segunda-feira, janeiro 30, 2012

Transição Planetaria - Tsunami 26/12/2004






TRANSIÇÃO PLANETÁRIA


Sei – Serviço Espírita de divulgação Fevereiro 2011 – no 2197






Dirigindo-se aos espíritas, assim se expressou o Dr. Bezerra de Menezes em mensagem transmitida,em 26 de agosto de 2010, pelo médium Divaldo Pereira Franco no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro:

“Estes são os dias graves do Senhor!

É necessário que as criaturas humanas abramo-nos ao Evangelho Restaurado e nos permitamos ser instrumentos do Condutor de Vidas, para que possamos aplainar os caminhos que a sua misericórdia vem percorrer. Espíritas! Assumistes um com

promisso antes do berço...”
E a mensagem prossegue, falando de luta e fidelidade no esforço de implantação da Era Nova, sempre, a partir da ação pessoal na vivência do bem. Nela, o Dr.

Bezerra informa ainda que a grande transição, anunciada por Jesus no Sermão Profético e mais recentemente estudada na Doutrina Espírita como a passagem da Terra da condição de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração, está iniciada e é irre
versível.
O dedicado trabalhador espiritual Manoel Philomeno de Miranda que, pela mediunidade de Divaldo Franco, já nos ofereceu obras de grande interesse
, abordando, principalmente, a grave problemática da obsessão, vem, agora, em seu mais recente trabalho, focalizar a grande transição que ora vivenciamos. O título, “Transição Planetária”, sintetiza perfeitamente o conteúdo da obra na qual o autor descreve três tarefas de que lhe foi dado participar integrando equipes de servidores desencarnados: o socorro às vitimas do grande tsunami de 2004, a colaboração no processo reencarnatório de numeroso contingente de espíritos oriundos de outra estrela de nossa galáxia e o combate à ação de obsessores cruéis, que há séculos, se empenham na propagação do mal na Terra.




No dia 26 de dezembro de 2004, a humanidade foi surpreendida pelo tsunami que atingiu vários países banhados pelo Oceano Índico, levando destruição e morte a centenas de cidades e povoados daquela região. Nos dias subsequentes, as imagens da televisão mostravam o imenso sofrimento que atingiu aquelas populações, elevando-se a quase 300.000 o número de mor
tos. Manoel Philomeno informa que a espiritualidade já tinha conhecimento do fato, preparando, antecipadamente, extensa instalação espiritual sobre uma das áreas mais afetadas para onde foram recolhidos milhares de desencarnados e de onde partiam as caravanas socorristas para o atendimento às vítimas da grande tragédia. A narrativa apresenta diversos aspectos desse trabalho, mostrando ainda que o bem legítimo paira acima de divisões nacionais ou religiosas, pois a equipe de que ele fazia parte era integrada também por um judeu, um sacerdote católico, um mulçumano e mais duas pessoas de formação anglicana, cabendo a uma delas, que fora médico quando na Terra, a direção do grupo, pela elevação que o caracterizava e que se evidencia, apesar de sua simplicidade, ao longo do trabalho.




Quanto aos imigrantes, provenientes da estrela Alcione, da Constelação das Plêiades, a obra esclarece que eles aqui vêm a convite de Jesus, nosso governador espiritual, para contribuírem, com sua bagagem de conhecimentos e aquisições morais, nas transformações que se operam, acrescentando o autor que juntamente com eles estão também retornando ao plano material diversos profetas e benfeitores do passado que voltam a envergar a indumentária carnal para, como fizeram em outras épocas, acelerar o progresso humano. É interessantíssima a descrição que Manoel Philomeno faz dos diálogos fraternos mantidos, pelo pensamento, com os companheiros de Alcione, os quais, em suas respostas, se utilizavam de projeções mentais acerca dos ambientes e atividades a que se reportavam. O autor se refere ainda à colaboração de entidades especializadas em genética, fecundação e obstetrícia na reencarnação desses nobres migrantes, cuja presença em nossa humanidade se realiza consoante as condições mencionadas a esse respeito no capítulo 4 da Segunda Parte de “O Livro dos Espíritos”.

Um espaço menor é reservado, na parte final da obra, ao combate incessante à ação de líderes da obsessão, que, à frente de hostes criminosas, procuram, de forma organizada e sistemática, impedir ou anular a construção do bem na Terra. O autor acrescenta um detalhe significativo, qual seja, o fato de muitos desses comandantes do mal serem antigos chefes religiosos que sofreram inclemente perseguição por parte dos cristãos, desencarnando cheios de ódio contra estes.
Soou a hora da grande mudança.
Informados quanto ao que está ocorrendo, estamos, como espíritas, convocados à participação consciente no labor imenso que se desenvolve sob a direção amorosa de Jesus com vistas à implantação definitiva de seu Reino na Terra.


ROTEIROS TERRESTRES

CAPITULO 4

Para mim, pessoalmente, aquela era uma noite muito especial. Reflexionando em torno da mensagem ouvida a respeito do futuro da Humanidade, não pude sopitar


uma inefável alegria de viver os momentos tão significativos em torno da construção da Nova Era.

Desde as remotas páginas do Evangelho de Jesus, assim como das narrações do Apocalipse, e mesmo antes, existem revelações em torno de um mundo feliz na Terra, após as terríveis flagelações que alcançariam as criaturas e as dilacerações que sofreria o planeta.

Os sucessivos acontecimentos que estarreceram a sociedade, convidando­a à análise em torno das convulsões que sacodem o mundo físico periodicamente, enquanto os atos hediondos de terrorismo e de atrocidade repetiam-se de maneira aparvalhante, eram sinais inequívocos da grande mudança que já estaria tendo lugar no orbe terrestre.

Passados, porém, os primeiros momentos explorados pela mídia insaciável de tragédias, outros fatos se tornavam relevantes, substituindo aqueles que deveriam merecer mais estudos e aprofundamento mental, de maneira a encontrar-se soluções para os terríveis efeitos da poluição da atmosfera, do envenenamento das fontes de vida no planeta... É verdade que alguns movimentos bradavam em convites à responsabilidade das nações e dos governos perversos, responsáveis pela emissão dos gases venenosos, para logo tomarem vulto os planos de divertimentos globais e de novas conquistas para o gozo e a alucinação.

Ainda o pranto das vítimas não secara nos olhos e os efeitos trágicos dos acontecimentos nem sequer diminuíram, e as contribuições da solidariedade eram desviadas para fins ignóbeis, enquanto os sofredores observavam a indiferença com que eram tratados, relegados à própria sorte, após a tragédia que sofreram.

As praias de diversos países do Oceano Índico estavam juncadas de cadáveres, dezenas de milhares jaziam sob os escombros das frágeis construções destruídas e a insensatez turística já planejava novos pacotes para outros paraísos e lugares de lazer e perversão que não foram dan ificados...

Felizmente, mulheres e homens nobres, organizações e entidades humanitárias sensibilizaram-se com a dor do seu próximo e acorreram com generosidade, oferecendo alguns recursos que podiam diminuir o desespero das vítimas, dos sobreviventes que tinham necessidade de reconstruir os lares e continuar as experiências humanas.

O espetáculo espiritual nas regiões atingidas, no entanto, era muito grave.

De igual maneira, em razão da decomposição dos cadáveres humanos e de animais outros e da ausência de água potável, era grande a ameaça do surgimento de epidemias, e os Espíritos, abruptamente arrancados do domicílio orgânico, vagavam, perdidos e desesperados, pelas áreas onde sucumbiram, transformadas em depósitos de lixo e de destroços, numa noite sem término, pesada e ameaçadora. Os gritos de desespero, os apelos de socorro e os fenômenos de imantação com outros desencarnados infelizes, constituíam a geografia extra-fís ica dos dolorosos aconteci mentos.

Acompanhávamos os tristes acontecimentos desde nossa comunidade, através de recursos especiais que nos projetavam as imagens terríveis, recolhendo-nos às

reflexões do que seria possível contribuir para atenuar tanto desespero e cooperar pelo restabelecimento da ordem.

O banditismo aproveitava-se da situação deplorável para estrangular as suas vítimas, exploradores hábeis negociavam sobre os despejos dos perdidos e alienados, conspirações hediondas forjavam hábeis manobras para a usurpação do máximo daqueles que nada quase possuíam...

Era esse, de alguma forma, o espetáculo horrendo pós-tragédia do tsu-nami. No dia seguinte, deveríamos reunir-nos com os organizadores da jornada à região conflagrada, de modo a tomarmos conhecimento dos serviços de emergência a serem realizados.

Amanhecera de forma esplêndida, com o céu azul turquesa nimbado de suave claridade que iluminava toda a nossa comunidade.

Embora nos encontremos sob a mesma ação das leis que vigem na manutenção do orbe terrestre, a luz do Sol que nos alcança, porque não encontra obstáculos materiais para produzir o aquecimento contínuo, tem sempre a mesma temperatura, também resultado de camadas especiais de energia emanada dos fótons que envolvem o nosso campo vibratório. Dessa forma, não ocorrem alterações como aquelas sofridas no planeta e decorrentes da sua posição em relação ao Astro-rei.

Deveríamos encontrar-nos às 10h, à sombra de venerando cedro no jardim que circunda o Templo ecumênico, onde todos os religiosos das mais diferentes convicções podem reunir-se para vivenciar as suas doutrinas.

O órgão derramava musicalidade especial, e quando nos aproximamos, Oscar e nós, os demais membros se nos acercaram jovialmente.

Ivon Costa acompanhava o responsável pelo grave empreendimento, cabendo­lhe o dever de apresentar-nos, o que ocorreu sem maiores circunlóquios.

- Temos o júbilo - começou o amigo - de pôr-vos em contato com o nosso benfeitor, que está encarregado de conduzir-nos aos labores terrenos.

O novo amigo sorriu discretamente e ampliou os esclarecimentos, in-formando:

- Quando, no corpo somático, vivi o maior período da existência na região da Polinésia. Fiz parte dos conquistadores que, em nome da civilização européia, se impuseram aos ilhéus de uma larga faixa dos mares do Sul...

Guardando conceitos equivocados, considerávamo-nos superiores aos que chamávamos indígenas e, em nome dos nossos falsos valores, lutamos para aculturá-los com a nossa presunção de senhores do conhecimento.

"Ledo engano! À medida que convivíamos com eles descobrimos a sabedoria de que eram portadores, no seu aparente primitivismo. Encontramos, nos seus cultos, considerados grosseiros, informações profundas, que eram passadas de uma para outra geração oralmente e pelos trabalhos a que se afeiçoavam. Seus xamãs, em momentosas comunicações espirituais eram, ao mesmo tempo, sacerdotes e médicos, pensadores e sábios, conselheiros, administradores e psicólogos eficientes...

