Natal se aproximando

domingo, janeiro 16, 2011

Enchentes e outras provações coletivas





DESENCARNAÇÕES COLETIVAS







Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos dos grandes incêndios?

(Pergunta endereçada a Emmanuel por algumas dezenas de pessoas em reunião pública, na noite de 23-2-1972, em Uberaba, Minas).

RESPOSTA:

Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado à Justiça Perfeita. E o Homem, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio.

Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.

É assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla.

Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontros marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos.

Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras.

Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas.

Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidade na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.

Criamos a culpa e nós mesmos engenhamos os processos destinados a extinguir-lhe as conseqüências. E a Sabedoria Divina se vale dos nossos esforços e tarefas de resgate e reajuste a fim de induzir-nos a estudos e progressos sempre mais amplos no que diga respeito à nossa própria segurança. É por este motivo que, de todas as calamidades terrestres, o Homem se retira com mais experiência e mais luz no cérebro e no coração, para defender-se e valorizar a vida.

Lamentemos sem desespero, quantos se fizerem vítimas de desastres que nos confrangem a alma. A dor de todos eles é a nossa dor. Os problemas com que se defrontaram são igualmente nossos.

Não nos esqueçamos, porém, de que nunca estamos sem a presença de Misericórdia Divina junto às ocorrências da Divina Justiça, que o sofrimento é invariavelmente reduzido ao mínimo para cada um de nós, que tudo se renova para o bem de todos e que Deus nos concede sempre o melhor.

Do livro Chico Xavier Pede Licença, de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires - (Espíritos Diversos)
Geem - Grupo Espírita Emmanuel Soc. Civil Editora


AS LEIS DA CONSCIÊNCIA



A resposta de Emmanuel vem do plano espiritual e acentua o aspecto terreno da autopunição dos encarnados, em virtude de um fator psicológico: o das leis da consciência. Obedecendo a essas leis, as vítimas de mortes coletivas aparecem como as mais severas julgadoras de si mesmas. São almas que se punem a si próprias em virtude de haverem crescido em amor e trazerem consigo a justiça imanente. Se no passado erraram, agora surgem como heroínas do amor no sacrifício reparador.

As leis da Justiça Divina estão escritas na consciência humana. Caim matou Abel por inveja e a sua própria consciência o acusou do crime. Ele não teve a coragem heróica de pedir a reparação equivalente, mas Deus o marcou e puniu. Faltava-lhe crescer em amor para punir-se a si mesmo. O símbolo bíblico nos revela a mecânica da autopunição cumprindo-se compulsoriamente. Mas, nas almas evoluídas, a compulsão é substituída pela compaixão.

Para a boa compreensão desse problema precisamos de uma visão clara do processo evolutivo do homem. Como selvagem ele ainda se sujeita mais aos instintos do que à consciência. Po isso não é inteiramente responsável pelos atos. Como civilizado ele se investe do livre-arbítrio que o torna responsável. Mas o amor ainda não o ilumina com a devida intensidade. As civilizações antigas (como o demonstra a própria Bíblia) são cenários de apavorantes crimes coletivos, porque o homem amava mais a si mesmo do que aos semelhantes e a Deus. Nas civilizações modernas, tocadas pela luz do Cristianismo, os processos de autopunição se intensificam.

O suicídio de Judas é o exemplo da autopunição determinada por uma consciência evoluída. O que ocorreu com Judas em vida, ocorre com as almas desencarnadas que enfrentam os erros do passado na vida espiritual. Para encontrar o alívio da consciência elas sentem a necessidade (determinada pela compaixão) de passar pelo sacrifício que impuseram aos outros. Mas o que é esse sacrifício passageiro, diante da eternidade do espírito? A misericórdia divina se manifesta na reabilitação da alma após o sacrifício para que possa atingir a felicidade suprema na qualidade de herdeira de Deus e co-herdeira de Cristo, segundo a expressão do apóstolo Paulo.

Encarando a vida sem a compreensão das leis da consciência e do processo da reencarnação não poderemos explicar a Justiça de Deus – principalmente nos casos brutais de mortes coletivas. Os que assim perecem estão sofrendo a autopunição de que suas próprias consciências sentiram necessidade na vida espiritual. A diferença entre esses casos e o de Judas é que essas vítimas não são suicidas, mas criaturas submetidas à lei de ação e reação.

