espíritos que também perambulavam por ali.

- Quanta gente! Exclamei.

É comum, respondeu o Benfeitor, essa quantidade de Espíritos nos lugares onde a prostituição prolifera.

- E o que fazem aí.

- Misturam-se com os homens e as mulheres, identificam-se com eles, acompanham-lhes as sensações, emocionam-se, gozam da mesma forma que os casais o prazer do ato sexual.

- Mas como? eles assistem tudo?

- Assistem não, associam-se e participam de todos os lances do ato sexual. Você quer ver?

Acompanhemos de perto esses dois.

Eleutério apontou-me um casal que conversava baixinho no esquina do bar, do lado de fora.
Aproximamo-nos e ouvimos o homem negociando com a mulher o entendimento carnal. Não se decidiam por questão de preço. Algumas entidades sombrias, escuras, escutavam a conversa e aguardavam o desfecho. Por fim, a mulher concordou com o preço baixo que o homem queria pagar e ambos subiram para um sobrado em frente, através de escada antiga de madeira. Os tais Espíritos também seguiram-nos. Três ou quatro. Dois eu vi que eram figuras masculinas, os outros não pude distinguir porque suas fisionomias já não expressavam qualquer tipologia humana. Cabelos grandes, tanto podiam ser mulheres quanto homens. Calças de homem. Acompanhamo-los. Não nos perceberam a presença, já que vibrávamos em faixa vibratória diferente, embora pudéssemos vê-los perfeitamente. Entraram para um quarto horrível, escuro e mau cheiroso. E foram logo para a cama, mal se despiram. As duas entidades de aspecto masculino não tiveram dúvida, saltaram na cama e envolveram cada um dos parceiros e passaram a executar o ato sexual em todos os seus lances.

- Veja bem, murmurou Eleutério, que os encarnados é que executam o que os desencarnados desejam. Não são os desencarnados que seguem o que os encarnados possam desejar.

De fato, verifiquei que o homem e a mulher seguiam através do pensamento que lhes fluía de seus associados espirituais todos os gestos que estes praticavam. Em face disso, o amor daqueles dois prolongou-se desvairadamente, muito mais do que era preciso e compreendi que coisa medonha é o amor físico realizado a quatro.

- Isso é mais comum do que você está pensando, ensinou-me o Instrutor Espiritual. Não só nestes lugares, mas também pessoas de bem, invigilantes, em seus lares dão oportunidade, muitas vezes, a que criaturas como estas ali penetrem.

- Mas então, não há defesa? perguntei aflito.

- Há, meu filho, nos lares bem constituídos onde reina verdadeiro amor e respeito, há os guardiões, isto é, Espíritos amigos, que a Espiritualidade Superior situa nesses lares para impedir a entrada dos vampiros, ou aproveitadores de sensações como esses.

Realmente, nós já tivemos notícias dos guardiões, agora relembrávamos.

Eram criaturas que se postavam à porta dos lares mais espiritualizados ou à porta da alcova do casal e impediam qualquer intromissão. Todos os lares cristãos ou mesmo aqueles que não forem cristãos mas que se mantiverem dentro de uma moral pura, recebiam esse benefício e o amor era assim resguardado com profundo carinho e respeito. Razão pela qual a atmosfera desses lares irradiava pureza, como se a casa estivesse sempre lavada e limpa.

Saímos.

Um rumor de instrumentos de orquestra chamou-nos a atenção. Lá fora, encontramos um Espírito de elevado porte com quem Eleutério imediatamente se pôs em contato.

- Como vai tudo aí, Crispin, saudou-o o mensageiro.

- Tudo bem, Eleutério. Como sempre. Muita gente, muita luta.

- Eleutério apresentou-me.

- Este é o velho Crispin, meu filho, e fiscaliza esta parte do bairro.

- Fiscaliza? - surpreendi-me.

- Sim, fiscaliza. Às vezes, aparecem aqui Espíritos que deveriam seguir outro rumo, que buscam coisa melhor, e Crispin os ajuda. Outras vezes, Espíritos que querem se libertar desta vida, e não têm força, e o nosso amigo Crispin lhes dá força e coragem. Há muito serviço, mais do que se pensa.

- Como está o baile? - interrogou Eleutério, após dar-me a explicação.

- Muita gente, o pessoal da zona inferior está todo lá.

Compreendi logo que Crispin falava de Espíritos que naturalmente superlotavam o baile vivendo sensações dos que, ainda na terra, se divertiam.

- Vou levar o meu pupilo até lá, esclareceu Eleutério.

- Posso acompanhá-los, ofereceu generosamente Crispin.

Então vamos.

