sábado, dezembro 03, 2011

Final dos Tempos



EIS CHEGADO O FINAL DOS TEMPOS

01


Achamos importante abordamos esse assunto, que todos discutem superficialmente, mas, não atentam para a sua importância. Muitos o vêem como simples especulações, sem darem a devida importância ao que está acontecendo, procurando dar uma explicação lógica para os acontecimentos do mundo atual, achando ser tudo conseqüências naturais. Todos sentem em seus íntimos a gravidade dos acontecimentos, mas, preferem ignorar, continuando a vivenciar seus erros. Infelizmente o que observamos é cada um somente cuidando dos seus interesses materiais e mais nada. É chega a hora; é chegado o final dos tempos. “Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor” – “Os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda”. Portanto, concitamos todos a lerem tudo com atenção, e que tenham a misericórdia divina de entenderem o recado, conscientizando-se da necessária reforma íntima, do perdão, fé, amor e da prática da caridade.

EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

Capítulo 24, VS 1-51

1. Ao sair do templo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e fizeram-no apreciar as construções.

2. Jesus, porém, respondeu-lhes: Vedes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído.

3. Indo ele assentar-se no monte das Oliveiras, achegaram-se os discípulos e, estando a sós com ele, perguntaram-lhe: Quando acontecerá isto? E qual será o sinal de tua volta e do fim do mundo?

4. Respondeu-lhes Jesus: Cuidai que ninguém vos seduza.

5. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu o Cristo. E seduzirão a muitos.

6. Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerra. Atenção: que isso não vos perturbe, porque é preciso que isso aconteça. Mas ainda não será o fim.

7. Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fome, peste e grandes desgraças em diversos lugares.

8. Tudo isto será apenas o início das dores.

9. Então sereis entregues aos tormentos, matar-vos-ão e sereis por minha causa objeto de ódio para todas as nações.

10. Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão.

11. Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos.

12. E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará.

13. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo.

14. Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim.

15. Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9,27) - o leitor entenda bem.

16. Então os habitantes da Judéia fujam para as montanhas.

17. Aquele que está no terraço da casa não desça para tomar o que está em sua casa.

18. E aquele que está no campo não volte para buscar suas vestimentas.

19. Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias!

20. Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado;

21. Porque então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será.

22. Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.

23. Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá! Não creiais.

24. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos.

25. Eis que estais prevenidos.

26. Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele em casa, não o creiais.

27. Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem.

28. Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres.

29. Logo após estes dias de tribulação, o sol escurecerá, a lua não terá claridade, cairão do Céu as estrelas e as potências dos Céus serão abaladas.

30. Então aparecerá no Céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da Terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do Céu cercado de glória e de majestade.

31. Ele enviará seus Anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade do Céu à outra.

32. Compreendei isto pela comparação da figueira: quando seus ramos estão tenros e crescem as folhas, pressentis que o verão está próximo.

33. Do mesmo modo, quando virdes tudo isto, sabei que o Filho do Homem está próximo, à porta.

34. Em verdade vos declaro: não passará esta geração antes que tudo isto aconteça.

35. O Céu e a Terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.

36. Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os Anjos do Céu, mas somente o Pai.

37. Assim como foi nos tempos de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do Homem.

38. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca.

39. E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem.

40. Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado.

41. Duas mulheres estarão moendo no mesmo moinho: uma será tomada a outra será deixada.

42. Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.

43. Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.

44. Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.

45. Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno?

46. Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim!

47. Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens.

48. Mas, se é um mau servo que imagina consigo:

49. Meu senhor tarda a vir, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios,

50. O senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e na hora em que ele não sabe,

51. E o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.

FINAL DOS TEMPOS – JUÍZO FINAL

Pergunta de Allan Kardec: Sobre os Sinais dos Tempos

Resposta dada pelo Espírito “Arago”: - São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que acontecimentos se vão dar para a regeneração da Humanidade. Em que sentido se devem entender essas palavras proféticas ? Para os incrédulos, nenhuma importância têm; aos seus olhos, nada mais exprimem que uma crença pueril, sem fundamento. Para a maioria dos crentes, elas apresentam qualquer coisa de místico e de sobrenatural, parecendo-lhes prenunciadoras da subversão das leis da Natureza. São igualmente errôneas ambas essas interpretações; a primeira, porque envolve uma negação da Providência; a segunda, porque tais palavras não anunciam a perturbação das leis da Natureza, mas o cumprimento dessas leis...

- Nestes tempos, porém, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral. Uma nova ordem de coisas tende a estabelecer-se, e os homens, que mais opostos lhe são, para ela trabalham a seu mau grado. A geração futura, desembaraçada das escórias do velho mundo e formada de elementos mais depurados, se achará possuída de idéias e de sentimentos muito diversos dos da geração presente, que se vai a passo de gigante. O velho mundo estará morto e apenas viverá na História, como o estão hoje os tempos da Idade Média, com seus costumes bárbaros e suas crenças supersticiosas.

- Aliás, todos sabem quanto deixa a desejar a atual ordem de coisas. Depois de se haver, de certo modo, considerado todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, tanto mais se sente o que falta, sem que, entretanto, se possa ainda definir claramente o que seja: é isso efeito do trabalho íntimo que se opera em prol da regeneração. Surgem desejos, aspirações, que são como que o pressentimento de um estado melhor.

Comentário de Allan Kardec sobre o Juízo Final:

- “Tendo que reinar na Terra o bem, necessário é que sejam dela excluídos os Espíritos endurecidos no mal e que possam acarretar-lhe perturbações.

Deus permitiu que eles aí permanecessem o tempo de que precisavam para se melhorarem; mas, chegado o momento em que, pelo progresso moral de seus habitantes, o globo terráqueo tem de ascender na hierarquia dos mundos, interdito será ele, como morada, a encarnados e desencarnados que não hajam aproveitado os ensinamentos que uns e outros se achavam em condições de aí receber. Serão exilados para mundos inferiores, como o foram outrora para a Terra os da raça adâmica, vindo substituí-los Espíritos melhores. Essa separação, a que Jesus presidirá, é que se acha figurada por estas palavras sobre o juízo final: “Os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda.”

(Trechos de resposta e comentário retirados de “A Gênese”, Capítulos XVII e XVIII - “Predições do Evangelho” e “São chegados os tempos”. Obra de Allan Kardec, publicada em 6 de janeiro de 1868. Trecho transcrito da tradução de Guillon Ribeiro, Federação Espírita Brasileira).


OS TEMPOS SÃO CHEGADOS

02

A Salvação do Mundo

Digníssimas Autoridades. Senhoras e Senhores.Meus amigos: «Os tempos são chegados», é o tema que vamos desenvolver nesta palestra.

«Os tempos são chegados»; este, meus amigos, é o tema que me foi apontado por inspiração do Alto, desde a primeira das Grandes Mensagens de Sua Voz, no Natal de 1931.

Embora eu tivesse chegado ao Brasil, na minha primeira visita em 1951, no meu sexagésimo quinto ano, esta grande terra estava já marcada desde moço no meu destino, tanto que a minha tese de formatura em Direito, foi um livro sobre o Brasil. Eu sentia como que uma atração instintiva e irresistível por este país, até que em dezembro de 1952, por fatos imprevisíveis por mim e mais poderosos que minha vontade, milagrosamente vencendo todas as dificuldades, cheguei definitivamente com a família, para trabalhar aqui e dar o melhor fruto da minha vida, até a morte.

Para melhor compreender, releiamos juntos alguns trechos da Mensagem do Natal de 1931, que nos oferece o tema fundamental que aqui iremos desenvolvendo. Cada um fica livre de aceitar ou não, a origem sobrenatural desta Mensagem, mas o fato positivo, que faz refletir que aí tem um poder que não é meu, é que ela, embora eu fosse desconhecido, se espalhou por si mesma pelo mundo — Europa, Américas, do Norte e do Sul, nos países árabes e na Ásia, até a Indochina, atingindo um milhão de exemplares.