"Com eles tomamos conhecimento da interferência dos mortos na existência dos vivos e aprendemos que a terapia mais eficiente diante dos desafios do binômio saúde-doença é sempre o amor expresso no respeito recíproco e nos cuidados que são oferecidos por todos aos membros do clã.

Com o suceder do tempo, optei viver com a sua ingenuidade, assimilando os seus costumes e as suas habilidades...

A existência tornou-se longa e proveitosa, permitindo-me amar sem condições e receber o tributo do respeito e do afeto dos seus sentimentos puros.

"A desencarnação de maneira nenhuma afastou-me da sua convivência, e agora, quando a desolação e a tragédia assolam, entre aqueles que muito lhes devemos, candidatei-me a participar de uma das caravanas de auxílio em nome da gratidão."

Calou-se, por um pouco, e, emocionado, concluiu:

- Sou o vosso irmão Charles White, de origem inglesa, que exercera a medicina convencional...

"Encontramo-nos em vossa Colônia, realizando um estágio, para o qual trouxemos diversos amigos, que vestiram a indumentária de diferentes nacionalidades, a fim de treinarmos técnicas de socorro especial com os vossos guias e podermos aplicá-las em nossa área de atendimento, conforme, logo mais, teremos oportunidade de o fazer.

Indispensável que conheçais aqueles com os quais convivereis por um mês em atividade de amor, exercitando solidariedade na região que nos aguarda, no amado planeta terrestre.

"Sede bem-vindos à nossa caravana."

Ivon, logo depois, apresentou-nos jovem Espírito na feminilidade, que servia de auxiliar de enfermagem ao esculápio e mais dois outros dedicados servidores que se radicaram anteriormente nas Filipinas...

De imediato, estabelecemos laços de simpatia e amizade, desde que estaríamos juntos a partir daquele momento, abraçando as responsabilidades do Bem.

Nosso empreendimento — explicou-nos o Dr. Charles — está dividido em duas fases: a primeira delas terá lugar na região do tsunami,e a segunda na psicosfera do Brasil,

preparando as mentes e os sentimentos para as reencarnações especiais.

Depois de expor o projeto em que nos encontrávamos comprometidos, liberou­nos, estabelecendo às 18h, como a ocasião de ser realizada a viagem ao planeta amado.

A curiosidade espicaçava-me a mente, considerando a magnitude do labor desenhado, especialmente em razão da convivência que teríamos com Espíritos de culturas diferentes e hábitos com os quais não me encontrava familiarizado.

Os amigos filipinos logo se permitiram identificar: o mais idoso informou-nos haver sido sacerdote católico numa das muitas ilhas e chamava-se Marcos. Havia­se dedicado ao ministério da fé religiosa e à educação infantil, havendo desencarnado nos idos do ano de 1954 aos setenta anos de idade.

O outro, mais jovem e sorridente, vestia-se de maneira própria do seu povo, e logo se desvelou, elucidando que pertencia à religião muçulmana e era conhecido como Abdul Severin, que desencarnara vitimado por febre palustre aos 40 anos de idade.

A caravana, portanto, se constituía de membros de variada formação espiritual, que possuía como ponto comum de entendimento o amor que vige soberano no Universo, como uma das forças de equilíbrio cósmico, considerando-se ser de essência divina.

Por nossa vez, Oscar expôs a sua formação judaica, e nós outro referimo-nos à adoção do comportamento espírita.

De maneira comovedora demo-nos conta de pertencermos à mesma grei, conforme assinalou Ivon, jovialmente: O Bem Imarcescível!


Nossos diálogos prolongaram-se, enquanto o Dr. Charles e sua auxiliar Ana, de formação anglicana, providenciavam os equipamentos necessários à primeira fase das próximas atividades.


o insólito e trágico choque das placas tectônicas gerador das imensas ondas

destrutivas, era aguardado, e que providências espirituais haviam sido

tomadas, inclusive, construindo-se um posto de socorro espiritual sobre a

região que sofreu mais danos decorrentes do epicentro da catástrofe.


Engenheiros e arquitetos desencarnados movimentaram-se com rapidez e edificaram uma comunidade de emergência, que a todos nos albergaria logo mais, recebendo também aqueles aos quais socorrêssemos.

Curiosamente ampliou os esclarecimentos, informando que os ocidentais em férias que se fizeram vítimas, mantinham profunda ligação emocional com aquele povo e foram atraídos por forças magnéticas para resgatar, na ocasião, velhos compromissos que lhes pesavam na economia moral...

- Nada acontece, sem os alicerces da causalidade! - concluiu.

Surpreso, perguntei-lhe como conciliava o conceito da reencarnação com os dogmas esposados pela sua formação católica.

Gentil e educado, esclareceu-me:

- O caro Miranda não ignora que as formulações da Verdade partem deste mundo real na direção da Terra, e que as religiões as vestem de superstições, de lendas e dogmas, conforme os níveis de consciência das criaturas que lhes aderem, velando umas e liberando outras. Nada obstante, quando retornamos ao país da imortalidade desaparecem as fórmulas, dando lugar ao surgimento da essência que logo assimilamos por afinidade e pela lógica do Bem universal.

Sorrimos, agradavelmente, e prolongamos a edificante conversação até duas horas antes de iniciarmos o novo empreendimento.

Ivon e nós outro, deveríamos participar da experiência iluminativa, como um estágio de aprimoramento espiritual, na região sofrida, acompanhados por Oscar, que se encontrava estagiando em nossa comunidade, para o mesmo em preend i m ento.


NOVAS EXPERIÊNCIAS

CAPITULO 5

A pós algum tempo de repouso e de meditação, deixei-me inspirar pela oração, entregando-me ao Senhor da Vida para o ministério que deveria exercer com os nobres Espíritos que logo mais visitaríamos a Terra.

Um balsâmico bem-estar inundou-me os sentimentos e não pude conter as lágrimas de alegria e de gratidão aos Céus, por permitir-me aprender no trabalho e com o exemplo dos mais abnegados.

Às 18h, encontramo-nos, e após uma oração pronunciada pelo Dr. Charles White, tomamos o veículo especial que nos conduziu à cidade de Sumatra, na Indonésia, considerado o quarto país mais populoso da Terra, que fora assolada entre outras cidades dos muitos países atingidos, onde deveríamos instalar-nos com os demais grupos que nos anteciparam. A cidade tivera mais de dois terços da sua área afetada pela inundação e pela destrui-ção... Igualmente considerada o país mais populoso dentre os muçulmanos, seu povo, espalhado pelas inúmeras ilhas, não podia imaginar a grandeza da calamitosa ocorrência, por falta de comunicação entre aquelas de origem vulcânica e as outras de formação calcária...

Alguns Espíritos nobres acercaram-se da região no começo de dezembro (2004), a fim de organizarem as comunidades transitórias para receberem os que desencarnariam em aflição, no terrível futuro evento sísmico.

Transcorrido algum tempo de viagem, chegamos à comunidade espiritu-al situada sobre a área tristemente atingida.

Embora houvéssemos acompanhado alguns lances da tragédia em nossa Colônia, podíamos agora ver diretamente os danos causados pela onda imensa e as que a sucederam, destruindo tudo com a velocidade e a força ciclópica do terremoto nas águas profundas do oceano Indico, e logo depois, as contínuas vibrações e seguidos choques destruidores.

A força tempestuosa espalhara-se pelas costas da índia, do Sri Lanka, da Tailândia, das Ilhas Phi Phi, das Maldivas, de Bangladesh, de parte da Áfri-ca e de outros países, embora com efeitos menores que alcançaram o Atlân-tico...

Como resultado lastimável ocorreram alterações na massa terrestre, no seu movimento, na inclinação do eixo, que embora não registradas com faci-lidade pelos seus habitantes, foram detectadas por instrumentos sensíveis.


A primeira onda avassaladora ceifara mais de 150.000 vidas, enquanto as sucessivas carregadas de destroços de casas, barcos e construções de todo tipo, de árvores arrancadas e pedras, semearam o horror, arrasando as co-munidades litorâneas...

A psicosfera ambiental era densa, denotando todos os sinais inequívocos das tragédias de grande porte.

Ouvíamos o clamor das multidões desvairadas, enlouquecidas pelo sofrimento decorrente da morte dos seres queridos, assim como em relação aos desaparecidos, à perda de tudo, vagando como ondas humanas sem destino.

De imediato, começaram a chegar as contribuições internacionais, porém, os instintos agressivos dominavam grupos de exploradores, de vadios e criminosos que se aproveitavam da oportunidade para ampliar a rapina e o terror.

Tempestades vibratórias descarregavam energias densas sobre o rescaldo humano e geográfico, confrangendo-nos sobremaneira.

Logo após encontrarmos o lugar que nos deveria servir de suporte para as incursões ao planeta, onde igualmente se alojavam outros grupos espirituais socorristas, o nosso gentil condutor explicou-nos qual a tarefa que deveríamos desempenhar naqueles primeiros minutos e, orientando-nos, mergulhamos na densa noite que se abatia sobre a região devastada.

Os corpos em decomposição amontoavam-se em toda parte, após ligeira identificação de familiares e a remoção de alguns para outros lugares, chamando-nos a atenção as fortes ligações espirituais mantidas pelos recém-desencarnados, que nem sequer se haviam dado conta da ocorrência grave. Imantados aos despojos, estorcegavam, experimentando a angústia do afo-gamento, as dores das pancadas produzidas pelos destroços, o desespero defluente da ignorância... De quando em quando escutavam-se preces e sú-plicas dirigidas a Allah, logo seguidas de blasfêmias e imprecações tormentosas.

Movimentavam-se muitos encarnados em atividades de auxílio, apesar da noite densa, demonstrando a solidariedade humana, inúmeros dos quais haviam chegado de outros países, especialistas nesse tipo de socorro, que se misturavam aos caravaneiros do Além, igualmente dedicados ao amor ao próximo.

O Dr. White caminhou entre os muitos destroços e cadáveres na direção de um grupo de desencarnados, que me fazia recordar uma alcatéia de lobos

famintos, ou chacais disputando os despojos das presas mortas... A balbúrdia era expressiva, e o pugilato entre alguns Espíritos era igualmente vergonhoso...

- Disputam as energias dos recém-desencarnados - elucidou o respeitável médico.

