quinta-feira, outubro 23, 2014

Um Alerta aos Homens Públicos




UM ALERTA AOS HOMENS PÚBLICOS


Evocação do Espírito de um andarilho
 

“Aqui me encontro a convite dos instrutores da casa. Obrigado por chamarem à vossa sessão, este que ainda labuta para dar os primeiros passos na senda do progresso.

- Quem sois vós, irmão?
Resposta: Sou um andarilho, que passou toda a vida distante do convívio familiar ou do contato c

- Poderíeis nos falar um pouco de vossa experiência?

Resposta: Sim. É para mim, motivo de satisfação, pois tenho consciência que o vagar pela Terra me ajudou a ver muitas coisas importantes.


- Dissestes que não tivestes contato com pessoas civilizadas, mas não as viu durante vossa vida?


Resposta: Sim. Não tive um contato muito feliz, quis dizer. Delas, recebi reproches e olhares de desdém.

- Isso vos fez sofrer?


Resposta: Não tanto quanto tal ato provoca em muitos que vivem e viveram sem rumo como eu. Sentia no fundo do coração, que a experiência que vivia me seria útil de alguma maneira.

- Mas os andarilhos em geral são revoltados.


Resposta: Nem todos. Aqueles que expiam seu passado, o fazem com inconsciente conhecimento de causa, o que nos momentos de desprendimento os conforta.

- Dizeis que vossa vida de andarilho foi em encarnação expiatória?
Resposta: Sim, consegui quitar parte das dívidas que assumi numa encarnação, onde fora personagem rico e influente.

- Todos os andarilhos expiam faltas do passado?


Resposta: De modo geral, todos os Espíritos encarnados na Terra expiam o passado. Mas alguns pagam débitos mais acentuados. Nem todos os andarilhos, porém, possuem tal peso a aliviar. Alguns vivenciam provas, outros, foram colocados à margem da vida pelos próprios parentes ou pela sociedade que poderiam cuidar devidamente deles. Afinal, eles não são em número tão grande.

- O QUE DETERMINOU QUE TIVÉSSEIS UMA VIDA DE TANTAS PRIVAÇÕES?

 


RESPOSTA: MEU DESCASO PARA COM A COMUNIDADE. FUI UM HOMEM DE GRANDE INFLUÊNCIA NO PASSADO. MAS MINHA VIDA FOI A DE UM EGOÍSTA.

Pensava mais em mim e nos meus interesses, do que naqueles que depositaram em minha pessoa seu voto de confiança, para que eu pudesse ajudá-los. Passei muitos anos nas regiões de sofrimento e trevas, até que após uma eternidade, consegui libertar-me. Depois, com a ajuda de Benfeitores espirituais, cuidei de encontrar solução para tantos descasos.

- COMO FOI ESSA PROGRAMAÇÃO REENCARNATÓRIA?
RESPOSTA: HAVIA SOFRIDO TANTO NO MUNDO INVISÍVEL AOS HUMANOS, QUE FIQUEI DESEJOSO DE PÔR FIM AOS DESCALABROS PROVOCADOS EM VIDA. E O QUIS FAZER DA MANEIRA MAIS RÁPIDA POSSÍVEL. DISSERAM-ME, QUE A VOLTA COMO ANDARILHO PODERIA FAZER-ME QUITAR GRANDE PARTE DAS DÍVIDAS COM O PAI CELESTIAL. E FOI ASSIM QUE NASCI EM FAMÍLIA POBRE E DESDE PEQUENO VIVI NO ABANDONO, COMO SE UMA MÃO INVISÍVEL ME GUIASSE AO DESTINO LIBERTADOR.

 

- Falas com desenvoltura. Não sois muito lúcido, para quem viveu como um andarilho?


Resposta: A lucidez me vem da bagagem adquirida anteriormente. Hoje, estando livre, posso fazer uso desse conhecimento.

- Mas ele não se manifestou na matéria, durante sua encarnação como um andarilho?


Resposta: Nasci num organismo material, que contribuiu sobremaneira para que minhas faculdades permanecessem latentes.

Sentia com freqüência, impulsos de inteligência, mas a matéria agia como um anteparo às minhas manifestações.

- E como foi vosso regresso à pátria do Espírito?


Resposta: Morri, depois de sofrer o ataque de uma pneumonia. Meu organismo frágil não resistiu à ação funesta do micróbio.

- Sofrestes muito tempo nas regiões umbralinas?


Resposta: Pela bondade de Deus, não. Despertei quase de imediato e fui recebido por dois anjos guardiães. Após adormecerem-me, eles me conduziram a uma colônia onde passei meus primeiros dias de adaptação.

- Vossas recordações voltaram de imediato?


Resposta: Não. Tudo se fez gradualmente, até que consegui atingir a maturidade, pelo despertar de tudo o que eu era interiormente, agora burilado pelos sofrimentos pungentes a que fora submetido na minha última existência.

- Que tendes a dizer da vossa experiência como andarilho?


Resposta: Sou feliz por esta dádiva. Mas pode-se escolher outros caminhos para a evolução. Basta que se guie na vida pelo bom senso, pela razão e retidão de juízo.

- Mas não tivestes razão e bom senso quando endividastes?


Resposta: Sim, achava que tinha razão, que era dotado de bom senso. Mas de que razão falais? A que bom senso vos refere? O dos homens? Ora, irmãos, não há verdadeiro bom senso e razão sob o desconhecimento das leis de Deus. Pensai na reencarnação, pois ela é uma lei da vida. Pensai na lei de causa e efeito, pois através dela podereis guiar-vos nas boas obras, fazendo ao vosso próximo aquilo que quereis para vós mesmos. Pensai na imortalidade, não só como possibilidade teológica, mas como realidade de vida eterna, a única que verdadeiramente importa. Fui homem de grande importância social, mas deixei de cumprir com minhas obrigações frente ao povo necessitado. Perdi-me e os anos de sofrimento e desespero nas faixas umbralinas, fizeram-me descobrir um tesouro chamado Jesus. E eis que resolvi segui-Lo e, para isso, nada mais importava. Queria me desfazer de tudo o que até então me era importante, para poder ter o direito de estar com Ele no Paraíso. E foi como um andarilho, que me despi das riquezas materiais, dos meus títulos mundanos. Hoje sou feliz, por estar liberto e poder compreender Deus em suas graves conseqüências.