O salão estava cheio de gente dos dois lados. O entusiasmo era grande e vimos que os Espíritos dançavam com os pares, abraçados com eles, envolvendo-os e penetrando com suas vibrações. A ligação às vezes era tão íntima que envolvida pelo Espírito, a pessoa que dançava perdera a fisionomia que fora substituída pela do parceiro espiritual como uma máscara perfeita. Esse fato se comprovava quando a música barata parava e os Espíritos se afastavam para descansar ou bater palmas. Como a água que se retira de uma esponja. Assim retornavam eles ao jogo da dança. Todas as impressões que os homens e as mulheres sentiam no abraço ou no contato da dança, eles também sentiam ou provocavam. Cara na cara, peito no peito, pernas nas pernas. Era uma verdadeira batalha.

Lembrei-me dos umbandistas que dizem que o médium é o cavalo e achei que a comparação não estava tão errada assim. Efetivamente, os Espíritos ali cavalgavam os homens como cavalos e cavaleiros. Os pares valsavam ou dançavam o samba e tudo conduzia à sexualidade.

- O mal dos bailes, em qualquer lugar do mundo, meu filho, afirmou Eleutério, é conduzir sempre o pensamento do homem para os desejos inconfessáveis e o despertamento dos anseios sexuais. Dificilmente uma dança entre homem e mulher não leva o homem às vibrações sexuais, embora nem sempre a mulher dance com essa intenção ou perceba os anseios do companheiro.

Elemento mais ativo, o homem desperta logo para os sentimentos sexuais, e como é lógico, atrai de imediato companhias altamente interessadas em conduzir o assunto para o fundo das sensações do sexo.

- Mas então, interroguei, não há amor sem a presença indesejável dessas criaturas?

- Há, quando os corações pulsam com pureza e a mente vibra com harmonia e respeito a Deus.

Só a formação moral impede o avassalamento dos Espíritos. A moral cristã principalmente e a piedade cristã são barreiras quase que intransponíveis para os aproveitadores do sexo. Ama-se verdadeiramente dentro do respeito sagrado que o sexo merece, sem companhias indesejáveis, quando colocamos a alma e o coração. A mente fortificada nos pensamentos superiores será sempre uma barreira. Acontece, porém, que nem sempre os dois parceiros estão nas mesmas condições. O amor dentro do lar, como já lhe afirmamos goza de proteção quando reina na casa os sentimentos da alta moralidade ou ainda da moral cristã.

Fora disso, a praça está aberta à invasão. Olhei Eleutério e ele completou:
- Vamos embora, se não, em pouco receberemos as rajadas sexuais que vêm dessa gente.

Tomou-me o braço e partimos.


sábado, novembro 20, 2010

O Mistério Exu Mirim - Rubens Saraceni




O Mistério Exu Mirim - por Rubens Saraceni


Programa que foi ao ar (Magia da Vida- apresentado por Rubens Saraceni, dia 06/03/2006 às 11:00hs)


Nesta palestra, Rubens Saraceni explana sobre o Mistério "Exu Mirim", destrinchando suas origens e seus campos de atuação. Exu Mirim, entidade muito bem representada na Umbanda, muitas vezes controversa e pouco conhecida. Vale a pena ouvirmos as colocações e prestarmos mais atenção para estas entidades.

Ouça a entrevista


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Clique com o botão direito do mouse para fazer o download


Fonte: http://mestreazul.blogspot.com



Porque Caboclos e Pretos Velhos?




Porque Caboclos e Pretos Velhos?


Uma das incógnitas que ainda perduram, na Umbanda, é a verdadeira natureza dos Caboclos e Pretos-Velhos.

Várias opiniões formaram-se a respeito dessas entidades que, através de uma linguagem simples, emitem, por vezes, conceitos que revelam o pensamento erudito de um mestre.

No decorrer de vários anos de convivência com os nossos Velhos e Caboclos, observando-lhes os trabalhos, auscultando opiniões sobre os problemas da vida terrena, notamos que o grau de conhecimento, de evolução varia muito.

Encontramos Pretos Velhos aparentemente apegados aos bens materiais, fazendo questão do “tôco” e do “pito” que não cedem a ninguém, aborrecendo-se com facilidade, reagindo como simples criaturas humanas.

Outros, porém, revelam no procedimento e nas palavras, no acatamento à disciplina imposta necessariamente pela direção espiritual dos trabalhos, a luz espiritual adquirida.

Uns e outros referem-se às senzalas, à vida passada na escravidão ou nas aldeias.

Se o freqüentador assíduo dos terreiros não procurasse o guia apenas para lhe expor as dificuldades da vida terrena, buscando somente o conselho para a solução mais fácil dos seus problemas materiais, teria ocasião de receber ensinamentos preciosos sobre a vida futura, as reencarnações, a necessidade de vencer, com o próprio esforço, a passagem difícil que se lhe apresenta e que será mais um grau conquistado na escola da vida.

Dizia José Álvares Pessoa que a Umbanda é, talvez, a única religião que se preocupa com os problemas materiais do homem.

Não por ser um culto materializado. Pelo contrário: percebendo como o ser humano premido pelas dificuldades que o seu próprio Carma conduz, se afasta do criador, quando a enfermidade, a falta de recursos financeiros, a desarmonia no lar se tornam mais poderosos que a sua crença, os dirigentes espirituais do nosso planeta organizaram um movimento destinado a dar ao homem o conforto, o conselho, a ajuda através dos quais poderá ser, ainda uma vez, reconduzido aos caminhos da fé.