"Com essa atitude, agridem os Espíritos em desespero, que mais se apavoram e tentam absorver-lhes as energias animais de que se nutrem, iniciando o infeliz processo de vampirização. Identificando-se com aqueles cujas existências foram de irresponsabilidade, o que lhes permite a sintonia vibratória, buscam exauri-los, o que apressará a decomposição cadavérica, arrastando-os para regiões de desdita onde os submeterão a sevícias e exploração mental de longo curso.

"E como são profundamente infelizes, disputam as vítimas como fariam os animais ferozes com os despojos das caças que acreditam pertencer-lhes...

"Nosso compromisso de momento é afastá-los do local e tentar despertá-los para a sua realidade espiritual."

Aproximamo-nos, e a um sinal do médico, Abdul, que se encontrava com a indumentária muçulmana convencional, levantou a voz e recitou um ayat (versículo) de uma das Suras (capítulos) do Corão, em tonalidade ritmada, qual faria um muzlim no seu recitativo na torre da mesquita...

Com vibração especial e profunda, o amigo continuou emitindo o som que envolvia as palavras, e, subitamente, houve um silêncio aterrador, com os bandoleiros espirituais como que despertando da alucinação. Nesse momento, Ana aproximou-se carregando um archote que clareava o ambiente, erguido com o braço direito acima da cabeça e, tomados de espanto, os vampiros e exploradores pararam a agressividade.

Um deles destacou-se com o semblante fescenino e cruel, gritando que nada tinha a temer, e que todos se voltassem contra os invasores e os submetessem.

Abdul, porém, manteve-se irretocável, continuando a recitar o Livro, com respeito e seriedade, o que produzia impacto muito grande na massa alucinada.

Foi então, que o Dr. White explicou-lhes a ocorrência que tivera lugar pouco tempo antes, naquele dia 26 - era ainda dezembro - a partir das 8h da manhã, e todos eles, colhidos


pela morte, necessitavam de justo repouso, assim como os seus despojos deveriam ser cremados coletivamente, a fim de serem evitadas as epidemias que sucedem após esses infaustos acontecimentos, recordando que já se anunciavam algumas...

Ante o espanto natural que tomou conta dos desordeiros espirituais, o padre Marcos tomou das mãos que pareciam garras de um deles, o Espírito que se debatia entre os fluidos materiais como resultado das ligações do perispírito ainda não totalmente interrompidas, o que lhe proporcionava angústias inenarráveis e o pavor pelo que experimentava decorrente do rude verdugo, que não resistiu ao gesto bondoso.

Observando os vínculos que se alongavam até um dos cadáveres em deplorável estado de decomposição, o religioso, com movimentos circulares, no sentido oposto aos ponteiros do relógio, trabalhou o chakra coronário, deslindando o Espírito que gemia e retorcia-se em agonias inenarráveis, até que as cargas densas e pútridas que eram eliminadas, a pouco e pouco foram diminuindo de volume e esgarçando-se até diluir-se totalmente. Vi, então, o desencarnado cambalear e desfalecer...

Ajudado por Ivon, o benfeitor retirou-o do magote, colocando-o a regular distância, em sono agitado, dando prosseguimento com outro infeliz.

O agitador que ameaçava Abdul, disparou em velocidade abandonando o grupo, enquanto o servidor do Bem continuava conclamando-os à paz, ao respeito pelas vítimas, à compaixão e misericórdia preconizados pelo seu livro sagrado.

Ato contínuo, embora prosseguisse a agressão de alguns mais rebeldes, seguimos a atitude do padre Marcos e procuramos atender alguns sofredores em comovedora aflição, que se libertavam das mãos perversas que os exploravam, trabalhando-lhes as fixações perispirituais, de modo a atenuar­lhes os sofrimentos acerbos... À medida que eram diminuídas as ligações com os cadáveres a que se encontravam imantados, experimentavam o torpor da desencarnação, entrando em sono agitado, típico das últimas imagens captadas antes da morte física...

Colocados um pouco distante da zona infectada pelos fluidos densos e danosos, grupos de padioleiros que se dedicavam a transferi-los para nossa comunidade espiritual temporária, conduziam-nos silenciosamente.

Enquanto ocorria essa atividade, Abdul falava diretamente com alguns obsessores e zombeteiros que se encontravam presentes, explicando-lhes o sentido


da vida e as Leis que regem o Universo, naturalmente incluindo o sombrio mundo em que se agitavam tentando manter o mesmo comportamento vivenciado na Terra.

Tratava-se da necessidade de transformação moral para melhor, a fim de poderem viver realmente, libertando-se da né-voa que lhes entorpecia a inteligência e alucinava os sentimentos.

Conhecedor da alma humana, o hábil esclarecedor não se intimidava ante as ameaças de alguns seres hediondos que dele escarneciam, assim como de todos nós, gritando epítetos vulgares e aberrantes, ameaçando-nos de combate em defesa dos seus interesses.

Sem enfrentamento verbal ou mental, continuávamos cuidadosamente em nosso mister, diminuindo o número daqueles que se mantinham fixados nos corpos danificados, desejando reerguê-los, retomá-los, para prosseguirem na caminhada humana... Dando-se conta da impossibilidade, caindo na realidade que não desejavam aceitar, perdiam completamente a lucidez e atiravam-se de encontro ao solo ou uns contra os outros, revoltados e em pranto de agonia, impedindo qualquer ajuda de nossa parte. Era natural, por-tanto, que houvesse um ponto de contato que nos facilitasse a execução do mister a que nos dedicávamos.

Não existem violências nas Leis de amor, sendo necessário qualquer forma de identificação entre aqueles que necessitam e quem se predispõe a ajudá-los.

Eis por que, não poucas vezes, o sofrimento ainda é a melhor psicoterapia de que a vida se utiliza para despertar os dementados pelo prazer e os aficionados da crueldade.

O labor era exaustivo e de grande significado, porque o auxílio liberador a cada Espírito que se beneficiava com a dádiva do sono e a imediata transferência para um dos setores de auxílio em nossa Esfera, assinalava-lhe o novo caminho a percorrer, após despertar do letargo que passariam experimentando por algum tempo.

Momentos houve de agitação, porque alguns dos exploradores de energia recusavam-se ceder as suas vítimas ao nosso apoio, altercando e apresentando-se em condições próprias para um pugilato físico, distante de qualquer método de equilíbrio.

O Dr. White, porém, comunicava-se mentalmente conosco, estimulando-nos ao prosseguimento, aproveitando-se da indecisão de alguns verdugos, vinculando-nos a Jesus no Seu ministério de amor junto aos obsidiados a quem socorrera, usando da Sua autoridade, e, desse modo, continuamos.

A patética da gritaria infrene e da desolação em volta comovia-nos, no entanto, não podíamos deslocar-nos mentalmente da atividade que nos dizia respeito naquele reduto de putrefação e loucura.

Atendendo a uma mulher desvairada que segurava uma criança também lacrimosa e inconsolável, percebi-lhe a alucinação defluente do momento em que se desejou salvar com a filhinha de poucos anos de idade, buscando a parte superior da casa em que viviam, e a onda arrancou-a dos alicerces despedaçando-a e esmagando contra os destroços ambos os corpos. Podia-se ver-lhe os registros na mente alucinada... Não parava de gritar suplicando socorro, acreditando-se, como realmente se encontrava, perseguida por seres demoníacos que a desejavam submeter...

Tocando-lhe a fronte espiritual e emitindo sucessivas ondas de amor e de paz, percebi que me captava o pensamento e, porque estivesse estimulada à fé religiosa, pôde perceber-me em seu e no auxílio à filhinha, deixando-se conduzir para fora do círculo em que se encontrava aprisionada, embora ainda vinculada ao corpo reduzido a frangalhos. A pequenina encontrava-se livre da injunção perispiritual da matéria, e logo asserenou-se ao receber as vibrações que se exteriorizavam deste servidor em sua direção.

Ivon veio em meu socorro e começamos a concentrar a nossa atenção nos laços que a mantinham presa ao veículo carnal sem qualquer utilidade naquele momento. Algum tempo depois, após conseguirmos esgarçar as ataduras energéticas entre o Espírito e a matéria, por fim, acalmou-se, deixando-se conduzir, enquanto chorava comovedoramente, lamentando o acontecimento da desencarnação de que se dava conta.

Buscamos falar-lhe de imortalidade através do pensamento que ela cap­tava, apresentando-lhe a filhinha que deveria cuidar, prosseguindo como se estivesse na Terra e preparando-se para auxiliar aos demais familiares que, se não estivessem conduzidos pelo carro da morte, muito necessitariam da sua cooperação, para poderem continuar no processo de recuperação nos dias porvi ndou ros.

Convidada à reflexão da família, o instinto maternal apresentou-se-lhe mais forte e ela acedeu em acalmar-se. Conseguiu locomover-se, embora com alguma dificuldade, abraçando a criancinha que adormecera no seu regaço, e a conduzimos a um grupo de auxiliares especiais que, a partir da-quele momento, se encarregariam das providências compatíveis ao seu esta-do.

Ainda não víramos tudo de que a natureza humana é capaz enquanto lhe predominam as forças brutais do primarismo.

Estávamos absortos no atendimento daquela mole sofrida, quando al-guns indivíduos ainda reencarnados, começaram a remover os corpos sem qualquer consideração, aproveitando-se das sombras terríveis da noite.

- Trata-se de assaltantes de cadáveres - informou-nos Dr. White - que os estão vasculhando em busca de qualquer coisa de valor, considerando-se que a morte os surpreendeu num momento de atividade normal, sem aviso prévio.

Embora as autoridades estejam tentando pôr ordem no caos, os infelizes aproveitadores recorrem a todos os expedientes possíveis, objetivando lucrar com a desdita dos outros. Removendo os cadáveres em putrefação, não re-ceiam contaminação da alguma natureza e suportam os odores terríveis dominados pelo álcool que antes ingerem e pela ambição desmedida de amealhar algo para os prazeres degradantes.

"Continuemos sem prestar-lhes atenção, desde que estamos em campos vibratórios muito diferentes."

O SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO

CAPITULO 6

As horas sucediam-se lentas e pesadas. O grupo que atendíamos era constituído por quase mil vítimas da tragédia sísmica. Aparentemente pequeno era o resultado do nosso esforço, embora nos encontrássemos empenhados com carinho na execução da atividade que nos foi reservada.

A noite tornava-se cada vez mais pavorosa do ponto de vista humano, em razão dos horrores que se man ifestavam sem cessar.

Na esfera física, a procura de cadáveres para identificação era afligente, porque as pessoas choravam e imprecavam sem lucidez em torno do que exteriorizavam. Era uma catarse coletiva sob a inclemência das sombras tormentosas.

Do nosso lado, não era menos angustiante a paisagem espiritual.

