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sábado, abril 25, 2015

Revelação dos Papas (Obra Mediúnica)




Pesquisa: Carlos Eduardo Cennerelli
 Paulo II

 ‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)
- Comunicações d’Além Túmulo -
Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier
Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29
ANO 1918

  Paulo II
O médium vê um homem moreno, pálido, de olhos grandes, rosto redondo, altura regular,corpo cheio, cabelos compridos e grisalhos. Está cabisbaixo. Veste habito escuro, tendo no pescoço uma pala branca ou colarinho, e traz na cabeça a tiara. Circunda-o belíssima luz roxa.
_________________
Tendes na vossa presença o espírito de Paulo II, que vos vem trazer notícias suas e narrar tudo quanto se passou com ele na vida espiritual. Vem à vossa presença o espírito de Paulo II para dizer-vos que muito sofreu após a morte, grandes foram as dores, cruéis os seus sofrimentos no mundo da verdade. Está perante vós o espírito de Paulo II para vos dar uma lição de moral de grande e sabido valor, narrando fielmente a sua vida pontifical e também a sua vida de espírito desencarnado.

Sou de todos os papas o que menos se conformou com os ensinamentos de Jesus, o que mais se afastou da moral ensinada pelo Mestre, e maiores provas de fraqueza e falta de fé demonstrou durante o seu pontificado.

Fui um papa desobediente às leis da Igreja, infiel aos princípios da sagrada doutrina de Jesus, que desrespeitou e falseou, desonrou e profanou, cometendo ações pouco dignas de serem praticadas por um sacerdote incumbido de guiar e conduzir a cristandade para o caminho da felicidade espiritual. Sou o espírito de um papa intolerante, orgulhoso, prepotente e insubmisso à lei de Deus e que não teve escrúpulos em adulterar a doutrina cristã, para saciar a sua volúpia de ouro, a sua sede de domínio e desmedida ambição de gozar a vida material, cujos encantos o seduziam sempre, fascinando-o até o delírio. Sou a alma de um sacerdote sem a mais insignificante parcela de critério moral, de senso comum e de espírito de justiça e caridade.

Sou o espírito de um impulsivo, voluntarioso, que obedecia mais aos instintos egoísticos, venais e grosseiros, que é voz da consciência e as aspirações da Infinita Sabedoria, do bem, da justiça e do amor!

Tendes diante de vós o mais completo tipo de criminoso, o mais acabado perfil de tirano e déspota, perverso e covarde! Ides julgar um dos mais indignos chefes que tem tido a Igreja Católica.

 Não podeis avaliar a soma de responsabilidades que pesa sobre o pontificado de Paulo II, os crimes cometidos pelo papa que ora se comunica convosco!

Não podeis mentir nem conceber o grau de desmoralização a que atingiu a religião de Jesus Cristo no tempo em que pontificou entre vós Paulo II.

Eu vos contarei, não detalhadamente como desejaria faze-lo, mas largamente, em grandes e vigorosos traços; pintarei de maneira sugestiva, uma série de quadros que vos darão a impressão exata da situação em que se achavam a doutrina de Jesus Cristo e a cristandade terrena durante o governo pontifício de Paulo II, aqui presente, para dar, perante Deus, que o escuta, e os cristãos que o leem, a maior prova de humildade que um espírito pode oferecer perante o mundo onde viveu, onde praticou os erros e as faltas que o fizeram sofrer na eternidade!
Deus, que invocarei sem cessar no correr desta comunicação, é testemunha do que venho declarar à face do mundo; Deus será o fiador desta revelação que venho fazer perante a cristandade; Ele me dará força e coragem para que não desfaleça em meio do caminho, ao narrar vos as minhas misérias e fraquezas, os meus abusos e delitos.

Jesus que invoco neste instante, será também o meu protetor, o meu guia nesta explanação que venho fazer diante dos meus irmãos da Terra, para mostrar-lhes a verdade, desvendando-lhes o mistério que envolve as coisas d’além tumulo, e ao mesmo tempo, fazer lhes sentir que já é tempo de se emancipar dessas crenças funestas que nada lhes adianta na vida terrena, criando para eles, na eterna vida, dias sombrios e amargurados. Direi hoje aos meus irmãos a verdade que não tive coragem para sustentar e defender outrora.

‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)
- Comunicações d’Além Túmulo –

Sentei-me na cadeira papal à custa de esforços que fiz para colocar sobre a minha cabeça a tiara, com a qual sonhara desde o início da minha carreira sacerdotal, cheia esta de episódios dramáticos, cenas trágicas em que figurei sempre como principal protagonista, representando os mais indignos papéis.

Subi ao trono pontifício por um golpe de astucia, ato criminoso praticado por mim e por aqueles que tinham interesses em colocar-me no alto, para que, uma vez lá em cima, lhes desse a mão, os guindasse também às culminâncias, onde, à farta, pudessem saciar a gula, os apetites vorazes, satisfazendo as ambições criminosas que vinham alimentando nas suas almas danadas, nas suas entranhas de verdadeiras bestas humanas.

Galguei a elevada posição de Pontifice Maximus à custa do sangue de um adversário que me podia vencer com o seu prestigio e o seu valor, cardeal possuidor de raro mérito e brilhantes e invejáveis virtudes, inteligência culta, coração generoso, repleto dos mais puros e sinceros sentimentos de fé, caridade, justiça e amor à doutrina de Jesus.

Presto-lhe aqui todas as minhas homenagens, hoje, depois de haver recebido desse extraordinário e bondoso espírito a grande prova de amor que acaba de dar-me, perdoando-me, intercedendo por mim junto a Deus e a Jesus.

Eu o proclamo daqui santo e puro, espírito eleito, digno e glorioso servo do Senhor! Deus lhe concedeu a luz e a glória supremas de viver ao lado dos grandes, mas, na sua imensa bondade, ele abandona constantemente o mundo da bem-aventurança para vir ombrear com os humildes e os pequenos, os pobres da luz divina, para ajudá-los, confortá-los nas suas provações.

Esse foi um dos meus maiores crimes; outros cometi ainda durante o meu pontificado. Direi vós - mas todos esses crimes são ignorados na Terra! Eu vos responderei - nada sabeis, meus irmãos, do que se passa dentro desse palácio sinistro a que chamais - Vaticano; nada conheceis da vida íntima dessa gente que na Terra se inculca santa e imaculada! Felizmente para eles e para todos vós, soou já a hora em que a verdade vai brilhar com todo o esplendor da sua pureza! Não poderão mais enganar-vos; passou o período das ilusões e das falsidades e mentiras, raiou a aurora sublime do Espiritismo, que há de restabelecer a verdade em toda parte e sobre todas as coisas.


