domingo, maio 29, 2011

Quem Sofre Muito





ENCONTRO CONTIGO MESMO

Quantas vezes te encontras com teus amigos?
E nunca te encontras contigo mesmo?
Não com o teu ego externo - sim com o teu Eu interno...
O encontro com o teu centro resolveria
os problemas das tuas periferias.


O encontro com tua alma resolveria
os problemas da tua mente e do teu corpo.
Marca, cada manhã cedo, um encontro com tua alma.
Longe de todos os ruídos da tua mente e do teu corpo.
Isola-te em profundo silêncio e solidão.
Esvazia-te de tudo que tens
- e serás plenificado pelo que és.


Faze do teu ego uma total vacuidade
- e serás plenificado pelo Eu divino.
Onde há uma vacuidade acontece uma plenitude
- é esta a maravilhosa matemática do Universo.


Entra, cada manhã, num grande silêncio
- num silêncio pleniconsciente.
No silêncio da presença.
No silêncio da plenitude.


Abre os teus canais rumo à fonte cósmica
- e as águas vivas do Universo fluirão
através de teus canais.
E nunca mais te sentirás
frustrado, angustiado, infeliz.


Esse encontro com o teu centro de energia
beneficiará todas as periferias da tua vida diária.
Até os trabalhos mais prosaicos te parecerão poéticos.
E as pessoas antipáticas te serão simpáticas.


Nenhuma injustiça te fará injusto.
Nenhuma maldade te fará mau.
Nenhuma ingratidão te fará ingrato.
Nenhuma amargura te fará amargo.
Nenhuma ofensa te fará ofensor nem ofendido.

E estenderás o arco-íris da paz
sobre todos os dilúvios das tuas lágrimas.
Se te encontrares contigo mesmo...


Isola-te, numa hora de profundo silêncio e solidão.


Mais tarde, serás capaz de estar a sós contigo
em plena sociedade,
no meio da tua atividade profissional.


E então terás resolvido definitivamente
o problema da tua vida terrestre.


O mundo de Deus
não te afastará mais do Deus do mundo.


(Do livro “De Alma para Alma”, de Huberto Rohden)

ELE É BOM - CRUCIFICA-O!
Amigo ignoto ouve e escuta a mais dura lição
que humanos ouvidos podem ouvir!
Depois de prestares à humanidade
todos os benefícios que puderes;
Depois de lhe ofereceres camo holocausto
mocidade e saúde, fortuna e saber;
Depois de esgotares o derradeiro átomo de energia
e extinguires, a serviço dos outros,
a última luz dos teus olhos;


Depois de tudo isto, amigo ignoto,
aguarda um inferno de ingratidão!
Ninguém pratica impunemente o bem
- neste mundo imundo...
Ninguém planta roseiras
- sem ferir as mãos nos espinhos...


Ninguém ilumina inteligência juvenis
- sem ser por elas explorado quando velho.
Ninguém leva outros ao cimo do ideal
- sem que eles tentem despenhá-lo ao abismo. Ninguém abre as pupilas a cegos
- sem que eles, videntes, lhe arranquem os olhos.


Ninguém dá de comer a famintos
- sem que estes, quando fartos, o devorem...
Ninguém "atira pérolas aos porcos
- sem que estes lhe metam as patas e o dilacerem".
Ninguém abençoa crianças inocentes
- sem que essas, quando adultas, prefiram a Barrabás...


Ninguém cura cegos, surdos, mudos,
coxos, leprosos, aleijados -
sem que estes suspendam na cruz seu salvador...


Ninguém ressuscita Lázaros,
jovens de Naím e filhas de Jairo
- sem que estes, redivivos, lhe tirem a vida...


Ninguém prega doutrinas divinas
nem ensina mistérios celestes - sem que seja
tachado de louco varrido ou aliado de Belzebu...


Ninguém mostra aos homens
o caminho da verdade e da vida -
sem que os homens lhe apontem o caminho do exílio...


Convence-te disto, meu ignoto amigo!
Existe a misteriosa lei da polarização psíquica...
Assim como ao polo elétrico positivo
corresponde um polo negativo,
e tanto mais negativo quanto mais positivo for aquele;
Assim como as trevas são tanto mais espessas
quanto mais intensa é a luz;


Assim como às mais altas montanhas da terra
correspondem os mais profundos abismos do mar;
Assim deve também aos mais insignes benefícios
corresponder a mais insigne ingratidão...


Desde que o Nazareno sofreu
pelo maior de todo os bens o maior de todos os males
- vigora essa lei estranha, esse paradoxo dos paradoxos...


Desterra, pois, de ti
esse desejo impuro de justiça!
Injustiça é pão quotidiano
- justiça é iguaria de festa...
Ingratidão é regra geral
- gratidão é feliz exceção...


Seja tão potente a força do teu espírito,
seja tão pujante a juventude de tua alma
- que nenhuma ingratidão te faça ingrato!
Nenhuma derrota te faça derrotista!
Nenhuma amargura te faça amargo!
Nenhuma injustiça te faça injusto!


Com os olhos no Gólgota,
marcha, firme e sereno...
... ao encontro da aurora.

Huberto Rohden 1 Huberto Rohden 2


Huberto Rohden 3 Huberto Rohden 4






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QUEM SOFRE MUITO



Quem sofre muito e, no entanto,

Não dá o braço a torcer,

Cedendo em suas ideias

Em prol do que deve ser...



Quem vive em clima de luta

Pelo que é ou não é,

Mas na errônea opinião

Bate estaca e finca o pé...



Quem chora na provação

Em que ninguém se compraz,

Mas diz que, livrar-se dela,

Tanto fez ou tanto faz...



Quem fere a cabeça a esmo

No poste da intolerância

E esmurra ponta de faca

Por sua própria jactância...



Quem guarda mágoa e não sabe

Fazer concessões ao bem,

Esquecendo ingratidão,

Calúnia, escárnio, desdém...



Revela, perante a vida,

Que, em verdade, infelizmente,

Embora sofrendo muito,

Não sofre o suficiente!...



Eurícledes Formiga

Lar Espírita Pedro e Paulo

Uberaba (MG), 17 de maio de 1997



Livro: Espinhos e Estrelas

Carlos A. Baccelli, por Espíritos Diversos

Casa Editora Espírita Pierre-Paul Didier




Estás doente?



“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará.”
(Thiago, 5:15)

Todas as criaturas humanas adoecem, todavia, são raros aqueles que cogitam de cura real.
Se te encontras enfermo, não acredites que a ação medicamentosa, através da boca ou dos poros, te possa restaurar integralmente.
O comprimido ajuda, a injeção melhora, entretanto, nunca te esqueças de que os verdadeiros males procedem do coração.
A mente é fonte criadora.
A vida, pouco a pouco, plasma em torno de teus passos aquilo que desejas.
De que vale a medicação exterior, se prossegues triste, acabrunhado ou insubmisso?
De outras vezes, pedes socorro de médicos humanos ou de benfeitores espirituais, mas, ao surgirem as primeiras melhoras, abandonas o remédio ou o conselho salutar e voltas aos mesmos abusos que te conduziram à enfermidade.
Como regenerar a saúde, se perdes longas horas na posição da cólera ou do desânimo? A indignação rara, quando justa e construtiva no interesse geral, é sempre um bem, quando sabemos orientá-la em serviço de elevação; contudo, a indignação diária, a propósito de tudo, de todos e de nós mesmos, é um hábito pernicioso, de conseqüências imprevisíveis.
O desalento, por sua vez, é clima anestesiante, que entorpece e destrói.
E que falar da maledicência ou da inutilidade, com as quais despendes tempo valioso e longo em conversação infrutífera, extinguindo as tuas forças?
Que gênio milagroso te doará o equilíbrio orgânico, se não sabes calar, nem desculpar, se não ajudas, nem compreendes, se não te humilhas para os desígnios superiores, nem procuras harmonia com os homens?
Por mais doente, meu amigo, acima de qualquer medicação, aprende a orar e a entender, a auxiliar e a preparar o coração para a Grande Mudança.
Desapega-te de bens transitórios que te foram emprestados pelo Poder Divino, de acordo com a Lei do Uso, e lembra-te de que serás, agora ou depois, reconduzido à Vida Maior, onde encontramos a própria consciência.
Foge à brutalidade.
Enriquece os teus fatores de simpatia pessoal pela prática do amor fraterno.
Busca a intimidade com a sabedoria, pelo estudo e pela meditação.
Não manches teu caminho.
Serve sempre.
Trabalha na extensão do bem.
Guarda lealdade ao ideal superior que te ilumina o coração e permanece convicto de que se cultivas a oração da fé viva, em todos os teus passos, aqui ou além, o Senhor te levantará.

Emmanuel
extraído do livro “Fonte Viva”-Ítem 86. Médium: Francisco Cândido Xavier




Acordes da Verdade


Livro: Orvalho de Luz
Sabino Batista & Francisco Cândido Xavier




As penas chegam depressa
E vão-se devagarinho,
Pois somos sempre nós mesmos
Quem lhes prepara o caminho.