Judas apressou o efeito da lei ao invés de enfrentar o remorso na vida terrena. Tornou-se um suicida e aumentou assim a sua própria culpa, rebelando-se contra a Justiça Divina e tentando escapar a ela.

Irmão Saulo (J. Herculano Pires)

Livro: Chico Xavier Pede Licença – Um Aparte do Além nos Diálogos da Terra

Francisco Cândido Xavier, por Espíritos Diversos, J. Herculano Pires

GEEM – Grupo Espírita Emmanuel Sociedade Civil Editora




OUVINDO CHICO XAVIER

PERGUNTA - Dentro da Doutrina Espírita, como se explicam as mortes, assim aos milhares, em guerras, enchentes, em toda espécie de catástrofe?

Chico Xavier - São essas provações, que coletivamente adquirimos do ponto de vista de débitos cármicos. As vezes empreendemos determinados movimentos destrutivos, em desfavor da comunidade ou do indivíduo, às vezes operamos em grupo, às vezes, em vastíssimos grupos e, no tempo devido, os princípios cármicos amadurecem, e nós resgatamos as nossas dívidas, reunindo-nos uns com os outros, quando estamos acumpliciados nas mesmas culpas, porque a Lei de Deus é a Lei de Deus, formada de justiça e de misericórdia.

Livro: "Chico Xavier - Dos Hippies aos problemas do mundo"



Compromisso e Resgate

Livro: Dimensões da Verdade - 16
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

Na terra, estás em reparo.

Retificação íntima com recuperação externa.

Ajustamento pessoal e harmonia generalizada.

Em cada madrugada doirada tens um renascimento e contigo nova oportunidade de servir e renovar-te com irremovível compromisso com a vida.

Todo dia a experiência é lição significativa como bênção que não podes ignorar.

Erro da véspera, aprendizagem para o dia.

Como não é justo gastar o tempo em arrependimento desconcertante ou em arrolamento de erros, também não é justificável ignorar a própria imprevidência a pretexto de indiferença.

O erro ou o que passa como tal, deixado a esmo sem o devido tratamento, pode ser comparado a matéria em decomposição, dominada pela vérmina, exalando miasmas...

Sofrimento e enfermidade em todo lugar e também contigo.

Corrige-te agora e ajusta-te de imediato.

Amanhã o sol será o mesmo mensageiro da luz mas as circunstâncias, pessoas e coisas estarão diferentes... e tu também.

* * *

A vida se desenvolve em ciclos perfeitos e harmoniosos.

Este grão germina dentro de um período.

Esse embrião necessita de uma etapa completa para apresentar-se.

Há ordem no Universo...

O Sol na Via-Láctea, a hemácia na composição do sangue.

Desequilíbrio também é sinônimo de caos.

Peça gasta, implemento a substituir.

Equívoco constatado, reparação próxima.

Desconsideração à ordem pode denominar-se rebeldia passível de punição.

A ferramenta em abandono perde a eficiência.

O instrumento em uso excessivo gasta a precisão.

É indispensável cooperar com o curso do progresso.

Retornar para recompor.

Punição ao crime que é correção ao criminoso.

Lei e justiça.

* * *

Considerando a própria imperfeição firma o compromisso interior de não repetir enganos nem reincidir na criminalidade. Desperto para as paisagens superiores da existência, examina o que pretendes, como pretendes, até onde pretendes ir. Sem decisão bem delineada, as atitudes são sempre oscilantes e fracas.

Quem se encontra interessado na solução dos graves e afligentes problemas que angustiam o homem, resolve avançar, decidido, apagando o passado com o claro sol do trabalho realizador do presente, sem tibieza, porquanto verifica em si mesmo que só a retidão oferece meio seguro para uma consciência tranqüila.



Quando chega a hora

© Letícia Thompson


Grandes catástrofes mexem conosco. Elas nos aterrorizam porque nos obrigam a enfrentar a nossa fragilidade diante do mundo. E por horas e horas ficamos atentos, entramos num solidário estado de choque, dor e medo.

Mas passado o primeiro susto, voltamos a uma vida normal, porque é assim, a vida continua.

E continuam também as grandes catástrofes, independentes de nós, só que em pedacinhos, sem que tenhamos consciência.