Ouvi, portanto, o que vos diziam os espíritos dos papas nesta “Revelação”.

Sentei-me na cadeira chamada de S. Pedro à custa do sacrifício de uma vida preciosíssima; revesti-me dos ornamentos pontificais com as mãos tintas do sangue de um companheiro, amigo e irmãos; empunhei o cetro de rei da cristandade, tendo os pés sobre o túmulo de um sacerdote merecedor de todas as honras e distinções, de todos os respeitos, de toda a estima e de todo o amor.

Pontifiquei após um ato abjeto, infame miserável e covarde! Não parou aí a minha fraqueza e miséria; fui além, muito além!

Persegui os amigos daqueles que eu sacrificara à minha ambição e à minha inveja, ao meu ódio e ao meu egoísmo. Sacrifiquei ainda outras vidas; fiz calar as vozes que se fizeram ouvir protestando contra os meus atos desumanos e covardes!

Não perdoei os que diziam ser eu um verdadeiro criminoso celerado, indigno de sentar-me na cadeira da verdade!

Fui além, muito além, sacrifiquei ainda os que não quiseram pactuar com as minhas infâmias; roubei a vida aos que procuravam punir-me pelos atentados que cometera. O veneno foi sempre a minha arma, o meu instrumento de vingança. Os meus auxiliares nessas empresas funestas foram contemplados, cumulados de honras, prêmios e galardões, tendo alguns desses assassinos chegado a vergar a púrpura cardinalícia.


Os meus amigos tiveram a mais completa satisfação de todas as suas ambições e viram realizados todos os seus sonhos por mais absurdos que fossem. Nada lhes faltou, nada lhes neguei; tudo lhes concedi, tudo lhes dei; somente não lhes pude dar a paz e a tranquilidade de consciência na vida espiritual, onde, ao meu lado, padeceram cruéis tormentos, participando das minhas dores e das minhas lágrimas.

Dei-lhes tudo em minha vida, dispensando-lhes todos os favores e atenções; não lhes pude dar, entretanto, depois da morte, a felicidade e o perdão quando ao meu lado os imploraram, apelando para o meu prestígio pontifical, pedindo-me fizessem cessar a sua tortura, mitigasse as suas dores, fizesse terminar o seu martírio.

Conquistei tudo quanto desejei em vida, realizando quanto sonhara na Terra, ainda mesmo à custa do sacrifício do meu semelhante; mas na vida eterna nada consegui, nada alcancei que não fosse à custa dos maiores sacrifícios e horríveis tormentos, e, se não fosse a intervenção das minhas próprias vítimas, principalmente dessa de quem há pouco vos falei exaltando lhe as virtudes, a estas horas estaria eu ainda suportando os horrores das trevas, gemendo, chorando, padecendo no inferno que eu mesmo abri na minha própria consciência.

Outros crimes pratiquei ainda e Deus também nos perdoou. Outras crueldades cometi também contra inocentes criaturas que sacrifiquei ao meu capricho e a minha gula sensual!

Não respeitei o pudor das virgens confiadas à guarda da Igreja que eu chefiava, não me preocupando com as consequências dos meus atos voluptuosos, da minha concupiscência desmedida, que me levou a prática das reprovadas e criminosas ações. Tudo isso que confesso aqui, diante de Deus e na vossa presença, foi praticado por aqueles que se dizia representante de Cristo na Terra, pelo grande pastor, chefe supremo da doutrina de amor pela qual o Divino Mestre se deixou imolar para nos dar exemplos de caridade, abnegação, humildade, amor e justiça. Foram esses os atos de impiedade cometidos por Paulo II que se dizia pai e pastor dos rebanhos de Jesus; foram essas atrocidades praticadas por aquele que devia ser a personificação da pureza, da inocência, da virtude, da caridade e do amor!

Paulo II foi, pois, um bárbaro, criminoso vulgar, réprobo, covarde e feroz assassino.

Cometeu Paulo II essas torpezas seguro de que todos os seus crimes ficariam impunes, que Deus não os levaria em conta, por terem sido praticados pelo papa, pelo representante de Cristo da Terra.

Assim também pensavam muitos antecessores meus, que se transviaram do caminho do dever, certos de que nada lhes aconteceria na vida eterna, onde, supunham, continuariam a gozar os privilégios e prerrogativas que desfrutaram na Terra.

Ilusão! Ilusão! Deus é justo e sábio e, por isso, a Sua justiça atinge igualmente a todos sem distinção de classe, sem olhar a posição hierárquica a que pertenceu o espírito quando no mundo.
Deus, na Sua infinita sabedoria, quer apenas ver as causas que nos levaram à prática dos delitos, dos atos criminosos pelos quais respondemos na Sua presença.

Ilusão! Ilusão! Nada se apaga do bem ou do mal que praticamos na vida terrena; tudo fica gravado no infinito, onde os nossos atos repercutem e deixam vestígios, clichês das nossas ações dignas ou reprovadas, e um dia, quando chegarmos ao mundo dos espíritos, vamos nós mesmos ler o que está escrito em caracteres luminosos e inapagáveis, os nossos erros, as culpas que recaem sobre os nossos espíritos, o perdão ou a condenação que merecemos pela miséria porque nos conduzimos na vida.

Ilusão! Ilusão! Vos disse já e repito: Ilusão! Tudo quanto pratiquei foi por mim mesmo lido no infinito, em presença dos espíritos incumbidos de distribuir a justiça, perante os juízos que examinam as nossas consciências quando abandonados o corpo material para entrar na vida eterna e imortal.

Padeci pois, e muito, após a morte, e ainda hoje esses recordações atormentam o meu espírito e perturbam a minha alma.

Deus me deu o meio de expurgar as minhas faltas; por isso me encarnei na Terra nove vezes, depois de ter sido papa. Suportei nessas existências as maiores provações e, graças a elas, hoje, gozo de alguma felicidade e posso, em nome de Deus e de Jesus, que me ouvem nesta confissão, dizer-vos: Meus amigos, abandonai as ilusões, não vos deixei enganar pelos falsos ensinamentos; buscai a verdade onde ela existe de fato; não vos deixeis iludir por essas crenças que nada tem de legítimas, que devem ser para vós outros suspeitas, duvidosas, por emanarem de fonte também suspeita e duvidosa.