Preceito claro da vida
Nos destinos mais vulgares:
Serás tanto mais feliz
Quanto menos desejares.

Onde estejas quanto possas,
Ajuda em favor de alguém...
Origem de todo mal:
Ignorância do bem.

Quem dá para receber,
Quem no que dá põe valia,
Não favorece, nem dá,
Tão - somente negocia.

Nunca vejas no vizinho
Defeitos, fraquezas, taras...
A ostra mora no lodo
Criando perolas raras.



O CUMPRIMENTO DAS LEIS


“Não vim destruir a lei.” Jesus (Mt, 5:17)


Nos tempos atuais do mundo, a cada dia surgem numerosas leis que pretendem normatizar as relações sociais dos indivíduos, as relações empresariais ou as relações internacionais. Outras leis tombam, ao mesmo tempo, revogadas por não mais atender às necessidades das áreas para as quais foram criadas.

Leis que foram feitas para manter privilégios de famílias reais ou imperiais tiveram que tombar perante o insurgimento dos povos, face à ilegitimidade ou mesmo à imoralidade daqueles estatutos.

Leis que estabeleciam a cidadania, consignando direitos e deveres de todos e de cada um foram bem-vindas, dando melhor configuração às relações da sociedade.

Leis que conferiam poderes discricionários para determinadas categorias de homens contra outros homens tiveram que cair diante dos movimentos sociais que, desejosos de eliminar privilégios e abusos oligárquicos ou grupais, expuseram as próprias vidas em favor de uma vida melhor para o futuro.

Leis que aboliram sistemas escravistas, alevantando a pessoa para os degraus da dignificação onde devia estar, foram bem-vindas nas sociedades em que foram firmadas, anunciando tempos novos nas interações humanas.

Leis que propugnavam pela perseguição dos opositores dos mandatários, enquanto ofereciam premiações a bajuladores e fâmulos covardes, quanto oportunistas, foram derrotadas e substituídas tão logo se foi desenvolvendo o amadurecimento dos legisladores dotados de mais nítida visão dos fundamentos da vida social.

Leis que favoreciam qualquer cidadão a concorrer a cargos públicos, por concursos ou sufrágio popular, foram bem-vindas por significar o exercício da justiça que estabelece a igualdade de direito entre pessoas de uma sociedade.

É francamente perceptível que a verdadeira justiça ainda não é a virtude mais apreciada em todas as sociedades do mundo.

Reconhecem-se, em incontáveis países, a força do arbítrio de consciências dominadoras, governando pela força das armas ou pelo intelecto mal conduzido, ou, ainda, pela troca de favorecimentos imorais ao arrepio de quaisquer venerandas leis existentes.

Encontram-se povos que ainda suportam a fome de alimentos, num mundo onde triunfa o desperdício e o mau uso dos bens públicos, a despeito de qualquer legislação, por mais lúcida que seja.

Ainda se vê, nos dias da atualidade, o domínio de povos sobre povos por causa de criminosos interesses no seu subsolo, nas suas riquezas culturais ou em suas posições estratégicas para fins beligerantes ou comerciais.

Tudo isso, porém, terá que passar um dia conforme os ensinamentos de Jesus.

Todas as leis de exceção desaparecerão da Terra logo que tenham desaparecido os motivos que levaram indivíduos ou sociedades a se inscrever em difíceis processos de expiação.

Como a cada um será concedido conforme suas obras, o Cristo não veio para quebrar a ordem vigorante no Universo, e a lei de causa e efeito faz parte dessa ordem, respondendo pela Justiça Divina.

No entanto, para poupar os justos dos efeitos drásticos do desequilíbrio humano, os tempos serão abreviados, em atendimentos aos preceitos da Misericórdia do Alto, diminuindo as agruras, as asperidades desses dias difíceis.

As leis de Deus, que Jesus não veio descumprir, são de perfeita justiça mas, igualmente, de perfeito amor. Nelas nenhum privilégio, nenhuma concessão indevida.

Jesus Cristo é Aquele que não veio destruir as leis divinas. Veio, em verdade, dar-lhes execução, desarticulando as leis humanas que, em oposição aos preceitos do Criador, ainda semeiam sombras, ainda impõem brutalidade e apóiam a indignidade com que são tratadas tantas comunidades indefesas.

(De “Quem é o Cristo?”, de J. Raul Teixeira, pelo Espírito Francisco de Paula Vitor – Ed. Fráter)


A Regeneração
Revista Espírita, junho de 1869

Há muitos séculos as humanidades prosseguem de maneira uniforme a sua marcha ascendente através do espaço e do tempo. Cada uma delas percorre, etapa por etapa, a rota do progresso. Se diferem quanto aos meios infinitamente diversos que a Providencia lhes concedeu, são todas chamadas a se unirem e a se identificarem na perfeição, desde que todas partem da ignorância e da inconsciência de si mesmas e avançam indefinidamente para um mesmo objetivo: Deus, para atingirem a felicidade suprema pelo conhecimento do amor.

Há universos e mundos, como povos e indivíduos. As transformações físicas da terra, que sustenta os corpos, podem ser divididas em duas formas, da mesma maneira que as transformações morais e intelectuais que alargam o espírito e o coração.

A terra se modifica pela cultura, pelo arroteamento e os esforços perseverantes dos seus possuidores e interessados. Mas a esse aperfeiçoamento incessante devemos juntar os efeitos dos grandes cataclismos periódicos, que representam o seu regulador supremo, à maneira da enxada e da charrua para o lavrador.

As Humanidades se transformam e progridem pelo estudo perseverante e pela permuta de pensamentos. Ao se instruírem e ao instruírem os outros, as inteligências se enriquecem, mas os cataclismos morais que regenerem o pensamento são necessários para determinar a aceitação de certas verdades.

Assimilam-se sem perturbações e progressivamente as conseqüências de verdade aceitas, mas é necessária uma conjugação imensa de esforços perseverantes para que novos princípios sejam aceitos. Marcha-se lentamente e sem fadiga por um caminho plano, mas são necessárias todas as forcas para subir-se uma senda agreste e superar os obstáculos que surgem. Assim também, para avançar, o homem tem de quebrar as cadeias que o prendem ao pelourinho do passado através do habito, da rotina e dos preconceitos. Do contrario continuara firme e ele rodara num circulo vicioso, sem saída, ate compreender que, para superar a resistência que lhe fecha a rota do futuro, não basta quebrar as velhas armas estragadas, mas é indispensável fazer outras.

Destruir um navio que faz água por todos os lados, antes de empreender uma travessia marítima, é medida de prudência, mas será ainda necessário, para realizar a viagem, construir novos meios de transporte. Eis, no entanto, atualmente, onde se encontram certos homens avançados, no mundo moral e filosófico e em outros mundos do pensamento! Tudo solaparam, tudo atacaram! As ruínas se espalham por toda parte, mas eles ainda não compreenderam que é necessário elevar, sobre essas ruínas, alguma coisa mais seria do que um livre pensamento e uma independência moral, independentes apenas da moral e da razão. O nada em que se apóiam é uma palavra profunda somente por ser vazia. Se Deus não pode mais criar os mundos do nada, não pode o homem criar novas crenças sem bases. Essas bases estão no estudo e na observação dos fatos.

A verdade eterna, como a lei que a confirma, não dependem da aceitação dos homens para existir. Ela é. E governa o Universo a despeito dos que fecham os olhos para não vê-la. A eletricidade existia antes de Galvani e o vapor antes de Papin, como a nova crença e os princípios filosóficos do futuro, antes mesmo que os publicistas e os filósofos os confirmem.

Sede os pioneiros perseverantes e infatigáveis! Se vos chamarem de loucos, como a Salomao de Caus, se vos repelirem como a Fulton, continuai avançando, porque o tempo, o juiz supremo, fará surgir das trevas os que alimentam o farol que deve, um dia, iluminar toda a Humanidade.

Na Terra, o passado e o futuro são os dois braços de uma alavanca que tem no presente o seu ponto de apoio. Enquanto a rotina e os preconceitos dominam, o passado esta no apogeu. Quando a luz se faz, a alavanca se move e o passado que já escurecia desaparece, para dar lugar ao futuro que alvorece.

Allan Kardec.


Nossas Crianças Especiais


Livro: Desafios da Educação
Camilo & J. Raul Teixeira


Qual deve ser o comportamento dos pais perante o filho que nasce portando deficiências físicas ou mentais? É possível desenvolver-se uma vida saudável ao lado dessas criaturas?

Embora as compreensíveis frustrações que costumam invadir a alma dos pais de filhos portadores de deficiências quaisquer, a certeza divina deve ser para eles o grande arrimo, o indispensável consolo.

Conscientes de que não há injustiçados pelas leis de Deus sobre a Terra, o problema com que seus filhos se acham assinalados está na pauta da lei de causalidade.

