quinta-feira, janeiro 05, 2012

A Eterna Primavera Porvindoura



A Eterna Primavera Porvindoura

Espírito Amélia Rodrigues
Médium Divaldo P. Franco

Cada quadra do tempo caracteriza-se por expressões inconfundíveis da própria Natureza
Sucede uma à outra, suavemente, e atinge o seu clímax, numa plenitude de força e domínio de realização.
Nesta, caem as folhas, esmaece a vida, desnuda-se a paisagem; nestoutra, o frio enregela, as cores alvejam e há tristeza assinalando dores e sombras de noites demoradas. . .
Depois, os rios voltam a correr, exulta o verde, a terra se enriquece de flores e os frutos amadurecem, pendentes nos ramos oscilantes ao vento.
Os grãos se intumescem no solo levemente aquecido e explodem em poemas de cor, em sons agitados, em dádivas de vida abundante.
Revoam os pássaros, ampliam-se os dias, e as noites, salpicadas de círios divinos, são espetáculos convidando à reflexão.
O vale confraterniza com os altiplanos.
Parece não haver distâncias nem separações.
Por fim, quando esta época estival logra a total potência, arde o Sol e o solo se resseca, o pó se ergue em nuvem, a vida novamente começa a fenecer. . .
O dia é um todo de fogo preparando-se, ao largo das horas demoradas, para seguir adiante, até receber as primeiras lufadas frias . . .
E repete-se a roda dos acontecimentos em movimentada orquestração de ritmos . . .
Ventos festivos varriam os rincões gentis da Galiléia humilde, cantando esperança para as almas em sofrimento.
Passado o grande inverno, sem nenhuma promessa de calor ou qualquer perspectiva de claridade, explodiam as dádivas primaveris numa inesperada sementeira de amor com imediata colheita de bênçãos.
Narra Mateus* com eloqüência aquela ímpar quadra primaveril de acontecimentos e bonanças.
A paisagem é a moldura do lago-espelho, em cujas bordas reflete-se o amor do Mestre pelas dores humanas.
Naquelas paragens, nas cidades fronteiras e ribeirinhas, em cujo solo a balsamina confraterniza com o miosótis e o trigo dourado espia da terra jovial as redes espreguiçadas ao Sol, nas praias largas, Jesus viveu a ternura das gentes simples, sorriu com as crianças e abriu a boca para entoar a canção da esperança.
Por aqueles sítios de pobreza e festa natural, Suas mãos arrancaram das aflitivas conjunturas das enfermidades retificadoras os trânsfugas do passado, emulando-os para o crescimento moral pelas trilhas do futuro.
Fez-se um suceder de fenômenos auspiciosos.
Ainda repercutia com profunda emoção nos ouvidos das almas os artigos e parágrafos em luz e esperança, que foram apresentados no monte, ao ser proclamado o Estatuto da Nova Era da humanidade do futuro.
Os ouvintes não haviam retornado ao chão das necessidades habituais, irrigados pela vibração do Sublime Governador, quando Ele, descendo do cerro, foi solicitado por um leproso, que “O adorava, dizendo: Senhor, se quiseres bem podes tornar-me limpo” e Ele quis, liberando o enfermo da sua carga pútrida.
A ação fortalecia a palavra.
O amor era mais forte do que a voz; esta, era suave e doce, enquanto aquele, poderoso e vital.
O passado jugula o criminoso à algema disciplinadora, mas o amor libera o precito para resgatar em ação benéfica o delito infeliz.
Não deseja o Senhor holocaustos, entretanto, esparze misericórdia.
Há muita dureza no mundo e terrível crueza nos corações.
Ele dulcifica.
Ninguém foge à culpa, nem se evade do ressarcimento.
O Seu amor anima os ferreteados a que se reencontrem e reparem os erros, ajudando suas vítimas e por elas fazendo-se amar.
Há expectativas atordoantes nos comensais da Boa Nova em delineamento.
O monte seria, simbolicamente, o mastro da bandeira da paz, desfraldada nas insuperáveis bem-aventuranças.