A verdade está no Espiritismo, que deveis cultivar e estudar e cujos ensinos deveis aceitar, para poderdes um dia encontrar a felicidade e a paz eternas.

Só esta doutrina poderá elucidar o vosso espírito, iluminar as vossas consciências, esclarecer a vossa razão, dar-vos a certeza e a segurança da verdade, dessa verdade que eu proclamo daqui como a única e confiável, completa, indestrutível e absoluta.

Antes de me retirar direi: não mateis, jamais sacrifiquei vidas, jamais procureis abater o vosso semelhante para satisfação dos vossos interesses, jamais busqueis subir na escala social à custa do sacrifício de quem quer que seja.

Não procureis alcançar a glória sacrificando interesses alheios, humilhando os vossos irmãos, calcando aos pés os princípios sagrados da justiça e do amor ao vosso semelhante, cuja vida e interesses deveis respeitar sempre e sempre!

Não vos desvieis dos ensinamentos de Jesus, jamais vos afasteis da verdade espírita, a única que existe e que poderá livrar-vos dos sofrimentos e torturas por que passou o espírito de Paulo II que se retira satisfeito por ter dito aqui toda a verdade, diante de Deus e em face do mundo cristão, humilhando-se perante os seus irmãos da Terra, para os quais invoca neste momento a Misericórdia Infinita e a proteção e amparo de Jesus Cristo - o nosso Redentor.
Adeus, e cumpri o que vos peço, para poderdes, um dia, ser felizes na eternidade, onde vos espero para felicitar-vos, em nome de Jesus, por haverdes cumprido o que hoje vos recomendo.


Paulo II
Novembro de 1915

 Informações Complementares

Nome civil: Pietro Barbo.
Duração do papado: De 30 de Agosto de 1464 até 26 de Julho de 1471.
Concorreu com Torquemada – o famigerado inquisidor – no conclave que o elegeu. Foi eleito também porque representou o ressurgimento do poder dos italianos contra os espanhóis e franceses que ambicionavam o cargo para seus pares.



BONIFÁCIO III, PAPA


‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)
- Comunicações d’Além Túmulo -
ANO: 1918
                               Publicada sob os auspícios da União Espírita Suburbana Rua Dias da Cruz 177, Méier


Officinas Graphicas d’A Noite Rua do Carmo, 29


BONIFÁCIO III, PAPA

TORNA-SE VISÍVEL À MÉDIUM UM HOMEM ALTO, DE ROSTO FINO E CABELOS PRETOS; TRAJA CAPA SACERDOTAL DOURADA E TEM A TIARA PAPAL. A SUA FIGURA ESTÁ CIRCUNDADA  DE GRANDE IRRADIAÇÃO LUMINOSA, FORMADA DE LUZ BRILHANTE; PURÍSSIMA.


            Está ao vosso lado um dos chefes da cristandade, que muito concorreu para o seu atraso e desvio do verdadeiro caminho.

            Compareço aqui perante vós, homens da Terra, para vos dar a certeza de que a alma não morre e, mesmo desencarnada, continua a gozar ou sofrer, conforme o seu mérito ou demérito, e que os anos e os séculos não fazem esquecer aqueles com os quais ela contraiu dívidas ou assumiu compromissos.

            A morte não apaga a recordação das coisas nobres e santas; só desaparece da memória espiritual o que é pueril e fútil. As grandes obras, as boas ações, os atos de caridade: de abnegação e sacrifício perduram para sempre, gravados na alma liberta do corpo material. Os remorsos e as tristes lembranças dos erros e das faltas acompanham também o espírito e o torturam na vida espiritual; mas, à medida que a alma se depura, essas desagradáveis reminiscências vão se apagando, para ceder legar às doces e consoladoras lembranças do bem praticado pelo espírito na Terra.

            Quem vos fala neste instante veio para a vida espiritual cheio de remorsos e recordações cruéis, verdadeiros pesadelos a esvoaçarem na sua consciência sombria.

            RETIREI-ME DO MUNDO CONVENCIDO DE QUE VIRIA SENTAR-ME AO LADO DE DEUS, PERTENCER À SUA CORTE CELESTE, GOZAR AS DOÇURAS DO CÉU E OS BENS E AS CONSOLAÇÕES DA SANTIDADE. ACREDITAVA QUE, POR TER SIDO PAPA, A VIDA ESPIRITUAL SERIA PARA MIM UMA ETERNA PRIMAVERA, INTERMINÁVEL DELÍCIA, INFINITO GOZO, ETERNA PAZ E ETERNO PRAZER. PENSAVA QUE, POR ME TER SENTADO NA CADEIRA PAPAL, AO ENTRAR NA VIDA ETERNA TERIA LOGO A FRONTE AUREOLADA DA LUZ DA GRAÇA DIVINA E FICARIA PARA SEMPRE EM ATITUDE BEATÍFICA, CIRCUNDADO DE NUVENS E DE ANJOS, EMPUNHANDO A PALMA, QUE É O SÍMBOLO DA GLÓRIA E DA PUREZA DOS SANTOS MÁRTIRES.

  Grandes foram as minhas decepções, imensas as minhas surpresas, enormes os meus dissabores e as minhas desilusões, quando vi contrariados todos os meus desejos e projetos formulados durante a vida material.

            SENTI-ME HUMILHADO, ABATIDO, AO VER OUTROS QUE, NA TERRA E AO MEU LADO, HAVIAM OCUPADO HUMILDE POSIÇÃO SOCIAL, OBSCUROS E IGNORADOS, SEREM EXALTADOS, GLORIFICADOS E ELEVADOS À MAIOR CATEGORIA ESPIRITUAL, COLOCADOS EM PLANO SUPERIOR ÀQUELE EM QUE SE ACHAVA QUEM, AINDA HÁ POUCO, DIRIGIRA NO MUNDO OS DESTINOS DA CRISTANDADE.

            DESLUMBROU-ME O ESPETÁCULO SUBLIME DA GLORIFICAÇÃO DOS HUMILDES, DA BONDADE INFINITA DE DEUS E A CERTEZA DO PERDÃO QUE ELE CONCEDE IGUALMENTE A TODOS OS QUE SE ARREPENDEM SINCERAMENTE E SE REGENERAM, ACEITANDO AS PROVAÇÕES IMPOSTAS PELO ALTÍSSIMO, SUBMETENDO-SE AO PROCESSO DEPURADOR E REGENERADOR DAS SUCESSIVAS EXISTÊNCIAS.