Criaram-se legiões de missionários e para que mais facilmente fossem aceitos e compreendidos pelas classes menos favorecidas, assumiram a feição ainda mais simples, apresentando-se como escravos ou nativos.

Mas terão sido realmente, todos eles, pretos ou índios?

Sabemos que a pobreza e a humanidade não afluem na escala espiritual; a história da nossa pátria evidencia a lealdade, o caráter do índio brasileiro, o valor de muitos escravos.

Sabemos, igualmente que não existem fronteiras, no mundo astral.

Logo, não é de crer que haja um plano exclusivo para caboclos e pretos escravos.
Preferimos, portanto, adotar o conceito de muitos espiritualistas, entre os quais o acima citado J. A. Pessoa:
os guias participam desse movimento de socorro ao homem encarnado, neste final do segundo milênio e se apresentam como Caboclos e Pretos Velhos, nem sempre tiveram a última passagem na terra como escravos ou índios; alguns, possivelmente, nunca o foram. Assumiram essa personalidade como distintivo da missão que viriam a desempenhar.

Uns contam como viveram, há 200 anos ou há pouco mais de meio século, nos engenhos ou nas aldeias indígenas. Outros abstêm-se de qualquer referência à sua passagem na vida terrena. Pacientemente, dão atenção às queixas, ao relato dos pequenos problemas de rotina da nossa vida, aconselhando, animando, esclarecendo, conforme a necessidade de quem lhes fala.

Ensinam a mensagem do Evangelho, o perdão, o amor ao próximo, mostram como é necessário dar para receber, perdoar para ser perdoado, corrigir as falhas, dominar os sentimentos de vingança, de inveja, para adquirir luz.

E através desse trabalho humilde, incompreendido, ainda, por muitos, vão prosseguindo na missão de reconduzir o homem ao caminho que o levará a Deus.

Sua origem, não importa.

Se o Caboclo viveu como um cacique de uma tribo ou como iniciado de uma seita oriental, não interessa no momento.

Se o Velho foi escravo ou jovem médico, ou se foi mestre na magia, também não faz diferença.

O que vale, agora, é apenas a missão a ser cumprida, em benefício da humanidade, para que o Brasil, futuro centro de difusão do Evangelho, esteja melhor preparado para o advento do III Milênio. (grifo nosso)

Lilia Ribeiro foi dirigente da TULEF (Tenda de Umbanda Luz Esperança e Caridade) e editora do jornal informativo Macaia.
Fonte: Povo de Aruanda


Mitos sobre Exu


MITOS SOBRE EXU

Muitas coisas são ditas e muitos textos são escritos sobre o trabalho dos Exús na Umbanda. Com isso, muitos mitos foram criados, alguns até absurdos e deturpadores, por pessoas que não entendem o verdadeiro trabalho do Exu, na Umbanda, ou não entendem a verdadeira missão da Umbanda, nesse planeta.

Com esse texto, vamos tentar explicar e quem sabe até, desmistificar esses mitos que confundem a cabeça e o aprendizado daqueles que se propõem bem servir sua religião: A Umbanda.

A Umbanda em sua dinâmica básica, lida com espíritos dos mais variados graus de evolução. As Entidades, Guias e Mentores que se apresentam nos terreiros exercem um trabalho incansável contra as forças trevosas.

Na Umbanda, a origem de Exú está em função da necessidade de existirem Guardiões, encaminhadores e combatentes das forças negativas. Trabalho básico da nossa religião. Por isso é que se diz que, “Sem Exú não se faz nada”. Isso, não porque Exú não deixa, porque é vingador, traidor ou voluntarioso, como querem fazer pensar algumas estórias que se contam por aí. Mas sim, porque não há como combater as forças negativas e trevosas, sem a devida defesa e proteção.
Muitas pessoas perguntam: “Então nossos Guias (Caboclos, Pretos-velhos, etc...) não nos protegem e defendem? Só os Exús fazem isso? E a resposta vem da própria Espiritualidade: -” Logicamente que os Guias lhes defendem e lhes protegem, entretanto, cabe a Exú o primeiro combate, o combate direto contra as energias que circulam no Astral Inferior. Esta é a especialidade de Exú, pois ele conhece profundamente todos os caminhos e trilhas desse ambiente energético. É a sua função primeira”.
Tudo na Umbanda é organizado, coerente e lógico !!