Na certeza de que "o Pai não dá pedra ao filho que pede pão", reconhecerá que se essas crianças renasceram sob seus cuidados pater-maternais, é porque eles, os ajudaram na marcha dos equívocos, de múltiplas formas, ou porque prometeram no mundo espiritual dar-lhes amparo, orientação, mão amiga, a fim de que atravessassem as estradas das expiações com real aproveitamento das limitações.

Importante é que esses pais, com filhos seriamente limitados, por isto profundamente dependentes de cuidados, sensibilizem-se perante os filhinhos carentes e muito amados, interpretando-os como pedras preciosas que o Criador colocou sob seus cuidados, sob seus desvelos, de modo a transformá-las em gemas rutilantes, valiosas, glorificando a vida.

Pais existem que são levados pelas leis da vida ao sacrifício, profundamente doloroso, de atuarem junto a filhos com inclinações criminosas, outros viciosos, outros atormentados da sexualidade transformando a reencarnação num escândalo, e outros mais em que se reúnem todos esses infelizes traços.

Como falar-se de problemas de filhos lesados biológica ou mentalmente, perto desses outros pais que têm herdeiros de corpos perfeitos, às vezes de linhas modelares, de almas corroídas e ações corrompidas, contudo?

Como cada pai e mãe defrontam seus compromissos ante as augustas leis de Deus?

A vida junto aos filhos portadores de deficiência se mostrará tão normal quanto o permitam a maturidade e a visão do mundo que tenham; serão tão felizes quanto se sintam cooperadores de Deus, enquanto crescem, a seu turno, para o Grande Amanhã, quando se encontrarão em plenitude de saúde e harmonia com os filhos redimidos, sadios, felizes.


A voz do anjo guardião
(Médium, senhorita Huet)

Todos os homens são médiuns; todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando sabem escutá-lo. Agora que alguns comunicam diretamente com ele por uma mediunidade particular, que outros não ouvem senão pela voz do coração e da inteligência, pouco importa, não deixa de ser o seu Espírito familiar que os aconselha. Chama-o Espírito, razão, inteligência, é sempre uma voz que responde à vossa alma e vos diz boas palavras; somente não as compreendeis sempre. Nem todos sabem agir segundo os conselhos dessa razão, mas não essa razão que se arrasta e rasteja antes que não caminhe, essa razão que se perde no meio dos interesses materiais e grosseiros, mas essa razão que eleva o homem acima de si mesmo, que o transporta para regiões desconhecidas; chama sagrada que inspira o artista e o poeta, pensamento divino que eleva o filósofo, impulso que arrebata os indivíduos e os povos, razão que o vulgo não pode compreender, mas que aproxima o homem da divindade, mais do que nenhuma outra criatura; entendimento que sabe conduzi-lo do conhecido ao desconhecido, e fá-lo executar as coisas mais sublimes. Escutai, pois, essa voz do interior, esse bom gênio que vos fala sem cessar, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo guardião que vos estende as mãos do alto do céu.

CHANNING


Os Missionários
(Remessa do Sr. Sabò, de Bordeaux.)

Vou dizer-vos algumas palavras para vos fazer compreender o objetivo que se propõem os Missionários deixando a pátria e a família para irem evangelizar as populações ignorantes ou ferozes, posto que irmãos, mas inclinados ao mal e não conhecendo o bem; ou para irem pregar a mortificação, a confiança em Deus, a prece, a fé, a resignação nas dores, na caridade, a esperança de uma vida melhor depois do arrependimento; dizeis, não está aí o Espiritismo? Sim, almas de elite que sempre servistes a Deus ou observastes fielmente as suas leis; que amais e socorreis o vosso próximo, vós sois Espíritas. Mas não conheceis essa palavra de criação nova, e aí vedes um perigo. Pois bem! Uma vez que a palavra vos assusta, não a pronunciamos mais diante de vós, até que vós mesmos venhais pedir esse nome, que resume a existência de Espíritos e suas manifestações: o Espiritismo.

Irmãos amados, que são os Missionários junto das nações na infância? Espíritos em missão que são enviados por Deus, nosso pai, para esclarecerem pobres Espíritos mais ignorantes:

para lhes ensinar a esperar nele, a conhecê-lo, a amá-lo, a ser bons esposos, bons pais, bons para seus semelhantes; para lhes dar, tanto quanto comporte sua a natureza inculta, a idéia do bem e do belo. Ora, vós, que sois tão fiéis pela vossa inteligência, sabei que partistes de tão baixo, e que tendes ainda muito a fazer para chegar ao mais alto grau. Eu vos pergunto, meus amigos, sem as missões e os Missionários, em que se tornariam essas pobres pessoas abandonadas às suas paixões e à sua natureza selvagem? Mas dizeis: Sois vós que, a exemplo desses homens devotados, ireis pregar o Evangelho a esses irmãos rudes? Não, não sois vós: tendes uma família, amigos, uma posição que não podeis abandonar; não, não sois vós que amais as doçuras da lareira doméstica; não, não sois vós, que tendes a fortuna, honras, todas as felicidades, enfim, que satisfazem a vossa vaidade e o vosso egoísmo; não, não sois vós. São necessários homens que deixem o teto paterno a pátria com alegria; homens que façam pouco caso da vida, porque freqüentemente ela é cortada pelo ferro e o fogo; são necessários homens bem convencidos de que, se vão trabalharem na vinha do Senhor e irrigarem com o seu sangue, encontrarão no Mais Alto a recompensa de tantos sacrifícios; dizei, são esses materialistas que seriam capazes de um tal devotamento, aqueles que não esperam mais nada depois desta vida? Crede-me, são Espíritos enviados por Deus. Não riais, pois, daquilo que chamais sua tolice, porque são instruídos, e, expondo sua vida para esclarecer seus irmãos ignorantes, têm direito ao vosso respeito e à vossa simpatia. Sim, são Espíritos encarnados que têm a missão perigosa de irem esclarecer essas inteligências incultas, como outros Espíritos mais elevados têm por missão vos fazer progredir, vós mesmos.

O que acabamos de fazer, meus amigos, é do Espiritismo; não vos assusteis, pois, com esta palavra; não riais mais dela, sobretudo, porque é o símbolo da lei universal que rege os seres vivos da criação.

ADOLFO, bispo de Alger.


Dissertações Espíritas
A Verdade vai nascer
Revista Espírita, abril de 1861

(Envio do Sr. Sabo, de Bordeaux.)

Quais são os dolorosos gemidos que vêm ressoar até o meu coração e fazem-no vibrar todas as fibras? É a Humanidade que se debate sob os esforços de um rude e penoso trabalho, porque ela vai dar nascimento à Verdade. Acorrei, pois, Espíritas, alinhai-vos em tomo de seu leito de sofrimento; que os mais fortes dentre vós tenham seus membros rijos sob as convulsões da dor: que outros esperem o nascimento dessa criança e a recebam em seus braços na sua entrada na vida. O momento supremo chega; ela se escapa, por um último esforço, do seio que a concebeu, deixando sua mãe algum tempo abatida sob a atonia da fraqueza. Entretanto, ela nasceu sã e robusta, e de seu largo peito aspira a vida a plenos pulmões. Vós, que assistis ao seu nascimento, é necessário que a seguis passo a passo em sua vida. Vede! A alegria de ter dado o nascimento dá à sua mãe uma recrudescência de força e de coragem, e de seus acentos fraternais ela chama todos os homens para se agruparem em torno dessa criança de bênção, porque pressente que de sua voz retumbante vai, em alguns anos, fazer cair a base do Espírito de mentira, e, verdade imutável como o próprio Deus, chamar para o Espiritismo todos os homens sob a sua bandeira. Mas não comprará o triunfo senão ao preço da luta, porque há inimigos obstinados que conspiram a sua perda, e esses inimigos são o orgulho, o egoísmo, a cupidez, a hipocrisia e o fanatismo, inimigos todo-poderosos que até então reinaram com império e não se deixarão destronar sem resistência. Alguns riem de sua fraqueza, mas outros temem a sua chegada e pressentem a sua ruína; por isso eles procuram fazê-la perecer, como outrora Herodes procurou fazer Jesus perecer no massacre dos Inocentes. Essa criança não tem pátria; ela erra sobre toda a Terra, procurando o povo que, o primeiro, que erguerá a sua bandeira, e esse povo será o mais poderoso entre os povos, porque tal é a vontade de Deus.


O Anjo Gabriel
Evocação de um bom Espírito, pela senhora de X..., em Souttz, Haut-Rnin.

Eu sou Gabriel, o anjo do Senhor, que me encarrega de vos bendizer, não por vossos méritos, mas pelos esforços que fazeis para adquiri-los.