Ana continuava a manter o archote aceso derramando claridade no local sombrio e truanesco. Em determinado momento, escutamos uivos arrepian­tes e vimos em movimento uma densa formação agitando-se e aproximando­se como se empurrada por ventos suaves, imperceptíveis para nós outros. ...


Ao acercar-se, podemos ver em hediondez diversos Espíritos com fácies e formas lupinas como se estivéssemos em um cenário de imaginação doentia, observando antigos seres humanos que se fizeram vítimas da zoantropia. Com aspectos repelentes e hórridos, eliminavam baba pegajosa pelas bocas escancaradas e os olhos brilhantes procuravam os cadáveres cujos Espíritos estávamos libertando.

Subitamente tentaram atirar-se sobre um dos montes de membros e corpos misturados, como se estivessem esfaimados.

Nesse comenos, Dr. White sinalizou ao padre Marcos que, rápido e seguro, desdobrou uma rede de fios luminosos e de ampla proporção, no que foi auxiliado por Ivon e Oscar, atirando-a com habilidade sobre o monturo fétido... De imediato, pudemos perceber que se tratava de uma defesa magnética, irradiando energia especial que apavorou os agressores, que certa-mente a conheciam, fazendo que se afastassem em tropel rápido, sem maiores perturbações para o nosso labor.

Fora a primeira vez que me deparara com cena de tal porte.

Percebendo-me as interrogações mentais, o hábil diretor veio-me em socorro, explicando-me:


- Trata-se de Espíritos muito infelizes, cujas existências na Terra foram terrificantes e que construíram as aparências perversas atuais como decorrência do mal que praticaram indiferentes ao sofrimento que causavam. Haviam perdido a sensibilidade do amor e, por isso mesmo, deformaram psiquicamente o perispírito que, após a desencarnação do corpo somático, encarregou-se de modelá-los conforme se encontram. Sucede que a única diferença em relação aos demais casos de zoantropia, é que, normalmente, a ocorrência é individual, no entanto, porque constituíam um grupo asselvajado que laborava em conjunto, o fenômeno alcançou-os a todos, neles plasmando a deformidade lupina

que os faz temerários, imprimindo-lhes as necessidade

alimentares típicas do gênero canis lúpus,mantendo a

mente entorpecida... Por automatismo, prosseguem na sanha do desequilíbrio até o momento quando a misericórdia


Caixa de texto:  Caixa de texto:  de Deus deles se compadeça e sejam re-cambiados às reencarnações expiatórias muito dolorosas...


"A mente é sempre a geradora de bênçãos ou de desditas, porque dela procedem as aspirações de uma assim como de outra natureza. Quando as criaturas humanas considerarem a força do pensamento que procede do ser que são, haverá mudança radical de comportamento moral e social, dando lugar às conquistas relevantes da imortalidade triunfante.

"Por enquanto, é natural que o processo ainda se encontre em fase prepa-ratória, dando lugar às aberrações que tomam corpo no mundo físico, caracterizando a decadência dos valores éticos e morais, nas esperanças de felici-dades que soçobram no mar encapelado das paixões.


Caixa de texto:  "Não são poucos, no campo das comunicações, na Terra, os

decantados multiplicadores de opinião, que

sintonizam com as Entidades bestializadas, que os submetem ao talante das suas aberrações, durante largos períodos de desdobramento pelo sono fisiológico, imprimindo profundamente no cerne do ser de cada um, a devassidão, o desvario, a degradação moral. Retornando ao corpo somático, recordam-se das experiências viciosas em que se comprazem e estimulam os seus aficionados, cada vez mais, à luxúria, ao sexo açodado pelas drogas alucinógenas, pelo álcool, pelas substâncias farmacêuticas estimulantes...

"Não seja de surpreender a debandada das gerações novas para as músicas de sentido infeliz, nos bailes de procedência primária e sensualidade, onde a perversão dos sentimentos é a tônica, e o estímulo à violência, à rebeldia, à agressividade constitui o panorama da revolta, afinal contra o quê? Tornam-se adversários do denominado contexto, em vez de desenvolverem os valores dignificantes para melhorá-lo, mergulham fundamente nas paixões mais vis, tornando piores para eles mesmos e para os outros os dias que enfrentam... Fogem, então, para a consumpçáo por meio das drogas, da exaustão dos prazeres sensuais e perversos.

"De pequena monta a contribuição da responsabilidade e do dever, ainda distantes de serem avaliados devidamente. Essa tarefa


Caixa de texto:  Caixa de texto:  Caixa de texto:  libertadora, sem dú-vida, cabe à educação das novas gerações, a fim de que sejam criados novos hábitos de convivência e de comunicação saudável, dando lugar ao desen-volvimento das forças vivas do Bem inatas em todos os indivíduos.

"Podemos ver aqui as paisagens defluentes dessas condutas arbitrárias e deslocadas no tempo e no espaço, transformadas em sofrimentos de longo prazo, que o amor irá modificar no momento próprio."

Caixa de texto:  Não havia oportunidade para mais esclarecimento e divagações sobre o tema relevante, porque agora chovia energia causticante, que fazia lembrar os raios durante as tempestades, aumentando as dores das vítimas de si mesmas, arrebatadas do corpo pela desencarnação em massa.

Curiosamente relampejava na sombra temerária, e essas claridades eram psíquicas, que predominavam na região mesmo antes do acontecimento terrível.

Turistas de diversos países europeus, especialmente

nórdicos e america-nos, franceses e alemães,

escolhiam aquelas regiões para os prazeres do corpo

sem qualquer compromisso com a beleza das

paisagens dos mares do sul, com a sua natureza ainda

semi preservada... Muitos viajavam para aqueles

paraísos, quais a Tailândia, as ilhas Maldivas, as ilhas

Phi Phi e outras, para desfrutarem das facilidades

morais, sexuais, de jovens adolescentes vendidos

pelos pais irresponsáveis ao comércio da

licenciosidade... Hábitos ancestrais ainda vigentes de

total desrespeito pela mulher e pelo ser humano,

facultavam a larga prostituição de meninas e de

meninos que serviam de mascotes aos ocidentais que

os podiam comprar a preço bastante acessível para

eles.


Ao largo dos últimos anos, as mentes geraram essa psicosfera doentia nas regiões agora afetadas pela calamidade que teve uma função purificadora para toda a região, alterando os costumes e propondo novos comportamentos morais pela dor, advertindo a respeito da fragilidade e temporalidade da vida orgânica, e que, infelizmente, ainda não apresentava qualquer possibilidade de melhora. Pelo contrário, aconteciam a revolta, o suborno, o desvio dos auxílios internacionais, a dominação dos mais fortes sobre os mais fracos, que ficariam à mercê da própria sorte em relação ao futuro sombrio em cujo rumo avançavam.

Como as religiões lentamente estavam perdendo prestígio, mantendo regras de comportamento na teoria e mancomunando-se com os poderes tem-porais indignos, as criaturas encontravam-se sem norte, vagando nas ocorrências mais apetecidas e menos laboriosas... O dinheiro fácil era o que lhes importava, a fim de saírem da miséria financeira e embriagarem-se no consumismo devastador.

Como faz falta a presença de Jesus no mundo, assim como dos Seus embaixadores que, através dos tempos, vieram preparar-Lhe o advento!

As Suas propostas ricas de ternura e de esperança, de consolo e de amor ainda não conseguiram penetrar realmente nos Seus seguidores, menos ainda naqueles que O não conhecem, dando lugar às loucuras do imediatismo, do desgaste emocional e moral nos jogos dos desejos infrenes. A iluminação espiritual é trabalho de largo porte, que exige abnegação e devotamento, compensando através da paz que proporciona e da alegria de viver sem condicionamentos extravagantes nem dependências doentias.

Empenhados na atividade especial de ajuda aos irmãos aflitos, sucediam-se os quadros de dor, cada qual específico, em razão de cada pessoa ser única e especial, seus problemas e ambições muito próprios, caracterizando-lhe o nível de evolução.

Abdul, suavemente iluminado, podendo ser percebido pela maioria dos Espíritos perversos que disputavam as carcaças humanas e tentavam submeter os seus antigos hóspedes físicos, continuava no recitativo do Alcorão, suplicando, vez que outra, a ajuda dos Céus para os sofredores e seus algozes.

Subitamente, no círculo de aflições, destacou-se uma mulher de olhar esgazeado que procurava a mãezinha, também vítima da catástrofe. Gritava, já afônica, pelo nome da genitora, tentando desembaraçar-se do corpo sem o conseguir, constrangendo-nos de imediato.

Acerquei-me, paciente e compadecido, podendo ler no seu pensamento o drama que experienciava e a dor imensa que a consumia.

Estava atendendo a senhora idosa enferma, quando a onda imensa arrancou-lhe a casa do solo, levando-a de roldão com os coqueiros e outras árvores de grande porte, despedaçando tudo à frente.

A morte de ambas foi imediata, e logo despertou agônica entre as ruínas do que fora o lugar em que vivia. Não se apercebeu da situação, pois que, para ela, o dia não raiara, ainda tomado pelas sombras decorrentes das vibrações pesadas ambientais, entregando-se ao desespero em busca da anciã...

Fortemente ligada ao corpo, tentava sair do lugar sem o conseguir, em desespero crescente.

Naquele momento, algo de belo sucedeu, porque na densa escuridão surgiu a mãezinha liberada do corpo físico e, lúcida, assistida por nobre amigo desencarnado que a conduzia, ajudando-a a acercar-se da filha alucinada. Vendo-nos em processo de auxílio e esclarecida pelo seu mentor espiritual, sorriu, e tentou agradecer sem palavras a nossa presença. Ato contínuo, abraçou a filha totalmente desequilibrada e começou a cantar uma doce melodia que falava de esperança, de alegria e de reencontro. A jovem espiritual acalmou-se, a pouco e pouco, enquanto era embalada, logo adormecendo.

Foi então que oferecemos o nosso contributo para a técnica da libertação dos despojes físicos, cujas últimas energias foram absorvidas pelo Espírito que se recolheu no regaço maternal.

As doces vibrações da senhora e a sua destacada estatura espiritual irradiavam­se, invadindo o organismo perispirítico da filhinha, que foi conduzida a outra esfera que não aquela à qual nos vinculávamos...

O trabalho prosseguia sem cessar.

Embora o Sol abençoasse a imensa área logo ao amanhecer, do nosso lado continua vam as trevas densas e as aflições sem nome, aguardando o sublime contributo da iluminação espiritual.