Outro mito, que muito confunde os iniciados na religião, diz respeito à Confiabilidade de Exú.
Muitas pessoas, que vão a um terreiro em busca de ajuda ou socorro para assuntos materiais e até espirituais, são surpreendidos, quando em consulta, lhes é dito que estão sendo vítimas de “trabalho feito”, que esse “trabalho” foi feito por um Exú, e outros vão mais além, dizendo que o Exú “malfeitor” é o Sr. Fulano de Tal (geralmente um Exú famoso, de nome e fama conhecidos). Bom, aí vem a incoerência !!!
Se nós, Dirigentes e Orientadores espirituais falamos que Exú não é traíra, é combatente das forças trevosas, conhecedor e manipulador dos segredos da magia. Como pode, esse mesmo Exú, ser aquele espírito que usa indevidamente seus poderes e conhecimentos para prejudicar pessoas indefesas ? Como pode esse mesmo Exú, não ter nenhuma aspiração evolutiva, ser manipulado pela vontade das pessoas que desejam prejudicar seus semelhantes, a bel prazer ? Como pode esse mesmo Exú, usar seus conhecimentos e poderes contra si próprio, já que, com certeza, arcará com as conseqüências dos seus atos? Como pode, esse mesmo Exú, tido como o Mensageiro dos Orixás, Guardião dos segredos e dos caminhos da Espiritualidade, trair a confiança dos Espíritos de Luz e anular toda a caridade praticada pelos seres da Espiritualidade positiva?
A resposta é uma só e unânime: - “O tal ” trabalho feito” não foi realizado por um Exú e sim por um obsessor, agente das forças negativas e trevosas que se fez passar pelo “Sr. Fulano de Tal”. Aliás, obsessor pode se fazer passar por tudo, inclusive por um Mensageiro de Orixá, Caboclo, Preto-velho, etc... Cabe ao Dirigente Espiritual, ou aos médiuns mais preparados e evoluídos, desvendarem essa farsa, até porque não existe farsa perfeita, sempre haverá um detalhe, ou um momento, em que “a casa caí” e a farsa é descoberta.
Mas então, porque muitos obsessores se fazem passar por Exús de Lei ? Porque em alguns casos, ou em algumas Casas, a farsa não é descoberta, e os nossos amigos e protetores, Exús de Lei, acabam sendo acusados ou confundidos, como malfeitores, desonestos, traíras, etc...?
Na maioria dos casos, isso acontece por causa de médiuns invigilantes. Médiuns despreparados e pouco compromissados com o Astral Superior. Médiuns orientados e “treinados” por Dirigentes também, despreparados e pouco compromissados. Muitos médiuns e Dirigentes, procuram e buscam nos Terreiros uma forma de satisfazer as suas baixas aspirações, como válvulas de escape para fazerem “incorporados”, o que não tem coragem de fazer de “cara limpa”. Médiuns de moral duvidosa, que se aproveitam da condição de “incorporados” para gritar, falar palavrões, beber e fumar exageradamente, dançar de forma grotesca para uma Casa religiosa e praticar atos pouco aceitáveis em situações “normais”. Esses médiuns imputam aos Exús, os seus desvarios e desvios de comportamento, complementando ainda que não se lembram de nada, que a responsabilidade é do Exú, e não dele (médium).
Na realidade, esses médiuns estão sofrendo a ação da incorporação de kiumbas (espíritos trevosos, moralmente atrofiados, que não tem a mínima aspiração evolutiva e buscam apenas, tumultuar o ambiente).
Nunca um Exú ou Pomba-Gira de Lei, irá se prestar a um papel desses!

Outro ponto de muita confusão: A incorporação de Exú

Afinal, com que Exú trabalhamos ? Se todo Exu é Guardião dos segredos e dos caminhos, quando incorporado no seu médium, realizando algum trabalho, como fica a sua missão de Guardião ? Ele não está “guardando” nada ?

Normalmente, os Exús com os quais trabalhamos, são os chamados “Exús de Trabalho”, de defesa pessoal do médium. Esses Exús de Trabalho” são também, integrantes participativos da “Equipe de Defesa da Casa”, que o médium freqüenta. São colaboradores e participam ativamente junto ao Exú Guardião da Casa, no combate às forças inferiores e invasoras. Mas, o Exú de Trabalho também tem outro compromisso, que é proteger, defender e direcionar positivamente o seu médium, segundo a Doutrina da Casa, da qual faz parte.
Por isso, respeitam a Casa, suas normas e doutrina e não induzem o médium a embriagues, algazarras e demais comportamentos chulos, torpes e deselegantes.