Era a Noite de Natal de 1931, e eu estava desanimado pelos demais sofrimentos, quando, como um relâmpago me colheu desprevenido e eu tremendo escrevi estas palavras:

«No silêncio da noite santa, escuta-me. Põe de lado todo o saber e tuas recordações; põe-te de parte e esquece tudo. Abandona-te à minha voz, inerte, vazio, no nada, no mais completo silêncio do espaço e do tempo. Neste vazio, ouve minha voz que te diz: ergue-te e fala: Sou eu».

... «Falo hoje a todos os justos da terra e os chamo de todas as partes do mundo, a fim de unificarem suas aspirações e preces numa oblata que se eleva ao céu. Que nenhuma barreira de religião, de nacionalidade ou de raça os divida, porque não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos».
«A divisão está no íntimo da consciência e não no vosso aspecto exterior, visível» ... «Minha palavra é universal» ... «Uma grande transformação se aproxima para a vida do mundo».

... «Assim como a última molécula de gelo faz desmoronar o iceberg gigantesco, assim também de uma centelha qualquer surgirá o incêndio» ...

... «A destruição, porém, é necessária. Haverá destruição somente do que é forma, incrustação, cristalização, de tudo o que deve desaparecer, para que permaneça apenas a idéia, que sintetiza o valor das coisas... Grande mal, condição dum bem maior».

«Depois disto, a humanidade, purificada, mais leve, mais selecionada por haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio, e retomará renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará»...

Assim falou a primeira Mensagem de Sua Voz, do Natal de 1931. Já expliquei num artigo, “Princípios”, em 1952, que as religiões têm três fases: a primeira, a mais antiga, é a terrorista, feita por um Deus vingativo, que se faz obedecer inexoravelmente, punindo com a lei de talião.

A segunda, mais recente, é a ético-jurídica, feita de uma codificação de normas da vida. É o evolver da natureza humana inferior, que pode permitir uma manifestação de Deus, fazendo transparecer cada vez mais Sua Bondade.

Somente hoje a maturação pode permitir que, sem o perigo de abusos, antes temíveis, se possa passar à terceira fase, a da compreensão, na qual as religiões são livres e convictas, cada vez mais transformadas, da forma, em que lutam os interesses, na substância, que é Amor.

Hoje se passa da segunda à terceira fase. Penetra-se na fase do amor. Não mais luta entre rivais, mas colaboração de irmãos.

Brevemente o mundo se organizará sobre um princípio que não será dado por um imperialismo religioso, isto é, pela vitória de uma religião que, por absolutismo, se imponha a todas as outras. Não é por este caminho que se chegará à unidade, ou seja, a um só rebanho e a um só pastor. O único pastor será o Cristo, e o único rebanho será formado por uma humanidade em que as várias religiões não se combatam e não se condenem reciprocamente; ao contrário, se compreendam e coordenem, fazendo dos homens todos, filhos diante de um único Deus, um só Deus, pai de todos.

O mundo materialista de hoje na realidade vivida desinteressou-se do Cristo. Mas repudiar o Evangelho significa não aceitar a lei de um plano biológico mais evoluído, e recusar a progredir e a civilizar-se. Mas ir contra as leis da vida querer pará-las no seu caminho de ascensão, significa ser atingido por suas terríveis reações. E esta foi a terrível encruzilhada em que a humanidade quis cair!

Cristo não é somente um fato histórico ou fenômeno religioso; é o mais alto acontecimento biológico do planeta, acontecimento perante o qual deverá prestar contas a humanidade, que nunca poderá fugir às leis da vida. Cristo deixou-se sacrificar para nos dar a verdade. Acreditou-se tê-lo destruído, matando-O; Tê-LO afastado, negando-O. Mas o Espírito, a verdade e as leis da vida não se podem destruir. Cristo faz parte do fenômeno vida e não pode morrer. Ele está vivo, e sempre vivo estará entre nós, presente e operante como força viva. Ninguém pode parar a Sua ação.

Cristo ainda está esperando ser tomado a sério depois de dois mil anos. Os Santos hoje são poucos, e as multidões seguem outro caminho. E o homem, na sua ignorância, acredita erroneamente que a paciência misericordiosa de Deus seja a sua própria vitória. Neste ponto a humanidade se encontra no caminho da descida. A multidão é ignorante e obstinada, e se faz forte pelo número. Tendo ela tomado demasiada velocidade na descida, sempre mais difícil se torna retomar o caminho da subida. Agora somos chegados a um ponto que nem mesmo com uma explicação racional apoiada na lógica e na ciência, se poderá obter a verdadeira compreensão. A destruição então se faz necessária, visto que aquele que quer parar o progresso da vida, por esta mesma vida será destruído, pois a lei quer que ele avance, e por isso ela afasta todos os obstáculos.

O fenômeno deve de qualquer maneira ser resolvido. As forças progridem e devem de qualquer modo realizar-se. Não há outro caminho que não seja o do aceleramento. Que os maus, como fala o Apocalipse, tornem-se cada vez piores, e os bons, cada vez melhores, de modo que eles sempre mais possam se separar uns dos outros, e a justiça se cumpra. Neste ponto, a solução não mais se pode encontrar voltando para trás, mas somente no choque violento entre as forças do mal e as do bem, pelo fato de que já estamos na guerra, e não podemos chegar ao fim senão como vencedores ou como vencidos. Chegou a hora do grande julgamento, no qual se terá de fazer a prestação de contas.

Aqueles que mais dificilmente poderão ser salvos são os astutos, os poderosos, que são os maiores responsáveis, por terem eles nas mãos os meios de direção da riqueza e do poder. Os dirigentes, desorientados pela falta duma concepção suficiente para resolver os problemas da vida, percebem esta corrida em direção do abismo, e desejariam descobrir meios práticos de salvação. Infelizmente porém, no repertório econômico, político e social deles, não existem tais meios para evitar estes golpes. Todo o sistema vigente está errado. Ele se baseia na força. E ninguém pode impedir que quem use da espada, por ela pereça. O nosso mundo somente confia na força, e portanto não pode merecer a intervenção de poderes superiores para a sua defesa. Ao contrário, ele os renega com seus atos. E quem não tem senão a força, não pode prescindir dela.

Ela guia a destruição porque o choque é inevitável. Ele é uma conseqüência necessária e fatal do sistema hoje vigente no mundo, que fica assim inexoravelmente preso na sua própria armadilha, sem possibilidade de saída. Tudo isso é conseqüência do grau de involução no qual o homem atual se acha, porque ainda se encontra no plano semi-animal.

Quantas vozes espirituais se levantaram, quantos mártires se sacrificaram, para que o mundo evolvesse! Mas o homem continua pertencendo ao plano biológico do animal. Por isso ele deve aceitar as duras leis deste plano.
Mas desde que, neste ponto, ele já demonstrou não querer evolver, a maioria que pertence a este tipo biológico, deverá ser afastada do planeta, de modo que este possa progredir por intermédio dos poucos evoluídos que pertençam a um plano biológico mais alto.

Tudo isso acontece automaticamente. Isto porque a concórdia e a organização são condições dos evoluídos, enquanto que o separatismo, a luta e a desorganização são qualidades dos involuídos. De modo que estes são guiados pela sua própria natureza e sistema, para serem eliminados, exterminando-se uns aos outros. Não é um fato de que o mundo continua se armando, porque não mais acredita nas armas? O que pode acontecer neste mundo assim feito, senão destruição, quando com o sistema vigente de força, os problemas não podem mais ser resolvidos senão pela força; quando nenhum outro modo tenha para sobreviver senão se constituindo como os mais fortes, porque ao primeiro sinal de fraqueza de uma das partes, a outra estará pronta ao assalto para destruir? Não é esta a lei de muitos de nossos atos? Hoje o mundo é uma gigantesca corrida de lutadores egoístas, cada um procurando aproveitar o máximo possível do seu próximo.

A melhor habilidade nos negócios e na política é, muitas vezes, julgada ser aquela de saber enganar e expoliar o próximo. Os métodos modernos são muitas vezes uma sobrevivência dos antigos modos de pilhagem, de rapinas, da destruição dos fracos.