 

GOSTARIA DE DIZER ALGO AOS HOMENS PÚBLICOS?


RESPOSTA:

QUE CUMPRISSEM SEU PAPEL DE AGENTES TRANSFORMADORES DO MUNDO ONDE ESTÃO SITUADOS. QUE SUAS RESPONSABILIDADES COLETIVAS SEJAM CUMPRIDAS EM ESPÍRITO E VERDADE. QUE TENHAM A PLENA CERTEZA DE QUE SÃO SERVOS DO POVO, MAS QUE JAMAIS DEVEM SERVIREM-SE DELE.

Deus não joga dados com o Universo, disse um sábio. Digo-vos que Ele a tudo vê e cobra, ceitil por ceitil. Acordai, irmãos da vida política. De vós, muito será cobrado.........................”

- DR. JUVENAL, O ANTIGO POLÍTICO.
- Luís Silva, o que andava pelo mundo em busca de paz.

Espírito: Juvenal / Luís Silva

Grupo Espírita Bezerra de Menezes
São José do Rio Preto - SP

 

 

O POSSIVEL FUTURO DE MUITOS POLÍTICOS BRASILEIROS NA PRÓXIMA REENCARNAÇÃO




Muitos mendigos que vimos nas ruas são espíritos que no passado foram grandes políticos, porém corruptos.

 

Desviaram dinheiro público, receberam propinas, não fizeram o que deveriam ter feito.

 

Ao chegarem no plano espiritual a decepção é muito grande das suas atitudes. E suas ações negativas deverão ter reações na próxima vida que irá ter.

 
Pelos casos já vistos e estudados, geralmente reencarnam como mendigos, pobres em estado de miséria; e na atual circunstância pode ser ainda pior seu futuro espiritual.

Como Isac Newton nos revelou pela sua Terceira Lei, toda ação terá uma reação.
 

 É uma lei universal, aplicada no plano físico e espiritual, como nos é revelada pelo Espirito da Verdade, enviado por Jesus através do Espiritismo.

A reencarnação, percebe-se sua verdadeira ocorrência pela seguinte reflexão:

 

Se Deus é bom, é amor e justiça, por que nascem pessoas na miséria, doentes, deformadas, e outras ricas, saudáveis, bonitas? Resposta: Não é Deus que nos faz nascer em má situação, e sim nossas atitudes das nossas vidas passadas.

 


 

J. Raul Teixeira conta que certo dia ia a uma conferência numa cidade importante do Brasil, e ao dirigir-se para almoçar num restaurante, com os seus anfitriões, enquanto esperavam que o semáforo abrisse para atravessarem larga avenida, ele via uma mulher andrajosa ali ao lado, no caixote do lixo a procurar comida e a separar o lixo mais limpo do mais sujo. Tal cena causou-lhe tamanha impressão, que perdeu a vontade de almoçar, embora a necessidade de o fazer.
 

Enquanto tentava se recompor mentalmente, já no restaurante, pensando naquele ser que nada tinha, e ele ali num restaurante com os seus amigos, apareceu-lhe, através do fenômeno da vidência espiritual, um espírito amigo que o acompanha na sua tarefa doutrinária, que o acalmou, referindo que mesmo que fosse dar comida àquela senhora ela recusaria.


E o Espírito, em breves pinceladas contou a história daquela mulher, que nesta vida era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por ter prejudicado tanto o povo, tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual (onde não conseguimos esconder nada, nem de nós, nem dos outros), voltando numa condição miserável para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: as dificuldades financeiras do próximo.


Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não largava aquele local onde outrora lhe prestaram grandes homenagens. Não era um castigo divino, mas sim uma decorrência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os seus atos, pensamentos e sentimentos.


"A SEMEADURA É LIVRE MAS A COLHEITA OBRIGATÓRIA"


FRASE DE CHICO XAVIER:

"Devemos orar pelos políticos, pelos administradores da vida pública. A tentação do poder é muito grande. Eu não gostaria de estar no lugar de nenhum deles. A omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Tenho visto muitos espíritos dos que foram homens públicos na Terra em lastimável situação na Vida Espiritual . . ."

 
 

  

D. Pedro II (LONGINUS*)

Uma Grande Missão

*LONGINUS FOI O SOLDADO ROMANO QUE TRNASFIXOU JESUS QUANDO DA CRUCIFICAÇÃO

Em sua vibrante narrativa (Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho - FEB), Humberto de Campos (espírito) explica, no dizer de Emmanuel, a missão da     terra brasileira no mundo moderno. Nas suas esclarecedoras páginas lemos que...

“no último quartel do século XIV o Senhor desejou realizar uma visita à Terra, a fim de observar os progressos de sua doutrina e de seus exemplos no coração dos homens." A um de seus mensageiros que com ele viera indaga: "onde fica, nestas terras novas, o recanto planetário do qual se enxerga, no infinito, o símbolo da redenção humana?" "Mais para o Sul, Senhor."

      Contemplando o que mais tarde seria o Brasil, sentenciou o Divino Mestre:

“para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho e piedade e amor; sob a luz misericordiosa das estrelas da cruz, ficará localizado o coração do mundo!"

      Desde então, muitos foram os seus enviados a diversas partes do mundo para que o seu Evangelho de piedade e amor fosse pregado e divulgado. Muitos fracassaram, porém!

      Os séculos se sucederam na contagem da eternidade. No século XIX, a 7 de setembro de 1822, o Brasil separa-se de Portugal e passa a ser uma nação livre e independente. Aos 25 de março de 1824, após vários incidentes políticos, passa a contar com uma Constituição que lhe daria uma relativa organização estatal. Mas o coração amoroso do Anjo Ismael estava inquieto; acerca-se do Amorável Mestre e lhe confidência sua preocupação. Havia necessidade de um centro polarizador, um centro de exemplos e de virtudes, para modelo geral de todos. Chamando à sua augusta presença um nobre Espírito, lhe falou:

"Longinus, entre as nações do orbe terrestre, organizei o Brasil como coração do mundo. Consegui evitar que a pilhagem das nações ricas e poderosas fragmentassem o seu vasto território, cuja configuração geográfica representa o órgão do sentimento do planeta”... "Sente-se o teu coração com a necessária fortaleza para cumprir uma grande missão na Pátria do Evangelho?" Longinus, servidor bom e fiel, recebia, humildemente, naquele momento uma grande missão, sobre a qual Jesus lhe esclareceu: "esta missão, se for bem cumprida por ti, constituirá a tua última romagem pelo planeta escuro da dor e do esquecimento; serás Imperador do Brasil


... Inaugura um novo período de progresso para o povo das terras do Cruzeiro ... Ampara os fracos e os desvalidos... Tuas lides terminarão ao fim deste século; não esperes a gratidão dos teus contemporâneos; ao fim delas será alijado da tua posição; as mãos aduladoras, que buscaram a proteção das tuas, voltarão aos teus palácios para assinar o decreto da tua expulsão do solo abençoado... Contudo, amparar-te-ei o coração nos angustiosos transes do teu último resgate..."