Exús de verdade, são espíritos em busca de evolução, que embora tidos como “Espíritos sem Luz”, possuem certo de grau de positividade, de compreensão do que é certo ou errado, perante a Espiritualidade e de acordo com Leis Superiores. São espíritos altamente compromissados com os Orixás Superiores, com os Guias e Protetores do próprio médium e com toda Egregóra de Luz da Casa, na qual o médium está inserido. Trabalham diretamente com esta Egregóra, auxiliando no combate e encaminhamento dos espíritos que são atraídos pela corrente de desobsessão do Terreiro que fazem parte.
No entanto, cabe aqui salientar que o estágio evolutivo de um Exú de Trabalho está abaixo do estágio evolutivo de um Caboclo ou de um Preto-velho. Isso não significa que não sejam evoluídos, apenas encontram-se num estágio abaixo. Sua energia é mais densa. Conseqüentemente, a sua vibração ou energia de incorporação está mais próxima (ou é mais parecida) á vibração da Terra, exigindo do médium uma “doação” maior de energia mental e física, diferente da incorporação de um Caboclo ou Preto-velho, ou até mesmo outro mensageiro enviado de Orixá. Ou seja, quando um médium vai incorporar um Exú, ele tem que se concentrar muito para sintonizar sua vibração a vibração do Exú, sendo que o Exú faz a mesma coisa, sintoniza sua vibração à do médium.
Outro aspecto importante é que, embora Exú esteja num estágio evolutivo abaixo dos Espíritos de Luz, nada impede que Exú trabalhe harmoniosamente com os Guias mais evoluídos e até mesmos com os Mensageiros dos Orixás, até porque além de trabalharem sob as ordens desses Mensageiros e dos Orixás Maiores, a questão “hierarquia” é muito bem resolvida no Astral. Lá não existem “disputas” pelo poder ou por cargos; não se questiona quem manda e quem obedece. Todos são e estão conscientes os seus papéis e do trabalho que precisa ser realizado. Todos sabem que devem trabalhar com o mesmo objetivo: A Caridade !

Quando incorporados em seus médiuns, Exús e Pombas Giras podem se apresentar de duas maneiras básicas: alegres ou sérios. O que não significa, que mesmo quando são alegres, são também debochados, desrespeitosos, com comportamentos inadequados a uma Casa religiosa.
Geralmente, quando um Exú ou Pomba Gira se comporta de forma inadequada, ele está na verdade, sendo influenciado pelo comportamento desajustado do seu médium, que disfarça ou se controla, quando não está “incorporado”. Esse médium invigilante e portador de comportamento e moral duvidosos, ao receber a energia de incorporação de um Exú ou Pomba Gira (que começa a se dar através da aproximação do mesmo), por ser uma energia muito parecida a nossa e por estar mais próxima da crosta terrestre, onde o combate com o Astral inferior se dá, passa a dar vazão aos seus sentimentos menores influenciando e interferindo diretamente na incorporação do Exú ou Pomba-Gira, que assiste a tudo sem poder fazer nada (aqui, também cabe o livre arbítrio). Esse médium transfere para o Exú ou Pomba Gira sentimentos e comportamentos que, na verdade, são seus.
Isso não é mistificação (fingimento), porque existe a energia do Exú ao lado ou perto do médium. A mistificação envolve o fingimento puro e simples, sem envolvimento de energia ou proximidade de Entidade alguma. Mas existe, o que se chama de Animismo, a transferência voluntária de desejos e comportamentos do médium para o seu Guia.
A incorporação de Exú e Pomba Gira envolve a manipulação energética de chackras inferiores, e o que acontece no caso do Animismo, é que o médium deliberadamente, utiliza mal essa energia. Isso envolve também, intenção, moral, má fé e mau aproveitamento da energia de Exú.
Com a continuidade da insistência do médium em se utilizar dessa energia para a manifestação de seus desejos e comportamentos menores, em pouco tempo ocorre a “queda do médium”. O Exú de Trabalho se afasta do médium e fica o que ? - Fica o kiumba, que assume o nome do Exú de Trabalho e contribui para o aumento dos desvarios do médium.
Muitas vezes, o médium não percebe que está acontecendo essa “transferência”, porque ele usa a energia do kiumba (aliás, um usa o outro) para falar e fazer coisas que normalmente, não tem coragem de fazer no seu estado normal.
Cabe ao Doutrinador e Orientador da Casa (Dirigente) coibir veementemente esses comportamentos logo no início, ou seja, no médium e assim que começam a acontecer. Nesse caso, a orientação e a desestímulo de atitudes e comportamentos desse tipo é o melhor remédio. Mas, caso haja persistência, a adoção de medidas drásticas deve ser a melhor atitude que o Dirigente da Casa deve assumir.

CAPACIDADE DE MANIPULAÇÃO ENERGÉTICA DE EXÚ

Já foi comentado anteriormente, que Exú possui uma grande capacidade de manipular energias, transfigurando-se em formas diferenciadas de acordo com o ambiente que está.
Um bom exemplo disso é Exú se apresentando aos obsessores que irá combater em forma que desperte medo e/ou respeito. Ele não poderia se apresentar aos seus inimigos como se fosse um jovem ingênuo ou indefeso adolescente, dessa forma, ele jamais intimidaria ninguém. Então, ele assume formas rudes e assustadoras. Entretanto, ele faz isso por estratégia e não por ser deformado, e muito menos tem chifres, rabo, etc..., como é retratado em diversas imagens que encontramos em casas de artigos religiosos. A forma original de Exú é humana, nada tem de partes de animais ou monstros, porque os espíritos que compõe a Falange dos Exús são espíritos como nós, de épocas recentes. Foram homens e mulheres normais, das mais variadas ocupações e profissões.