Morrem muito mais pessoas de acidentes de carro por dia que quando um avião cai. Morrem muito mais pessoas de fome no mundo por dia do que as que se vão quando um navio afunda.

Não... isso não é um consolo! Mas precisamos tomar consciência que o terror que nos assombra dos grandes acontecimentos deveria nos deixar alertas a cada dia para o que somos e do quanto nosso coração não nos pertence.

Quando nossa hora chega, ela chega, que estejamos numa viagem ou deitados na nossa cama.

O Senhor tem nosso coração nas mãos, mas nós nos esquecemos disso. Assim, vamos vivendo como se fôssemos donos de nós, quando na verdade estamos somente cumprindo nossa parte na escritura do livro da existência.

Cada dia, para cada um de nós, é um capítulo que se termina. Nossas últimas páginas, nossas últimas linhas e nosso ponto final continua um mistério.

E isso deveria nos alertar para tomarmos consciência do quanto é importante sermos bons, estarmos preparados com nossa candeia acesa, nosso coração escancarado ao perdão, à compreensão e ao amor incondicional.

Texto escrito por Letícia Thompson

contact@leticiathompson.net



Dívida e Resgate


Livro: Contos e Apólogos
Irmão X & Francisco Cândido Xavier

Na antevéspera do Natal de 1856, Dona Maria Augusta Correia da Silva, senhora de extensos haveres, retornava à fazenda, às margens do Paraíba, após quase um ano de passeio repousante na Corte.

Acompanhada de numerosos amigos que lhe desfrutariam a festiva hospitalidade, a orgulhosa matrona, na tarde chuvosa e escura, recebia os sessenta e dois cativos de sua casa que, sorridentes e humildes, lhe pediam a bênção.

Na sala grande, nobremente assentada em velha poltrona sobre largo estrado que lhe permitisse mais amplo golpe de vista, fazia um gesto de complacência, à distância, para cada servidor que exclamava de joelhos: - Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, “sinhá”.

- Louvado seja! – acentuava Dona Maria com terrível severidade a transparecer-lhe da voz.

Velhinhos de cabeça branca, homens rudes do campo, mulheres desfiguradas pelo sofrimento, moços e crianças desfilavam nas boas-vindas.

Contudo, em ângulo recuado, pobre moça mestiça, sustentando nos braços duas crianças recém-nascidas, sob a feroz atenção de capataz desalmado, esperava a sua vez.

Foi a última que se aproximou para a saudação.

A fazendeira soberana levantou-se, empertigada, chamou para junto de si o Cérbero humano que seguia de perto a jovem escrava, e, antes que a pobrezinha lhe dirigisse a palavra, falou-lhe, duramente: - Matilde, guarde as crias na senzala e encontre-me no terreiro.Precisamos conversar.

A interpelada obedeceu sem hesitação.

E afastando-se do recinto, na direção do quintal, Dona Maria Augusta e o assessor de azorrague em punho cochichavam entre si.

No grande pátio que a noite agora amortalhava em sombra espessa, a mãezinha infortunada veio atender à ordenação recebida.

- Acompanhe-nos! - determinou Dona Maria, austeramente.

Guiadas pelo rude capitão do mato, as duas mulheres abordaram a margem do rio transbordante.

Nuvens formidandas coavam no céu os medonhos rugidos de trovões remotos...

Derramava-se o Paraíba, em soberbo espetáculo de grandeza, dominando o vale extenso.

Dona Maria pousou o olhar coruscante na mestiça humilhada e falou: - Diga de quem são essas duas “crias” nascidas em minha ausência! - De “Nhô” Zico “sinhá”! - Miserável! – bradou a proprietária poderosa – meu filho não me daria semelhante desgosto.Negue essa infâmia! - Não posso! Não posso! A patroa encolerizada relanceou o olhar pela paisagem deserta e bramiu, rouquenha: - Nunca mais verá você essas crianças que odeio...

- Ah! “Sinhá” – soluçou a infeliz -, não me separe dos meninos! Não me separe dos meninos! Pelo amor de Deus!...

- Não quero você mais aqui e essas crias serão entregues à venda.

- Não me expulse, “sinhá”! Não me expulse! - Desavergonhada, de hoje em diante você é livre! E depois de expressivo gesto para o companheiro, acentuou, irônica: - Livre, poderá você trabalhar noutra parte para comprar esses rebentos malditos.