            CHOREI AMARGAMENTE OS DIAS QUE PERDI A COGITAR DA SOLUÇÃO DE QUESTÕES PUERIS, A MEDITAR SOBRE FALSOS DOGMAS, A REDIGIR BULAS E ENCÍCLICAS NAS QUAIS FIZERA EU AFIRMAÇÕES ABSURDAS, INJUSTAS E DESCABIDAS. LAMENTEI O TEMPO SACRIFICADO EM ORGANIZAR CONCÍLIOS PARA DECIDIREM QUESTÕES RELIGIOSAS QUE NENHUMA IMPORTÂNCIA TINHAM E SÓ SERVIRAM PARA AUMENTAR A CONFUSÃO JÁ EXISTENTE, APRESSAR A MARCHA DO ESPÍRITO DE DESORDEM QUE AMEAÇAVA DOMINAR O MUNDO CRISTÃO. ARREPENDI-ME DE TER ACREDITADO, EM ABSOLUTO, NOS DOGMAS CUJAS DEFINIÇÕES DADAS POR ANTECESSORES MEUS EU, REPUTAVA INFALÍVEIS E INCONTESTÁVEIS. EXPERIMENTEI O PESAR QUE EXPERIMENTA TODO AQUELE QUE RECONHECE A INUTILIDADE DO SEU ESFORÇO E SENTE O PESO DAS RESPONSABILIDADES E DOS COMPROMISSOS QUE ASSUMIU PERANTE DEUS E OS HOMENS.

            FOI DOLOROSA PARA MIM A HORA EXTREMA DA PASSAGEM DA TERRA PARA A VIDA ESPIRITUAL: SOFRI GRANDES ABALOS, VIOLENTAS CONVULSÕES AGITARAM O MEU ESPÍRITO, SACUDIRAM-ME A ALMA, GRANDES E NEGRAS SOMBRAS ENVOLVERAM A MINHA CONSCIÊNCIA, CIRCUNDARAM O MEU ESPIRITO.

            Padeci, chorei amargamente, andei aflito e errante durante longo tempo, sem rumo, sem nada saber nem compreender do que me acontecia então. Implorava a Deus que me desse calma, que me tirasse do meio daquele horror.

            A consciência não cessava de acusar-me de ter cumprido mal o meu dever sacerdotal, de haver afrontado a moral cristã e corrompido o espírito religioso da época, criando mistérios inúteis, propagando doutrinas nocivas às criaturas, ensinando falsidades, mentindo às consciências.

            Tudo quanto eu praticara de mal e injusto bailava na minha consciência, atormentava o meu espírito, inquietava a minha alma. Todos os erros vinham acompanhados dos perniciosos efeitos que produziram no mundo, todos os abusos se apresentavam com o fúnebre cortejo e suas consequências funestas. Eu os contemplava perturbado, aflito, procurando ainda justifica-los, dar-lhes razão de ser; isso, porém, fazia aumentar a minha dor e o meu desespero: Sempre que a minha razão abatida, vencida pelas torturas dos remorsos, tentava, a medo, condenar esses erros; sempre que a minha consciência procurava, num rápido e fugaz lampejo de lucidez, repudiar esse abominável passado, eu notava que um alívio, uma doce calma vinha consolar-me em meio dos horrores das trevas. Comecei então a compreender que era preciso repudiar todas aquelas lembranças, esquecer e condenar esse passado criminoso, essa vida estéril de papa, esse pontificado inútil para o mundo.
            Senti vagos e indefinidos desejos de arrependimento, a necessidade urgente de voltar as costas a existência tão perniciosa e apagar os vestígios que deixara sobre a Terra, para cujo atraso eu concorrera com a minha ação pontifical. Comecei a ver claro onde até então vira apenas sombras e mistérios: principiei a recordar os verdadeiros ensinamentos de jesus, as suas máximas, e a interpreta-los de modo diverso daquele por que fizera durante a vida; principiei a ver o erro e a incoerência dos ensinos que havia dado aos homens, o absurdo dos dogmas, a inconsistência dos argumentos de que se serve a Igreja para explicar a justiça e a sabedoria infinitas. Tive então horror de mim mesmo, senti ímpetos de eliminar-me, destruir-me, se possível fosse.

            Apoderou-se de mim furiosa indignação, que só foi acalmada quando bons espíritos, que vieram ao meu encontro, mostraram-me o inconveniente dessa exaltação. Senti-me pequeno, insignificante, nulo, ante as sublimes verdades que então me foram reveladas, ante os esplendores que a mim foi permitido contemplar.

            Sofri ainda algum tempo, pois as ilusões não me abandonaram de pronto; elas foram, pouco a pouco, desaparecendo e, também pouco a pouco, fui recuperando a calma e a paz do meu espírito e a tranquilidade da minha consciência.

            Quando a luz se fez para mim, completa e brilhante, pedi a Deus a graça, e Ele m'a concedeu, de voltar ao mundo para expurgar os meus crimes, apagar os vestígios dos meus erros, os traços funestos das minhas faltas. Deus me concedeu esse favor e, por isso, já aqui voltei cinco vezes, depois que me sentei na cadeira de S. Pedro, da qual conservo as mais tristes recordações.

            Essas existências me deram a felicidade que hoje gozo, a paz que ora desfruto na vida eterna.

            Ai tendes o que se passa na existência espiritual com os que foram pastores dos rebanhos sagrados do Senhor, a histeria resumida da vida de um papa desencarnado; ai tendes mais uma prova da Justiça e da Bondade infinitas, que castigam sempre, mas sem condenar às penas eternas do inferno - que só existe na fantasia dos homens interessados em conservar erros e manter abusos, em mentir e enganar os seus irmãos cuja direção espiritual lhes foi confiada.

            Jesus, o imaculado, ensinou e pregou sempre a humildade - como a maior das virtudes que salvam o homem e elevam a sua alma ao paraíso e à gloria, e a caridade - que, também no dizer do Mestre, é uma das mais belas virtudes que podem levar a alma da criatura à felicidade eterna.