Pois bem, há, entretanto, uma lei de progresso, que nos impulsiona para a civilização, o que quer dizer que é preciso acabar com tudo isso, até serem afastados todos aqueles que demonstraram não serem acessíveis a esta forma de vida. E estes seres não estão isolados somente numa nação particular, mas em todas as nações do mundo. Não há uns poucos de inocentes e uns poucos de culpados. A culpa está distribuída por toda a parte, de modo que mais ou menos, muitos deverão pagá-la, e o próprio sistema deles os levará a um recíproco choque fatal, para serem destruídos uns pelos outros, sejam vencedores, sejam vencidos.

O mundo na prática não acredita em Deus. Os fatos é que valem. Faz-se muita questão de ortodoxia de princípios, mas pouca daquilo que mais importa, isto é, a retidão das obras. O mundo não leva em conta que tem uma lei, e embora conhecendo-a, às vezes esquece que o passado, o presente e o futuro estão fatalmente ligados por todos nós, que assim recolhemos a cada momento as conseqüências de nossos atos. Assim o mundo não toma conhecimento que com todo nosso pensamento e todo ato, nós semeamos o nosso futuro de alegria ou de dor, não toma conhecimento da absoluta fatalidade das conseqüências, seja de prêmio ou de pagamento. Do mesmo modo, a sociedade humana está toda ligada por uma série de liames, que não são aqueles que os homens julgam ser, somente os das relações jurídicas ou de parentesco físico.

Tem também uma rede de relações cármicas, de débitos e créditos que nos vinculam uns aos outros, e que são os mais importantes. As proteções jurídicas e aquelas da astúcia e da força, ficam na superfície, e não são suficientes para nos defender da fatal reação da lei. O que vale é o efeito das causas que pomos em movimento. Quem indebitamente ganha, também devedor fica, e por conseguinte terá que pagar, e poder legal ou humano algum, poderá impedi-lo. Quem foi injustamente explorado, torna-se credor e fará jus à sua compensação. Quando se constituem relações desta natureza no destino de vários indivíduos, os liames permanecem até que as contas sejam solvidas entregando a cada um aquilo que for de seu direito. Assim o vencedor que acreditou ter triunfado, deverá cair aos pés do vencido. Se o homem pudesse compreender uma lei assim tão simples, toda a estrutura social tornar-se-ia diferente.

O homem atual muitas vezes acredita ser inteligente quando consegue defraudar a lei de Deus. Mas como pode acreditar seja possível defraudar as leis da vida? Isto é loucura! Mas o homem é míope e ignorante. Ele fica satisfeito com o sucesso imediato. E depois? Para a grande maioria isto é uma neblina de mistério. O sucesso imediato deixa ele acreditar ter conseguido enganar o próximo e a lei; entretanto ele somente conseguiu enganar a si mesmo.
E olhando para os outros somente por fora, ele acredita não haver justiça no mundo, por ver os maus triunfarem e os justos serem esmagados. Mas ignora que a vida continua e que não se pode julgar somente pelo breve espaço de uma vida terrena.

Mas depois nós vemos nascer tantos desventurados e não sabemos porque! Assim, aquele que acreditou vencer, pelo contrário perdeu e acreditando enganar o próximo, não enganou, senão a si mesmo. Podemos falar assim, não porque nos baseamos sobre a doutrina desta ou daquela escola, mas porque estas conclusões foram obtidas através da observação dos fatos e conduzidas na forma científica positiva, como temos alhures demonstrado.

Assim o homem louco vai criando para si um destino de dor. Ele é o arquiteto do seu próprio futuro. Com a sua avidez, ele cria a sua miséria, com o seu orgulho, a sua humilhação, com a sua prepotência, a sua derrota. Trata-se de uma lei de causa e efeito, de continuidade e de equilíbrio, que fica confirmada por todas as outras leis que a sustentam, e que são por nós conhecidas no mundo físico e dinâmico. Esta teoria é aquela que mais concorda com tais leis. Ela poderia renovar o mundo. Hoje o homem está enlouquecido pelo sucesso, e faz consistir seu valor na aquisição e no acúmulo da riqueza, sem dar importância aos meios usados. Vencer é o grande sonho, seja de que maneira for, pois o vencedor é sempre admirado.

Mas no alto há uma lei de justiça inexorável: os débitos devem ser pagos; quem faz o mal, o mal receberá, quem faz o bem, a ele fará jus. Podemos semear livremente! Mas depois o fruto será fatalmente nosso. Então para que serve o triunfo efêmero do mais forte contra o mais fraco? Que ficou de definitivo de todos os triunfos registrados pela história?

Tudo serve somente para fazer da Terra um inferno, um teatro de guerras, sem paz e segurança para ninguém, bem como para chegar à dor que é o grande mestre que nos ensina a não errar mais. Quem esmaga será esmagado, quem furta para enriquecer, empobrece, quem faz sofrer o próximo, a este deverá depois pagar a sua dívida com a sua própria dor.

É loucura procurar enriquecer e vencer sem critério de justiça. Assim, construímos o nosso próprio destino, de pobreza ou de vencidos, com o qual tudo pagaremos. Deste modo o mundo segue um método irracional, contraproducente, anti-utilitário. Quem sabe com que desprezo nos julgarão nossos futuros descendentes civilizados! Enriquecer sem dar o valor correspondente do próprio trabalho, significa empobrecer.

Num mundo mais inteligente se procuraria o próprio bem estar ganhando legitimamente, sem endividar-se com o ganho ilegítimo. Ao contrário, dever-se-iam procurar créditos, pagando do seu próprio patrimônio, ao próximo, tornando-se úteis à sociedade. Em cada caso, nunca adquirir sem dar um valor equivalente. Direito de todos à vida, mas a todos o dever do trabalho! Deste, pedir somente a justa recompensa, que é obrigação da parte de quem tem nas mãos o capital e a direção. Este é o verdadeiro fundamento das leis econômicas, e não a luta. E os vencedores, porque são mais fortes e inteligentes, têm o dever de educar e ajudar os mais fracos, e não o direito de esmagá-los e explorá-los.

A humanidade deveria compreender que os problemas não podem ser resolvidos com a força ou com a astúcia, mas somente com a justiça; compreender que o vencedor se endivida perante o vencido a este devendo pagar o preço do próprio esmagamento que causar. O escravo tornar-se-á um dia, dono de seu patrão, que por sua vez será seu escravo. Só assim, ambos poderão compreender a lição. No seu ataque contra o cristianismo, Nietzsche, o criador do tipo biológico do super-homem do egoísmo e da prepotência, evoluído ao contrário, isto é, herói da involução, vê no discurso da montanha uma expressão de revolta dos renegados, dos fracos, vencidos, contra o poder vencedor. Assim Nietzsche demonstra nada ter compreendido dos profundos equilíbrios que aquele discurso expressa. O erro está no acreditar que tudo isto seja verdadeiro, só porque assim falou o Cristo, e assim o repete uma religião; é de acreditar, por conseguinte que, lutando contra esta mesma religião, ela e o Cristo possam ser destruídos. Ao contrário. Tudo isto está escrito na lei da vida, e faz parte de uma ordem universal inviolável, que nós podemos compreender e que devemos admitir não somente pelos caminhos da fé, mas também pelos rumos positivos da razão e da ciência.

Os materialistas deveriam compreender com os meios da sua própria psicologia positiva, esta moral biológica, que faz parte de leis universais de compensação e de equilíbrio. O futuro da evolução biológica, conforme já comentamos alhures, não se pode verificar senão através da espiritualização. Por que, apesar de sua desenvolvida inteligência, eles não compreendem esta moral biológica positiva? Isto é, porque o materialismo ateu representa, perante o futuro que pertence ao Espírito, o passado involuído, que resiste ao progresso e no qual sobrevive a animalidade, com os seus instintos, que ensinam a vencer com a força e com a astúcia. Mas quem assim vive, a verdade lhe escapa, e vive nas trevas. Assim, recusando-se a compreender, ele arranca de si mesmo os olhos para não ver, torna-se escravo da ignorância, expondo-se pois, a duras lições. Deste modo a humanidade quis fazer por si mesma um destino de punição, que representa a reação reconstrutiva dos equilíbrios da lei, para corrigir os erros do passado.