Matilde sorriu, em meio do pranto copioso, e exclamou: - Ajude-me, “sinhá”...Se é assim, darei meu sangue para reaver meus filhinhos...

Dona Maria Augusta indicou-lhe o Paraíba enorme e sentenciou: - Você está livre, mas fuja de minha presença.Atravesse o rio e desapareça! - “Sinhá”, assim não! Tenha piedade de sua cativa! Ai, Jesus! Não posso morrer...

Mas, a um sinal da patroa, o capataz envilecido estalou o chicote no dorso da jovem, que oscilou, indefesa, caindo na corrente profunda.

- Socorro! Socorro, meu Deus! Valei-me, Nosso Senhor! – gritou a mísera, debatendo-se nas águas.

Todavia, daí a instantes, apenas um cadáver de mulher descia rio a baixo, ante o silêncio da noite...

Cem anos passaram...

Na antevéspera do Natal de 1956, Dona Maria Augusta Correia da Silva, reencarnada estava na cidade de Passa-Quatro, no sul de Minas Gerais.

Mostrava-se noutro corpo de carne, como quem mudara de vestimenta, mas era ela mesma, com a diferença de que, ao invés de rica latifundiária, era agora apagada mulher, em rigorosa luta para ajudar o marido na defesa do pão.

Sofria no lar as privações dos escravos de outro tempo.

Era mãe, padecendo aflições e sonhos...Meditava nos filhinhos, ante a expectação do Natal, quando a chuva, sobre o telhado, se fez mais intensa.

Horrível temporal desabava na região.

Alagara-se tudo em derredor da casa singela.

A pobre senhora, vendo a água invadir-lhe o reduto doméstico, avançou para fora, seguida do esposo e das crianças...

As águas, porém, subiam sempre em turbilhão envolvente e destruidor, arrastando o que se lhes opusesse à passagem.

Diante da ex-fazendeira erguia-se um rio inesperado e imenso e, em dado instante, esmagada de dor, ante a violenta separação do companheiro e dos pequeninos, tombou na caudal, gritando em desespero: - Socorro! Socorro, meu Deus! Valei-me Nosso Senhor! Todavia, decorridos alguns momento, apenas um cadáver de mulher descia corrente a baixo, ante o silêncio da noite...

A antiga sitiante do Vale do Paraíba resgatou o débito que contraíra perante a Lei.

A visão espírita




Catástrofes e Desencarnes em Massa

Marcelo Henrique *



Enquanto grande parte do mundo estava envolto nas comemorações natalinas, entre sorrisos, cumprimentos e presentes, uma nação chorava a dor da destruição de cidades e a perda dos entes queridos. Estimativas não-oficiais apontam para o desencarne em massa de mais de 30 mil pessoas, sendo que mais de 100 mil pessoas perderam suas casas, importando num dos maiores cataclismas que atingiram o Irã, similar ao ocorrido em setembro de 1978.

Imagens televisivas, virtuais ou impressas nos mostram as tintas do drama de nossos irmãos no Oriente Médio. A região parece viver o seu maior martírio, pois o Irã, país vizinho ao Iraque – recém destruído pela invasão e guerra de George Bush – experimenta, agora, os reflexos da catástrofe, recolhendo seus mortos, implorando auxílio internacional para o socorro aos sobreviventes e a futura reconstrução de casas, prédios, espaços e repartições públicas.

A solidariedade fraternal do mundo fica explícita nas ações de grupos estatais e não-governamentais que remetem remédios e equipamentos clínicos, alimentos, água potável e cobertores, em paralelo aos inúmeros voluntários das cruzadas internacionais de saúde, que atendem às vítimas em meio a temperaturas muito baixas, algumas abaixo de zero. Também foram requisitados cães farejadores e aparelhos para detectar pessoas sepultadas sob os escombros. É o digno exemplo de quem se importa com o semelhante e faz o possível para minorar a dor alheia.

A filosofia espírita, debruçando-se sobre o tema que envolve os chamados desencarnes em massa, permite que entabulemos a seguinte digressão: “[...] a destruição é uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos”, a teor do contido no quesito 737 de O Livro dos Espíritos. Há, assim, três núcleos semânticos no trecho achurado: destruição, necessidade e regeneração moral. Analisemo-os.

