segunda-feira, janeiro 24, 2011

Mais que uma Tragédia




MAIS DO QUE UMA TRAGÉDIA

No Brasil, em 2010 temporais mataram pessoas em plena noite de reveillon. Janeiro de 2011 segue no mesmo caminho: o número de mortos, de alagamentos e de destruição aumenta a cada dia. Como podemos entender essas situações? Como combater o medo que aflige milhões de pessoas a cada vez que uma situação inesperada atinge a vida de desconhecidos, de conhecidos e, algumas vezes, as nossas próprias?

Você pode se perguntar o que tantas tragédias tão diferentes têm em comum. A resposta é que todas elas envolvem a morte de um grupo grande de pessoas ao mesmo tempo, em situações que angustiam quem se imagine um dia passando por elas. Inevitavelmente, quando os números assombram, nosso medo também aumenta, junto com a vontade de entender por quê esse tipo de acidente ocorre. As perguntas não calam e uma das que mais causa alarde é com relação àqueles que “escaparam” do acidente: como eu sobrevivi ao deslizamento se estava exatamente ao lado de alguém que morreu? Como eu pressenti que não deveria embarcar naquele avião e preferi mudar o horário da passagem? Como eu consegui sair do prédio apenas um segundo antes do tremor fazer com que a estrutura viesse abaixo? Será que a resposta a essas perguntas seria: “ainda não era minha hora”? E, se não era “a minha hora”, era então o momento em que todas as pessoas que morreram deveriam desencarnar – juntas?
A vida futura
Somos espíritos temporariamente habitando corpos. Individualidades e imortais. Nossos sentimentos verdadeiros nada têm de material e continuam existindo mesmo após o desembaraço do corpo físico. Essa a mensagem de Jesus e que o espiritismo vem demonstrar com as milhares, milhões de comunicações de filhos, pais, de almas apaixonadas, de amigos reais. Sem essa constatação a vida na Terra perde o sentido, as perguntas não encontram respostas e Deus seria uma abstração, para não dizer uma farsa.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec pontua que todas as máximas de Jesus se dirigem para o grande princípio da vida depois da morte. E vai além: ‘sem essa vida futura, com efeito, a maior parte dos seus preceitos de moral não teria nenhuma razão de ser’. Toda solicitude de Deus está para o que realmente importa, nossos espíritos. E ela é infinita. Essa a verdade que liberta e consola. Mas por que tantos morrendo num mesmo acontecimento?
Resgate coletivo
“Nada há de fatalidade, senão o instante da morte. Quando esse momento chega, de um jeito ou de outro, não podeis dele vos livrar”. Assim os espíritos respondem em O livro dos Espíritos sobre o perecer ou não numa determinada situação. Já a ideia de resgate coletivo entrou de forma clara no espiritismo no livro Obras Póstumas, numa mensagem assinada por Clélia Duplantier.
Diz ela: “Essas faltas coletivas (do passado) é que são expiadas coletivamente pelos indivíduos que para elas concorreram, os quais se encontram de novo reunidos, para sofrerem juntos a pena de talião”.
Léon Denis também fala a esse respeito no livro O problema do Ser, do destino e da dor, quando diz:
“Sucede que os seres humanos passíveis dessa reparação se reúnem num ponto pela força do destino, para sofrerem, numa morte trágica, as conseqüências de atos que têm relação com o passado anterior ao nascimento. Daí, as mortes coletivas, as catástrofes que lançam no mundo um aviso”. Além deles, Emmanuel e André Luiz - através da mediunidade de Chico Xavier - também falam dessas mortes e da possibilidade de serem associadas a um resgate coletivo. Tudo isso para concluir que a morte ‘trágica’ pode ter esse caráter, já que tantos espíritos encarnados e desencarnados falam dela.
Mas o espiritismo é uma doutrina que privilegia a lógica, a razão e o bom-senso. Ao se generalizar que todos aqueles que morrem em decorrência dessas tragédias estão resgatando dívidas do passado, talvez estejamos simplificando demais as possibilidades e aumentando as chances de erro.
A soberana justiça é um dos atributos de Deus e deve estar em tudo, certamente. Mas qual de nós poderia interpretá-la para dizer que tal ou qual fato foi um resgate coletivo ou não?
Se a justiça fosse medida simplesmente pelo que acontece ao corpo, teríamos então que diferenciar o nível de resgate em função da quantidade e do tipo de material a que cada um sucumbiu. Ou ainda encontrar resposta para a diferença entre resgate coletivo de milhares que deixam o corpo físico num terremoto, ou num acidente de avião, por exemplo, em comparação com mais de 2 milhões que morrem de fome, ano após ano.
Justiça dos homens
Pedro, o apóstolo, diz que é ‘o amor que cobre uma multidão de pecados’.
Não fosse verdade, a proposta do Cristo de perdoarmos setenta vezes sete não teria sentido. Se a verdadeira lei fosse o ‘olho por olho’, partiríamos para uma sociedade que educaria impondo a reparação sempre pela similitude. Chegaríamos, enfim, na defesa da pena de morte para os que mataram! Isso está em desacordo com a lei do progresso, não pode estar com a razão.
No caso do terremoto do Haiti, onde perto de 150 mil pessoas deixaram o plano físico, pode ter havido resgate coletivo, como também provas e até missões. Vamos a um caso em particular: Zilda Arns. Aos 76 anos, idade em que muitos já estão aposentados, essa médica ainda encontrava forças para amar haitianos que não conhecia, mesmo que para isso tivesse que se privar momentaneamente da companhia dos filhos e netos, que conhecia e também amava. Uma vida dedicada à vida. Como ela, certamente centenas ou milhares de outros que não sabemos nem o nome e que podem estar na mesma situação.
Seria necessário um resgate coletivo para acalmar essas consciências?
A visão espírita
Quem foi buscar o texto de Clélia Duplantier pôde ver que no complemento ela diz: “...para sofrerem juntos a pena de talião, ou para terem ensejo de reparar o mal que praticaram, demonstrando devotamento à causa pública, socorrendo e assistindo aqueles a quem outrora maltrataram.”
Já Léon Denis escreve no mesmo livro: “Todos aqueles que sofrem não são forçosamente culpados em via de expiação. Muitos são simplesmente Espíritos ávidos de progresso, que escolheram vidas penosas e de labor para colherem o benefício moral que anda ligado a toda pena sofrida”.
E em O livro dos Espíritos, no item Flagelos Destruidores fica mais claro ainda: “Durante a vida (física), o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, de maneira diversa pensa depois da morte. Ora, conforme temos dito, a vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no vosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto vos queixais. Representam um ensino que se vos dá e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real. Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a Sua solicitude. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles.”
E um pouco mais além: “Se considerásseis a vida na Terra qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Em outra vida, essas vítimas acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.”
Para os que partiram, chegou a hora. Aos que ficam, mais uma oportunidade de exercitar a fraternidade com os necessitados e a resignação na bondade e na justiça divina.


Carlos Eduardo Cenerelli



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