É por isso que as forças do mal agora estão livres e ativas, porque ele chega a funcionar quando tem que cumprir uma destruição para expurgar. Neste ponto não é mais possível que o conselho e a palavra possam ajudar, porque o homem caiu sob o poder de tais forças inferiores, que devem cumprir sua tarefa de eliminação, para que sejam depois finalmente afastadas.

Na atual equação das forças do mundo, a resultante é somente uma: destruição. É possível introduzir nesta equação novos valores, quantidades, ou forças que modifiquem os resultados? Esta nova força, poderia ser a inteligência diretriz duma grande nação, que tivesse a capacidade de compreender e o poder para atuar.

Poderia este novo fato eliminar, ou pelo menos retardar a destruição? Mas para que a avalanche que está desmoronando, possa voltar atrás, retomando novamente o caminho da subida, precisaria uma idéia forte e um mundo singelo, que soubesse acreditar nisso. Ao contrário, a este mundo falta confiança e todos, mais ou menos, percebem a aproximação do perigo, como um destino fatal. Vive-se como aventureiros, pressentindo-se um desastre inevitável. O mundo se agarra desesperadamente aos meios materiais e ao poder das armas. Mas será verdadeiramente este que trará a destruição! O mundo acumula armas para se defender, mas estas servirão para sua própria destruição. E nós não temos confiança senão na força, porque todas as crenças enfraqueceram-se. O momento é terrível, porque o homem tem nas mãos um poder de destruição imenso, sem possuir a disciplina moral necessária para fazer disso bom uso. Que poderemos nós esperar do futuro, quando estes poderes são dirigidos por esta psicologia?

Poderia Deus fazer milagre? Mas os milagres não podem acontecer contra a lógica e a justiça da lei, que é o próprio pensamento de Deus. Quando temos culpas para pagar, precisamos pagá-las. É preciso ter merecido esta ajuda particular que se chama milagre. Mas é certo também que esta ajuda não desce para defender interesses egoísticos. As forças espirituais funcionam, mas somente nas mãos dos Santos. Elas não descem para se realizar nos planos mais involuídos, que as afastam e que ficam abandonados ao poder das próprias forças involuídas. As duas maiores potências do planeta, procuram-se eliminar uma à outra, para atingir o domínio absoluto. Porém, elas se destruirão reciprocamente, e assim far-se-á o expurgo, com uma limpeza de dor, preço da redenção, sem o qual não se pode subir a um plano biológico mais alto; será o choque necessário, sem o qual a renovação integral não se poderá atingir.

No plano onde reina a lei da seleção do mais forte, é impossível evitar o choque entre esses dois mais poderosos do mundo, porque este choque é que resolverá quem é o mais forte, isto é, aquele a quem, conforme a lei vigente da animalidade, pertence a vitória. Não se pode escapar a esta lei, do tipo biológico atual. Mas se este choque, com as armas atômicas modernas, significa destruição, esta também é inevitável para ambos esses mais poderosos.

Mas isso tanto mais terá que se realizar, por ser este o único meio do expurgo, que é necessário, para que o progresso, que é fatal, possa verificar-se, e uma nova civilização possa surgir, agora que os tempos estão amadurecidos. Não se pode quebrar o encadeamento lógico destes termos sucessivos! Dada a natureza do homem atual, e as suas forças dum poder sem precedentes, que neste momento histórico estão nas mãos deste tipo biológico, não podem ser atingidos outros resultados. Não se pode alterar o desenvolvimento de um encadeamento lógico, do mesmo modo que não se pode torcer o de um processo matemático.

O momento histórico atual é muito grave. Ele está se tornando cada dia mais grave. Somos chegados na plenitude dos tempos. Pregações foram feitas bastante, avisos foram dados, mas o mundo continuou pelo seu caminho sem prestar ouvidos. Nesta hora não é mais tempo de palavras e avisos, mas de ação. Precisa-se enfrentar os acontecimentos.

Os homens continuam a fazer seus negócios e embora nas palavras digam o contrário, na prática eles dão provas de serem ateus, não importa a qual religião ou fé eles pertençam. Em todos os grupos a maioria acredita só na força material, nas armas, no poder do dinheiro.

Mas logo chegará o tempo no qual as armas servirão só para exterminar uns aos outros, ricos e pobres, donos e criados, vencedores e vencidos.

Tempo chegará no qual ter dinheiro de nada adiantará, porque no desfazimento do conjunto social, acabará toda confiança em qualquer pessoa e não será possível troca alguma. Tempo chegará em que não será possível ficar fortes como poder político, porque ninguém obedecerá mais alguém.

Mas é justo que um mundo bem polido de idéias, mas na substância feito dum egoísmo sem limites e dum ateísmo desorganizador, isto é, de individualismo separatista contra a ordem da Lei de Deus acabe por cair no abismo do caos.

Neste ponto isto é fatal. Isto é o efeito de causas que a humanidade livremente estabeleceu nos séculos passados. A liberdade humana não chega ao ponto de modificar a lei e de evadir-se do princípio de causa e efeito, que nos liga às conseqüências das nossas ações do passado. Assim o homem quis e assim seja.
A mensagem de Natal de 1931 assim falou:

«Um grande batismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade recupere o equilíbrio, livremente violado: grande mal, condição de um bem maior.»

A Lei deixa ao homem o livre arbítrio só o quanto necessita para estabelecer as causas, mas não para fugir aos efeitos. A Lei faculta-lhe liberdade só neste limite, só para que seja possível o homem experimentar entre a verdade e o erro, para aprender e assim realizar por ele mesmo a sua subida. Mas esta oscilação do livre arbítrio está contida nos limites do contingente humano, limites que nunca é permitido transpor.

Isto quer dizer que o homem está livre de semear desordem e destruição na sua própria vida, mas não tem o poder de fazê-lo na ordem da Lei, que é inviolável. De outro modo a ignorância e a prepotência humana teriam trazido, há muito tempo, anarquia ao mundo todo.

Verifica-se, assim, o fato que nas grandes linhas da história e da evolução, a lei manda, fatalmente, de modo que o homem tem somente poder limitado e relativo e não pode parar o progresso. Neste caso não é o homem, mas é a Lei quem manda, quer, e por último acaba por se impor com seu impulso intimo e tenaz, para que a evolução se cumpra. A lei não pode ser enganada nem parada.

Ela permitirá infrações momentâneas, atrasos, adiantamentos, mas não falta de cumprimento. O Homem que quiser aproveitar da própria liberdade para se rebelar contra a Lei indefinidamente, será eliminado.

Os místicos percebem por intuição, os racionais sabem por intermédio duma lógica fatal da qual analisam o desenvolvimento, que agora a humanidade está correndo grandes perigos, embora que por último a destruição possa ser utilizada para depois melhor reconstruir mais alto. Ninguém poderá impedir que se cumpra a vontade da Lei. Os homens práticos podem gritar que isto é utopia. Mas aqui operam elementos imponderáveis que eles ignoram.

Os homens práticos não compreenderam o atual momento histórico e o que está agora acontecendo. Acreditam que por intermédio do progresso científico e mecânico, eles possam apoderar-se das forças da Natureza para escravizá-las aos seus fins. E eles não compreendem que a Natureza é muito mais inteligente que o homem, que deve a sua vida a esta sabedoria, que ele não possui. E então acontece que, quando o homem faz mau uso dos poderes entregues em suas mãos para que, livremente experimentando, possa evolver, e o faz para atingir somente o seu próprio gozo egoístico, então, aquela inteligência da Natureza revolta-se, porque a sua sabedoria quer que a lei não seja violada.

E de fato, é exatamente isso o que está acontecendo, e somente assim é que podemos explicá-lo. A ciência acabou assim por construir com a bomba atômica o meio para destruir a humanidade. Isto vem nos provar que a orientação materialista de nosso tempo nos deu uma ciência errada desde o começo e que, por conseguinte, não podia chegar a outras conclusões. Aquela orientação é o micróbio do egoísmo, que é o câncer do destrucionismo. A vida, vendo que estava sendo traída sua finalidade mais importante, que é aquela de evolver, revolta-se e destrói tudo o que a impede neste caminho.