SOCORROS INESPERADOS

CAPITULO 8

O incidente inesperado colheu-nos de surpresa que, certamente, não o fora para o nosso mentor, em razão da sua admirável faculdade premonitória. Investido de

uma tarefa de tal envergadura, somente a pouco e pouco, ia-se desvelando em relação ao nosso grupo.

A informação sobre a solicitação dos Guias da Indonésia, pedindo auxílio espiritual às comunidades do Além, também soou-nos de forma agradável e iluminativa. Como realmente não existe o acaso, todos os labores edificantes são pré-organizados, estudados com cuidado, examinadas as possibilidades de êxito ou de fracasso, e quando começam, o plano avança com segurança e metas bem definidas.

Realmente, recordava-me de quando soaram as cornetas em nossa Colônia, naquela manhã de 26 de dezembro e todos nos recolhemos à oração, porque, de imediato, o nosso serviço de comunicações informou-nos sobre a grande tragédia, facu ltando-nos acom pan har os i nfaustos acontecimentos. Ignorava, porém, os cuidados estabelecidos pelos Mentores e a solicitação de ajuda solidária no mundo espiritual.

Comovido ante a sabedoria divina e o intercâmbio que existe em toda parte em nome da solidariedade universal, pus-me a observar os Espíritos aflitos que se deixaram cooptar pela palavra sábia do orientador, ansiando pela própria renovação, e agora dependiam dos esforços do nosso grupo.

Dr. White fora tomar providências com organizações especializadas na ajuda a esses arrependidos que se apresentavam assinalados por graves enfermidades psíquicas e emocionais. Os corposdenotavam os sofrimentos experienciados pelos contínuos anos de martírio e dependência dos verdugos que os maltratavam, reduzindo-os à condição de escravos das suas paixões.

Agora, que começaram a mudar de atitude mental, começaram a perceber o estado deplorável em que se encontravam, passando a sofrer os dardos


ultrizes das enfermidades que os haviam ceifado a existência física, assim como as marcas profundas dos distúrbios ocasionados pela insânia que se permitiam... Ademais, em razão do comportamento infeliz, cada perispírito assinalava os sentimentos ultrizes antes vivenciados e agora exteriorizava-os em forma de úlceras pútridas, deformações e amputações de membros, que se encontravam envoltos em vibrações escuras de baixo teor.

Olhando-os, com misericórdia e carinho, constatávamos como somos o fruto daquilo que cultivamos mentalmente.

Reunidos em uma faixa especial, a fim de que não se misturassem aos demais que estavam despertando do torpor da desencarnação, choravam uns, outros permaneciam hebetados, diversos apresentavam-se enlouquecidos, formando uma hoste de desditosos que rebolcavam nas aflições inomináveis que os mortificavam.

Bailavam na minha mente algumas interrogações a respeito do diálogo mantido pelo Dr. White e a legião de agressivos. Ao primeiro ensejo, indaguei ao gentil orientador:

— Tendo-se em mente que os indigitados irmãos que vieram agredir-nos estavam estruturados na linguagem nacional, não entendendo outro idioma, como foi possível travar-se o diálogo vigoroso que tivéramos ocasião de ouvir?

Sem demonstrar enfado, o querido amigo explicou-nos:

— Utilizei-me da onda mental sem a sua verbalização em palavras. Em face das circunstâncias e do pensamento que a elaborava, os irmãos aflitos escutavam na sua língua de comunicação habitual, por estarmos vibrando na mesma faixa de pensamento. Por outro lado, os amigos do nosso grupo, por sua vez ouviam o diálogo no idioma com o qual nos comunicamos, qual ocorre em nossos contatos


íntimos. Constituindo um grupo de Espíritos procedentes de países diferentes, a nossa comunicação é mental, sem a necessidade da expressão oral, formulada nos padrões de cada idioma.

"A linguagem do Universo é o pensamento que modula as expressões de acordo com a captação de cada ouvinte. Essa tarefa de interpretação da linguagem é característica do perispírito que armazena as matrizes idiomáticas dos países por onde transitamos nas diversas existências corporais. Mesmo quando estamos diante daqueles que procedem de regiões pelas quais não passamos no percurso das reencarnações, a sua mente capta a onda emitida e a decodifica. Tudo ocorre com automatismo e naturalidade, sem que haja esforço de quem quer que seja. Nada obstante, quando ocorre uma sintonia por idéias, interesses ou anelos, o fenômeno se torna mais eficiente e mais rápido.

"Na discussão que travamos com o chefe da grei rebelde, usamos as formulações da língua inglesa que eram captadas no indonésio, no português, no filipino, portanto, igualmente pelo nosso grupo de cooperadores procedentes dos países que se comunicam nesses idiomas."

Depois de uma breve pausa, concluiu:

"Imaginemos uma orquestração sinfônica que nos alcança os ouvidos acompanhada por um coral que se expressa em determinado idioma, e cons­tataremos que registramos a música e as vozes, penetrando no seu conteúdo, embora sem compreender as palavras que os cantores enunciam. O impor­tante são o conjunto melódico, a emoção que nos desperta, a alegria que nos invade e o imenso bem-estar defluente do seu efeito musical."

O momento não permitia ampliação do diálogo, porque, naquele momento, havia parado a regular distância um veículo do qual saltaram alguns lidadores do Bem que se aproximaram, apresentando-se ao Dr. White.

Tratava-se da ajuda solicitada aos responsáveis pelo acolhimento e cuidados em relação aos irmãos arrependidos que se haviam proposto renovação e entendimento.

Diversos desses operários da caridade adentraram-se em nosso campo de socorro e passaram a assistir os sofredores, conduzindo-os, um a um, ao transporte que pairava no ar, a um metro, mais ou menos, acima do solo. Alguns se movimentavam com dificuldade, embora a assistência recebida, logo sendo acomodados, num total de oitenta...

O responsável pela condução agradeceu ao nosso mentor e, de imediato, a nave decolou com velocidade, seguindo o roteiro estabelecido.

Sentia-me edificado ante a misericórdia divina que luz para todos, sempre ao alcance de quem a deseja receber.

Ao meu lado, o amigo Ivon Costa considerou a sabedoria divina e a constituição do amor vibrante em toda parte, como sua mais bela manifestação.

Menos de duas horas antes, aqueles irmãos recolhidos acreditavam-se pertencentes ao submundo infeliz da erraticidade inferior, lutando contra as leis soberanas, embora a elas submetidos, enquanto que, agora, rumavam na direção da felicidade que haviam desdenhado por décadas de loucura e de i g n orân cia.

Simultaneamente, os irmãos recém-despertos pela nossa atividade, encontravam-se em área próxima, sobre um gramado verdejante e podiam desfrutar da claridade do dia que lhes chegava tênue, embora a sombra predominante próxima dali...

Por sua vez, eram recambiados para a Colônia de refazimento, graças à abnegação de inúmeros servidores polinésios, alguns procedentes de ilhas remotas, que eram tidos como primitivos. Generosos e ingênuos, dedicavam-

se ao socorro aos nossos irmãos vitimados com alegria infantil, entoando algumas das canções sentimentais das terras que habitaram antes da desencarnação... Vestidos com simplicidade e usando barretes coloridos, as suas roupas davam-lhes uma beleza singela e harmoniosa.

Pequenos tremores ainda aconteciam sob as águas profundas do Oceano Indico, sem que novos danos ocorressem na superfície.

Dr. White convidou-nos ao retorno à nossa sede, por algum tempo, e usando a volitação com todo o grupo, chegamos à comunidade que se encontrava em movimentação. Era mais um imenso hospital a céu aberto e com alguns pavilhões onde eram recolhidos os pacientes mais agitados, do que um lugar de repouso. As vibrações ambientais eram benéficas, proporcionando o refazimento emocional que o desgaste natural na faixa em que estávamos laborando se fazia forte.

Dirigimo-nos, imediatamente, ao núcleo de acolhimento que nos fora reservado, e após ouvirmos as recomendações do benfeitor, que nos recomendava quatro horas de revigoramento, de prece e de reflexão, liberou-nos para o repouso necessário.

Encontrava-me comovido ante as messes de misericórdia com que me sentia agraciado.

Enquanto mourejava na Terra, abraçando a Doutrina dos Espíritos, tentava compreender como seria a vida fora da vestimenta carnal, sem o conseguir em plenitude. Por mais que a imaginação procurasse encontrar parâmetros para facultar-me o entendimento, tudo quanto lograva conceber era muito pálido em relação à realidade, na qual ora me encontrava.

E muito difícil estar-se mergulhado no mundo dos efeitos, tentando entender as causas, qual acontece com o conteúdo de qualquer natureza, que procure imaginar como será o continente que o guarda...

A constatação é de que somente há vida em toda parte, movimento e ação, sendo a Terra uma pobre cópia daquele admirável mundo pulsante, permanente, de onde nos originávamos.

Orei, então, em favor dos irmãos em processo de renovação, aqueles que se haviam rebelado contra os divinos códigos e se encontravam de volta como náufragos vencidos, mas sobrevivendo... Ao mesmo tempo, recordei-me dos outros, aqueles que se fixavam pela mente e pela conduta às vestes materiais que a morte ia consumindo e desejavam restaurar-lhes as funções, tombando em estados de loucura e de desânimo.

Suave paz dominou-me, arrebatando-me pelo sono, facultando-me um sonho feliz em região de beleza quase inimaginável.

Ali, tudo eram sons e harmonias. O vento, que perpassava pelo arvoredo, as flores que desabrochavam emitindo musicalidade especial, as mais diversas expressões da Natureza em festa sonora, aves de plumagem inigualável e os céus infinitamente azuis, como se o zimbório fosse um grandioso recinto no qual se movimentavam milhares de seres luminosos em atividade ordenada e quase mágica, emocionavam-me...

Automaticamente acompanhei pequeno grupo que se dirigia a uma construção ultra moderna de substância transparente como a dos atuais edifícios das grandes cidades, porém, mais delicada, e adentramo-nos num recinto que parecia um templo gótico onde se celebrava uma solenidade religiosa. Destituída de qualquer simbolismo, a nave nua era revestida de vibrações sonoras e coloridas, filtradas por imensos vitrais, que lhe davam uma beleza especial, singular.

As pessoas encontravam-se reunidas com júbilo na face, quando passa-mos a escutar um ser angélico portador de grande beleza, que abordou um tema sobre a solidariedade universal.

Ouvindo-o, embevecido, a musicalidade da sua voz penetrava-me o Es-pírito mais pela emoção do que pelas palavras articuladas, que me pareciam um canto si nfôn i co.

Seria muito difícil traduzir tudo quanto era exposto, porque o objetivo era introjetar nos ouvintes os sentimentos de amor profundo, em vez das expressões que se confundiam com a melodia ambiental.