A vida deve ser um combate; não é necessário jamais deter-se, jamais oscilar entre o bem o e mal; a hesitação já vem de Satã, quer dizer, dos maus Espíritos. Coragem, pois! E quanto mais encontrardes de espinhos em vosso caminho, mais esforços vos serão necessários para prosseguir. Se ele fora semeado com rosas, que mérito teríeis diante de Deus? Cada um tem o seu calvário sobre a Terra, mas nem todos o percorrem com essa doce resignação de que Jesus nos deu o exemplo. Ela foi tão grande que os anjos se emocionaram! E os homens! Apenas vertem uma lágrima a tantas dores! Ó dureza do coração humano! Mereceis a semelhante sacrifício? Lançai vossa fronte na poeira, e gritai misericórdia ao Deus mil vezes bom, mil vezes doce, mil vezes misericordioso! Um olhar, ó meu Deus! sobre a vossa obra, sem isso ela perecerá! Seu coração não está à altura do vosso; não pode compreender esse excesso de amor de vossa parte. Tende piedade; tende mil vezes piedade de vossa fraqueza. Levantai a sua coragem por pensamentos que não podem vir senão de vós. Bendizei-os, sobretudo, afim de que carreguem frutos dignos de vossa imensa grandeza!

Hosana ao mais alto dos céus! E paz aos homens de boa vontade!

Assim é que terminarei as palavras que Deus me ordenou vos transmitir.

Sede benditos no Senhor, afim de que desperteis, um dia, em seu seio.



Despertai
(Sociedade Espirita de Paris. Médium senhora Costel.)

Falar-te-ei dos sintomas e das predições que, por toda a parte, anunciam a chegada de grandes acontecimentos que o nosso século encerra. Por uma tocante bondade, os Espíritos, mensageiros de Deus, advertem o Espírito dos homens, como as dores advertem a mãe de seu parto próximo. Esses sinais, freqüentemente menosprezados, e todavia sempre justificados, se multiplicam ao infinito, neste momento. Por que sentis todos o Espírito profético agitar os vossos corações e sacudir as vossas consciências? Por que as incertezas? Por que as fraquezas que perturbam os corações? Por que o despertar do espírito público que, por toda parte, arvora a sua orgulhosa bandeira? Por quê? É que os tempos estão chegados; É que o reino do materialismo abala-se, e vai desmoronar-se; é que os gozos do corpo, logo menosprezados, vão dar lugar ao reino da idéia; é que o edifício social está carcomido, e vai dar lugar à jovem e triunfante legião das idéias Espíritas, que fecundarão as consciências estéreis e os costumes mudos. Que essas palavras, incessantemente repetidas, não vos encontrem distraídos e indiferentes; recolhei, depois que o lavrador semeou, as preciosas espigas que nascerem; não digais: a vida segue o seu curso e uma marcha normal; os nossos pais nada viram do que se anuncia hoje: não veremos mais do que eles. Adoraremos o que eles adoraram, ou antes substituímos a adoração por fórmulas vás, e tudo estará bem. Assim falando, dormis; despertai, porque não é a trombeta do julgamento final que estourará em vossos ouvidos, mas a voz da verdade; não se trata da morte vencida e humilhada, trata-se da vida presente, ou antes, da vida eterna; não a esqueçais e despertai.

HELVÉTIUS


O gênio e a miséria
(Sociedade Espírita de Paris. Méd. Sr. Alfred Didier.)

Há uma prova muito grande sobre a Terra, e sobre a qual a moral do Espiritismo deve sobretudo se apoiar, é essa prova horrível do homem de gênio, sobretudo daquele que está dotado de faculdades superiores, presa às exigências da miséria. Ah! sim; essa prova moral, essa miséria da inteligência, bem mais que a do corpo, será um mérito maior para o homem que houver cumprido a sua missão. Compreendei essa luta incessante do talento contra a miséria, essa harpia que se lança sobre vós, durante o festim da vida, semelhante ao monstro de Virgílio, e que diz a todas as suas vítimas: Sois poderosos, mas eu que vos mato, sou eu que devolve ao nada os dons de vossa inteligência, porque eu sou a morte do gênio. Eu o sei, só alguns são vencidos; mas outros, quantos são? Há um pintor da escola moderna que assim concebeu esse assunto. Um ser, o gênio, do qual as asas se desdobram, e cujos olhares estão do lado do sol; ele quase se levanta, e cai sobre o rochedo, onde estão fixadas as cadeias de ferro que o reterão, talvez, para sempre. O homem que viu esse sonho e que talvez esteve acorrentado, ele também, e talvez depois de sua libertação, se lembrou daqueles que deixara para sempre sobre o rochedo.

Gérard DE NERVAL.


Transformação
(Sociedade Espírita de Paris. Médium senhora Costel.)

Venho falar-te, da coisa que mais importa, nesta época de crise e de transformação; no momento em que as nações vestem a roupa viril, no momento em que o céu descoberto vos mostra, flutuando nos espaços infinitos, os Espíritos daqueles que acreditáveis dispersos como moléculas ou servindo de pasto aos verdes; neste momento solene, é necessário que, se armando da fé, o homem não caminhe mais às cegas nas trevas do personalismo e do materialismo. Como outrora os pastores, guiados por uma estrela, vieram adorar o Menino-Deus, é necessário que o homem, guiado pela brilhante aurora do Espiritismo, caminhe, enfim, para a Terra prometida da liberdade e do amor; é necessário que, compreendendo o grande mistério, saiba que o objetivo harmonioso da Natureza, seu ritmo admirável, são os modelos da Humanidade. Nessa espantosa diversidade que confunde os Espíritos, distingui a perfeita semelhança das relações entre as coisas criadas e os seres criados, e que essa poderosa harmonia vos inicie a todos, homens de ação, poetas, artistas, trabalhadores, à união na qual devem fundir-se os esforços comuns durante a peregrinação da vida. Caravanas assaltadas pelas tempestades e pelas adversidades, estendei-vos mãos amigas, e caminhai com os olhos fixos no Deus justo que recompensa, ao cêntuplo, aquele que tiver aliviado o fraco e o oprimido.

GEORGES.


A aurora dos novos dias.
(Sociedade Espírita de Paris, Médium, Senhora Costel.)

Eis-me aqui, eu que não mais evocais, mas que estou desejosa de ser útil, ao meu turno, a uma sociedade cujo objetivo é tão sério quanto o é o vosso. Falar-vos-ei de política. Não vos assusteis: eu sei em quais limites devo me encerrar.

A situação atual da Europa oferece o aspecto mais surpreendente para o observador; em nenhuma época, disso não excetuo mesmo o fim do último século que operou uma tão grande abertura nos preconceitos e nos abusos que comprimiam o espírito humano; em nenhuma época, digo eu, o movimento intelectual se fez sentir mais temerário, mais franco. Digo franco, porque o espírito europeu caminha na verdade. A liberdade não é mais um fantasma sangrento, mas a bela e grande deusa da prosperidade pública. Na Alemanha mesmo, nessa Alemanha que descrevi com tanto amor, o sopro ardente da época abate as últimas fortalezas dos preconceitos. Sede felizes, vós que viveis em um tal momento; mas mais feliz ainda serão os vossos descendentes; porque a hora se aproxima, a hora anunciada pelo Precursor; vedes branquear o horizonte, mas, como outrora os Hebreus, permanecereis no limiar da Terra Prometida, e não vereis se levantar o sol radioso dos novos dias.

STAEL.

ALLAN KARDEC.


O Coliseu
(Envio do Sr. conde X... de Roma; traduzido do italiano.)

Que sentimento a visão do Coliseu faz nascer em vós? o que produz o aspecto de toda ruína: a tristeza. Suas vastas e belas proporções lembram todo um mundo de grandeza; mas sua decrepitude, involuntariamente, leva o pensamento sobre a fragilidade das coisas humanas. Tudo passa; e os monumentos, que parecem desafiar o tempo, desmoronam, como para provar que não há de durável senão as obras de Deus; e quando as ruínas, semeadas por toda parte, protestam contra a eternidade das obras do homem, ousais chamar eterna uma cidade juncada de restos do passado!

"Onde estais, Babilônia? Onde estais, Nínive? Onde estão os vossos imensos e esplêndidos palácios? Viajores, procurai-as em vão sob a areia do deserto; não vês que Deus as suprimiu de cima da terra? Roma! esperas desafiar as leis da Natureza? Eu sou cristã, dizes, e Babilônia era paga. Sim, mas és de pedra como ela, e um sopro de Deus pode dispersar essas pedras amontoadas. O solo que treme ao teu redor não está aí para advertir que teu berço, que está sob os teus pés, pode se tornar teu túmulo? Eu sou cristã, dizes, e Deus me protege! Mas ousas te comparar a esses primeiros cristãos que morriam pela fé, e cujos pensamentos todos já não eram deste mundo, tu que vives de prazer, de luxo e de moleza? Lança os olhos sobre essas arenas diante das quais passas com tanta indiferença; interroga essas pedras ainda de pé e elas te falarão, e a sombra dos mártires aparecerá para te dizer: Que fizeste da simplicidade da qual nosso divino Mestre nos fez uma lei, da humildade e da caridade das quais nos deu o exemplo? Tinham palácios, estavam vestidos de ouro e de seda esses primeiros propagadores do Evangelho? Suas mesas regurgitavam de supérfluo? Tinham legiões de servidores inúteis para lhes gabar seu orgulho? O que há de comum entre eles e ti? Eles não procuravam senão os tesouros do céu, e tu procuras os tesouros da Terra! Oh! homens que vos dizeis cristãos, vendo o vosso apego aos bens perecíveis deste mundo, dir-se-á verdadeiramente que não contais com os da eternidade. Roma! que te dizes imortal, possam os séculos futuros não procurar o teu lugar, como hoje se procura o de Babilônia!