      Longinus preparou a sua volta à Terra. E, no dia 2 de dezembro de 1825 renascia como Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro II.

Grandes entrevistas (Mediúnicas)
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Dom Pedro II
 Entrevista mediúnica conduzida por Humberto de Campos em abril de 1938 e publicada no seu livro Novas mensagens, 4ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1959 e republicada no livro: FAÉ, Walter José. Chico Xavier, D. Pedro II e o Brasil, São Paulo: Edições Correio Fraterno, 1982,  de onde foi extraída.   
Apresentação:
Seria possível uma entrevista com Pedra d’Alcântara-Morto em alguns recantos de além-sepulcro? Humberto de Campos-Espírito, valendo-se da sensibilidade mediúnica de Chico Xavier, ofereceu-nos estas páginas reconfortantes e originais, para espanto dos céticos e dos materialistas, a mostrar-nos o Homem-Alma magnânimo, sereno, humilde e bom. 
“Enquanto os vivos se reuniam em torno do monumento que o Brasil erigiu ao Patriarca da Independência, no Rio de Janeiro (no ano de seu centenário), os grandes “mortos” da Pátria igualmente se colocavam entre os encarnados, aliando-se ao povo carioca nas suas comovedoras lembranças.
Também acorri ao local da festa votiva dos Brasileiros acompanhado do meu amigo José Porfirio de Miranda, milionário do Pará, que a borracha elevara às culminâncias da fortuna, conduzindo-o, em seguida, aos declives da miséria, nos seus caprichosos movimentos.
Os vivos e mortos do Brasil se reuniam na mesma vibração afetiva das recordações suaves, enviando ao nobre organizador da vida política da nacionalidade um pensamento de amizade e de veneração. Antigo companheiro nosso, também no plano invisível, em plena via pública acercou-se de mim, exclamando:
- Chegas um pouco tarde. Jose Bonifácio já não está presente; mas poderás ainda conseguir uma proveitosa entrevista para os teus leitores. Sabes quem saiu daqui neste momento?
- Quem? - pergunto eu, na minha fome de notícias.
- O Imperador.
- D. Pedro II?
- Ele mesmo. Após lembrar a grande figura do Patriarca, dirigiu-se com alguns amigos para Petrópolis, a reavivar velhas lembranças.  
Em meu íntimo, havia um alvoroço de emoções. Lembrei-me de que em toda a minha existência de jornalista no mundo, só enxergara um monarca diante de meus olhos: o rei Alberto I, dos Belgas, quando, no Clube dos Diários, a elite dos intelectuais do país lhe oferecera a homenagem de uma comovida admiração. E ponderei se haveria mérito em consultar o pensamento de um rei, no outro mundo, onde todas as majestades desaparecem. Recordei a figura do grande imperador que Victor Hugo considerava o monarca republicano. Com os olhos da imaginação, vi-o, de novo, na intimidade dos Paços de São Cristóvão: o perfil heráldico, onde um sorriso de bondade espalhava o perfume da tolerância; as barbas compridas e brancas, como as dos santos das oleografias católicas; o olhar cheio de generosidade e de brandura, irradiando as mais doces promessas.
Um vivo, em havendo de ir a Petrópolis, é obrigado ao trajeto penoso dos ônibus, embora as perspectivas maravilhosas do mais belo  trecho de todas as estradas do Brasil; os desencarnados, porém, não necessitam de semelhantes sacrifícios. Num abrir e fechar de olhos, eu e o meu amigo nos encontrávamos na encantadora cidade das hortênsias, onde os milionários do Rio de Janeiro podem descansar nas mais variadas épocas do ano.
Não fomos encontrar o Imperador nos antigos edifícios em que estabelecera a residência patriarcal de sua família; mas justamente num recanto de jardim, contemplando as deliciosas paisagens da Serra da Estrela e apreciando o sabor das recordações amigas e doces. Acerquei-me da sua individualidade, com um misto de curiosidade e de profundo respeito, procurando improficuamente identificar os dois companheiros que o rodeavam.
- Majestade! - tentei chamar-lhe a atenção com a minha palavra humilde e obscura.  
Aproximem-se, meus amigos! - respondeu-me com benevolência e carinho. - Aqui não existe nenhuma expressão de majestade. - Cá estão, fraternalmente comigo, o Afonso (*) e o Luís (**), como três irmãos, sentindo eu muito prazer na companhia de ambos. Se o mundo nos irmana sobre a Terra, a morte nos confraterniza no espaço infinito, sob as vistas magnânimas do Senhor.
E, fazendo uma pausa, como quem reconhece que há tempo de falar e tempo de ouvir, conforme nos aconselha a sabedoria da Bíblia, exclama o Imperador com bondade:
A que devo o obséquio da sua interpelação?
- Majestade! - respondi, confundido com a sua delicadeza - desejaria colher a vossa opinião com respeito ao Brasil e aos  brasileiros. Estamos no limiar do cinqüentenário da República e seria interessante ouvir o vosso conselho paternal para os vivos de boa vontade. Que pensais destes quarenta e tantos anos de novo regime?
Minha palavra - retrucou D. Pedro - não pode ter a importância que a sua generosidade lhe atribui. Que poderia dizer do Brasil, senão que continuo a amá-lo com a mesma dedicação de todos os dias? Do plano invisível, para o mundo, prosseguimos no mesmo labor de construção da nacionalidade. As convenções políticas dos homens não atingem os espíritos desencarnados. O exílio termina sempre na sepultura, porque a única realidade é o amor, e o amor, eliminando todas as fronteiras, nos ligou sempre ao torrão brasileiro. Não tenho o direito de criticar a República, mesmo porque todos os fenômenos políticos e sociais do nosso país tiveram os seus pródromos no mundo espiritual, considerando-se a missão do Brasil dentro do Evangelho. Apenas  quero dizer que não só os republicanos, mas também nós, os da  monarquia, estávamos redondamente enganados. O erro da visão, quando na Terra, foi supor no Brasil o mesmo espírito anglo-saxão que a Inglaterra legara aos norte-americanos. Eu também fui apaixonado pelo liberalismo, mas a verdade é que em nossa terra, prevalecem outros fatores mesológicos e, até agora, não temos sabido conciliar os interesses da nação com esses imperativos. A ausência de tradições nos elementos de nossa origem como povo estabeleceu uma descentralização de interesse, prejudicial ao bem coletivo do país. Para a formação nacional, não vieram da metrópole os espíritos mais cultos. Pesando, de um lado, os africanos revoltados com o cativeiro, e de outro, os índios revoltados com a invasão do estrangeiro na terra que era propriedade deles, a balança da evolução geral ficou seriamente comprometida. Sentimentos excessivos de liberdade não nos permitiram um refinamento de educação política. Todos querem mandar e ninguém se sente na obrigação de obedecer. Quando no Império, possuíamos a autoridade centralizadora da Coroa, prevalecendo sobre as ambições dos grupos partidários que povoavam os nossos oito milhões e meio de quilômetros quadrados; mas, quando os republicanos sentiram de perto o peso das responsabilidades que tomaram à sua conta, os espíritos mais educados reconheceram o desacerto das nossas concepções administrativas. Enquanto as nações da Europa e os Estados Unidos podiam empregar livremente em nosso país os seus capitais, a título de empréstimos vultuosos que desbaratavam compulsoriamente a nossa economia, o Brasil podia descansar na monocultura, fazer a política dos partidos e adiar a solução dos seus problemas para o dia seguinte, dentro de um regime para o qual não se achava preparado em 1889. Mas quando se manifestou a crise mundial de 1929, todas as instituições políticas sofreram as mais amplas renovações, dentro dos movimentos revolucionários de 1930. Os capitais estrangeiros não puderam mais canalizar suas disponibilidades para a nossa terra, controlados pelos governos autárquicos dos tempos que correm, e o Brasil acordou para a sua própria realidade. Aliás, nós, os desencarnados, há muito tempo procuramos auxiliar os vivos na sua  tarefa.
 