Destruição importa necessariamente o aniquilamento da vida material, a interrupção da atual experiência reencarnatória. Há, segundo a cátedra espírita, os desencarnes naturais, os provocados e os violentos, em um dos vértices de análise conhecidos. Os naturais decorrem do esgotamento dos órgãos (questões 68 e 154, do livro citado) e representam o encerramento “programado” das existências corporais, segundo a lei de causa e efeito e o planejamento encarnatório do ser. Os provocados resultam da ação humana no espectro da criminalidade e da agressividade (assassínio, atentados, guerras). Os violentos encampam a ocorrência de catástrofes naturais (enchentes, terremotos, maremotos, ciclones, erupções, desmoronamentos, entre outros).

Em razão do fato descrito no preâmbulo deste texto, o qual motivou-nos a escrever sobre o assunto, ater-nos-emos apenas aos chamados desencarnes violentos.

Em muitas das situações, o nexo causal entre a catástrofe e a ação humana acha-se presente. Movido por interesses mesquinhos e sem a adequada compreensão do conjunto (leia-se a contemporânea preocupação com os ecossistemas, a preservação do meio ambiente), os homens alteram a composição geológica, com escavações, desmatamentos, aterros e outros mais, e sua imprevidência acaba gerando as ocorrências das mencionadas catástrofes “naturais” (questão 741 de O Livro dos Espíritos). Também podemos mencionar aqui a situação daqueles que, migrando de suas cidades para os grandes centros, habitam os morros, nas periferias das metrópoles, e, sem a mínima infra-estrutura, ficam à mercê das primeiras enxurradas, que levam seus barracos, que fazem desmoronar enormes pedras, vitimando, não-raro, diversas pessoas. Há, aí, um misto entre o evento natural e a ação humana, como causa direta do evento fatal.

Nos casos em que subsistem várias vítimas, seja em pequena, média ou grave dimensão, “[...] as faltas coletivamente cometidas são expiadas solidariamente” (Obras Póstumas, item Questões e Problemas), o que nos remete à análise de que as almas ali reunidas em desencarnes no mesmo momento temporal, possuem vínculos, muitas vezes, datados de épocas anteriores, e a circunstância de seu retorno à vida espiritual estava prevista pelo Ministério Divino, em nível de resgate (veja-se, a propósito, a questão 258 de O livro dos espíritos).

Todavia, necessário se torna qualificar a condição daqueles que, por comportamentos na atual existência, possam sublimar as provas, alterando para melhor o planejamento vital, garantindo a ampliação de sua permanência no orbe, redefinindo aspectos relativos à reparação de faltas e à construção e realização de novas oportunidades.

Num cenário altamente doloroso como o descrito nas preliminares deste ensaio, como explicar a existência de milagrosos sobreviventes, ante escombros, senão a condição de que tais espíritos, ou não eram originariamente “devedores” para encaixar-se no fatal resgate, ou conseguiram, com esforço e mérito pessoais, inverter o ônus encarnatório, credenciando-se à revisão de seu plano de vida, proporcionando uma outra e posterior causa de retorno ao plano espiritual, em outro momento mais oportuno.

A compreensão espírita, calcada no sério estudo e na relação direta entre os fundamentos filosóficos espíritas e o cotidiano do ser, na análise de tudo o que lhe rodeia, permitem, assim, a desconsideração do termo “fatalidade” como sendo algo relativo à desgraça, ao destino imutável dos seres. A teor do contido no quesito 851 do citado livro, tal fatalidade “[...] existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir.”

Neste sentido, a palavra destino também ganha um redesenho, para representar, tão-somente, o mapa de probabilidades e ocorrências da existência corporal, resultantes, em regra, das escolhas e adequações realizadas no pré-reencarne, somadas às atitudes e aos condicionantes do contexto encarnatório, onde, com base no seu discernimento e no livre-arbítrio, continuará o rol de decisões que levarão o ser aos caminhos diretamente proporcionais àquelas, colocando-o, sempre, na condição de primeiro e principal responsável por tudo o que lhe ocorra.

É verdadeiramente por isto que cognominamos o Espiritismo como a “Doutrina da Responsabilidade”, porque se-nos permite a análise criteriosa de nossa relação direta com fatos e acontecimentos da vida (material e espiritual).