"DANTE."

Nota. Por uma singular coincidência, estas duas últimas comunicações chegaram no mesmo dia. Embora tratando do mesmo assunto, vê-se que os Espíritos o encararam cada um de acordo com o seu ponto de vista pessoal. O primeiro vê a Roma religiosa e, segundo ele, ela é eterna, porque será sempre a capital do mundo cristão; o segundo vê a Roma material, e diz que nada daquilo que os homens levantam pode ser eterno. De resto, sabe-se que os Espíritos têm as suas opiniões, e que podem diferir entre eles na maneira de ver, quando estão imbuídos das idéias terrestres: só os Espíritos mais puros estão isentos de preconceitos; mas, à parte a opinião que pode ser controvertida, não se pode recusar, a essas duas comunicações, uma grande elevação de estilo e de pensamento, e cremos que não seriam desaprovadas pelos escritores cujos nomes trazem.



Vinde a nós
(Envio da Sra. Cazemajoux, médium de Bordeaux.)

O Espiritismo é a aplicação da moral evangélica, pregada pelo Cristo em toda a sua pureza, e os homens que o condenam, sem conhecê-lo, são pouco sábios. Com efeito, por que qualificar de superstição, de fraudes, de sortilégios, de demonomania coisas que o vulgar bom senso faria aceitar se quisesse estudá-las? A alma é imortal: é o Espírito. A matéria inerte é o corpo perecível, despojando-se de suas formas, para não se tornar, quando o Espírito o deixou, senão um montão de podridão sem nome. E encontrais lógica, vós que não credes no Espiritismo, que esta vida que, para a maioria dentre vós, é uma vida de amargura, de dores, de decepções, um verdadeiro purgatório, que não haja outro objetivo senão o túmulo! Desenganai-vos; vinde a nós, pobres deserdados dos bens, das grandezas e dos gozos terrestres, vinde a nós e sereis consolados vendo que as vossas dores, as vossas privações, os vossos sofrimentos, devem vos abrir as portas dos mundos felizes, e que Deus, justo e bom para todas as suas criaturas, não nos experimenta senão para o nosso bem, segundo esta palavra do Cristo. Bem-aventurados aqueles que choram, porque serão consolados. - Vinde, pois, incrédulos e materialistas; alinhai-vos sob a bandeira onde estão escritas, em letras de ouro, estas palavras: Amor e caridade para os homens que são teus irmãos; bondade, justiça, indulgência de um pai grande e generoso para os Espíritos que criou, e que ele eleva para si por caminhos seguros, embora vos sejam desconhecidos; a caridade, o aperfeiçoamento moral, o desenvolvimento intelectual, vos conduzirão para o autor e o senhor de todas as coisas.

Não vos instruímos senão para que trabalheis, ao vosso turno, em divulgar essa instrução; mas, sobretudo, fazei-o sem azedume; sede pacientes e esperai. Lançai a semente; a reflexão e a ajuda de Deus a farão frutificar, primeiro por um pequeno número que fará como vós, e pouco a pouco, o número dos obreiros aumentando, os fará esperar depois das sementes uma boa e abundante colheita.

FERDINAND,

Filho do médium.

Os Ataques contra a idéia nova
Como vedes, começam a comentar as idéias espíritas até nos cursos de teologia, e a Revista Católica com a pretensão de mostrar ex-professo, como dizem, que o Espiritismo atual é obra do demônio, assim como isso resulta do artigo intitulado do Satanismo no Espiritismo moderno, que dá a dita Revista. Ora essa! Deixai dizer, deixai fazer: o Espiritismo é como o aço, e todas as serpentes possíveis usarão seus dentes para mordê-lo. Seja como for, há aí um fato digno de nota: é que outrora desdenhava-se de se ocupar daqueles que faziam girar cadeiras e mesas, ao passo que, hoje, ocupa-se muito com esses inovadores, cujas idéias e teorias se elevaram à altura de uma doutrina. Ah! É que essa doutrina, essa revelação, ataca vivamente todas as antigas doutrinas, todas as antigas filosofias, insuficientes para satisfazerem as necessidades da razão humana. Também abades, sábios, jornalistas, descem a pena à mão na arena, para repelir a idéia nova: o progresso. Ah! que importa! Não é uma prova irrecusável da propagação de nossos ensinos? Ide! Não se discute, não se combate senão as idéias realmente sérias e bastante partilhadas para que não se possa mais tratá-las de utopias, de coisas vãs, emanadas de alguns cérebros doentes. De resto, melhor do que ninguém, sois capazes de ver aqui com que rapidez o Espiritismo se recruta cada dia, e isto até nas fileiras esclarecidas do exército, entre os oficiais de todas as armas. Não vos inquieteis, pois, com todos esses infelizes que uivam sem resultado! Porque não sabem mais onde estão: estão confundidos. Suas certezas, suas probabilidades se esvanecem à luz espírita, porque, no fundo de suas consciências, sentem que só nós estamos na verdade; digo nós, porque hoje, Espíritos ou encarnados, não temos senão um objetivo: a destruição das idéias materialistas e a regeneração da fé em Deus, a quem todos devemos.

ERASTO (Médium, Sr. d'Ambel).



Perseguição
Vamos! bravos, filhos! estou feliz de vos ver reunidos, lutando com zelo e persistência. Coragem! trabalhai rudemente no campo do Senhor; porque, eu vo-lo digo, chegará um tempo em que não será mais à portas fechadas que será preciso pregar a doutrina santa do Espiritismo.

Flagelou-se a carne, deve-se flagelar o Espírito; ora, em verdade vos digo, quando esta coisa chegar, estareis perto de cantar, todos juntos, o cântico de ação de graças, e há de se estar perto de ouvir um único e mesmo grito de alegria sobre a Terra! Eu vo-lo digo, antes da idade de ouro e do reino do Espírito, são necessários os dilaceramentos, os ranger de dentes e as lágrimas.

As perseguições já começaram. Espíritas! sede firmes, e permanecei de pé: estais marcados pelo ungido do Senhor. Sereis tratados de insensatos, de loucos e de visionários; não se fará mais ferver o azeite, não se levantarão mais cadafalsos nem fogueiras mas o fogo de que se servirá para vos fazer renunciar às vossas crenças será mais pungente e mais vivo ainda. Espíritas! despojai-vos, pois, do homem velho, uma vez que é ao homem velho que se fará sofrer; que as vossas novas túnicas sejam brancas; cingi as vossas frontes de coroas e preparai-vos para entrar na liça. Sereis amaldiçoados: deixai vossos irmãos vos chamar racca, orai por eles, ao contrário, e afastai de suas cabeças o castigo que o Cristo disse reservar àqueles que dissessem racca aos seus irmãos!

Preparai-vos para as perseguições pelo estudo, pela prece e pela caridade; os servidores serão expulsos de entre seus senhores e tratados de loucos! Mas, à porta da morada, reencontrarão a Samaritana e, embora pobres e privados de tudo, repartirão ainda com ela o último pedaço de pão e suas roupas. A esse espetáculo, os patrões dirão a si mesmos: Mas, quem são, pois, esses homens que expulsamos de nossas casas! Eles não têm senão um pedaço de pão para viver esta noite, e o dão; não têm senão um casaco para se cobrir, e o partilham em dois com um estranho. Será então que suas portas serão abertas de novo, porque sois vós os servidores do senhor; mas, desta vez, eles vos acolherão, vos abraçarão; vos conjurarão a bendizê-los e lhes ensinar a amar; não vos chamarão mais servidores, nem escravos, mas vos dirão: Meu irmão, vem sentar-te à minha mesa; não há mais do que uma única e mesma família sobre a Terra, como não há senão um único e mesmo pai no céu.

Ide, ide, meus irmãos! pregai e, sobretudo, sede unidos: o céu vos está preparado.


As duas lágrimas
(Sociedade Espírita de Lyon; grupo Vilon. - Médium, senhora Bouilland.)

Um Espírito iria deixar forçosamente a Terra, que não teria podido visitar, porque vinha de uma região bem inferior; mas tinha pedido para sofrer uma prova, e Deus não lha havia recusado. Pois bem! a esperança que havia concebido à sua entrada no mundo terrestre não se realizara, e sua natureza abrupta tendo retomado o superior, cada um de seus dias foi marcado pelo mais negro crime. Durante muito tempo, todos os Espíritos guardiães dos homens haviam tentado afastá-lo da senda que seguia, mas, cedendo de cansaço, tinham abandonado esse infeliz a si mesmo, quase temendo seu contato. Todavia, cada coisa tem um fim; cedo ou tarde o crime se descobre, e a justiça repressiva dos homens impõe ao culpado a pena de talião. Esta vez não foi cabeça por cabeça: foi cabeça por cento; e ontem esse Espírito, depois de permanecer meio século sobre a Terra, ia retornar ao espaço, para ser julgado pelo Juiz supremo, que pesa as faltas muito mais inexoravelmente que vós mesmos não poderíeis fazê-lo.