- QUER DIZER QUE TAMBÉM TENDES INSPIRADO OS LABORES DOS ESTADISTAS BRASILEIROS?
SIM, DE MODO INDIRETO, POIS NÃO PODEMOS INTERFERIR NA LIBERDADE DELES. HÁ ALGUNS ANOS, PROCUREI AUXILIAR ALBERTO TORRES NAS SUAS ELUCUBRAÇÕES DE ORDEM SOCIAL E POLÍTICA. EM GERAL, NÓS OS DESENCARNADOS, BUSCAMOS INFLUENCIAR, DE PREFERÊNCIA, OS ORGANISMOS MAIS SENSÍVEIS À NOSSA AÇÃO E TORRES ERA O INSTRUMENTO DE NOSSAS VERDADES PARA A ADMINISTRAÇÃO. A REALIDADE PORÉM, É QUE ELE FALOU COMO JEREMIAS. SOMENTE A GRAVIDADE DA SITUAÇÃO CONSEGUIU DESPERTAR O ESPÍRITO NACIONAL PARA NOVAS REALIZAÇÕES.
- Majestade, as vossas palavras me dão a entender que aprovais o novo estado de coisas do Brasil. Aplaudimos, então a queda da denominada república velha, sob as vibrações revolucionárias de 1930?           
Com as minhas palavras - disse ele bondosamente - não desejo exaltar a vaidade de quem quer que seja, nem deprimir o esforço de ninguém. Não posso aplaudir nenhum movimento de destruição, pois entendo que sobre a revolução, deve pairar o sentimento nobre da evolução geral de todos, dentro da maior concórdia espiritual. Considere que examinando a minha consciência, não me lembro de haver fortalecido nenhum sentimento de rebeldia nos meus tempos de governo; entretanto, muito sofri, verificando que poderia ter suavizado a luta entre os nossos estadistas e os políticos da América espanhola. Outra forma de ação poderíamos ter empregado no caso de Rosas e de Oribe e mesmo em face do próprio Solano López(***), cuja inconsciência nos negócios do povo ficou evidentemente patenteada. E note-se que o problema se constituía de graves questões internacionais. O nosso mal foi sempre o desconhecimento da realidade brasileira. Os nossos períodos históricos têm sofrido largamente os reflexos da vida e da cultura européias. Nos tempos do Império, procurei saturar-me dos princípios democráticos da política francesa, tentando aplicá-los, amplamente, ao nosso meio, longe das nossas realidades práticas. Os republicanos, como Benjamim Constant, Deodoro, etc., deram-se a estudar a "República Americana", de Bryce, distantes dos nossos problemas essenciais. Quando regressei das lutas terrestres, procurei imediatamente colaborar na consolidação do novo regime, a fim de que a divisão e os desvarios de muitos dos seus adeptos não terminassem no puro e simples desmembramento do País. Graças a Deus, conseguimos conduzir Prudente de Morais ao poder constitucional, para acabarmos reconhecendo agora as nossas realidades mais fortes. Devo, todavia, fazer-lhe sentir que não me reconheço com o direito de opinar sobre os trabalhos dos homens públicos do País. Cabe-me sim, rogar a Deus que os inspire, no cumprimento de seus austeros deveres, diante da pátria e do mundo. O grande caminho da atualidade é a organização da nossa Economia, em matéria de política, e o desenvolvimento da Educação, no que concerne ao avanço sociológico dos tempos que passam. Os demais elementos de nossas expressões evolutivas dependem de outros fatores de ordem espiritual, longe de todas as expressões transitórias da política dos homens.
A essa altura, notei que a minha curiosidade jornalística começava a magoar a venerável entidade e mudei repentinamente de assunto.
- Majestade, que dizeis da grande figura hoje lembrada?
O vulto de José Bonifácio foi sempre objeto de meu respeito e de minha amizade. E olhe que foi ele o mais sensato organizador da nacionalidade brasileira, cujo progresso acompanha, carinhosamente, com a sua lealdade sincera. Hoje, que se comemora o centenário da sua desencarnação, devemos relembrar o seu regresso de novo ao Brasil, em meados do século passado, tendo sido uma das mais elevadas expressões de cultura, na Constituinte de 1891.
 