Ante eventos como a catástrofe no Irã, além da possível ajuda material que possamos, daqui de longe, efetivar, que nossas vibrações e preces possam alcançar os espíritos socorristas, que encaminham as “vítimas” do desencarne em massa, ao necessário e conseqüente despertar no Novo Mundo. E que eles, despertos e recuperados das mazelas físico-espirituais, possam compreender, novamente, que o curso da evolução espiritual continua. Para eles, que voltaram e para todos nós, que ainda aqui estagiamos.

* Diretor de Política e Metodologias de Comunicação,

da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (ABRADE) e

Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana, para a Grande Florianópolis – SC.


Pesquisa e trabalho: Carlos Eduardo Cennerelli











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Calendário Assistência 2017

TENDA ESPÍRITA MAMÃE OXUM

CALENDÁRIO ASSISTÊNCIA - 2017.

C.E. Miguel Arcanjo e Tenda Espirita Mamãe Oxum-

Rua Francisco Framback, 91 E – Cascatinha - Petrópolis - RJ

ABRIL

MAIO

JUNHO

23 – Reabertura do Terreiro às 20h – Saudação à Ogum

02 – sexta-feira – Pretos Velhos

28 - sexta-feira - Exus

05 - sexta-feira – Pretos Velhos

07 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

10 - quarta-feira- Estudo da Umbanda

09 – sexta-feira – Saúde

12 - sexta-feira – Saúde

13 – terça-feira – Saudação Aos Exus – Bênção dos Pães – 20h

13 – sábado – Saudação aos Pretos Velhos

16 – sexta-feira – Não tem Gira

17 – quarta-feira – Doutrina - Vovó Catarina

21 – quart-feira – Doutrina – Vovó Catarina

19 – sexta-feira – Caboclos

23 – sexta-feira – Caboclos

24 – quarta-feira –Saudação à Sta. Sara,

e Povo Cigano

28 – quarta-feira – Doutrina

26 – sexta-feira - Malandros

30 – sexta-feira - Exus

JULHO

AGOSTO

SETEMBRO

05 – quarta-feira – Doutrina

02 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

01 – sexta-feira – Pretos Velhos

07 – sexta-feira – Pretos Velhos

04 – sexta-feira – Pretos Velhos

06 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

12 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – quarta-feira – Doutrina

08 – sexta-feira – Saúde

14 – sexta-feira – Saúde

11 – sexta-feira – Saúde

13 – quarta-feira – Doutrina

19 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

16 – quarta-feira – Saudação à Obaluaê e Omolu

15 – sexta-feira – Caboclos

21 – sexta-feira – Caboclos

18 – sexta-feira – Caboclos

20 - quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

28 – sexta-feira - Exus

23 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

22 – sexta-feira – Não Tem Gira

25 – sexta-feira – Malandros

24 – Domingo – Saudação à Ibeijada - às 17h

30 – quarta-feira – Doutrina ou Palestra

27 – quarta-feira – Distribuição Doces

29 – sexta - Exus

OUTUBRO

NOVEMBRO

DEZEMBRO

.04 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

01 – quarta-feira – Terreiro Fechado

02 - Confraternização

06 – sexta-feira – Pretos Velhos

03 – sexta-feira – Não tem Gira

08 – sexta-feira – Saudação à Oxum e bênção dos Pretos Velhos – 20h

11 – quarta-feira - Não tem Doutrina

08 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – Oferendas na Praia – saída 17h

12 – quinta-feira – Cachoeira / Mata

10 - sexta-feira – Saúde

13 – sexta-feira – Não tem Gira

15 – Feriado – Saudação aos Malandros

18 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

17 – sexta-feira – Caboclos

20 – sexta-feira – Caboclos

22 – quarta-feira – Doutrina

25 – quarta-feira – Doutrina – Doutrina ou Palestra

24 – sexta-feira – Exus

27 – sexta-feira - Ciganos

29 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

ATENÇÃO: NÃO É PERMITIDO PARA ATENDIMENTO, PESSOAS COM MINI-SAIAS, SHORTS OU BERMUDAS CURTAS, BLUSAS MUITO DECOTADAS OU MINI-BLUSAS, CAMISETAS TIPO MACHÃO.

A CARIDADE NÃO SERÁ NEGADA, PORÉM RESPEITEM O TEMPLO RELIGIOSO.

(Baixe o seu calendário em PDF, clicando aqui)

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