Então, porque Exú manipula energias para assumir outras configurações “físicas” ? E como faz isso?

Em função do trabalho que irá executar ou da “batalha” que irá travar, Exú estuda o ambiente que irá entrar e em seguida, vibrando numa faixa bem acima do meio que irá adentrar, estuda seus “adversários” , suas intenções, seus planos, seus graus de compreensão e entendimento, seus medos, etc.... Estabelece uma estratégia e assume a configuração que irá atingir o ponto fraco da maioria do grupo que irá combater, ou de alguém em especial. Lembrando que, Exú não trabalha sozinho, isso é feito em agrupamentos sob a supervisão de um Mensageiro de Orixá. Dessa forma, Exú nos mostra sua capacidade de vibrar em diferentes faixas de energia. E para que isso aconteça, não é necessário sacrifício de animais, despachos em encruzilhadas e/ou cemitérios, porque quem “recebe” esse tipo de despacho é o kiumba. Isso dentro do ritual da Umbanda, que difere muito do Candomblé.
Com relação às “entregas” de Exú e Pomba Gira que, eventualmente fazemos a pedido deles ou por nossa própria vontade, vale dizer que os matérias usados nessas “entregas” são como uma espécie de presente ou de fortificante, já que nossos amigos da Esquerda se utilizam à energia etérea, contida nos elementos de uma “entrega” (farofa, bebidas, cigarros, etc...) para se recompor da batalha travada ou para se fortalecer, se preparando para aquilo que irão enfrentar. Muitos elementos são também representativos a uma “gratificação pelos serviços prestados” e por isso, são chamados de muitos de “mimos”.

Depois de todas essas explicações e tantas outras que, provavelmente já recebeu, você continua achando que Exú é o Diabo ?
È mais importante e necessário temê-lo e tratá-lo como inimigo ? Ou respeitá-lo, conhecê-lo e tratá-lo como um grande amigo ?
Se ainda lhe resta alguma dúvida, então cabe aqui mais essa afirmação: “A Umbanda nasceu do coração de Zambi (Olorum/Deus) em Sua Infinita Misericórdia por nós! Porque só a Umbanda tem quem nos defenda e proteja, independentemente da nossa ignorância em reconhecê-los como bons e amigos!”.
Ao invés de temê-los e distorcer suas verdadeiras intenções e missões para conosco, deveríamos agradecê-los pela proteção, defesa, amizade, carinho e principalmente pela paciência com a nossa ignorância!

Laroyê, Exu ! Mojubá, Pomba-Gira !

Salve nossos amigos, defensores e protetores !
(Texto extraído do Jornal Umbanda Sagrada)