Dispunha-se a obter novos esclarecimentos; mas o Imperador, acompanhado de amigos, retirava-se quase abruptamente da nossa companhia, correspondendo fraternalmente a outros apelos sentimentais.
Palavras amigas de adeus e votos de ventura no plano imortal, e eu e o meu amigo José Porfirio lá ficávamos com a suave impressão da sua palavra sábia e benevolente.
Daí a momentos, o meu companheiro quebrava o silêncio de minha meditação:
- Humberto, os monarquistas tinham razão!... Este velho é um poço de verdade e de experiência da vida! Você deve registrar esta entrevista, oferecendo aos vivos estas palavras quentes de conhecimento e de sabedoria!...
E aqui estou escrevendo para os meus ex-companheiros pelo estômago e pelo sofrimento. Acreditarão no humilde cronista desencarnado? Não guardo dúvidas nesse sentido. Penso que obteria mais amplos resultados, se fosse ao Cemitério do Caju e gritasse a palavra do Imperador para dentro de cada túmulo."
________
Notas
(*) Afonso Celso de Assis Figueiredo, Visconde de Ouro Preto. Foi presidente do  último gabinete ministerial que teve a monarquia.
(**) Luis Filipe Gastão de Orleãs, Conde d'Eu. Foi genro de D. Pedro II, por ter casado com a princesa Isabel.
(***) Alusão às lutas e à guerra em que se envolveu o Brasil com as Repúblicas do Uruguai, da Argentina e do Paraguai.



A palavra de Pôncio Pilatos



 

Pôncio Pilatos

 

Apresenta-se à vidente um espírito muito luminoso envolto em luz branca e verde,

distinguindo-se apenas o seu vulto no meio dessas luzes,
não podendo a vidente reconhecer o sexo a que pertence o espírito.

A luz branca tem reflexos prateados e,
de mistura com o verde e o branco,
aparecem também raios lilases.

Afinal, a vidente reconhece ser um homem que está em sua presença.

__________________

 

          Antes de tudo quero agradecer a Jesus as graças que tem concedido ao meu pobre espírito.

 

          Quero render, aqui mesmo na Terra, graças a Deus pelo muito que me foi concedido pelo nada que fiz.

 

          Curvo-me, reverente e humilde, para agradecer à Infinita Misericórdia os benefícios e favores dispensados a este humilde e insignificante servo do Senhor, a quem nesta hora sublime recorro, pedindo forças e alento para poder falar aos meus irmãos em nome de Jesus, que me disse:

 

          “Vai tu também, Pôncio, e proclama a sublime verdade.”

 

          “Vai, meu filho, e reparte com os teus irmãos o que recebeste de meu Pai: dá ao mundo o exemplo da tua humildade; oferece à humanidade a prova material da tua existência e da realidade da Infinita Misericórdia do meu Pai, em cujo nome falarás, cujos desígnios proclamarás, cuja sabedoria patentearás aos olhos dos homens que habitam aquele atrasado planeta.

 

          “Vai, meu filho, e fala também em meu nome; anuncia a minha presença entre essa gente ingrata, que tanto se tem esquecido dos ensinamentos do seu Mestre, das provas de amor que lhes têm sido dispensadas pela sublime bondade do Pai.”

 

          “Vai Pôncio, dize o que sabes, conta o que viste aqui, anuncia às criaturas o futuro que as espera; fala-lhes em linguagem simples, mas sugestiva, emprega frases repassadas de doçura, mas  ao mesmo tempo, enérgicas e incisivas, de modo a abalar-lhes a consciência, despertar-lhes na alma os sentimentos que parece terem para sempre emigrado do coração do homem”.

 

          “Vai Pôncio, e anuncia entre os homens que — são chegados os tempos prometidos pela Escrituras”.

 

          Venho, portanto, no cumprimento de uma ordem do Mestre; volto ao mundo na qualidade de enviado do Nazareno, a quem um dia procurei defender da sanha feroz dos homens, não o  conseguindo, porém, porque era justamente este o Seu destino; morrer para salvar o gênero humano.

 

          Deus julga as nossas intenções, preocupando-se muito pouco ou quase nada com os atos da criatura, que nem sempre traduzem os desejos e intuitos do espírito encarnado. Deus julga o nosso foro íntimo, busca saber o que nos conduziu à prática de determinados atos, o móvel das nossas ações, os atos exteriores pouca significação têm para o Eterno Ser; a consciência é quem responde perante o supremo tribunal de Deus.

 

          Os crimes perpetrados na Terra são, muitas vezes, atenuados perante a Justiça Eterna, que julga levando sempre em conta o grau de adiantamento do espírito, o seu passado e presente, as causas remotas que concorreram para a criatura cometer estas ou aquelas ações e executar atos muitas vezes involuntários, porquanto, neste caso, o espírito é levado a tais crimes por circunstâncias independentes da sua vontade, sendo, em várias ocasiões, mero instrumento de outras vontades que constantemente atuam sobre a alma encarnada e a conduzem ao erro, levam-na ao crime e à desgraça.

 

          Muitos dos criminosos da Terra acham-se, no mundo dos espíritos em condições de relativa calma e felicidade, porque Deus é justo e a balança divina é perfeita e acusa a mais insignificante partícula de mais ou de menos, nas culpas dos espíritos julgados pela Infinita Sabedoria.

 

         Deus julga sem recorrer ao testemunho humano, como fazem os juízes da Terra. Não estuda processos preparados por outros juízes; Ele é o principal e único órgão dessa justiça infalível e sábia até o infinito; as suas decisões são inapeláveis; as suas sentenças irrevogáveis, porque são absolutamente sábias e justas, quer quando condena, quer quando absolvem o culpado.

 

          A Justiça de Deus não tem alternativas, nem sofre contraste com outra justiça, por ser a única existente em todo o Universo.

 

          Deus julga as almas pela intenção, pelo que observa no fundo da sua consciência, e não castiga nem perdoa — dá o que cada um merece “a cada um por suas obras”.