O homem deve compreender que ele se acha perante uma inteligência e uma lógica que tem as leis invioláveis. A Natureza não quer o tipo biológico do homem que está engordando no bem estar, servido pela máquina. A Natureza logo que atinge um bem estar de sobra, o utiliza para acrescer a população de modo que ele produza fruto não como gozo, mas para dar a vida a um número maior de seres. Ou por outro modo, desencadeia guerras e revoluções, para que aquele bem estar sirva para destruir o velho e reconstruir o novo, evolvendo. A Natureza quer que o homem cumpra o trabalho do seu próprio progresso. É por isso que, hoje que ele quer fazer uso errado dos segredos que arrancou à Natureza, esta destrói os frutos de tais descobertas, exterminando a humanidade que as tem feito, e infligindo-lhe uma lição tão poderosa, que volte ao caminho certo e não mais deseje iniciar novamente semelhantes aventuras. Assim se explica como a ciência moderna, pela razão de que ela foi posta ao serviço do egoísmo, que tudo quer explorar para seu gozo e sem mais altos fins espirituais e morais, chegou a produzir, como resultado seu, somente o fruto da destruição.

Isto nos prova claro que para a vida são da maior importância, os valores morais. Descuidar deles significa errar nos seus pontos mais fundamentais, e ter por isso depois que pagar até o último ceitil. Acontece assim que a vida se revolta e procura, com a sua sabedoria, destruir o que se desenvolve negativamente, no sentido retrógrado aos valores do Espírito, como é o estabelecer-se um bem-estar material a cargo da evolução, que na nossa fase, primeiro deve ser espiritual. Então a sabedoria da vida, para nosso bem, nos impede o passo e nos pára no caminho errado. Aqui a Natureza opera como nas doenças físicas: procura isolar circunscrevendo a zona infectada e, se não consegue, destrói o doente para que ele recomece a vida num outro organismo.

Entretanto, ainda antes de chegar a estas últimas conseqüências, o homem já se arrisca ser dominado pela máquina.

Ele corre o perigo de que este novo ser criado com suas próprias mãos, tome predomínio sobre ele, não como simples simbiose de conviventes, mas a máquina como dona e o homem como seu criado. Isto porque o homem quer fazer dela somente um meio a serviço da própria preguiça, abdicando ao mando diretor do seu «eu» espiritual superior. A diferença parece sutil, mas é profunda. O Homem quer ser dono da máquina. Mas o dono não deve ser o «eu» inferior, material, egoísta, e involuído do homem, mas sim o seu Espírito, para atingir fins espirituais superiores. Diferença cheia de conseqüências, porque, se não fizermos assim, o instrumento máquina, em lugar de criado, revoltar-se-à contra seu dono que o criou, e que não sabe dominá-lo para os fins a que se destinou e que a vida exige. A máquina acabará, assim por escravizar a ela mesma o dono que abdicou aos seus poderes de direção. E que acontece quando numa casa o chefe não dirige mais e então aparece o criado para substituí-lo nas funções diretivas? Dá-se então uma degradação, um retrocesso até o inferior plano evolutivo do criado, que assim nivela tudo na própria inferioridade. Esta é uma lei da vida, isto é, que quando quem está mais no alto se enfraquece, os inferiores surgem para mandar.

Então, como o criado torna-se patrão e este criado daquele, assim o instrumento torna-se diretor e este o seu instrumento. Se o homem não souber reagir dominando espiritualmente os seus novos poderes, ele ficará preso às suas novas exigências mecânicas e, tanto mais ele se deixe prender, tanto menos será para ele possível desprender-se e voltar a ser o senhor.

A máquina é uma criatura que parece viva, mas que é cega, e com a mesma indiferença, tanto nos protege a vida, como pode nos dar a morte.

Repete ela e multiplica o impulso recebido pela vontade e inteligência do homem, mas nada inicia por si própria. Nada possui da consciência espiritual do homem, é amoral e pode fazer indiferentemente o bem ou o mal, conforme o impulso que o homem lhe der. A máquina sozinha não sabe manter-se viva, não tem assimilação ou recâmbio, mas somente a autonomia que lhe foi dada pelo impulso recebido e, esgotado este, ela pára. Quando pelo funcionamento ela restitui todo o alento animador que recebeu do homem, volta a ser o que ela era antes: matéria morta, inerte. A máquina não evolve. Se bem dirigida, ela pode representar uma ajuda à evolução humana: se mal dirigida pode ser um empecilho. A máquina não é vida e não ascende sozinha. Ela é só um espelho da inteligência do homem que lhe deu a vida. Ele pode fazê-la funcionar em harmonia com a ordem universal e então a vida a sustentará. Mas o homem, que é livre, poderá fazê-la funcionar também contra esta ordem e então a vida destruirá a máquina. No primeiro caso temos tantos instrumentos úteis: o carro, o avião, o rádio, etc. No segundo, temos as máquinas de guerra e em primeiro plano a bomba de hidrogênio.

A conclusão destas afirmações é que, pela sua própria natureza, a nossa civilização mecânica sempre mais propende para a supressão dos valores morais que ao contrário deveriam ser os dirigentes, e tende a regredir por conseguinte à auto-destruição, porque a vida elimina tudo o que opera contra ela. Eis como se explica que numa hora assim apocalíptica, presenciemos a uma fatal derrocada espiritual e moral, neste terreno das funções diretivas. Eis porque, hoje, a humanidade mostra uma tão grande inconsciência.

Perante tão terríveis perspectivas, o homem prefere continuar com seus ridículos e velhos jogos: aturdir-se nos gozos para esquecer, amontoar dinheiro, tornar-se politicamente poderoso, fabricar armas. Velhos expedientes que não salvaram a humanidade, que não impediram o desencadeamento da tempestade nas horas trágicas das grandes voltas da história. Tudo será inútil. Ficará somente uma defesa: ser conforme à Lei, isto é, ser justos.

Isto porque, como fala a sobredita mensagem: «não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos.»

Agora no plano universal, exposto neste quadro, deve aplicar-se a nossa ação positiva neste nosso tempo. Entramos no terreno prático.

A maioria humana, atéia na substância, está misturada com uma minoria de crentes. Aparentemente, entretanto, os homens estão agrupados de outro modo, isto é, por religiões, seitas, crenças, fés etc. No nosso mundo, repara-se muito nestas distinções exteriores, porque elas encerram interesses humanos e pouco se dá atenção à sobredita distinção de substância, isto é, em serem justos ou não. A muitos interessa declarar-se membros dum dado grupo, porque aí acham defesa e vantagens. A poucos interessa conhecer a verdade e vivê-la honestamente.

Acontece, entretanto, que cada grupo está ocupado em lutar contra o grupo vizinho, sob a bandeira duma sua verdade particular, sem interessar-se por ela em si mesma, mas somente como meio de luta para obter vantagem da própria supremacia terrena; assim poucos preocupam-se da outra distinção de substância e não de forma, isto é, não de grupo, mas de justiça e retidão.

O erro está em cuidar do menos importante, sem olhar para o que é o mais urgente e necessário.

As leis da vida que toleram este erro desde séculos, na atual volta histórica, exigem que ele seja corrigido, impondo o triunfo dos valores substanciais. É assim que a hora histórica chegou e os tempos estão amadurecidos, porque o limite da suportação, permitido pela elasticidade da Lei, foi superado. Eis então que no momento em que o cataclisma apocalíptico está pronto para desencadear-se sobre o mundo, poucos pensam substancialmente em defender-se; ou pelo menos fazem isso duma maneira leviana e em vão. Amontoar riquezas, poderes, armas, será inútil, nada adiantará. E poucos pensam no nosso mundo que está para ruir, que a única maneira para salvar-se é ser honestos. E a punição e a sua justiça, porque isto foi merecido, está exatamente na incapacidade de compreender que este é o único caminho para a salvação. Esta incapacidade chega justamente, porque aqueles que não o merecem, não devem ser salvos.