Em Cafarnaum, prosseguindo com os elos da cadeia do sofrimento, que Ele rompe, um centurião acerca-se e intercede pelo seu criado paralítico.
Uma confiança infantil numa seriedade adulta transparece naquele homem que comanda homens.
Jesus propõe-se a ir curar o enfermo, porém o homem, que se acostumou à autoridade, pede-Lhe que mande um dos Seus subordinados e a Sua vontade se faria.
Assim fez-se.
Este ordena e esse obedece.
Este quer e esse aquiesce.
Jesus é a Autoridade e os Espíritos atendem.
Não há maior autoridade do que aquela que lhe é própria, a que foi adquirida e não a que é concedida por empréstimo e pode ser retirada.
A fé é energia de vital importância, por irradiar vibrações poderosas que atingem os fulcros das nascentes que produzem os acontecimentos, aí agindo.
“Vai-te – disse o Amigo ao amigo confiante, - e como creste, assim te seja feito.”
Curou-se o servo do centurião.
No lar de Simão, onde Ele se recolhe por um pouco, a febre arde na velha sogra do pescador, que se aflige.
Tocando-a, restitui-lhe o equilíbrio térmico.
Irradia-se a inapagável Luz dos Séculos.
Nunca mais a noite se fará total . . .
À tarde, chegam os obsidiados por Espíritos infelizes, suas vítimas, seus cobradores.
O ódio grimpa os duelistas da animosidade.
Não há separação entre mortos e vivos, unidos pelos vínculos dos sentimentos afins ou dos compromissos a que se atrelam no carro da vida.
Sua palavra é medicação que atinge as ulcerações morais e as cicatriza.
Ampara o cobrador, antes ultrajado, e auxilia-o a ser feliz, informando que o calceta não fugirá de si mesmo.
Um deseja segui-lO, pensando em gozos e comodidades.
Como Ele não tem uma pedra para pôr a cabeça, apesar de “as raposas terem covis e as aves do céu ninhos”, o candidato, desiludido, foi-se embora. . .
Outro pretende dar-se; todavia, quer antes enterrar o pai cadaverizado.
Não há tempo para simulações.
A vida transcende ao corpo.
E ele não se deu. . .
O lago-mar sereno exalta-se e todos, na barca, temem; menos Ele, que dorme ou parece dormir. . .
Ante o receio geral, Sua voz acalma as ondas e os encarregados das “forças vivas da Natureza” tranqüilizam as águas.
Nada supera o Rabi, no mundo de Deus, que Ele elaborou sob a proteção do Pai.
Prosseguirá o ministério, naquelas e noutras paragens. . .
Paralíticos, endemoninhados, cegos, catalépticos, hemorroíssa, mudo por ação obsessiva, por toda parte a dor, as provações cedem lugar ao pagamento pelo trabalho do amor.
Eram todos, ontem como hoje, doentes da alma e desejavam a cura para os corpos.
O Mestre fazia cessar os efeitos dos seus erros, sarando a matéria, entretanto, oferecia-lhes a diretriz evangélica, a verdadeira terapia para o Espírito, única medicação para eliminar os sofrimentos.
O amor de Deus, refletido em Jesus, não tem limite.
. . . Prosseguirá a música da esperança a substituir litania da loucura e da miséria. . .
A responsabilidade do resgate sobrepõe-se à cobrança cega.
O homem desperta para os compromissos.
Os remotos tempos entenderão, e melhor farão entender o Mestre e Sua mensagem.
Somente pelo amor se libertará o homem.
Os pecadores são o campo para a semente de vida eterna e os caídos, sem alternativa de soerguimento, fazem-se adubo para a própria recuperação ante a oportunidade feliz do Evangelho.
Nenhum amor renteará com esse imensurável amor.
Aquele período primaveril não se repetiu, nem volverá a acontecer da mesma forma.
As sementes, todavia, dormem no solo da quadra outonal em que as almas se demoram, para emergirem, logo mais, em embrião, reflorindo ao claro sol da Era Nova da eterna primavera que já começa. . .

Agradecimentos: Carlos Eduardo Cennerelli




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