            Repito aqui o conselho, pedindo cultiveis apaixonadamente essas duas virtudes, santificadas pelos lábios do Mestre, que é para poderdes, um dia, merecer a proteção e o amparo de Deus e vos aproximardes daquele que é o vosso pai e o vosso arrimo, a vossa única esperança, o vosso único consolo, e o único que vos pode dar a verdadeira e única felicidade. Cultivai, pois, a caridade; praticai o bem; dai exemplos de humildade e de obediência à Vontade e Sabedoria Eternas.

            Acreditai na imortalidade da alma e abandonai as falsas crenças do diabo e do inferno, lembrando-vos que o diabo sois vós mesmos, assim como o inferno reside também em vós, quando a consciência está impura pelos desejos pecaminosos, pelos erros praticados, nos crimes que desejais cometer a toda hora, nos falsos sentimentos que alimentais na vossa alma, nos instintos bárbaros, nas tendências perversas que não tendes força e energia para sufocar e contrariar. E essa mesma consciência vos dará o céu, se souberdes conserva-la limpa, expurgada de remorsos, se iluminardes com a luz da caridade, do bem e do amor ao vosso semelhante.

            Ai tendes o céu e o inferno dentro de vós mesmos: destruí o inferno e edificai o céu, onde haveis de viver, um dia, felizes e contentes.  Que Deus vos ajude na realização destes votos que faz o vosso irmão.
Bonifácio III, papa
Setembro de 1915


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES


            CURTO PONTIFICADO:
DE 19 DE FEVEREIRO A 12 DE NOVEMBRO DE 607. MANTINHA EXCELENTES RELAÇÕES COM O IMPERADOR FOCAS (CITADO POR EMMANUEL EM ‘A CAMINHO DA LUZ ‘(FEB)) DE QUEM  OBTEVE UM DECRETO AFIRMANDO QUE O BISPO DE ROMA TORNAVA-SE BISPO UNIVERSAL OU SEJA PAPA.




Copérnico

Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)
- Comunicações d’Além Túmulo –
Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier
Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29
1918


Copérnico
O médium vê um homem velho, tendo a cabeça envolvida 
em grande massa de luz branca com raios prateados.
O espírito é muito luminoso.
............................
Estais, meus amigos, diante do espírito do vosso irmão Copérnico, o astrônomo.
Venho, em nome de Deus, anunciar aos homens de boa vontade coisas que precisam conhecer, para que não mais vivam na dúvida que leva à pratica de erros e crimes.

Venho, em nome do nosso Pai de Amor, dizer aos homens que os tempos são chegados para a Terra, que ora completa mais um giro em torno do grande astro que a conduz no espaço infinito.

Venho, em nome de Jesus, proclamar que a Terra não é o único mundo habitado, o único planeta em que palpitam seres vivos e uma humanidade cumpre a sua provação.

Anuncio-vos que não é só na Terra que existem homens, animais, plantas, pássaros, flores, rios e montanhas.

Não é somente no vosso mundo que se sofre, padece, goza e ama: há no Universo milhões de mundos habitados por criaturas mais imperfeitas que as da Terra e, em muitos, outras, mais perfeitas que vós outros.

Venho proclamar aqui a grandeza da obra do Criador, anunciando que existem mundos em que a vida é mais brilhante, mais bela, mais alegre e mais risonha que a da Terra, onde tudo termina com a morte, todas as coisas são limitadas, onde não existe o absoluto, pois tudo ai se contém na relatividade.

Proclamo aqui os grandes mistérios que até ontem pareceram insondáveis para vós outros, mas hoje Deus manda revelar às criaturas.

Não há nada mais belo que o espetáculo que se oferece à vista dos espíritos adiantados - o da migração dos espíritos de mundos inferiores para o espaço infinito e deste para aqueles. E quem observar tais cenas, tão comoventes quadros, poderá dizer aos seus irmãos da Terra alguma coisa que os oriente e instrua.

Sede sempre bons e humildes perante Deus e Jesus, e só assim podereis, um dia, gozar a doce ventura de contemplar o sublime espetáculo de que a pouco vos falei.

Sede sempre caridosos, praticando atos de bondade e amor, para com os vossos semelhantes, a fim de poderdes desfrutar a inaudita felicidade de apreciar as imigrações e emigrações dos espíritos, que saem e entram nos mundos de provações ou se elevam aos mundos de categoria superior, nos quais tudo é luz, paz, doçura e amor.

Cumpri o vosso dever cristão semeando o bem, divulgando a verdade na Terra, espalhando por toda a parte os ensinamentos de Jesus, para que possais alcançar a glória de contemplar o desdobrar das estrelas, o caminhar dos planetas, as revoluções dos sóis e as gravitações de todos os corpos que enchem o Universo, onde a Terra é minúsculo grão de areia a rolar por entre turbilhões de mundos habitados por gente mais bela, mais sabia, mais virtuosa, mais consciente e segura da sua existência nesse mesmo Universo, gente mais humilde e mais confiante em Deus do que vós outros.

Nada mais sublime e encantador; nenhum espetáculo há na Terra que se possa comparar a essa fantástica mecânica celeste, na qual tudo se move impulsionado pela vontade infinita do nosso Pai Celestial!

Nada mais sublime que o rolar dos mundos na eternidade, para quem pode de um só golpe de vista, abranger parte desse Universo que vos cerca, vendo, a cada passo, operarem-se as transformações da matéria cósmica, que se distribui de acordo com os pontos ou mundos para os quais ela é atraída e guiada pelos espíritos que dirigem as formações, os agrupamentos atômicos, os agregados moleculares, os compostos químicos, nos sistemas em constituição.

Nada mais grandioso e belo que o gravitar dos sóis, em torno dos quais correm os planetas dos múltiplos sistemas, conduzindo os seus satélites pelo infinito além! Sonho indescritível, visão incomparável essa que desfruta o espírito ao se lhe depararem os grandes mundos em marcha, coloridos, matizados da luz dos sóis que os atraem!

Como é surpreendente essa massa fluídica que se estende no vosso céu, nas noites sombrias - e a que chamais "Via-Láctea - ou Estrada de S. Thiago" - para quem pode, em dado momento, distinguir os movimentos graciosos dos mundos, das estrelas e dos sóis de que se compõe essa imensa nebulosa, corpos esses que marcham descrevendo no infinito figuras geométricas, que se combinam, se ajustam, se casam, formando desenhos estranhos, contornos originalíssimos, encadeamentos de formas gigantescas e traçados de uma inédita e singular aparência!