Encontrava-me deslumbrado, quando suavemente retornei, despertando e mantendo as impressões incomparáveis daqueles momentos de desdobra-mento e visita a alguma região feliz a que ainda não tivera acesso por falta de méritos compreensíveis.

Amanhecia em nossa comunidade e, com o coração pulsante de felicidade, busquei os demais amigos para as novas tarefas.

DESAFIOS EXISTENCIAIS

CAPITULO 9

Embora de nossa comunidade pudéssemos desfrutar da luminosidade do Sol, sobre a área imensa desolada pairava uma nuvem sombria, pesada, resultante da angústia coletiva, do desespero que assolava os sobreviventes, da revolta que a muitos tomava, enfim, dos transtornos psíquicos causados por aqueles que tiveram a desencarnação violenta.

Podíamos ver as tempestades vibratórias que produziam raios e relâmpagos ameaçadores sobre a imensa cortina quase negra que vestia a paisagem espiritual.

A condensação das energias mórbidas, à semelhança do que acontece na atmosfera terrestre com o choque das temperaturas fazendo desencadear as

tormentas, os tornados, sucedia de maneira semelhante na imensa faixa avassalada.

Certamente essa psicosfera perturbava os sobreviventes aflitos que mais adensavam os cúmulos escuros e ameaçadores.

Tornava-se um círculo vicioso: as mentes emitindo ondas sombrias e ab­sorvendo os efeitos danosos que pairavam no ar...

A emoção de ternura e compaixão tomou-me e deixei-me arrastar pelas bland ícias da oração em favor daquela sociedade atormentada.

Chegou o momento de retornarmos aos labores. Todos nos encontrávamos assinalados pelo bom humor, pela alegria que se deriva do serviço fraternal de amor ao próximo, e nossa condução fez-se da mesma maneira como chegáramos sob o comando do nosso Benfeitor.

Atingida a região do nosso destino, de imediato passamos ao programa de assistência espiritual aos irmãos do carreiro da agonia.

Logo chamou-me a atenção um Espírito feminino que se encontrava sob terrível dominação de outro, masculino, que se apresentava com aspecto terrível e a explorava psiquicamente de maneira cruel.

Totalmente desvairada e presa aos vestígios carnais, a atormentada debatia-se entre as sensações da decomposição cadavérica avançada e a injunção penosa a que era submetida. Podíamos ver o algoz que a explorava e-mocionalmente, levando-a a acessos contínuos de gritos, blasfêmias e loucura.

Enquanto a contemplava presa ao corpo que tentava reerguer, talvez pensando em fugir à situação penosa, acercou-se-nos uma anciã desencarnada que, lacrimosa e aflita, pediu-nos ajuda, informando-nos ser-lhe a genitora.

Imediatamente, fez um sintético retrato biográfico da infeliz.

- Minha filhinha - começou entre lágrimas de resignação e débil voz - era vendedora de ilusões. Tornou-se profissional aos catorze anos de idade,

quando foi consorciada, de acordo com os nossos costumes, com um homem de aparência respeitável e de caráter vil, muito mais idoso do que ela. Os esponsais foram ricos de alegria, porém, passados dois meses, ele a encaminhou a um prostíbulo de luxo de sua propriedade, onde moçoilas inexperientes e sonhadoras vendiam o corpo em volúpias de paixões.

Fez uma pausa, enxugando o pranto, e logo deu continuidade à narração:

- Minha menina foi estimulada à exploração carnal... Recebeu cuidados adequados ao comércio de que iria participar, submeteu-se a uma cirurgia, a fim de evitar a gravidez, e foi treinada em um tipo de dança muito especial­mente sedutora.

"Com o passar dos dias e meses tornou-se tão célebre, quanto cínica e debochada, atraindo, à casa festiva, os aficionados da sensualidade atormentada. Com o desgaste natural, resultante dos abusos e pela necessidade de vender-se mais e sempre mais, derrapou para os infelizes comportamentos sexuais aberrantes e, para tanto, passou a consumir drogas terríveis...

Visitada por mais de uma vez pela minha ternura, já que o seu pai morrera pouco depois do desvario a que ela se entregava, desgostoso, em razão do choque com a religião que professávamos, pois que somos muçulmanos austeros, adverti-a sem cessar, não conseguindo a mínima consideração nem respeito. Por fim, parecendo cansada dos meus conselhos, num momento de desequilíbrio total expulsou-me do seu bordel de luxúria, sempre dirigida pelo maldito explorador - o próprio marido!

Minha filha havia enlouquecido por uma doença que eu não conseguia compreender. De um para outro momento, transformava-se, ficando tigrina e agressiva, perigosa e má, comprazendo-se em atemorizar os servos e mesmo alguns dos clientes, que lamentavam as suas freqüentes mudanças de personalidade, o que os desconsertava no vil conúbio a que se entregavam.

Sem que ninguém soubesse o que ocorria, começou a emagrecer, a de­finhar, como se fosse sugada nas suas energias por uma força estranha e maléfica sempre cruel.

"As dores morais foram-me superiores às frágeis resistências, e não su­portando as angústias contínuas, em razão do imenso amor dedicado à mi-nha menina, faleci vitimada por um ataque cardíaco..."

Silenciou, entristecida, olhando o Espírito querido, ainda vitimado pelo seu algoz...

- Por favor, socorram-na - rogou, súplice, de mãos postas e quase ajoelhando-se, no que foi impedida de imediato. Um ser demoníaco toma-a e desgraça-a desde aqueles longes-pertos dias de aberrações.

Não havia dúvidas que a jovem dançarina atraíra terrível amante de outra existência que se lhe vinculara psiquicamente enquanto no corpo físico, enciumado da conduta que se permitia, passando a explorá-la nos conúbios sexuais de ocasião

e de perversão, usurpando-lhe as energias emocionais e, não poucas vezes, tomando-a em surtos obsessivos terríveis...

Examinando o psiquismo do perseguidor, pudemos perceber-lhe os clichês mentais das mais chocantes aberrações, a revolta pela morte que a dominara durante o tsunami,assim ameaçando-lhe a exploração de energias. Tão profundos eram os vínculos entre um e outro, perispírito a perispírito, que ele se lhe imanava qual um molusco à concha que conduz, perversamente ameaçando-a.

Aproximei-me da infeliz e apliquei-lhe energias balsâmicas e calmantes, levando­a a um ligeiro torpor. Enquanto isso, a mãezinha orava as sutras do Corão, dominada por emoção compreensível e acompanhando a nossa tera-pia.

Quando conseguimos que o Espírito adormecesse, demos início ao seu deslindamento das vísceras orgânicas, o que conseguimos com o auxílio e a bondade de Abdul que veio em nosso socorro. As duas entidades muito ligadas, lembravam-nos um caso de xifopagia espiritual. O malfeitor bradava em alucinação com medo de perder a presa que explorara por alguns anos, enquanto Abdul falou-lhe com ternura e energia sobre o crime que perpetrava, informando-lhe que a exploração infeliz chegara ao fim naquela oportunidade, quando a morte os separaria e ele teria que enfrentar as conseqüências nefastas da sua crueldade.

A conduta mais própria era adormecê-lo também, a fim de ser providenciado recurso de libertação, quando ela pudesse contribuir com o pensamen-to e os sentimentos renovados, porquanto a atração mantida era resultado do seu comportamento que facilitara a perfeita identificação entre o plugue nos chakras coronário e sexual e as tomadas do seu agressor...

As Divinas Leis jamais recorrem aos recursos de cobranças comuns às criaturas humanas que se comprazem em fazer justiça mediante as concepções infelizes a que se atem.

Ninguém pode permitir-se o luxo desditoso de recuperar débitos morais e espirituais, colocando-se em posição de vítima, que nunca existe, porquanto, se tal houvesse, deparar-nos-íamos com lamentáveis falhas dos códigos da justiça divina.

Mecanismos próprios de reparação fazem parte das legislações superiores da vida, que jamais falham. Nada obstante, o orgulho e a intemperança daqueles que se consideram prejudicados, logo tomam posições de justiceiros e encarceram-se nas redes fortes dos crimes desconhecidos pela sociedade, porém jamais ignorados pela realidade que sempre terão que enfrentar...

Quando a mãezinha percebeu que a filhinha dormia relativamente em paz, embora alguns estertores naturais, como resultado inevitável das construções mentais arquivadas no inconsciente e as emanações morbíficas do adversário que se mantinha vinculado, sorriu feliz e tentou abraçá-la.

Tratava-se, para mim, de um caso muito especial, porquanto era a primeira vez que observava o fenômeno da obsessão que se iniciara durante a vilegiatura carnal, prosseguindo além da morte, sem nenhuma alteração por parte do perseguidor inclemente. Nessas ocorrências lamentáveis, o algoz também sofria as contingências experimentadas pela sua vítima, em torno do processo de desencarnação. Explorada pelo vingador, ela o intoxicava, embora

inconscientemente, com as emanações de desespero e de perda do tônus vital (animal), da conjuntura física, que era absorvido pelo inimigo.

Abdul providenciou uma padiola, e amigos cooperadores para o trans-porte de ambos os Espíritos ao lugar próprio que lhes estava destinado, considerando-se a especificidade da ocorrência.

Emocionada pela felicidade que fruía, a genitora expressou-nos os seus sentimentos de gratidão, inopinadamente osculando nossas mãos, o que muito nos constrangeu, considerando-se que o mais beneficiado éramos nós próprio.

A obsessão sempre apresenta angulações que nos surpreendem, em razão das organizações mentais e espirituais de cada criatura, variando, portanto, de indivíduo para indivíduo.

A observação desse fenômeno perturbador sempre nos convida a acuradas reflexões em torno da conduta interior do ser humano, que sempre procede do campo mental, a irradiar-se em todas as direções, produzindo sintonias compatíveis com a sua equivalência com outros campos e áreas vibratórios que propiciam as vinculações por afinidade.

Quando as criaturas compreenderem que são as responsáveis por tudo quanto lhes diz respeito, certamente serão alterados os comportamentos individuais e coletivos, elegendo-se aquilo que conduz à harmonia e à felicidade, mesmo que a esforço, ao invés do prazer desgastante de um momento com as suas conseqüências perturbadoras de longo prazo. Na sua ilusão orgânica, porém, preferem a intoxicação do gozo doentio até a exaustão, sem qualquer responsabilidade, agasalhando as idéias absurdas de encontrar-se soluções miraculosas quando se lhes manifestam as conseqüências afugentes, que são inevitáveis.