Em vão os Espíritos guardiães se ocuparam com a condenação e tinham tentado introduzir o arrependimento nessa alma rebelde; em vão levaram junto dele os Espíritos de toda a sua família: cada um quisera poder arrancar-lhe um suspiro de remorso, ou somente um sinal; o momento fatal se aproximava, e nada enfraquecia essa natureza bronzeada e, por assim dizer, bestial; no entanto, um único arrependimento, antes de deixar a vida, teria podido abrandar os sofrimentos desse infeliz, condenado pelos homens a perder a vida, e por Deus aos remorsos incessantes, torturas terríveis, semelhantes ao abutre roendo o coração que renasce sem cessar.

Enquanto os Espíritos trabalhavam sem descanso para fazer nascer nele pelo menos um pensamento de arrependimento, um outro Espírito, Espírito encantador, dotado de uma sensibilidade e de uma ternura sublimes, voava ao redor de uma cabeça muito cara, cabeça vivente ainda, e lhe dizia: "Pensa nesse infeliz que vai morrer; fala-me dele." Quando a caridade é simpática, quando dois Espíritos se entendem e não fazem dela senão um, o pensamento é como elétrico. Logo o Espírito encarnado diz ao mensageiro do amor: "Meu filho, trata de inspirar um pouco de remorsos a este miserável que vai morrer; vai, consola-o!" E nele pensando compreende-se tudo que o infortunado criminoso iria ter de sofrimentos a suportar para a sua expiação, uma lágrima furtiva escapou daquele que, só, nessa hora matinal, despertara pensando nesse ser impuro que, num instante, deveria prestar suas contas. O doce mensageiro recolheu essa lágrima benfazeja na concha de sua pequena mão; e, num vôo rápido, levou-a para o tabernáculo que encerra semelhantes relíquias, e fez assim a sua prece: "Senhor, um ímpio vai morrer; vós o condenastes, mas dissestes: "Perdôo ao remorso, concedo indulgência ao arrependimento". Eis uma lágrima de verdadeira caridade, que traspassou do coração aos olhos do ser que eu mais amo no mundo. Eu vos trago esta lágrima: é o resgate do sofrimento; dai-me o poder de abrandar o coração de rocha do Espírito que vai expiar seus crimes. - Vai, responde-lhe o Mestre; vai, meu filho; essa lágrima bendita pode pagar muitos resgates."

A doce filha tornou a partir: chega junto ao criminoso no momento do suplício; o que ela lhe diz só Deus o sabe; o que se passou neste ser desviado, ninguém não o compreendeu, mas, abrindo os seus olhos à luz, viu se desenrolar diante dele todo um passadoterrível. Ele, que o instrumento fatal não havia abalado; ele, que a condenação à morte fê-lo sorrir, levantou os olhos e uma grossa lágrima, ardente como chumbo fundido, tombou de seus olhos. A essa prova muda, que lhe testemunhava que sua prece havia sido atendida, o anjo da caridade estendeu sobre o infeliz as suas brancas asas, recolheu essa lágrima e parecia dizer: "Infortunado! sofrerás menos: levo a tua redenção."

Que contraste pode inspirar a caridade do Criador! O ser mais impuro sobre os últimos degraus da escala, e o anjo mais casto que, prestes a entrar no mundo dos eleitos, vem, a um sinal, estender a sua proteção visível sobre esse pária da sociedade! Deus bendiz, do alto de seu poderoso tribunal, esta cena tocante, e nós todos, dizemos cercando essa criança: 'Vai receber a tua recompensa." A doce mensageira remontou aos céus, sua lágrima de lava na mão, e pôde dizer: "Mestre, ele chorou, eis a prova! - Está bem, responde o Senhor; conservai essa primeira gota de orvalho do coração endurecido; que essa lágrima fecunda vá regar esse Espírito ressecado pelo mal; mas guardai, sobretudo, a primeira lágrima que esta criança me trouxe; que essa gota d'água se torne diamante puro, porque é bem a pérola sem mácula da verdadeira caridade. Relatai este exemplo aos povos e dizei-lhes: "Solidários uns com os outros, vede, eis "uma lágrima de amor e de humanidade, e uma lágrima de remorsos obtida pela prece, e essas duas lágrimas serão as pedras mais preciosas do vasto escrínio da caridade."

CARITA

Revista Espírita, agosto de 1862

A morte do bispo de Barcelona
Escreveram-nos da Espanha que o bispo de Barcelona, aquele que fez queimar trezentos volumes espíritas, pelas mãos do carrasco, a 9 de outubro de 1861 (1-(1) Ver, para os detalhes, a Revista Espírita dos meses de novembro e dezembro de 1861), morreu no dia 9 deste mês, e foi enterrado com a pompa habitual para os chefes da Igreja. Nove meses somente se escoaram desde então, e já aquele auto-de-fé produziu os resultados pressentidos por todo o mundo, quer dizer, apressou a propagação do Espiritismo naquele país. Com efeito, a repercussão que esse ato inqualificável teve neste século, chamou sobre a Doutrina a atenção de uma multidão de pessoas que jamais dela ouviram falar, e a imprensa, não importa qual opinião, não pôde ficar muda. A disposição deplorável, nessa circunstância, era sobretudo de atiçar a curiosidade pelo atrativo do fruto proibido, e sobretudo pela própria importância que isso dava à coisa, cada um dizendo-se que não se procede desse modo por uma bagatela ou um sonho vazio; muito naturalmente o pensamento se transportou a alguns séculos atrás, dizendo-se que recentemente, nesse mesmo país, não se queimou somente os livros, mas as pessoas. Que poderiam, pois, conter os livros dignos das solenidades da fogueira? Foi o que se quis saber, e o resultado foi na Espanha o que é por toda a parte onde o Espiritismo foi atacado; sem os ataques zombeteiros ou sérios dos quais foi objeto, contaria dez vezes menos partidários do que os tem; quanto mais a crítica foi violenta e repetida, mais foi posto em relevo e fez crescer; os ataques calmos podem passar despercebidos, ao passo que os relâmpagos de raio despertam os mais entorpecidos; se quer ver o que se passa, e é tudo o que nós pedimos, seguros antecipadamente do resultado do exame. Este é um fato positivo, porque cada vez que, numa localidade, o anátema desceu sobre ele do alto da cátedra, estamos certos de ver o número de nossos assinantes crescer, de vê-los chegar, se não os havia antes. A Espanha não podia escapar a esta conseqüência, também não há um Espírita que não se rejubilou tomando o auto-de-fé de Barcelona, pouco depois seguindo o de Alicante, e mesmo mais de um adversário deplorou um ato em que a religião nada tinha a ganhar. Cada dia temos a prova irrecusável da marcha progressiva do Espiritismo nas classes mais esclarecidas daquele país, onde conta zelosos e fervorosos adeptos.

Um de nossos correspondentes da Espanha, nos anunciando a morte do bispo de Barcelona, convidou-nos a evocá-lo. Dispusemo-nos a fazê-lo, e havíamos, em conseqüência, preparado algumas perguntas, quando ele se manifestou espontaneamente por um de nossos médiuns, respondendo antecipadamente a todas as perguntas que queríamos dirigir-lhe, e antes que elas tivessem sido pronunciadas. Sua comunicação, de um caráter inteiramente inesperado, contém entre outras a passagem seguinte:

"................................................................................ Ajudado por vosso chefe espiritual, pude vir vos ensinar pelo meu exemplo e vos dizer:

Não repilais nenhuma das idéias anunciadas, porque um dia, um dia que durará e pesará como um século, essas idéias anunciadas gritarão como a voz do anjo: Caim, que fizeste de teu irmão? Que fizeste de nosso poder, que devia consolar e elevar a Humanidade? O homem que, voluntariamente, vive cego e surdo de espírito, como outros o são de corpo, sofrerá, expiará e renascerá para recomeçar o trabalho intelectual que sua preguiça e seu orgulho lhe fizeram evitar; e essa terrível voz me disse: Queimas-te as idéias, e as idéias te queimaram.......................

"Orai por mim; orai, porque ela é agradável a Deus, a prece que lhe dirige o perseguido pelo perseguidor.

"Aquele que foi bispo e que não é mais que um penitente."