Ver caminhar esses sóis; assistir às evoluções desses mundos; contemplar, já as colorações dos corpos que ali se agrupam, formando os sistemas, as cadeias luminosas, já os esplendores das constelações, que se prendem umas às outras, e, ainda, as inumeráveis combinações das luzes cometas, dos bólidos, dos meteoros luminosos, cruzando sem cessar em todas as direções e por toda a eternidade - são cenas, espetáculos que deliciam a vista, arrebatam a alma, comovem o espírito, sensibilizam aqueles que tem a ventura de poder abranger com a vista espiritual tão sublimes e indescritíveis belezas!

Quem deixará de aperfeiçoar-se, quem não desejará avançar na estrada do progresso, a fim de poder, um dia, penetrar em regiões tais, assistir a esses formidáveis e emocionantes espetáculos, a essas epopeias de luz e de cor, a esse concerto em que se empenham - em harmoniosa e sedutora música - os mundos criados por Deus que os enche de luz e encanto e os mantém e equilibra no espaço sem fim?

Quem não trocará as sombras do inferno, aberto nas consciências, por essas auroras boreais e eternas, por esses deslumbrantes crepúsculos, por essas intérminas alvoradas de dias que não findam nunca, por esse amanhecer eterno que desfrutam as almas dos humildes e dos bons? Quem não preferirá a vida luminosa do espírito feliz dos mensageiros do Senhor, que vão por todo o Universo - de mundo a mundo, de sol a sol, de estrela a estrela, de constelação a constelação - a gozar as doçuras de tão sublimes espetáculos, que os deleitam e os embalam, provocando nas suas almas doces espasmos, estases deliciosos, a contemplação das cenas encantadoras, dos acontecimentos extraordinários ocorridos a cada passo no Universo?

Quem poderá resistir ao desejo de viver a vida ideal do espírito liberto de todos os prejuízos da matéria, aquele que, após a morte, se sente arrebatado às sublimes regiões onde gravitam os sóis e as constelações?

Quem, meus irmãos, quererá trocar o viver dos bem aventurados pelo dos espíritos inferiores, esses que, perturbados, ficam chumbados à superfície dos mundos onde terminam a última provação, com a consciência envolta em trevas, cegos, aflitos, tendo apenas diante de si os remorsos, as figuras esquálidas e esqueléticas das suas vítimas, ouvindo o coro das maldições e anátemas que caem sobre as suas cabeças?

Quem, meus irmãos; trocará o esplendor das auroras pelos negrumes das borrascas, a luz do sol pelos densos nevoeiros?
Quem permutará o céu pelo inferno? Ninguém, de certo!