Que se pode fazer então? Dirigir-se a esta ou aquela religião ou grupo, é inútil. Aqui não se trata de defender os interesses duma particular organização humana, para uma supremacia de grupo, o que não adianta neste grave momento histórico, perante tão universais ameaças. Dirigir-se a este ou aquele grupo, quereria dizer fechar-se juntos com honestos e desonestos naquele grupo, numa verdade particular a ele, esquecendo as universais leis da vida e a positiva e férrea realidade biológica. A hora é trágica e não há tempo a perder.

Aqui urge fazer um trabalho completamente diferente: não um trabalho para atingir supremacias de grupos ou vitória sobre o próximo, mas de salvação. Certo que cada um procurará salvar-se como melhor puder compreender e fazer.

Mas, somente quem conhece a Lei, a hora histórica e os imponderáveis agora em ação, conhecerá como salvar-se, porque só ele saberá como operar inteligentemente e oportunamente.

É justo que, em virtude da incapacidade em compreender, fiquem os rebeldes sujeitos à ordem divina e que assim eles como merecem, não sejam salvos. Por outro lado Deus iluminará os justos que lutaram e sofreram por Ele, para que nele sejam salvos.

Prepara-se hoje, destarte, fatalmente, a seleção, anunciada em 1931 na primeira mensagem da Sua Voz. Assim os justos de qualquer religião ou raça estarão de um lado, e os injustos, do outro. Isto porque a hora chegou em que os involuídos serão expulsos para ambientes extra terrestres para eles proporcionados e adaptados, onde eles possam viver de acordo com seu baixo nível de vida, e assim libertar o planeta de sua imunda presença, porque este deve, de agora em diante, progredir para tornar-se a pátria duma humanidade mais evoluída.

Depois de termos esclarecidos estes princípios gerais, o problema agora é o da sua atuação prática. Que deveríamos então fazer? Constituirmo-nos representantes do Alto, quer dizer, tomar sobre nós mesmos, poder e autoridade que podem ser entendidos como conquista de domínio pessoal, no regime humano da luta pela vida, provoca no instinto dos excluídos a rebeldia. Abre-se, então, o caminho das rivalidades e inimizades, sobretudo para quem já possui este domínio, conquistado e mantido através de muitas lutas, e que não quer perdê-lo. Assim aconteceu quando o Cristo afrontou os sacerdotes do seu tempo.

Nunca se pode esquecer que vivemos na Terra, num nível biológico perto da animalidade, onde predomina a lei da luta pela seleção do mais forte, e que esta lei fala poderosa nos instintos fundamentais da nossa vida e por conseguinte invade tudo, reaparecendo, mais ou menos oculta, não só no fundo de todas as nossas comuns manifestações humanas, como também, nas religiosas e espirituais. Por isso, para não provocar esta luta de auto-defesa, é preciso respeitar todas as autoridades terrenas e nunca procurar conquistar poder humano algum, que neste caso não interessa.

A salvação não se baseia sobre nenhuma força terrena, nem sobre algum dos meios de agressão e defesa atualmente usados e mais compreensíveis pelo homem. As armas devem ser interiores, aquelas da bondade e da justiça. No caminho desta salvação será o primeiro, e neste exército, será o melhor armado, aquele que tem mais bondade e menos da astúcia humana; aquele que for o mais justo o menos egoísta; o que possuir as bem-aventuranças do Discurso da Montanha, que afinal deverá tornar-se realidade vivida.

O primeiro trabalho a fazer é o de ajudarem-se uns aos outros, ajudar os justos a reconhecerem-se, encontrar-se, a reunir-se, sem discriminar raças ou religiões. Isto para constituir um primeiro núcleo de justos, prontos não somente a pregar, mas também a praticar o Evangelho; para formar um primeiro grupo daqueles que poderão ser salvos por tê-lo merecido com uma vida exemplar; para estabelecer um primeiro centro de atração para a constituição da nova civilização do III milênio. Tratar-se-ia, em outras palavras, de preparar, ante o quadro apocalíptico duma próxima destruição mundial, uma arca de salvação, para os tipos biológicos que, pelo index certo de inteligência, bondade e retidão, demonstrem ser mais evoluídos, e por isso adaptados para representar a elite de hoje e a semente dum futuro melhor.

Eles já existem hoje, mas estão escondidos, porque em geral, humildes, estão afastados e espalhados, estão subjugados pelos menos escrupulosos e mais prepotentes. Assim, a parte melhor da sociedade humana fica inutilizada e constitui o que está menos valorizado no mundo.

Mas apesar disso, o futuro deverá ser melhor e por isso deverá ser confiado aos melhores. Os homens práticos sorrirão céticos de tudo isso que, para eles que conhecem o mundo, é absoluta utopia. Mas é verdade também que o mundo construído por eles ameaça a cada momento desmoronar sobre eles mesmos e que ninguém tem o poder de parar o progresso fatal da vida. A história dos últimos tempos nos mostra quanto é fraca a sagacidade humana e como forças imponderáveis possam ter um incrível poder de destruição em todos os planos e aspectos humanos. E, se cada dia mais se revela que esta sagacidade não resolve, poderá também achar-se lógico que a vida, que não quer e não pode morrer, procure novos caminhos de salvação lá onde os velhos métodos fracassam, e aplique novas tentativas numa direção diferente, usando outros princípios.

Já tomamos conhecimento da hora histórica atual e do plano de Deus a respeito. Investigando por caminhos intuitivos, racionalmente controlados, foi mister concluir que acontecerá o que temos anunciado. Uma apocalíptica destruição está aproximando-se dentro desta segunda metade do nosso século. Fazer uma tentativa para salvar o que é possível, não pode ser condenável e representa um dever daqueles que compreenderam o momento histórico. É lógico também uma tentativa com princípios diferentes daqueles do mundo, que nada até agora conseguiram resolver. E fazer tudo isso baseando-se sobre regras mais amplas e poderosas, que estão contidas na lei que tudo regula, oferece maiores probabilidades de sucesso.

Nos conceitos gerais não há dúvida. Mas cada idéia, logo que chegar em contato com a realidade da vida, isto é, com as forças inferiores, encontra-se com dificuldades. Neste caso podem falir os homens que primeiro lançaram esta idéia. Os chamados podem não compreender ou não responder. Então a idéia renascerá em outra parte, com outros homens que serão chamados e assim por diante, até que ela se realize. Hoje esta oferta é feita pelo Alto ao Brasil. Se ele compreender, a salvação será primeiramente sua. Quem deseja ter uma missão, deve mostrar-se digno dela.

Cada conquista não pode ser atingida senão pelo nosso esforço. Se ainda não é possível conhecer antecipadamente o valor exato desta incógnita da equação, é possível porém conhecer os outros elementos, isto é, o que nos espera no amanhã, e nos resta o dever de tentar uma salvação pois a ajuda de Deus não faltará para aqueles que procurarem realizá-la. Restringimos agora ainda mais nossas vistas para melhor concretizar as idéias no terreno prático.

O estandarte é Cristo. O programa é o Evangelho. Os princípios são: imparcialidade e universalidade. Por isso procurar a verdade, antes de tudo feita de honestidade e bondade, reconhecendo-a onde quer que ela esteja e nunca condenando-a «a priori», só porque ela pertence a outros grupos. O fim é a unificação, não para constituir um poder central que se imponha, mas para formar um acordo entre pessoas diferentes também na fé e religião, mas que ficam unidas na simples filosofia da retidão, pelo liame que une todos os sinceros e honestos. Num mundo de guerras de todos os gêneros, de todos contra todos, a qualidade mais urgente a aprender é a aceitação de todos os pontos de vista também contrários, o absoluto respeito a toda idéia não prejudicial, respeito que se deve pelo fato de que um nosso semelhante a sustenta; aprender assim a arte da convivência, que constitui o alicerce da paz e da vida civilizada.