Um Vampiro no Umbral




Um Vampiro no Umbral




André_Luiz conta que, em "Nosso Lar", logo após às vinte e uma horas, chegou alguém dos fundos do enorme parque. Era um homenzinho de semblante singular, evidenciando a condição de trabalhador humilde. Narcisa recebeu- o com gentileza, perguntando:
– Que há, Justino? Qual é a sua mensagem? O operário, que integrava o corpo de sentinelas das Câmaras de Retificação, respondeu, aflito:
– Venho participar que uma infeliz mulher está pedindo socorro, no grande portão que dá para os campos de cultura. Creio tenha passado despercebida aos vigilantes das primeiras linhas.
– E por que não a atendeu? - interrogou a enfermeira.
O servidor fez um gesto de escrúpulo e explicou:
– Segundo as ordens que nos regem, não pude fazê-lo, porque a pobrezinha está rodeada de pontos negros.
– Que me diz? - revidou Narcisa, assustada.
– Sim, senhora.
– Então, o caso é muito grave.
Curioso, segui a enfermeira, através do campo enluarado. A distância não era pequena. Lado a lado, via-se o arvoredo tranqüilo do parque muito extenso, agitado pelo vento caricioso. Havíamos percorrido mais de um quilômetro, quando atingimos a grande cancela a que se referira o trabalhador.
Deparou-se-nos, então, a miserável figura da mulher que implorava socorro do outro lado. Nada vi, senão o vulto da infeliz, coberta de andrajos, rosto horrendo e pernas em chaga viva; mas Narcisa parecia divisar outros detalhes, imperceptíveis ao meu olhar, dado o assombro que estampou na fisionomia, ordinariamente calma.
– Filhos de Deus - bradou a mendiga ao avistar-nos -, dai-me abrigo à alma cansada! Onde está o paraíso dos eleitos, para que eu possa fruir a paz desejada.
Aquela voz lamuriosa sensibilizava-me o coração. Narcisa, por sua vez, mostrava-se comovida, mas falou em tom confidencial:
– Não está vendo os pontos negros?
– Não - respondi.
– Sua visão espiritual ainda não está suficientemente educada.
E, depois de ligeira pausa, continuou:
– Se estivesse em minhas mãos, abriria imediatamente a nossa porta; mas, quando se trata de criaturas nestas condições, nada posso resolver por mim mesma. Preciso recorrer ao Vigilante-Chefe, em serviço.
Assim dizendo, aproximou-se da infeliz e informou, em tom fraterno:
– Faça o obséquio de esperar alguns minutos.
Voltamos apressadamente ao interior. Pela primeira vez, entrei em contacto com o diretor das sentinelas das Câmaras de Retificação. Narcisa apresentou-me e notificou-lhe a ocorrência. Ele esboçou um gesto significativo e ajuntou:
– Fez muito bem, comunicando-me o fato. Vamos até lá.
Dirigimo-nos os três para o local indicado.
Chegados à cancela, o Irmão Paulo, orientador dos vigilantes, examinou atentamente a recém-chegada do Umbral, e disse:
– Esta mulher, por enquanto, não pode receber nosso socorro. Trata-se de um dos mais fortes vampiros que tenho visto até hoje. é preciso entregá-la à própria sorte.
Senti-me escandalizado. Não seria faltar aos deveres cristãos abandonar aquela sofredora ao azar do caminho? Narcisa, que me pareceu compartilhar da mesma impressão, adiantou-se suplicante:
– Mas, Irmão Paulo, não há um meio de acolhermos essa miserável criatura nas Câmaras?
– Permitir essa providência - esclareceu ele -, seria trair minha função de vigilante.
E indicando a mendiga que esperava a decisão, a gritar impaciente, exclamou para a enfermeira:
– Já notou, Narcisa, alguma coisa além dos pontos negros?
Agora, era minha instrutora de serviço que respondia negativamente.
– Pois vejo mais - respondeu o Vigilante-Chefe.
Baixando o tom de voz, recomendou:
– Conte as manchas pretas.
Narcisa fixou o olhar na infeliz e respondeu, após alguns instantes:
– Cinqüenta e oito.
O Irmão Paulo, com a paciência dos que sabem esclarecer com amor, explicou:
– Esses pontos escuros representam cinqüenta e oito crianças assassinadas ao nascerem. Em cada mancha vejo a imagem_mental de uma criancinha aniquilada, umas por golpes esmagadores, outras por asfixia. Essa desventurada criatura foi profissional de ginecologia. A pretexto de aliviar consciências alheias, entregava-se a crimes nefandos, explorando a infelicidade de jovens inexperientes.
A situação dela é pior que a dos suicidas e homicidas, que, por vezes, apresentam atenuantes de vulto.
Recordei, assombrado, os processos da medicina, em que muitas vezes enxergara, de perto, a necessidade da eliminação de nascituros para salvar o organismo materno, nas ocasiões perigosas; mas, lendo-me o pensamento, o Irmão Paulo acrescentou:
– Não falo aqui de providências legítimas, que constituem aspectos das provações redentoras, refiro-me ao crime de assassinar os que começam a trajetória na experiência terrestre, com o direito sublime da vida.
Demonstrando a sensibilidade das almas nobres, Narcisa rogou:
– Irmão Paulo, também eu já errei muito no passado. Atendamos a esta desventurada. Se me permite, eu lhe dispensarei cuidados especiais.
– Reconheço, minha amiga - respondeu o diretor da vigilância, impressionando pela sinceridade -, que todos somos espíritos endividados; entretanto, temos a nosso favor o reconhecimento das próprias fraquezas e a boa-vontade de resgatar nossos débitos; mas esta criatura, por agora, nada deseja senão perturbar quem trabalha.
Os que trazem os sentimentos calejados na hipocrisia emitem forças destrutivas. Para que nos serve aqui um serviço de vigilância?
E, sorrindo expressivamente, exclamou:
– Busquemos a prova.
O Vigilante-Chefe aproximou-se, então, da pedinte e perguntou:
– Que deseja a irmã, do nosso concurso fraterno?
– Socorro! socorro! socorro!... - respondeu lacrimosa.
– Mas, minha amiga - ponderou acertadamente -, é preciso sabermos aceitar o sofrimento retificador. Por que razão tantas vezes cortou a vida a entezinhos frágeis, que iam à luta com a permissão de Deus?
Ouvindo-o, inquieta, ela exibiu terrível carantonha de ódio e bradou:
– Quem me atribui essa infâmia? Minha consciência está tranqüila, canalha!... Empreguei a existência auxiliando a maternidade na Terra. Fui caridosa e crente, boa e pura...
– Não é isso que se observa na fotografia_viva_dos_seus_pensamentos_e_atos. Creio que a irmã ainda não recebeu, nem mesmo o benefício do remorso. Quando abrir sua alma às bênçãos de Deus, reconhecendo as necessidades próprias, então, volte até aqui.
Irada, respondeu a interlocutora:
– Demônio! Feiticeiro! Sequaz de Satã!... Não voltarei jamais!... Estou esperando o céu que me prometeram e que espero encontrar.
Assumindo atitude ainda mais firme, falou o Vigilante-Chefe com autoridade:
– Faça, então, o favor de retirar-se. Não temos aqui o céu que deseja. Estamos numa casa de trabalho, onde os doentes reconhecem o seu mal e tentam curar-se, junto de servidores de boa-vontade.
A mendiga objetou atrevidamente:
– Não lhe pedi remédio, nem serviço. Estou procurando o paraíso que fiz por merecer, praticando boas obras.
E, endereçando-nos dardejante olhar de extrema cólera, perdeu o aspecto de enferma ambulante, retirando-se a passo firme, como quem permanece absolutamente senhor de si.
Acompanhou-a o Irmão Paulo com o olhar, durante longos minutos, e, voltando-se para nós, acrescentou:
– Observaram o Vampiro? ...
Exibe a condição de criminosa e declara-se inocente; é profundamente má e afirma-se boa e pura; sofre desesperadamente e alega tranqüilidade; criou um inferno para si própria e assevera que está procurando o céu.
Ante o silêncio com que lhe ouvíamos a lição, o Vigilante-Chefe rematou:
– é imprescindível tomar cuidado com as boas ou más aparências. Naturalmente, a infeliz será atendida alhures pela Bondade Divina, mas, por princípio de caridade legítima, na posição em que me encontro, não lhe poderia abrir nossas portas.