Sinto não me seja ainda permitido revelar-vos todas as maravilhas que se ocultam aos vossos olhos; mas direi alguma coisa para saciar vossa sede de saber, de conhecer as coisas do além.
O espaço que vos cerca está cheio de mundos em que muitos de vós já viveram antes de vir para a Terra, de onde haveis de sair para desfrutar melhor vida em outros planetas que vedes também gravitando em torno do vosso.
Encontra-se aqui, bem perto, de vós, um mundo em que a vida é doce e suave sonho, uma eterna festa, paraíso florido a rolar na imensidade conduzindo no seu seio uma humanidade feliz e ditosa, que já mereceu de Deus a graça de, não mais suportar dores físicas, e em cujo meio só se vive do amor e para o amor.
E é ali nesse lugar que habitam muitos espíritos que estão sendo chamados para vir se empenhar na obra do vosso progresso e salvação.
O mundo de que vos falo foi já, como o vosso, atrasado e sombrio, mas a sua humanidade tanto se esforçou, que hoje esse globo irradia no espaço infinito.
Quantas doçuras, quantos gozos desfruta essa gente! Que suave e delicioso viver, o dessas almas felizes, que ali trabalham pelo progresso de outros mundos, enviando os seus filhos para as grandes missões de caridade e amor!
Mundos de gozo há diversos em torno de vós, brilhando aos vossos olhos enamorados, deslumbrando as vossas vistas, seduzindo as vossas almas, quando os contemplais às horas mortas, silenciosas da noite, em que os vossos irmãos repousam das fadigas diurnas e vós outros sois, por qualquer motivo, levados a velar!
E como esse que acabei de descrever, contam-se outros onde não mais o homem suporta as contingências da vida material, grosseira, que viveis aí na Terra, onde não mais a criatura paga esse cruel e impiedoso tributo de sangue, que estais agora pagando nesse planeta.
Não! Ali já não existe a guerra, nem os homens trucidam os semelhantes; lá, em tais mundos, só o amor os prende, enlaçando as almas; a discórdia não divide os homens; as ambições não arrastam as criaturas a sacrificarem os seus semelhantes; o ódio, a inveja, o orgulho, a vaidade, as misérias e podridões não cavam a desgraça dos espíritos que ali estacionam, aguardando a hora em que Deus houver por bem envia-los para outro mundo ainda melhor, onde a felicidade seja mais completa e o espírito viva mais em contato com o seu Criador!
Mundos, meus amigos, existem, e não muito longe do vosso, onde se vive, sem essa luta constante em que vos empenhais quotidianamente.
Andam ali as criaturas sem necessidade do alimento grosseiro de que careceis no vosso planeta, para manter o corpo material que reveste o vosso espírito.
Tudo, para esses seres, é adquirido sem esforço, sem os sacrifícios que fazeis constantemente para as vossas conquistas, para alcançardes o bem estar, a fortuna e os meios de prover a vossa subsistência.
Não se fatigam tanto os que vivem nessas terras, pois a sobriedade e a moderação são ali as mais apreciadas virtudes; o interesse de cada um chega somente ao ponto em que começa o do semelhante, e também a virtude consiste em possuir para repartir e não para acumular, amontoar e negar ao semelhante quando, aflito, apela para a nossa caridade e amor fraternal.
Ali se vive da felicidade alheia, regozija-se com as vitórias, triunfos e conquistas dos semelhantes. A dor é partilhada pelos companheiros, ninguém chora que não veja a lágrima borbulhar nos olhos amigos, ninguém luta sozinho ou fica abandonado ao levantar o fardo da existência, a criatura sente logo a mão amiga que a ajuda, auxiliando-a na tarefa que tomou sobre os ombros.
Ali só Deus governa - dizem os habitantes desses mundos, tudo parte do Criador - afirmam os que residem nesses planetas adiantados!
A mentira e a calúnia não encontram agasalho nos corações dessa gente feliz; a verdade brilha e sobrepuja todas as coisas; ninguém se compraz em difundir o erro e lançar a confusão entre as criaturas, como acontece no vosso e noutros mundos da mesma categoria.
Quem deixará, pois, de progredir, de trilhar o caminho reto do dever, para poder desfrutar essa felicidade nos mundos onde a vida corre fácil, bela e feliz?
Mundos existem, meus irmãos, nos quais as artes e as ciências atingiram um grau tão elevado, alcançaram tal adiantamento, que as artes e as ciências da Terra ficariam envergonhadas de ser confrontadas com as suas coirmãs desses ditosos mundos.
Quem vos poderá dar uma ideia do que sejam as arte e as ciências nesses mundos?"
Ainda que eu vos falasse empregando todos os recursos dialéticos e literários, não compreenderíeis nada do que vos dissesse a tal respeito, no correr desta comunicação.
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Ciência e arte são duas manifestações espirituais que muito se aperfeiçoaram com o evoluir dos espíritos, à medida que os horizontes se vão alargando e os meios de percepção vão também se aperfeiçoando à proporção que os espíritos se purificam, todas as suas manifestações parecem impregnadas da pureza das almas onde encontraram berço.
Todos os sentimentos do homem se aprimoram, completam-se, quintessenciam-se cada vez mais, chegando a adquirir qualidades e predicados divinos, coparticipantes da eterna perfeição.
Mundos existem onde a vida não mais se acha contida nos limites acanhados dos corpos perecíveis, ao contrário, ela irradia por toda parte, e não' só os seres, mas também as coisas têm uma sensibilidade muito mais intensa que no vosso mundo.
Tudo nessas esferas está animado do espírito divino, que se manifesta por toda parte, em todos os atos e ações da vida, em todas as manifestações, quer de ordem material, quer de ordem moral.
Há nesses mundos inteligências em todas as coisas; tudo possui uma linguagem, uma mímica; todas as coisas encerram em si uma ideia, abrigam um pensamento.
Todos os seres se comunicam pelo pensamento, todas as coisas obedecem e respondem ao pensar do homem.
Na atmosfera desses mundos pairam sempre luzes eternas, que irradiam sobre as criaturas, transmitindo-lhes o pensamento divino, emanado da Fonte Suprema de onde também provêm essas luzes, por meio das quais os homens ali se comunicam diretamente com o seu Criador.
São mundos superiores, são centros espirituais, esses onde a vida se reveste de toda essa poesia e encanto. É ali a pátria dos gloriosos, dos imortais, é dali que emana a inspiração, irradia o pensamento puro e santo sobre os outros mundos.
É desses centros que baixam sobre os mundos grosseiros a inspiração e o estro divinos - fonte onde as almas que já podem ascender, embora ligeira e furtivamente, às luminosas regiões, vão beber a poesia, o ideal sublime da arte pura e casta, que só aos eleitos é permitido transmitir aos homens.
Quem deixará de empregar esforços, combatendo as suas imperfeições, contrariando as más tendências, emancipando-se dos vícios e abusos - para ir desfrutar esse ambiente divino de poesia, luz, verdade e amor?
Quem não quererá ser puro, para gozar tantas delícias; quem preferirá mergulhar-se no lodo do charco, na podridão dos monturos, a banhar-se na luz suavíssima e pura dos mundos espirituais, a viver mergulhado nas ondas alvíssimas do éter divino, ouvindo as doces vibrações que cortam o espaço, as harmonias celestiais entoadas por todos os seres e repetidas por todos os elementos que vivem na superfície dos deliciosos mundos espirituais?
Quem há de trocar a luz das auroras pelas trevas das noites tenebrosas?
Quem há de abandonar uma estrada florida, para palmilhar um caminho espinhoso, onde os pés se abrirão em chagas?
Quem haverá, aqui na Terra, que prefira reencarnar-se neste mundo atrasado, onde a vida é penosa e cruel, a viver em qualquer desses outros de cujas vidas acabo de dar-vos uma pálida ideia?
Qual de vós, meus irmãos, desejará condenar-se a si mesmo a viver a vida penosa e atrasada dos mundos de provações inferiores, quando poderia gozar a vida dos grandes espíritos, desfrutar as delícias do viver dos eleitos e bem aventurados?
Quem terá a coragem de afirmar que a vida da Terra é a única e a mais feliz?
Só a insensatez ou a ignorância da verdade espírita seria dado faze-lo...
Mundos divinos ainda existem além, nos quais a felicidade e o encanto do viver das almas não posso, não sei mesmo descrever, pois nunca lá fui e tão cedo lá não entrarei.
Conheço essa vida pelo que deduzo das vidas dos outros mundos que lhes são imediatamente inferiores, onde já se pode confabular, quase diretamente, com os que habitam aqueles planos celestiais.
Mundos divinos! quando lá chegaremos nós, meus amigos?
Quando seremos perfeitos para gozar as indefiníveis delícias desse viver de santos, desse existir de almas divinas?
Quando, meus irmãos, poderemos nós voar até essas celestes regiões, onde só existe amor, misericórdia, justiça, sabedoria, luz e verdade - Deus, enfim?
Quem lá chegará? Quem logrará a ventura de subir tão alto, de galgar esses céus, escalar essas regiões feitas somente das claridades divinas?
Quem poderá, meus irmãos, alcançar essas glórias?
Mundos de Deus! terras benditas! regiões imaculadas! planos de luz! casas do Senhor! moradas dos justos!
Que a vossa luz caia sobre nós; que os vossos doces e mágicos fluídos desçam sobre os meus irmãos da Terra, inspirando-os para o bem e para a virtude; que a luz dos vossos sóis ilumine o caminhar desta pobre humanidade terrena, guiando-lhe os passos na ascensão gloriosa em demanda dessas paragens benditas!

Fazei descer sobre este planeta os suaves clarões da glória divina, para espancarem as trevas da noite profunda que reina em torno dos meus irmãos da Terra!

Abri as vossas fontes de energias e luz e fazei jorrar essas sagradas forças sobre os meus queridos irmãos, a fim de que possam marchar com firmeza e resolução no caminho da salvação, na estrada do bem, na trilha do dever; da caridade, da luz, da paz e do amor! Oh! mundos de amor, focos de justiça, fontes de luz, mananciais inesgotáveis de doçuras e afetos sem par!