A conseqüência positiva está no ajudar-se fraternalmente, sobretudo na hora do perigo. Aquela negativa está no afastamento dos agressivos, intolerantes, polemistas, que possuem o instinto da luta pelo próprio domínio. Tudo isso representa o velho tipo biológico, que no novo milênio será eliminado. Deve-se ao contrário ajudar a nascer e, quando já existam, reunir e proteger os exemplares evoluídos, que serão os cidadãos do novo mundo. Estes, congregando-se e defendendo-se reciprocamente, poderão melhor atravessar o cataclisma e sobreviver. Assim o mundo de amanhã depois da destruição, achará não somente uma doutrina teórica nos livros, mas também um modelo de vida já por alguns vivido; uma semente pelo desenvolvimento de um novo tipo de civilização.

Hoje este tipo biológico parece, no nosso mundo social, estar condenado a ser eliminado. Talvez as novas gerações olharão com vergonha o homem atual, este antepassado deles que subjugava os bons, julgando-os fracos, o que somente respeitava a força, desprezando o homem de bem e justo. A vida quer subir a formas mais civilizadas e, para progredir, favorece, contra o obstáculo oferecido pelos involuídos que querem permanecer atrasados, quem luta para subir. E na vida está escrita a lei da evolução, que está na vontade e no pensamento de Deus. É preciso superar a fase atual de tolice, pela qual raciocina-se entre os povos matando-se, e o homem quer fazer do seu planeta um inferno. Ao velho mundo da animalidade, deve-se contrapor um mundo mais refinado de espiritualidade; à força bruta, deve-se contrapor a mais poderosa força da inteligência e da bondade, sustentada pelos recursos do mundo espiritual que, por quem os conhece e sabe aplicá-los, não são utopia.

Chegou a hora de cumprir esta grande obra. Ela é demasiado gigantesca para que um homem sozinho possa cumpri-la. Mas poderão realizá-la unidos os bons, com a ajuda de Deus. Terá direito à salvação quem quiser trabalhar neste sentido, colaborando com a vida, no seu esforço para construir um homem mais evoluído; ajudando-o a superar a sua atávica ferocidade e a estupidez da lei animal da luta e seleção do mais prepotente, para chegar a uma lei mais alta na qual o melhor que se deve selecionar, é o mais justo, o homem da unidade orgânica da humanidade, e não o individualista egoísta, desagregador de toda sociedade.

Estes homens evoluídos, que não brigam para dominar, e que não condenam também em nome de Deus, mas que vencem o mal com a não-resistência, que é a estratégia do imponderável, proclamada pelo Evangelho, mas hoje desconhecida no mundo, estes homens de todas as partes surgirão e reconhecer-se-ão uns aos outros. Que eles, uns aos outros, abram os braços fraternalmente. O passaporte para entrar nesta nova terra do futuro está escrito com singelas palavras de honestidade na alma de cada um, que podem ser lidas na testa e nos olhos, que não podem mentir. Quem neste terreno procura enganar, engana a si mesmo.

Este é o plano de trabalho para os homens de boa vontade, quaisquer que eles sejam.

Repetimos que este plano é demasiado grande para ser confiado às forças humanas. E de fato é assim. Mas isto não nos autoriza a ficar preguiçosos. Mas aqui, quem guia, serão sobretudo as leis da vida, às quais subordinados estarão aqueles homens, que saberão interpretá-las, não pretendendo eles dirigir e mandar, mas tornando-se humildes e obedientes instrumentos da vontade de Deus. Por isso eles não dirigem ou mandam, mas obedecem; não planejam, mas fazem parte dum plano. É lógico que um trabalho desta magnitude, não possa ser dirigido e sustentado senão pelo pensamento e vontade de Deus.

Concluímos com as palavras da sobredita Mensagem do Natal de 1931, de «Sua Voz»: «Depois disso, a humanidade, purificada, mais leve, mais selecionada por haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio; e retomará, renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará: o Espírito terá o domínio e não mais a matéria, que será reduzida ao cativeiro. Então, aprendereis a ver-nos e escutar-nos; desceremos em multidão e conhecereis a Verdade.»


O APOCALIPSE

03

(1ª Parte)

Nos capítulos precedentes observamos nosso mundo atual e o caminho da história no sentido analítico, olhando os acontecimentos no pormenor e de perto. Agora dilata-se nossa visão em campos mais vastos. Ou seja, observemos o caminho da história em suas grandes linhas mestras. Contemplaremos quadros mais vastos, em que permanecerão situados e orientados os menores e mais próximos dos capítulos precedentes. Caminharemos, assim, por etapas, partindo das coisas pequenas e vizinhas para as grandes e remotas, a fim de iluminar cada vez mais o argumento, contemplado dessa forma e sempre de diversos mirantes.

Os capítulos anteriores terminam apoiando-se no conceito da nova civilização do terceiro milênio. É nesse conceito, a cujas portas nos levaram aqueles capítulos, que se dilata nossa visão. Nossa precedente pesquisa histórica enriquece-se agora de novos elementos, até tornar-se a imensa orquestração cósmica, em que se agitam os destinos do mundo, a ruína e o renascimento da civilização e a luta apocalíptica entre o bem e o mal. E quanto mais virmos as coisas em suas grandes linhas, tanto mais veremos nelas presente e operante aquele pensamento divino, que afirmamos ser o princípio diretivo que preside ao desenvolvimento da história. Assim, acharemos neste capítulo e nos seguintes, sempre novas confirmações dos princípios que dirigiram nossa pesquisa nos anteriores.

As observações feitas até aqui, levaram-nos a concluir pelo advento de uma nova civilização, a cuja preparação tende toda a obra presente. Procuraremos aqui cada vez mais explicar e aprofundar este conceito, que parece utopia. Observá-lo-emos agora, entretanto, não como nos capítulos precedentes, em sua atual preparação histórica, nem, como no volume sobre a «Nova Civilização», em seu conteúdo e em seus princípios diretivos, mas no pensamento profético, captado e transmitido a nós pelas grandes antenas humanas que antecipam o futuro. Procuraremos assim, na intuição alheia, a confirmação da nossa, pedindo luzes a todos, para confirmar mais ainda nossa certeza. Interrogaremos, por isso, o Apocalipse e outras profecias, mais antigas como a de Daniel e mais recentes, como as de Malaquias e Nostradamus, auscultando também a astrologia e a voz das Pirâmides do Egito, para ver se todos concordam conosco, a respeito da proximidade do grande acontecimento da Nova Civilização do Terceiro Milênio.

O primeiro problema que se nos defronta, ao penetrarmos no mundo das profecias, é o da possibilidade lógica da previsão do futuro. Será verdadeiramente possível conhecê-lo antecipadamente e como? Nossa tarefa consiste em explicar tudo, porque temos que admitir que é muito mais sólido o conhecimento dos fenômenos racionalmente demonstrados, e também porque este é o melhor meio para fazer neles um exame analítico. Ora, é logicamente possível prever o futuro. Vejamos as razões. Elas não faltam no sistema até agora seguido nestes volumes.

Já explicamos alhures (no volume: «Problemas do Futuro», cap. XI, «Livre Arbítrio e Determinismo», e no volume: «Deus e Universo») que a liberdade de escolha só pode existir num estado de imperfeição e ignorância, como é o humano, ao passo que nos planos superiores da perfeição e da sabedoria, essa incerteza de oscilações em busca do melhor caminho, não tem mais razão de existir. É isto um absurdo, dado que o melhor é imediatamente alcançado, pois já é conhecido e não há mais necessidade de experiências para evolver. Há dois mundos: o relativo e o absoluto, opostos, o primeiro oscilando na incerteza, em que se não pode prever o amanhã, e o segundo perfeito e portanto determinístico, em que tudo é sempre visível e previsível. Há conceitos e atitudes psicológicas que aceitamos como axiomáticos, porque eles são naturais em nós. No entanto, se eles são parte integrante de nosso mundo e de nossa psique, perdem seu valor logo que saiamos dele. Em outros termos, os conceitos do relativo, segundo o qual está plasmada nossa atual mente e natureza, não valem mais no reino do absoluto. Este, por sua vez, pelo fato de que só pode ser perfeito, só pode ser, portanto, determinístico.