Não é de estranhar-se a grande mole que recorre ao Espiritismo, à mediunidade, procurando solução milagrosa para os problemas que engendraram e pretendem ver resolvidos, assim mesmo sem a sua contribuição sacrificial.

A existência no corpo físico é uma oportunidade de aprendizagem que a vida concede ao ser espiritual no seu processo de crescimento interior, facultando-lhe os recursos apropriados para que a divina chama que existe em todos alcance a plenitude. De acordo com a maneira como cada um se comporte no mister, estará semeando as ocorrências do futuro, que terá de enfrentar, a fim de recompor-se e corrigir o que foi danificado.

Cada reencarnação é sublime concessão divina para a construção ditosa da imortalidade pessoal.

Escola abençoada, a Terra é o reduto formoso no qual todos nos aperfeiçoamos, retirando a ganga pesada do primarismo, que impede o brilho do diamante estelar do Espírito que somos. Os golpes do processo evolutivo encarregam-se de liberar­nos, permitindo que as facetas lapidadas pela dor e buriladas pelo amor reflitam as belezas siderais.

Onde nos encontrávamos, podíamos notar as diferenças de conduta entre os aflitos, assinalando maior soma de desespero ou de equilíbrio, que nos proporcionava auxiliá-los com maior ou menor eficiência. Nem todos, porém, aos quais buscávamos socorrer, conseguiam ser liberados, tão fortes se lhes faziam os laços da sensualidade da vida orgânica distante de qualquer espécie de crença na sobrevivência do Espírito.

Não foi possível divagar mentalmente por mais tempo, porque o nobre dirigente chamou-nos ao serviço, considerando que novas desencarnações continuavam ocorrendo e os assaltos por Entidades animalizadas se faziam de contínuo.

A visão das ocorrências post mortem surpreendem mesmo aqueles que, à nossa semelhança, se encontram na Erraticidade há expressivo número de anos.

A vida física disfarça pela aparência o Espírito que habilmente se mas-cara, procurando demonstrar o que gostaria de ser, mas tudo fazem para não se transformar interiormente para melhor. No entanto, a realidade que o caracteriza, desmistifica-o durante o processo da desencarnação, ocorrendo conforme cada um é e de acordo com as suas possibilidades de recuperação e reequilíbrio.

As paisagens, portanto, próximas à fronteira do túmulo, são, normalmente, afugentes, exceção daquelas que acolhem os Espíritos que se esforçaram para viver de acordo com os padrões do dever, do respeito ao próximo e à vida, mesmo que sem qualquer filiação religiosa. O importante é a conduta que se vivência e não a crença que se esposa. Nada obstante, a religião, quando liberta da ignorância, destituída de fantasias e de superstições, caracterizando-se pela lógica e pela razão, é via sublime de acesso à liberdade plena, pelo que proporciona de lucidez e esclarecimento, auxiliando o viajor a melhor contribuir em favor do próprio êxito na jornada imortalista.

Não havia, porém, tempo para mais amplas reflexões e, ao chamado pa-ra o trabal ho, d ispusemo-nos aleg remente ao serviço estabelecido.

APRENDIZAGEM CONSTANTE

CAPITULO 11

Mergulhada na psicosfera densa das aflições humanas, a região em que operávamos permanecia terrificante. Embora o dia estuasse de luz e o céu azul

turqueza, sem nuvens, estivesse deslumbrante em razão da claridade do Sol, a presença da tragédia colossal estava dominadora na paisagem de destroços.

Parecia uma área de guerra, que sofrerá pesada artilharia acompanhada pela destruição da força aérea.

Na praia imensa, antes paradisíaca, as árvores despedaçadas balouçavam sobre as ondas tranqüilas, ao tempo que se acumulavam nas areias e na vastíssima região atingida pela destruição da fúria do tsunami...

As pessoas revolviam os montes de entulho, tentando encontrar os cadáveres dos desaparecidos, agindo como dementados sem rumo..

Numa das barracas de emergência hospitalar, a movimentação de Espíritos encarnados e desencarnados era muito grande.

Encontrava-me em observação, quando veio até o nosso mentor uma senhora desencarnada com traços do norte da Europa, remanescente da sua última jornada terrestre, pedir ajuda.

Sintetizou a rogativa, informando que o neto, jovem de vinte e cinco a-nos, visitava a região com freqüência, acompanhado de amigos do seu país, para desfrutarem das regalias do prazer que ali eram concedidas em larga escala aos seus visitantes.

Portador de caráter vil, usuário de drogas químicas, atraía as jovens i - nexperientes e sonhadoras locais, pelo porte atlético e pela habilidade no surfe que se destacava no meio de todos...

Em razão desses requisitos tornara-se um conquistador insensível, que se comprazia em corromper as vítimas, empurrando-as para a drogadição e o comércio carnal.


Financiava a viagem de algumas interessadas em aventuras e comercia­lizava-as com organ izações mafiosas que as transformavam em escravas do sexo no seu e noutros países por onde circulava. Logo, porém, as moças ludibriadas chegavam às cidades nórdicas da Europa, tomavam-lhes os passaportes e explicavam-lhes que teriam que pagar o empréstimo das passagens e de tudo quanto a partir dali lhes fosse oferecido.

O tipo exótico das moças, quase adolescentes, em relação aos padrões europeus, na maioria fascinava a clientela viciada, e quando se davam conta era demasiado tarde para qualquer providência salvadora...

Já se lhe tornara habitual a conduta infame em que se comprazia, mas era seu neto, o infeliz, por quem rogava socorro.

A avozinha, pois era o Espírito que pedia ajuda, tentara inspirá-lo a mu­dança de comportamento, mantivera reiterados encontros na esfera dos so­nhos,não logrando qualquer resultado saudável.

Comovendo-se, silenciou ante o benfeitor atento e completou:

— Estou informado por Espíritos generosos do labor que o nobre amigo vem realizando com a sua equipe, e, embora se trate de um caso especial, suplico a ajuda possível.

"Ele encontrava-se no Hotel X, à hora do sismo, e foi arrebatado pela onda gigante que o carregou com o edifício em desmoronamento. Ficara quase soterrado no entulho, e só agora, vários dias após, fora encontrado ainda com vida e conduzido à emergência naquele improvisado hospital erguido por estrangeiros.

Dr. Charles convocou-nos a nós, a mim e ao Oscar, para que o acompa­nhássemos, enquanto os demais prosseguiriam no afã estabelecido.


Quando chegamos ao centro cirúrgico, observamos os muitos atendidos em estado grave.

Colocado no aparelho para os estudos computadorizados, os médicos concluíram pela delicadeza do seu quadro. Encontrava-se em coma, com uma vasta área cerebral comprometida pelos traumas cranianos sofridos, pelos golpes do desmoronamento da construção e pelo choque do paredão de água.

Dr. Charles observou-o, e explicou à anciã;

- Nosso jovem encontra-se muito gravemente afetado sem a menor pos­sibilidade de recuperação. Os largos dias em que esteve sem assistência de qualquer natureza comprometeram-lhe outros órgãos e a bomba cardíaca destrambelhou-se sob o esforço exaustivo, tendo ocorrido, nesse período, duas paradas que mais comprometeram o cérebro em razão da anóxia decorrente...

- O mais grave — acentuou - é a sua condição espiritual... Vimos o Espírito ainda preso ao corpo debatendo-se nas mãos fortes de dois adversários cruéis que o ciliciavam com vergastadas, ao tempo em que o ódio que exteriorizavam era absorvido pelo organismo da vítima, especialmente por inter-médio dos chakras cerebral, solar e cardíaco, afetando-lhe o debilitado coração.

Um deles, cujo semblante era uma caraça demoníaca, ameaçava:

- Morrerás, infame! Nós te queremos aqui, quanto antes, para punir-te pelo mal que fizeste às nossas filhas. Como podes destruí-las no comércio da carne, utilizando-te da sua ignorância, para que fruas prazeres insaciáveis, na tua doença moral!? Nunca te perdoaremos por invadires nossos lares e desgraçares aquelas a quem amamos. Se houver justiça divina, nós seremos os seus intermediários e a aplicaremos conforme o fazes com as tuas vítimas...

Estrondosas gargalhadas de loucura faziam-se acompanhar a cada acusação.

O outro estertorava, à medida que também o acusava:

- Estrangeiro maldito, abutre infeliz que degradas todos aqueles que passam pelo teu caminho de misérias! Porque somos pobres, pensas, cinicamente, que podes corromper as nossas meninas, levando-as para a escravidão nas tuas terras? Pagarás os crimes, como nunca poderias imaginar, porque dispomos de outro poder que não tens, miserável!

... E contínuas exprobrações eram enunciadas entre dentes rilhados e mãos agitadas em atitude agressiva.

Outros também apresentavam queixas acusatórias, cercando o desditoso com as suas faces transtornadas, o que lhe produzia infinito pavor, levando-o a debater-se em pranto e contínuos desfalecimentos.

Surpreso, olhei o mentor, que me explicou:

- Nossos irmãos estão tentando matá-lo, isto é, procuram impedir que se assenhoreie do corpo, intoxicando com as vibrações do ódio o órgão cardíaco até o mesmo cessar de pulsar... No seu estado atual de fraqueza não suportará por mais tempo a ingestão dos fluidos venenosos eliminados pelos adversários, e que vem absorvendo, piorando o estado ao somar-se aos demais fatores de desequilíbrio...

Depois de ligeira reflexão silenciosa, acentuou:

— Ele necessita, porém, de sobreviver...

Não deu mais explicações, exceto, informando:

— Sem que recupere a lucidez, terá uma longa existência vegetativa de reparação.

Ato contínuo, acercou-se dos litigantes, condensando o perispírito, até permitir-se ser percebido pelos algozes, e pôs-se, serenamente, a dialogar com os mesmos.

— Reconheço - afirmou com tonalidade bondosa na voz - a justeza das vossas argumentações em referência ao paciente. No entanto, a aplicação da justiça compete a Deus, que conhece em profundidade cada um de nós. Jamais saberemos como corrigir alguém, quando dominados pelo ódio e desejosos de vingança... Nosso jovem é leviano, vem cometendo crimes hediondos, sem dúvida.

Arrebatá-lo pela morte, não será igualmente um crime perverso e sem justificativa, porque o mal, de maneira alguma, se insere no contexto da vida?!...

"Considerando-se, portanto, a circunstância, a vossa disposição de discipliná-lo, de retê-lo no Além-túmulo, a fim de apressardes a sua punição, violenta as Leis Soberanas, porque ninguém tem o direito de tomar nas mãos a clava da justiça..."

Furibundos, ambos reagiram, enquanto outros, agitados, entregavam-se à gritaria, tentando gerar perturbação.