Céus Infinitos! sacrários de esperança! Escrínios eternos de caridade e de amor! derramai sobre a Terra todas essas virtudes que transbordam de vós; inundai de bênçãos e de luz esta Terra, este mundo de sofrimentos, martírios e lágrimas; entornai sobre esta pobre gente o bálsamo e as consolações da fé, os grandes lenitivos da misericórdia infinita, o conforto da sabedoria e da infinita piedade do coração de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Rolai, mundos divinos, rolai! levando convosco esta prece que o espírito de Copérnico profere aqui, na superfície da Terra, clamando justiça, suplicando perdão, pedindo luzes, implorando a infinita misericórdia de Deus para este planeta, para este mundo, onde tem cumprido parte das suas provações e onde deseja ainda reencarnar-se para auxiliar o caminhar da humanidade terrena para esses mundos de luz e amor!

Dá que possa o espírito que está na tua presença, Senhor! renascer ainda um dia neste vale de lágrimas; concede a esta alma que está diante de Ti e do Teu Filho - o divino Jesus, voltar à Terra para viver, trabalhar e morrer para o bem, para a salvação e o resgate deste mundo de trevas!
Que Deus, na Sua divina bondade, nos ouça, meus irmãos, e nos dê a paz e a salvação eternas.

Adeus.
Copérnico
Janeiro de 1917

Informações Complementares
Nicolau Copérnico
 (Toruń, 19 de Fevereiro de 1473 - Frauenburgo, 24 de Maio de 1543) foi um astrônomo e matemático polaco que desenvolveu a teoria heliocêntrica do Sistema Solar.

Foi também cónego da Igreja Católica, governador e administrador, jurista, astrólogo e médico. Sua teoria do Heliocentrismo, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente Teoria Geocêntrica (que considerava a Terra como o centro), é considerada como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia moderna.
Fonte: Wikipedia

Fim





Calendário Assistência 2015

TENDA ESPÍRITA MAMÃE OXUM

CALENDÁRIO ASSISTÊNCIA - 2015

C.E. Miguel Arcanjo e Tenda Espirita Mamãe Oxum- 2014

Rua Francisco Framback, 91 E – Cascatinha - Petrópolis - RJ

Site: temoumbanda.blogspot.com.br

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MARÇO

ABRIL

MAIO

04 – 4ª-feira - Palestra Inicial – Mãe Márcia e Alessandra

01- 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

01- 6ª-feira – Não tem gira

06– 6ª-feira – Pretos -Velhos

03- 6ª-feira – Não tem Gira

06- 4ª-feira – Doutrina

11– 4ª-feira – Doutrina

08- 4ª-feira – Doutrina

08- 6ª-feira – Saúde

13– 6ª-feira – Saúde

10- 6ª-feira - Saúde

13- 4ª-feira – Saudação aos Pretos-Velhos

18– 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

15- 4ª-feira – Doutrina

15- 6ª-feira – Caboclos

20– 6ª-feira – Caboclos

17- 6ª-feira – Caboclos

20- 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

25– 4ª-feira – Doutrina

22- 4ª-feira – Não tem reunião

22- 6ª-feira – Exus

27- 6ª-feira - Exus

23- 5ª-feira – Saudação a Ogum ( 19h )

27- 4ª-feira – Doutrina

29- 4ª-feira - Doutrina

29- 6ª-feira – Não tem Gira

JUNHO

JULHO

AGOSTO

03- 4ª-feira – Doutrina

01- 4ª-feira – Doutrina

05- 4ª-feira – Doutrina

05- 6ª-feira – Pretos-Velhos

03- 6ª-feira – Pretos-Velhos

07- 6ª-feira – Pretos-Velhos

10- 4ª-feira – Doutrina

08- 4ª-feira – Doutrina

12- 4ª-feira – Doutrina

12- 6ª-feira – Não tem Gira

10- 6ª-feira – Saúde

14- 6ª-feira – Saúde

13- Sábado – Saudação Exus/Bênção pães

15- 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

16- Domingo – Saudação a Obaluaê – 18h

17- 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

17- 6ª-feira – Caboclos

19- 4ª-feira – Doutrina

19- 6ª-feira – Caboclos

22 e 24 – Não teremos reunião nem a Gira

21- 6ª-feira – Caboclos

24- 4ª-feira – Doutrina

26- Domingo - SEMINÁRIO

26- 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

26- 6ª-feira - Exus

29- 4ª-feira – Doutrina

28- 6ª-feira - Exus

31- 6ª-feira - Exus

SETEMBRO

OUTUBRO

NOVEMBRO

02- 4ª-FEIRA – Doutrina

02- 6ª-FEIRA – Pretos-Velhos

04- 4ª-FEIRA – Doutrina

04- 6ª-feira – Pretos-Velhos

07- 4ª-feira – Doutrina

06- 6ª-feira – Pretos-Velhos

09- 4ª-feira – Doutrina

09- 6ª-feira – Saúde

11- 4ª-feira – Doutrina

11- 6ª-feira – Saúde

12- 2ª-feira- Feriado – Saudação aos Orixás na Cachoeira

13- 6ª-feira – Saúde

16- 4ª-feira – Doutrina

18- 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

18- 6ª-feira – Caboclos

14- 4ª-feira – Doutrina

20- 6ª-feira – Caboclos

23- 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

16- 6ª-feira - Caboclos

25- 4ª-feira – Doutrina

25- 6ª-feira – Não tem Gira

21- 4ª-feira – Doutrina ( Vovó Catarina )

27- 6ª-feira - Exus

27- Domingo – Saudação a São Cosme e

23- 6ª-feira – Exus

São Damião 16h

28- 4ª-feira – Doutrina

Distribuição de doces 14h

30- 6ª-feira – Não tem Gira

30- 4ª-feira - Doutrina

DEZEMBRO

04- 6ª-feira – Homenagem a Iansã e Confraternização Médiuns e Assistência – 20h

08- 3ª-feira – Saudação a Oxum e Bênção dos Pretos-Velhos – 20h

12- Sábado – Oferendas na Praia – Saída às 17h

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

ATENÇÃO: NÃO É PERMITIDO NO RECINTO PESSOAS COM MINI-SAIAS, SHORTS OU BERMUDAS CURTAS, BLUSAS MUITO DECOTADAS OU MINI-BLUSAS, CAMISETAS TIPO MACHÃO.

A CARIDADE NÃO SERÁ NEGADA, PORÉM RESPEITEM O TEMPLO RELIGIOSO.


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