O contraste entre as palavras do Espírito e as do homem nada tem que deva surpreender; todos os dias se vê quem pensa de outro modo depois da morte que durante a vida, uma vez que a venda das ilusões caiu, e é uma incontestável prova de superioridade; os Espíritos inferiores e vulgares persistem nos erros e preconceitos da vida terrestre. Quando vivo, o bispo de Barcelona via o Espiritismo através de um prisma particular que lhe desnaturava as cores, ou, dizendo melhor, não o conhecia. Agora ele o vê sob sua verdadeira luz, e sonda-lhe as profundezas; tendo caído o véu, isso não é para ele uma simples opinião, uma teoria efêmera que se pode abafar sob a cinza: é um fato; é a revelação de uma lei da Natureza, lei irresistível como a força da gravidade, lei que deve, pela força das coisas, ser aceita por todos, como tudo o que é natural. Eis o que ele compreende agora, e o que lhe fez dizer que: "as idéias que quis queimar o queimaram," dito de outro modo, carregaram os preconceitos que lhe havia feito condenar.

Não podemos, pois, isso admitir, pelo tríplice motivo de que o verdadeiro Espírita não quer isso para ninguém, não conserva rancor, esquece as ofensas e, a exemplo do Cristo, perdoa aos seus inimigos; em segundo lugar porque, longe de nos prejudicar, nos serviu; enfim, que reclama de nós a prece do perseguido pelo perseguidor, como a mais agradável a Deus, pensamento todo de caridade, digno da humildade cristã que revelam estas últimas palavras: "Aquele que foi bispo e que não é mais que um penitente." Bela imagem das dignidades terrestres deixadas à beira do túmulo, para se apresentar a Deus tal qual é, sem a aceitação que dela impunha aos homens.

Espíritas, perdoai-lhe o mal que quis nos fazer, como gostaríamos que nossas ofensas nos fossem perdoadas, e oremos por ele no aniversário do auto-de-fé a 9 de outubro de 1861.


O progresso intelectual e moral
(Envio do Sr. Sabó, de Bordeaux.)

Eu venho vos dizer que o progresso moral é o mais útil a adquirir, porque nos corrige de nossas más tendências, e nos torna bons, caridosos e devotados para com os nossos irmãos. Entretanto, o progresso intelectual também é útil para o nosso, adiantamento, porque eleva a alma, nos faz julgar mais sadiamente ás nossas ações, e por aí facilita o progresso moral; inicia-nos nos ensinamento que Deus nos fez dar há séculos por tantos homens de méritos diversos, que vieram sob todas as formas e em todas as línguas, para nos fazer conhecer a verdade, e que não eram outros senão os Espíritos já avançados, enviados por Deus para o desenvolvimento do entendimento humano. Mas, no tempo em que viveis, a luz que não clareava senão um pequeno número, vai luzir para todos. Trabalhai, pois, para compreender a grandeza, o poder, a majestade, a justiça de Deus; para compreender a sublime beleza de suas obras; para compreender as magníficas recompensas concedidas aos bons, e os castigos infligidos aos maus; para compreender, enfim, que o único objetivo ao qual deveis aspirar, é o de vos aproximar dele.

GEORGES,

Bispo de Périgueux e de Sarlat, que está feliz por ser um dos guias do médium.



A inundação
(Envio do Sr. Casimir H., de Inspruck; traduzido do alemão.)

Num país outrora estéril, surgiu um dia uma fonte; não era primeiro senão um medíocre fio d'água que escorria na planície, e não se lhe deu senão um pouco de atenção. Pouco a pouco esse fraco riacho aumentou e se tornou rio; em se alargando invadiu as terras vizinhas, mas aquelas que permaneceram a descoberto, foram fertilizadas e produziram o cêntuplo. Entretanto, um proprietário ribeirinho descontente por ver o seu terreno recuar, empreendeu-lhe de ter o curso para retornar a porção coberta pelas águas, crendo assim aumentar a sua riqueza; ora, ocorreu que o rio transbordando submergiu tudo, terreno e proprietário.

Tal é a imagem do progresso; como um rio impetuoso rompe os diques que se lhe opõe e arrasta consigo os imprudentes que, em lugar de se lhe seguir o curso, procuram entravá-lo. Ocorrerá o mesmo com o Espiritismo; Deus o enviou para fertilizar o terreno moral da Humanidade, bem-aventurados aqueles que saberão aproveitá-lo, infelizes aqueles que tentarem se opor aos desígnios de Deus! Não vedes que ele avança a passos de gigantes nos quatro pontos cardeais? Por toda parte a sua voz já se faz ouvir, e logo cobrirá de tal modo a de seus inimigos, que estes serão forçados ao silêncio e constrangidos a se curvarem diante de evidência. Homens! Aqueles que ensaiam entravar a marcha irresistível do progresso, vos preparam rudes provas; Deus permita que seja assim, para o castigo de uns e para a glorificação de outros; mas vos dá, no Espiritismo, o piloto que deve vos conduzir ao porto, levando em suas mãos a bandeira da esperança.

WILHELM,

Avô do médium.


Festas dos bons Espíritos
A chegada de um Irmão entre eles.

(Envio da Sra. Cazemajoux, médium de Bordeaux.)

Também temos as nossas festas, e isso nos ocorre freqüentemente, porque os bons Espíritos da Terra, nossos irmãos bem-amados, em se despojando de seu envoltório material, nos estendem os braços, e nós vamos, em grupo inumerável, recebê-los à entrada da morada onde vão doravante habitar conosco; e nessas festas não se agitam, como nas vossas, as paixões humanas que, sob os rostos graciosos, e as frontes coroadas de flores, escondem a inveja, o orgulho, o ciúme, a vaidade, o desejo de agradar e de preponderar sobre os seus rivais nesses prazeres factícios que não o são mais.

Aqui reinam a alegria, a paz, a concórdia; cada um está contente com a classe que lhe foi assinalada e feliz com a felicidade de seus irmãos. Pois bem! Meus amigos, com esse acordo perfeito que reina entre nós, nossas festas têm um encanto indescritível; milhões de músicos cantam, sobre liras harmoniosas, as maravilhas de Deus e da criação, com os acentos mais encantadores do que as vossas mais suaves melodias; longas procissões aéreas de Espíritos volitam como zéfiros, lançando sobre os recém-chegados nuvens de flores, das quais não podeis compreender o perfume e as nuanças variadas; depois o banquete fraterno, onde são convidados aqueles que terminaram com felicidade a sua prova, e vêm receber a recompensa de seus trabalhos. Oh! Meu amigo, tu gostarias disso saber mais, mas a vossa língua não tem possibilidade de descrever essas magnificências; eu já vos disse bastante, a vós que sois meus bem-amados, para vos dar o desejo de isso aspirar, e então, cara Emile, livre da missão que cumpri junto de ti sobre a Terra, continuá-la-ei para te conduzir através do espaço, e te fazer desfrutar todas essas felicidades.

FÉLICIA.

Mulher do evocador Emile, e depois de um ano seu guia protetor.


A rainha de Oude
Revista Espírita, março de 1858


Nota. - Nestas conversas, doravante, supriremos a fórmula de evocação, que é sempre a mesma, a menos que ela não apresente, para a resposta, alguma particularidade.

1. Que sensação experimentaste deixando a vida terrestre? - Resp. Não saberia dizê-lo; experimento, ainda, perturbação.

2. Sois feliz? - Resp. Não.

3. Por que não sois feliz? - Resp. Lamento a vida», não sei», sinto uma dor pungente; a vida disso teria me livrado... gostaria que meu corpo se levantasse do seu sepulcro.

4. Lamentai-vos por não ter sido sepultada em vosso país, e de sê-lo entre os cristãos? - Resp. Sim; a terra indiana pesaria menos sobre o meu corpo.

5. Que pensais das honras públicas prestadas aos vossos despejos? - Resp. Foram pouca coisa; eu era rainha, e nem todos dobraram os joelhos diante de mim... Deixai-me... Forçam-me a falar... Não quero que saibam o que sou agora». Fui rainha, sabei-o bem.

6. Respeitamos a vossa posição, e pedimos para nos responder para nossa instrução. Pensais que vosso filho recuperará, um dia, os Estados de seu pai? - Resp. Certamente, o meu sangue reinará; disso ele é digno.

7. Dais à reintegração do vosso filho no trono de Oude a mesma importância de quando vivíeis? - Resp. Meu sangue não pode ser confundido na multidão.

8. Qual é a vossa opinião atual sobre a verdadeira causa da revolta das índias? - Resp. O Indiano foi feito para ser senhor em sua casa.

9. Que pensais do futuro que está reservado a esse país? - Resp. A índia será grande entre as nações.

10. Não se pôde inscrever, no vosso atestado de óbito, o lugar do vosso nascimento; poderíeis dizê-lo agora? - Resp. Nasci do mais nobre sangue da índia. Creio que nasci em Delhy.

11. Vós que haveis vivido nos esplendores do luxo e que haveis sido cercada de honras, que pensais disso agora? - Resp. Eram-me devidos.

12. A posição que haveis ocupado na Terra, vos dá uma posição mais elevada no mundo onde estais hoje? - Resp. Sou sempre rainha... Que se me mandem escravos para me servirem!... Não sei; não me parece importarem-se comigo aqui... Não obstante, sou sempre eu.