[32 - páginas 168/174] - André Luiz

Fonte: Carlos Eduardo Cennerelli


Calendário Assistência 2017

TENDA ESPÍRITA MAMÃE OXUM

CALENDÁRIO ASSISTÊNCIA - 2017.

C.E. Miguel Arcanjo e Tenda Espirita Mamãe Oxum-

Rua Francisco Framback, 91 E – Cascatinha - Petrópolis - RJ

ABRIL

MAIO

JUNHO

23 – Reabertura do Terreiro às 20h – Saudação à Ogum

02 – sexta-feira – Pretos Velhos

28 - sexta-feira - Exus

05 - sexta-feira – Pretos Velhos

07 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

10 - quarta-feira- Estudo da Umbanda

09 – sexta-feira – Saúde

12 - sexta-feira – Saúde

13 – terça-feira – Saudação Aos Exus – Bênção dos Pães – 20h

13 – sábado – Saudação aos Pretos Velhos

16 – sexta-feira – Não tem Gira

17 – quarta-feira – Doutrina - Vovó Catarina

21 – quart-feira – Doutrina – Vovó Catarina

19 – sexta-feira – Caboclos

23 – sexta-feira – Caboclos

24 – quarta-feira –Saudação à Sta. Sara,

e Povo Cigano

28 – quarta-feira – Doutrina

26 – sexta-feira - Malandros

30 – sexta-feira - Exus

JULHO

AGOSTO

SETEMBRO

05 – quarta-feira – Doutrina

02 – quarta-feira – Doutrina

01 – sexta-feira – Pretos Velhos

07 – sexta-feira – Pretos Velhos

04 – sexta-feira – Pretos Velhos

06 – quarta-feira – Doutrina

12 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

08 – sexta-feira – Saúde

14 – sexta-feira – Saúde

11 – sexta-feira – Saúde

13 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

19 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

16 – quarta-feira – Saudação à Obaluaê e Omolu

15 – sexta-feira – Caboclos

21 – sexta-feira – Caboclos

18 – sexta-feira – Caboclos

20 - quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

28 – Sexta feira - Exus

23 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

22 – sexta-feira – Não Tem Gira


25 – sexta-feira – Malandros

24 – Domingo – Saudação à Ibeijada - às 17h

30 – quarta-feira - Doutrina

27 – quarta-feira – Distribuição Doces

29 – sexta - Exus

OUTUBRO

NOVEMBRO

DEZEMBRO

.04 – quarta-feira – Doutrina

01 – quarta-feira – Terreiro Fechado

02 - Confraternização

06 – sexta-feira – Pretos Velhos

03 – sexta-feira – Não tem Gira

08 – sexta-feira – Saudação à Oxum e bênção dos Pretos Velhos – 20h

11 – quarta-feira - Não tem Esudo Umb.

08 – quarta-feira –Doutrina

09 – Oferendas na Praia – saída 17h

12 – quinta-feira – Cachoeira / Mata

10 - sexta-feira – Saúde

13 – sexta-feira – Não tem Gira

15 – Feriado – Saudação aos Malandros

18 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

17 – sexta-feira – Caboclos

20 – sexta-feira – Caboclos

22 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

25 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

24 – sexta-feira – Exus

27 – sexta-feira - Ciganos

29 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

ATENÇÃO: NÃO É PERMITIDO PARA ATENDIMENTO, PESSOAS COM MINI-SAIAS, SHORTS OU BERMUDAS CURTAS, BLUSAS MUITO DECOTADAS OU MINI-BLUSAS, CAMISETAS TIPO MACHÃO.

A CARIDADE NÃO SERÁ NEGADA, PORÉM RESPEITEM O TEMPLO RELIGIOSO.

Baixe o seu Calendário clicando no link abaixo:

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