- Não necessitamos de juiz estrangeiro - revidou um deles —. Conhece-mos as nossas leis e, por elas, pelo Alcorão, assim como através da Xariá sabemos como conduzir-nos, aplicando as chibatadas correspondentes ao crime, e são vários os crimes de desonra e degradação de vidas por ele co-metidos, portanto, na Terra, punidos com a pena de morte, o que estende-mos até aqui... Agradecemos a interferência de cristãos em nossas decisões, permitindo-nos continuar com os nossos propósitos, porquanto estamos den­tro da Lei...

- Isso poderia parecer correto - alvitrou o benfeitor resoluto -. Nada obs­tante, o Alcorão também fala de misericórdia, e que somente Allah é justo, benevolente e sábio, podendo perdoar os mais perversos infratores... Maomé reconhece a grandeza de Jesus e da Sua doutrina, portanto, a verdade tem caráter universal e, no caso em tela, não importa que a interferência seja por intermédio de muçulmano ou de cristãos, mas que esteja baseada nos senti­mentos de misericórdia e de amor, ambos de caráter divino, portanto, inder­rogáveis...

"- Não nos interessa a sua colaboração, mas sim a concretização dos nossos objetivos, que são inamovíveis.

"— Compreendemos, perfeitamente, a vossa dor, assim como a de outros tantos... Ei-la campeando em toda parte nestes tormentosos dias que enfrentamos. Somente a sabedoria divina conhece as razões para tudo quanto vem sucedendo desde o momento do infausto acontecimento sísmico...

Comove-nos o sentimento de solidariedade dos países de diferentes partes do mundo aqui presentes, contribuindo em favor das vítimas da ocorrência terrível. Nenhuma preocupação com a crença, a moral, a conduta dos que se encontram em aflição. Há, em todos, o saudável desejo de ajudar, de demonstrar amor e respeito pelo sofrimento do próximo.

A mesma atitude solidária estabelece-se além das formas físicas sob a égide do Amor.

"Desde que estais insensíveis à compaixão, apelamos para a misericórdia de que todos necessitamos diante de Deus. Por acaso, considerai-vos isentos de erros, atravessastes a caminhada terrestre sem haverdes contraído dívidas ou gravames ante as situações penosas de outros?

"Desse modo, fazei com o perturbador da vossa paz, conforme gostaríeis que fizessem em relação a vós outros, caso estivésseis no seu lugar."

A palavra era repassada de imensa compaixão e ternura, envolvendo em dúlcidas vibrações de harmonia os agressores, que ficaram algo aturdidos momentaneamente, logo retornando ao ataque.

- Ofereci-vos a bênção da caridade para com o criminoso e reagis - vol-tou a afirmar o mentor - agora vejo-me na contingência de apelar para ou-tros recursos de que podemos dispor em situações como esta...

Silenciando, pôs-se a orar em profunda concentração, no que o acompanhamos de bom grado.

Suavemente uma claridade os envolveu, e Ana, que continuava com o archote na mão direita erguida, depô-lo no solo, e acercando-se de ambos dentro da luz superior, abraçou-os com bondade, enquanto o médico desligava o Espírito submetido à pressão dos adversários.

Subitamente, os dois adversários foram dominados por estranho torpor, e amparados pela enfermeira espiritual, foram colocados no solo, a fim de serem transferidos por generosos auxiliares convocados mentalmente pelo Dr. Charles que, então, aplicou energias saudáveis no enfermo em estado comatoso.

Vimos o encaixar do Espírito no corpo, e logo depois um estertor sacu-diu-o todo, transformando-se em uma convu lsão...

- Ele sobreviverá... - informou o médico sábio - Receberá os recursos hábeis e, em breve, poderá ser transferido para o lar, onde experimentará a longa trajetória da recuperação moral...

A nobre senhora desencarnada, muito comovida agradeceu ao esculápio espiritual e abraçou o neto querido.

Quando retornávamos para os labores sob nossa responsabilidade, e porque me parecesse oportuno, pedi-lhe licença, e interroguei-o:

- Pelo que depreendo, os adversários espirituais tramavam-lhe a desencarnação, não é verdade?

Sempre bondoso e atento, o orientador respondeu-me:

- Podemos chamar essa agressão como uma tentativa de homicídio espiritual.

- Isso ocorre com freqüência? - interroguei-o, surpreso.

- Sim - esclareceu - com mais freqüência do que se imagina. .. Nunca devemos esquecer-nos que este é o campo das causas, o mundo espiritual, onde se originam as ações e feitos que se materializam na Terra. Fonte de sublimes inspirações, também origina reações devastadoras, quando os seus autores se encontram nas faixas primárias da evolução. Em colônias de dor e de sombra, mentes perversas elaboram programações desditosas que inspiram aos deambulantes carnais, insensibilizando-os e auxiliando-os nas suas desvairadas aplicações.

Em parceria psíquica, hipnotizam aqueles com os quais conviveram na esfera espiritual, esses desalmados perseguidores do Bem, e utilizam-nos com uma frieza que nos choca, procedente, desse modo, das suas construções mentais d evastadoras.

Detido o Espírito encarnado nas malhas vibratórias dos seus desafetos, em razão dos comprometimentos morais para com eles, torna-se sujeito à sua injunção infame, experimentando dores acerbas que podem provocar no corpo desastres orgânicos. A mente é portadora das energias que se movimentam através da aparelhagem carnal, e quando são deletérias produzem efeitos compatíveis. Da

mesma forma que uma emoção forte, em estado de vigília danifica o organismo e provoca distúrbios muito graves na maquina-ria fisiológica, aquelas que têm lugar durante o parcial desprendimento pelo sono, pelo coma ou situações equivalentes, repercutem nas células, danificando-as ou harmonizando-as se defluem das alegrias e bênçãos que se vivenciem.

Tudo quanto ocorre no soma procede da psique, portanto, do Espírito, que é o condutor do carro material.

Nossos irmãos, embora vinculados à doutrina muçulmana, conhecem a realidade da vida após a morte e comportam-se qual ocorre também com incontáveis cristãos desencarnados e inumeráveis cidadãos comuns crentes ou não na imortalidade.

Não são poucos aqueles que se aperfeiçoam em comportamentos perniciosos antes da reencarnação, a fim de poderem dar-lhes expansão durante a jornada orgânica.

A realidade é a mesma, variando as formas de exteriorização, assim facultando que todos estejamos envolvidos pelas suas poderosas manifestações.

"Mais uma razão para que sejam divulgados os conteúdos imortalistas a todas as criaturas, para melhor poderem conduzir-se enquanto vige o período da reencarnação. O conhecimento da verdade é libertador, porquanto se insculpe no pensamento e nas ações, orientando o ser no seu desenvolvimento iluminativo."

Nesse ínterim, chegamos à nossa área de atividades habituais e prosseguimos no atendimento aos irmãos desesperados, que a morte surpreendera sem aviso prévio, e que, mergulhados no fascínio do corpo, nunca se deram permissão para reflexionar em torno da inevitável presença da morte.



Calendário Assistência 2017

TENDA ESPÍRITA MAMÃE OXUM

CALENDÁRIO ASSISTÊNCIA - 2017.

C.E. Miguel Arcanjo e Tenda Espirita Mamãe Oxum-

Rua Francisco Framback, 91 E – Cascatinha - Petrópolis - RJ

ABRIL

MAIO

JUNHO

23 – Reabertura do Terreiro às 20h – Saudação à Ogum

02 – sexta-feira – Pretos Velhos

28 - sexta-feira - Exus

05 - sexta-feira – Pretos Velhos

07 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

10 - quarta-feira- Estudo da Umbanda

09 – sexta-feira – Saúde

12 - sexta-feira – Saúde

13 – terça-feira – Saudação Aos Exus – Bênção dos Pães – 20h

13 – sábado – Saudação aos Pretos Velhos

16 – sexta-feira – Não tem Gira

17 – quarta-feira – Doutrina - Vovó Catarina

21 – quart-feira – Doutrina – Vovó Catarina

19 – sexta-feira – Caboclos

23 – sexta-feira – Caboclos

24 – quarta-feira –Saudação à Sta. Sara,

e Povo Cigano

28 – quarta-feira – Doutrina

26 – sexta-feira - Malandros

30 – sexta-feira - Exus

JULHO

AGOSTO

SETEMBRO

05 – quarta-feira – Doutrina

02 – quarta-feira – Doutrina

01 – sexta-feira – Pretos Velhos

07 – sexta-feira – Pretos Velhos

04 – sexta-feira – Pretos Velhos

06 – quarta-feira – Doutrina

12 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

08 – sexta-feira – Saúde

14 – sexta-feira – Saúde

11 – sexta-feira – Saúde

13 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

19 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

16 – quarta-feira – Saudação à Obaluaê e Omolu

15 – sexta-feira – Caboclos

21 – sexta-feira – Caboclos

18 – sexta-feira – Caboclos

20 - quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

26 e 28 – Não funcionaremos

23 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

22 – sexta-feira – Não Tem Gira

30 – Domingo – SEMINÁRIO

25 – sexta-feira – Malandros

24 – Domingo – Saudação à Ibeijada - às 17h

30 – quarta-feira - Doutrina

27 – quarta-feira – Distribuição Doces

29 – sexta - Exus

OUTUBRO

NOVEMBRO

DEZEMBRO

.04 – quarta-feira – Doutrina

01 – quarta-feira – Terreiro Fechado

02 - Confraternização

06 – sexta-feira – Pretos Velhos

03 – sexta-feira – Não tem Gira

08 – sexta-feira – Saudação à Oxum e bênção dos Pretos Velhos – 20h

11 – quarta-feira - Não tem Esudo Umb.

08 – quarta-feira –Doutrina

09 – Oferendas na Praia – saída 17h

12 – quinta-feira – Cachoeira / Mata

10 - sexta-feira – Saúde

13 – sexta-feira – Não tem Gira

15 – Feriado – Saudação aos Malandros

18 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

17 – sexta-feira – Caboclos

20 – sexta-feira – Caboclos

22 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

25 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

24 – sexta-feira – Exus

27 – sexta-feira - Ciganos

29 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

ATENÇÃO: NÃO É PERMITIDO PARA ATENDIMENTO, PESSOAS COM MINI-SAIAS, SHORTS OU BERMUDAS CURTAS, BLUSAS MUITO DECOTADAS OU MINI-BLUSAS, CAMISETAS TIPO MACHÃO.

A CARIDADE NÃO SERÁ NEGADA, PORÉM RESPEITEM O TEMPLO RELIGIOSO.

Baixe o seu Calendário clicando no link abaixo:

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