13. Pertenceis à religião muçulmana, ou a uma religião hindu? - Resp. Muçulmana; mas eu era muito grande para me ocupar de Deus.

14. Que diferença fazeis entre a religião que professáveis e a religião cristã, quanto à felicidade futura do homem? - Resp. A religião cristã é absurda; diz que todos são irmãos.

15. Qual é a vossa opinião sobre Maomé? - Resp. Ele não era filho de rei.

16. Ele tinha uma missão divina? - Resp. Que me importa isso!

17. Qual é a vossa opinião sobre o Cristo? - Resp. O filho de um carpinteiro não é digno de ocupar o meu pensamento.

18. Que pensais do uso que subtrai as mulheres muçulmanas dos olhares de homens? - Resp. Penso que as mulheres são feitas para dominarem; eu era mulher.

19. Haveis, alguma vez, invejado a liberdade da qual gozam as mulheres na Europa? - Resp. Não; que me importava a sua liberdade! São servidas de joelhos?

20. Qual é vossa opinião sobre a condição da mulher em geral na espécie humana? - Resp. Que me importam as mulheres! Se me falasses de rainhas!

21. Lembrai-vos de haver tido outras existências na Terra, antes da que acabais de deixar? - Resp. Devo ter sido sempre rainha.

22. Por que viestes tão prontamente ao nosso chamado? - Resp. Eu não quis; forçaram-me a isso». Pensas, então, que me dignaria responder? Ora bem, quem sois perto de mim?

23. Quem vos forçou a vir? - Resp. Não sei... Todavia, aqui não deve haver ninguém maior do que eu.

24. Em que lugar estais aqui? - Resp. Junto de Ermance.

25. Sob qual forma aqui estais? - Resp. Sou sempre rainha. Pensais, pois, que deixei de o ser? Sois pouco respeitosos... Sabei que se fala de outro modo às rainhas.

26. Por que não podemos vos ver? - Resp. Eu não o quero.

27. Se pudéssemos ver, ver-vos-íamos com vossas vestimentas, vossos adereços e vossas jóias? - Resp. Certamente.

28. Como ocorre que, tendo deixado tudo isso, vosso Espírito deles haja conservado a aparência, sobretudo de vossos adereços? - Resp. Não me foram tirados... Eu sou sempre tão bela quanto era». Não sei que idéia fazeis de mim! É verdade que não me haveis jamais visto.

29. Que impressão experimentais encontrando-vos em nosso meto? - Resp. Se pudesse, aqui não estaria: vós me tratais com tão pouco respeito! Não quero que me tratem por tu... Chamai-me Majestade, ou não responderei mais.

30. Vossa Majestade compreendia a língua francesa? - Resp. Por que não a compreenderia? Eu sabia tudo.

31. Vossa Majestade gostaria de nos responder em inglês? - Resp. Não... Não me deixareis, pois, tranqüila?». Quero ir-me daqui... Deixai-me... Julgais-me submissa aos vossos caprichos?... Sou rainha e não sou escrava.

32. Pedimos somente consentir em responder, ainda, a duas ou três perguntas.

Resposta de São Luís, que estava presente: Deixai-a, a pobre enganada; tende piedade de sua cegueira. Que vos sirva de exemplo! Não sabeis o quanto sofre seu orgulho.

Nota. - Essa entrevista oferece mais de um ensinamento. Evocando essa majestade decaída, agora no túmulo, não esperávamos respostas de uma grande profundidade, tendo em vista o gênero de educação das mulheres nesse país; mas não pensávamos encontrar, nesse Espírito, senão a filosofia, pelo menos um sentimento mais verdadeiro da realidade, e idéias mais sadias sobre as vaidades e as grandezas deste mundo. Longe disso: nela, as idéias terrestres conservaram toda a sua força; é o orgulho que nada perdeu de suas ilusões, que luta contra a sua própria fraqueza, e que deve, com efeito, muito sofrer por sua impotência. Na previsão de respostas de uma natureza diferente, havíamos preparado diversas perguntas que se tornaram sem objeto. Essas respostas são tão diferentes daquelas que esperávamos, assim como as pessoas presentes, que não se poderia, nelas, ver a influência de um pensamento estranho. Por outro lado, têm uma marca de personalidade tão caracterizada que acusam, claramente, a identidade do Espírito que se manifestou.

Poder-se-ia estranhar, com razão, em ver Lemaire, homem degradado e manchado por todos os crimes, manifestar, por sua linguagem de além-túmulo, sentimentos que denotam uma certa elevação e uma apreciação bastante exata da sua situação, ao passo que, na rainha de Oude, cuja categoria que ocupava deveria ter desenvolvido o senso moral, as idéias terrestres não sofreram nenhuma modificação. A causa dessa anomalia nos parece fácil de explicar. Lemaire, por degradado que era, vivia no meio de uma sociedade civilizada e esclarecida, que havia reagido sobre a sua natureza grosseira; inconscientemente, ele havia absorvido alguns raios da luz que o cercava, e essa luz deveu fazer nascer nele pensamentos sufocados pela sua abjeção, mas cujos germes nele não subsistiram menos. Ocorre de modo diferente com a rainha de Oude: o meio onde viveu, os hábitos, a falta absoluta de cultura intelectual, tudo deveu contribuir para manter, com toda a sua forca, as idéias das quais estava imbuída desde a infância; nada veio modificar essa natureza primitiva, sobre a qual os preconceitos conservaram todo o seu império.







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Calendário Assistência 2017

TENDA ESPÍRITA MAMÃE OXUM

CALENDÁRIO ASSISTÊNCIA - 2017.

C.E. Miguel Arcanjo e Tenda Espirita Mamãe Oxum-

Rua Francisco Framback, 91 E – Cascatinha - Petrópolis - RJ

ABRIL

MAIO

JUNHO

23 – Reabertura do Terreiro às 20h – Saudação à Ogum

02 – sexta-feira – Pretos Velhos

28 - sexta-feira - Exus

05 - sexta-feira – Pretos Velhos

07 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

10 - quarta-feira- Estudo da Umbanda

09 – sexta-feira – Saúde

12 - sexta-feira – Saúde

13 – terça-feira – Saudação Aos Exus – Bênção dos Pães – 20h

13 – sábado – Saudação aos Pretos Velhos

16 – sexta-feira – Não tem Gira

17 – quarta-feira – Doutrina - Vovó Catarina

21 – quart-feira – Doutrina – Vovó Catarina

19 – sexta-feira – Caboclos

23 – sexta-feira – Caboclos

24 – quarta-feira –Saudação à Sta. Sara,

e Povo Cigano

28 – quarta-feira – Doutrina

26 – sexta-feira - Malandros

30 – sexta-feira - Exus

JULHO

AGOSTO

SETEMBRO

05 – quarta-feira – Doutrina

02 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

01 – sexta-feira – Pretos Velhos

07 – sexta-feira – Pretos Velhos

04 – sexta-feira – Pretos Velhos

06 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

12 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – quarta-feira – Doutrina

08 – sexta-feira – Saúde

14 – sexta-feira – Saúde

11 – sexta-feira – Saúde

13 – quarta-feira – Doutrina

19 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

16 – quarta-feira – Saudação à Obaluaê e Omolu

15 – sexta-feira – Caboclos

21 – sexta-feira – Caboclos

18 – sexta-feira – Caboclos

20 - quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

28 – sexta-feira - Exus

23 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

22 – sexta-feira – Não Tem Gira

25 – sexta-feira – Malandros

24 – Domingo – Saudação à Ibeijada - às 17h

30 – quarta-feira – Doutrina ou Palestra

27 – quarta-feira – Distribuição Doces

29 – sexta - Exus

OUTUBRO

NOVEMBRO

DEZEMBRO

.04 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

01 – quarta-feira – Terreiro Fechado

02 - Confraternização

06 – sexta-feira – Pretos Velhos

03 – sexta-feira – Não tem Gira

08 – sexta-feira – Saudação à Oxum e bênção dos Pretos Velhos – 20h

11 – quarta-feira - Não tem Doutrina

08 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – Oferendas na Praia – saída 17h

12 – quinta-feira – Cachoeira / Mata

10 - sexta-feira – Saúde

13 – sexta-feira – Não tem Gira

15 – Feriado – Saudação aos Malandros

18 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

17 – sexta-feira – Caboclos

20 – sexta-feira – Caboclos

22 – quarta-feira – Doutrina

25 – quarta-feira – Doutrina – Doutrina ou Palestra

24 – sexta-feira – Exus

27 – sexta-feira - Ciganos

29 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

ATENÇÃO: NÃO É PERMITIDO PARA ATENDIMENTO, PESSOAS COM MINI-SAIAS, SHORTS OU BERMUDAS CURTAS, BLUSAS MUITO DECOTADAS OU MINI-BLUSAS, CAMISETAS TIPO MACHÃO.

A CARIDADE NÃO SERÁ NEGADA, PORÉM RESPEITEM O TEMPLO RELIGIOSO.

(Baixe o seu calendário em PDF, clicando aqui)

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