 

          Deus não condena os seus filhos a penas eternas, isto porque, se assim procedesse, anularia  o grandioso e principal objetivo da sua obra colossal: — progredir até o infinito, caminhar sempre, nascendo e renascendo para poder viver eternamente.

 

          A condenação eterna, lançada por Deus, importaria na revogação da mais sublime das Suas leis — o aperfeiçoamento dos espíritos à custa dos seus próprios esforços.

 

          O espírito que delinque está no caminho do aperfeiçoamento e é comparável ao aprendiz que só executa maus trabalhos ou produz obras imperfeitas, sem que, por isso, o mestre o expulse da oficina, o que seria iniquidade, pois, se assim procedesse os mestres, chegaria o momento de lamentar a falta de artífices, atrofiando-se, por esse modo, as artes e as indústrias, paralisando o seu desenvolvimento e progresso necessários.

 

          O Universo é a formidável oficina onde todos nós aprendemos a trabalhar, produzir boas obras, executar com perícia os trabalhos, as tarefas que nos são confiadas pelo nosso Mestre. Assim, Deus não condena, nem absolve, propriamente falando; Ele dá o que o aprendiz merece, aquilo a que fez jus pelos seus esforços e pela sua perseverança no trabalho. Aprecia as nossas obras, da mesma maneira como procede o mestre na oficina; não despede o aprendiz que executou mal o trabalho, mas o repreende ou elogia pela má ou boa tarefa executada, ordenando ao que alcançou bom êxito na confecção da obra e a ele confiada, que se encarregue de outros trabalhos de maior importância, e exigindo daquele que executou mal a obra, que recomece e execute novo trabalho, confeccione nova obra.

 

          Aí tendes a imagem da reencarnação e porque Deus não condena, nem absolve, o que importaria na anulação do plano divino: — caminhar sempre, aperfeiçoando-se à custa dos seus próprios esforços, nascendo e renascendo até o infinito, até o dia em que, não mais precisando nascer e morrer para tornar a nascer e morrer, possa o espírito viver eternamente.

 

          Deus perdoa, mas o seu perdão é condicional, e não como concebeis, o esquecimento eterno da culpa, não!

 

          Deus, ou melhor, a Justiça Divina, quer o aperfeiçoamento das almas e, se as culpa ficassem desde logo esquecida, o espírito permaneceria inerte, daquele momento em diante; nenhum compromisso assumido para com o seu Criador, ficaria inativo, interrompendo, assim, o seu progresso.

 

          A Justiça de Deus suspende o sofrimento logo que o espírito, ao reconhecer o mal praticado, se propõe a repará-lo em existências sucessivas.

 

          Isso não é perdoar, condenar ou absolver, é apenas apreciar as obras da criatura, compará-las, medi-las e depois dar a cada um o que cada um merece.

 

          A ideia do perdão absoluto e incondicional é, como vedes, errônea, visto que, perdoar é esquecer, nada mais exigir daquele sobre quem recai o perdão, dispensando-o de qualquer reparação do mal praticado.

 

          Deus dá, dessa forma, o que cada um merece pelos seus esforços, pelos sacrifícios feitos com intuito de caminhar para a perfeição absoluta, por isso que é justo, sábio, misericordioso e infinitamente bom.

 

          Ser bom, portanto, é ser justo, dar a cada um o que lhe pertenceu, e não condenar eternamente ou perdoar a falta cometida por aquele que, não tendo ainda adquirido o aperfeiçoamento necessário, voltará um dia, à prática de novos crimes, cercando-se das maiores cautelas para escapar à ação da justiça que o condenou ou perdoou anteriormente.

 

          Deus não esquece; o Criador não consente que se apague o que estiver escrito no infinito, com relação aos erros e crimes praticados pela criatura. A própria alma, na ascensão que for fazendo pelo tempo além, irá apagando, ela mesma, o que estiver escrito em letras de fogo — a história dos seus desregramentos, das suas fraquezas e misérias.

 

          Ao passar de um plano inferior para o imediatamente superior, o espírito salda as suas contas até aquele dia, pois vai, desse momento em diante, começar uma nova vida, percorrer nova etapa, e inova existência as boas obras, as virtudes que possui, os dons e os predicados de que for portadora, ficando os erros, os defeitos, as faltas e os crimes apagados, desfeitos, por ter o espírito, com as suas próprias mãos, os destruídos para sempre!

 

          Aí tendes a Justiça de Deus pintada em rápidas e singelas palavras; aí estão, em ligeiros traços descritos, os intuitos e desejos da divina Providência, mandando o espírito diversas, inúmeras vezes à superfície dos mundos de expiação, aos planetas atrasados, como este onde habitei e habitais neste momento.

 

          Tudo quanto tendes aprendido sobre o modo de agir da suprema Justiça é falso, nada vale o que vos tem ensinado os chamados diretores espirituais e os intitulados livros sagrados; a justiça de Deus não tem preferências, no tribunal divino não se distinguem os delinquentes por outros meios senão o exume das intenções que os levaram a delinquir.

 

          Ali nada se indaga, coisa alguma se procura saber acerca da posição que o culpado exerceu na Terra, o cargo que ocupou no mundo, se foi artífice, douto, magistrado, sacerdote ou mercador, escravo ou soldado rico ou mendigo.

 

          O que se examina nesse tribunal sublime é o forum intimum do espírito, a intenção, o móvel das suas ações boas ou más.

 

          Ninguém, ao chegar a essas paragens, se lembra do que foi na Terra.

 

          O espírito, ao transpor aquelas regiões, sente que se apagam todas as reminiscências, se lhe enfraquece a memória das honras, posições e riquezas, do poder de que dispôs entre os homens, da força que enfeixou nas suas mãos, do que gozou e do que desfrutou.

 

          Diante dos nossos olhos espirituais desenham-se nítidos, lá no grandioso Tribunal, os nossos pecados, as faltas, os erros e crimes que praticamos e também as boas ações, os atos dignos, as obras de caridade e de amor que deixamos na Terra e, ah! meus queridos irmãos! ah! meus amados companheiros! felizes os que podem, nessa hora solene, ver brilhar diante de si a luz suave dos atos de caridade, de amor e de piedade para com o seu semelhante!

 

          Ah ! meus irmãos! que delícia, que felicidade desfruta todo aquele que ouve ali o eixo das preces, os votos dos que ficam na Terra orando pela alma que no mundo cumpriu o seu dever cristão, dando com a direita sem que a esquerda o percebesse, que amou o seu semelhante como a si mesmo, que só fez a outrem o que desejou que outrem lhe fizesse, que não feriu, que perdoou e, por isso, encontra no mundo dos espíritos o que merece pelas suas boas obras!

 

          Ah! meus amigos, meus queridos irmãos! este que vos está falando também compareceu à barra desse grandioso tribunal e viu escritos os seus erros, todos os delitos que cometeu na Terra, os crimes e as fraquezas da sua carne; mas, oh! meus queridos irmãos! como foi para ele consoladora a presença, naquela hora, dos atos bons que praticara, avultando entre eles o da defesa de Jesus, a intenção de defender o justo da sanha feroz dos seus algozes!

 

          Ah ! meus caros companheiros! como vos hei de contar as minhas alegrias ao ouvir ali ecoarem as minhas palavras, proferidas quando levaram Jesus à minha presença, no tribunal de Judá !

 

          Ah ! meus irmãos ! como foram doces para mim aqueles momentos, em que ouvi também a voz de Jesus, dizendo: “Que se cumpra a vontade do meu Pai”.

 

          Essa recordação compensou largamente os dissabores que então experimentei pelos erros e delitos que pratiquei na Terra, onde tenho comparecido diversas vezes, mas sempre amparado pela divina misericórdia, guiado pela luz dos ensinamentos de Jesus, que hoje venho também proclamar, na qualidade de seu discípulo e enviado para dizer-vos tudo quanto ficou escrito e, ainda, que reencarnei na Terra, para propagar os santos princípios da doutrina daquele cujas palavras já abalaram o meu espírito, no tempo em que estive entre vós e me chamei Pôncio Pilatos.

 

          Hoje sou defensor do puro Cristianismo, do Deus de infinita bondade e amor, sou discípulo do seu Filho — o divino Jesus — que proclamo daqui o Mestre dos mestres, o Rei dos reis, o supremo Diretor deste planeta!

 

          Eis ai, meus amigos e irmãos queridos, cumprida a minha missão, o meu dever, e satisfeito o compromisso, que assumi com a divina misericórdia, de vir à Terra narrar o que acabastes de ouvir, para que tenhais melhor noção da justiça eterna, que em nada se parece com a dos homens.

 

          Agora, resta apenas dirigir-me a vós, meus irmãos e companheiros muito amados; resta-me fazer-vos um pedido, dar-vos um conselho que, de certo, vos servirá de muito: — Caminhai na vida com os olhos fitos em Jesus; marche sempre guiados pelos ensinamentos do Mestre, os quais deveis cultivar e propagar, procurando o caminho do bem, da justiça e do amor ao próximo.

 

          Jamais vos afasteis da caridade cristã, da caridade pura, dando com a direita sem que a esquerda o perceba, perdoando ao vosso semelhante, querendo e amando aos vossos irmãos como a vós mesmos.

 

          Defendei Jesus, livrai a sua doutrina dos botes e assaltos dos novos fariseus, ensinai as suas máximas; divulgai as suas parábolas; interpretai o fundo dessas sublimes palavras e tirai dali toda a luz de que careceis para a vossa viagem nesse vale de lágrimas; procurai praticar pelo menos um bom ato na vossa vida que, um dia, quando tiverdes de comparecer perante o tribunal de que tantas vezes vos falei no correr desta comunicação, possais ser consolados, como foi o vosso irmão que hoje vos visita em nome de Deus e de Jesus e que se retira dizendo-vos:

 

          “Amai-vos uns aos outros e a Deus sobre todas as coisas”.

 

         

Pôncio Pilatos       (Março de 1917)

 

in “Revelação dos Papas”  (UES - 1934)

 

SÓCRATES

 Do livro Crônicas de Além Túmulo. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Humberto de Campos

 

7 de janeiro de 1937

Foi no Instituto Celeste de Pitágoras (1) que vim encontrar, nestes últimos tempos, a figura veneranda de Sócrates, o ilustre filho de Sofronisco e Fenareta.  

A reunião, nesse castelo luminoso dos planos erráticos, era, nesse dia, dedicada a todos os estudiosos vindos da Terra longínqua. A paisagem exterior, formada na base de substâncias imponderáveis para as ciências terrestres da atualidade recordava a antiga Hélade, cheia de aromas, sonoridades e melodias. Um solo de neblinas evanescentes evocava as terras suaves e encantadoras, onde as tribos jônias e eólias localizaram a sua habitação, organizando a pátria de Orfeu, cheia de deuses e de harmonias. Árvores bizarras e floridas enfeitavam o ambiente de surpresas cariciosas, lembrando os antigos bosques da Tessália, onde Pan se fazia ouvir com as cantilenas de sua flauta, protegendo os rebanhos junto das frondes vetustas, que eram as liras dos ventos brandos, cantando as melodias da Natureza.

O palácio consagrado a Pitágoras tinha aspecto de severa beleza, com suas colunas gregas à maneira das maravilhosas edificações da gloriosa Atenas do passado.

Lá dentro, agasalhava-se toda uma multidão de Espíritos ávidos da palavra esclarecida do grande mestre, que os cidadãos atenienses haviam condenado à morte, 399 anos antes de Jesus-Cristo.

Ali se reuniam vultos venerados pela filosofia e pela ciência de todas as épocas humanas, Terpandro, Tucídides, Lísis, Ésquines, Filolau, Timeu, Símias, Anaxágoras e muitas outras figuras respeitáveis da sabedoria dos homens.

Admirei-me, porém, de não encontrar ali nem os discípulos do sublime filósofo ateniense, nem os juízes que o condenaram à morte. A ausência de Platão, a esse conclave do Infinito, impressionava-me o pensamento, quando, na tribuna de claridades divinas, se materializou aos nossos olhos o vulto venerando da filosofia de todos os séculos. Da sua figura irradiava-se uma onda de luz levemente azulada, enchendo o recinto de vibração desconhecida, de paz suave e branda. Grandes madeixas de cabelos alvos de neve molduravam-lhe o semblante jovial e tranqüilo, onde os olhos brilhavam infinitamente cheios de serenidade, alegria e doçura.

As palavras de Sócrates contornaram as teses mais sublimes, porém, inacessíveis ao entendimento das criaturas atuais, tal a transcendência dos seus profundos raciocínios. À maneira das suas lições nas praças públicas de Atenas, falou-nos da mais avançada sabedoria espiritual, através de inquirições que nos conduziam ao âmago dos assuntos; discorreu sobre a liberdade dos seres nos planos divinos que constituem a sua atual morada e sobre os grandes conhecimentos que esperam a Humanidade terrestre no seu futuro espiritual.

É verdade que não posso transmitir aos meus companheiros terrenos a expressão exata dos seus ensinamentos, estribados na mais elevada das justiças, levando-se em conta a grandeza dos seus conceitos, incompreensíveis para as ideologias das pátrias no mundo atual, mas, ansioso de oferecer uma palavra do grande mestre do passado aos meus irmãos, não mais pelas vísceras do corpo e sim pelos laços afetivos da alma, atrevi-me a abordá-lo:

- Mestre - disse eu -, venho recentemente da Terra distante, para onde encontro possibilidade de mandar o vosso pensamento. Desejaríeis enviar para o mundo as vossas mensagens benevolentes e sábias?

- Seria inútil - respondeu-me bondosamente -, os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos. Ainda são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si. Marcham uns contra os outros, ao som de músicas guerreiras e sob a proteção de estandartes que os desunem, aniquilando-lhes os mais nobres sentimentos de humanidade.

- Mas. . . - retorqui - lá no mundo há uma elite de filósofos que se sentiriam orgulhosos de vos ouvir! ...

- Mesmo entre eles as nossas verdades não seriam reconhecidas. Quase todos estão com o pensamento cristalizado no ataúde das escolas. Para todos os espíritos, o progresso reside na experiência. A História não vos fala do suicídio orgulhoso de Empédocles de Agrigento, nas lavas do Etna, para proporcionar aos seus contemporâneos a falsa impressão de sua ascensão para os céus? Quase todos os estudiosos da Terra são assim; o mal de todos é o enfatuado convencimento de sabedoria. Nossas lições valem somente como roteiro de coragem para cada um, nos grandes momentos da experiência individual, quase sempre difícil e dolorosa.

Não crucificaram, por lá, o Filho de Deus, que lhes oferecia a própria vida para que conhecessem e praticassem a Verdade? O pórtico da pitonisa de Delfos está cheio de atualidade para o mundo. Nosso projeto de difundir a felicidade na Terra só terá realização quando os Espíritos aí encarnados deixarem de ser cidadãos para serem homens conscientes de si mesmos. Os Estados e as Leis são invenções puramente humanas, justificáveis, em virtude da heterogeneidade com respeito à posição evolutiva das criaturas; mas, enquanto existirem, sobrará a certeza de que o homem não se descobriu a si mesmo, para viver a existência espontânea e feliz, em comunhão com as disposições divinas da natureza espiritual. A Humanidade está muito longe de compreender essa fraternidade no campo sociológico.

Impressionado com essas respostas, continuei a interrogá-lo:

- Apesar dos milênios decorridos, tendes a exprimir alguma reflexão aos homens, quanto à reparação do erro que cometeram, condenando-vos à morte?

- De modo algum. Méletos e outros acusadores estavam no papel que lhes competia, e a ação que provocaram contra mim nos tribunais atenienses só podia valorizar os princípios da filosofia do bem e da liberdade que as vozes do Alto me inspiravam, para que eu fosse um dos colaboradores na obra de quantos precederam, no Planeta, o pensamento e o exemplo vivo de Jesus-Cristo. Se me condenaram à morte, os meus juízes estavam igualmente condenados pela Natureza; e, até hoje, enquanto a criatura humana não se descobrir a si mesma, os seus destinos e obras serão patrimônios da dor e da morte.  .

- Poderíeis dizer algo sobre a obra dos vossos discípulos? .

- .Perfeitamente - respondeu-me o sábio ilustre -, é de lamentar as observações mal-avisadas de Xenofonte, lamentando eu, igualmente, que Platão, não obstante a sua coragem e o seu heroísmo, não haja representado fielmente a minha palavra junto dos nossos contemporâneos e dos nossos pósteros. A História admirou na sua Apologia os discursos sábios e bem feitos, mas a minha palavra não entoaria ladainhas laudatórias aos políticos da época e nem se desviaria- para as afirmações dogmáticas no terreno metafísico. Vivi com a minha verdade para morrer com ela. Louvo, todavia, a Antístenes, que falou com mais imparcialidade a meu respeito, de minha personalidade que sempre se reconheceu insuficiente. Julgáveis então que me abalançasse, nos últimos instantes da vida, a recomendações no sentido de que se pagasse um galo a Esculápio? Semelhante expressão, a mim atribuída, constitui a mais incompreensível das ironias.

- Mestre, e o mundo? - indaguei.

- O mundo atual é a semente do mundo paradisíaco do futuro. Não tenhais pressa. Mergulhando-me no labirinto da História, parece-me que as lutas de Atenas e Esparta, as glórias do Pártenon, os esplendores do século de Péricles, são acontecimentos de há poucos dias; entretanto, soldados espartanos e atenienses, censores, juízes, tribunais, monumentos políticos da cidade que foi minha pátria, estão hoje reduzidos a um punhado de cinzas!. . . A nossa única realidade é a vida do Espírito.

- Não vos tentaria alguma missão de amor na face do orbe terrestre, dentro dos grandes objetivos da regeneração humana?

- Nossa tarefa, para que os homens se persuadam com respeito à verdade, deve ser toda indireta. O homem terá de realizar-se interiormente pelo trabalho perseverante, sem o que todo o esforço dos mestres não Passará do terreno do puro verbalismo.

E, como se estivesse concentrado em si mesmo, o,grande filósofo sentenciou:

- As criaturas humanas ainda não estão preparadas para o amor e para a liberdade... Durante muitos anos, ainda, todos os discípulos da Verdade terão de morrer muitas vezes!. . .

E enquanto o ilustre sábio ateniense se retirava do recinto, junto de Anaxágoras, dei por terminada a preciosa e rara entrevista.

 (1) Nome convencional para figurar os centros de grandes reuniões espirituais no plano Invisível. - O Autor Espiritual  


Do livro Crônicas de Além Túmulo. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.


Este trabalho é de autoria de Carlos Eduardo Cennerelli o qual somos inteiramente agradecidos.  CEMA/TEMOXUM






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20h )

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

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