Nota do autor: Aqui, o Sr Pietro Ubaldi refere-se a capítulos do seu livro “Profecias”. Não disponibilizamos os outros capítulos por fazerem parte de um extenso livro, onde retiramos somente o que nos interessou. Iremos disponibilizar o livro “Profecia” em sua íntegra no mesmo ícone “Os Tempos São Chegados”

Estabelecida esta qualidade determinística do absoluto, imposta pela lógica, teremos que admitir, como conseqüência necessária de sua perfeição — qualidade de que não pode prescindir — que naquele plano tudo é previsível. Mas o é também por outro motivo. O absoluto, como vimos no volume «Deus e Universo», após a queda do sistema, decaiu na dimensão tempo, em que o estado imóvel de existir se transforma numa série de momentos sucessivos, tomados na corrida do tornar-se, para que se realize o caminho da evolução. O absoluto não fica cindido pelo tempo que passa, mas simplesmente «é», sem tornar-se, livre da concatenação:...causa-efeito, efeito-causa..... Então, ele é totalmente concomitante, todo presente, todo visível. Nossa divisão entre passado, presente e futuro é apenas uma posição relativa a nós, dada pelo transformismo, condição necessária da evolução que é a nossa lei.

Para fazer compreender melhor como se mova o homem num mundo de conceitos filhos do relativo e próprios apenas às suas condições, mas que não valem mais se sairmos delas, observemos também a relatividade do conceito do nada. Ele só tem valor em relação às nossas posições e se dissipa quando estas são superadas. Até o fato de que, em nosso plano, sua concepção só seja possível como um contraste entre o ser e o não-ser, prova que ele é o resultado de uma cisão da unidade originária, é um efeito da queda. No absoluto, estes conceitos relativos não cabem, e tudo simplesmente «é». Aí, tudo é unidade e o conceito do nada só pode aparecer no dualismo, efeito da queda, pelo que tudo só pode existir na forma do ser ou do não-ser, ou seja, apenas perceptível como contraposição ao seu contrário. A negação em oposição à afirmação nasceu com a revolta, pois que em Deus não pode haver negação, no absoluto não há possibilidade do não-ser, do nascer e morrer, do vir-a-existir por criação, o que é um conceito relativo, e que só pode significar transformação de um estado precedente, o qual, por ser diferente em relação ao novo, se chama o nada. Eis aí então, que o nada é outro conceito que só vale para a nossa relatividade e que desaparece no absurdo, logo que se supere esta posição. No fim do caminho evolutivo, com o regresso do ser a Deus, vimos no volume «Deus e Universo» que o não-ser será reabsorvido no ser, o dualismo na unidade, o nada desaparecerá, assim como o tempo, a concatenação .... causa-efeito, efeito-causa...., a sucessão dos acontecimentos, a incerteza da escolha, nosso mundo do relativo. Mas, este universo não quebrado, no estado integral, uno, em que tudo é coexistente e presente, sem tempo, sem o nada, perfeito e determinístico, já existe acima do nosso, à espera de ser reunido a ele, uma vez terminado o caminho evolutivo.

Ora, quando mais o ser se avizinha, pela evolução, a esse estado de reintegração no estado originário, mais seu modo de existir se identificará a esse estado, que tem todas as qualidades que vimos. Para o problema que nos pusemos, interessam primordialmente as da contemporaneidade e do determinismo. Os termos do problema são dois: de um lado um plano superior do ser, em que essas qualidades são realidade; do outro, um plano inferior, em que elas não são realidade, mas que, entretanto, tem possibilidade de aproximar-se delas por evolução. A solução do problema da previsão do futuro está justamente nessa possibilidade, pela qual o ser pode aproximar-se, por evolução, das zonas superiores de unidade, concomitância e determinismo, porque em tais zonas o futuro é presente, e sempre acontece só uma coisa: a melhor, e nada mais pode acontecer.

Não se diga que os dois mundos são separados e estranhos. As qualidades do sistema perfeito permaneceram no âmago do que é imperfeito, o mundo superior, ainda que se corrompendo, projeta-se no inferior, e esses continuaram comunicando-se. Só por isso é possível que o segundo se possa purificar, até voltar à perfeição de origem. No universo decaído, Deus permaneceu em seu aspecto imanente. Se a evolução é uma realidade, e significa passagem de um plano inferior a um mais alto, isto quer dizer que eles estão conexos. Assim a estrada para atingir a previsão do futuro está traçada, o que significa o fenômeno é possível. Só precisa de um elemento: o homem evoluído, ou seja, aperfeiçoado tanto psíquica como espiritualmente, que saiba pensar não só pelos meios racionais normais, como também pela inspiração e intuição, e possa assim perceber os planos mais altos, acima do normal relativo. E os profetas representam justamente esse tipo biológico de antenas sensibilizadas pela evolução. Os verdadeiros profetas são também gênios e Santos.

Na profecia, o homem se aproxima das esferas superiores, em que não há tempo e que, por sua perfeição, são naturalmente determinísticas. E onde não existe o tempo, tudo é presente e os acontecimentos não aparecem cindidos na sucessão que os devora, ligados por uma cadeia de causalidades; onde tudo é determinístico, o futuro não pode ser um mistério. É assim que a profecia é possível, porque quanto mais se sobe para o ápice e para a unificação, tanto mais se pensa e se obra com perfeição, isto é, deterministicamente.

A profecia é, portanto, logicamente possível e é um ato de inspiração. Quanto mais ascendemos para as grandes linhas da história e menos elas obedecem ao capricho humano, porque mais nos avizinhamos dos grandes planos da Lei e mais ela ordena e se manifesta evidente em sua natureza, que é determinística. Para perceber melhor, referir-nos-emos a um fenômeno paralelo, conhecido também na física molecular. O movimento de cada uma das moléculas num gás não pode prever-se, porque é livre e irregular. Podem mover-se devagar ou rapidamente em qualquer direção. Mas o choque de bilhões de moléculas de gás, contra determinada superfície, produz um impulso constante que obedece as leis simples bem definidas. Num universo dirigido por uma lei única e unitária, é lógico que ocorra a mesma coisa com os seres vivos; e assim no-lo mostram, com efeito, as estatísticas. As ações de cada homem são livres e irregulares, e portanto não podem ser previstas. Mas a conduta de grande número deles, por longos períodos de tempo, representa um fenômeno de massa, completamente diferente, e obedece a leis bem definidas, e, portanto pode ser conhecido antecipadamente, desde que conheçamos aquelas leis. Não fora isso verdade, ao menos com certa aproximação, e não poderiam existir e funcionar as Companhias de Seguro.

Outra referência. A liberdade de cada homem pode comparar-se à dos peixes, de mover-se nas águas de um rio. Quando pudermos conhecer o caminho do rio, o que corresponde a leis simples, saberemos também o caminho obrigatório de todos os peixes livres que estão lá dentro. Então, quanto mais nos afastarmos do pormenor e de uma visão analítica das coisas, ou seja, quanto mais concebermos por sínteses, que é o processo da intuição, e tanto mais nos aproximaremos do determinismo da Lei, e tanto mais inspirado é o profeta, melhor poderá perceber as linhas da história, a natureza e os movimentos da grande onda que carreia homens e acontecimentos.

A liberdade do indivíduo é uma oscilação menor que permanece, e que ele sente como livre arbítrio, e o é; mas, na multidão, desaparece, para dar lugar a uma lei diferente, maior, universal e de síntese, lei que o indivíduo, imerso na análise e no pormenor, vendo apenas a si mesmo, não percebe, mas que o profeta, com olhos de longo alcance, vê, e dessa forma pode prever os acontecimentos. Ele descuida da oscilação menor, que faz parte apenas da observação microscópica dos indivíduos, e que lhes é indispensável para sua experiência e suas conseqüências evolutivas. Por isso o profeta se mantém, com observação macroscópica de síntese, nas altas zonas das grandes linhas dos acontecimentos históricos porque, quanto mais descer e se avizinhar ao contingente dos pormenores, tanto mais lhe escapará o determinismo da Lei e mais estará sujeito ao arbítrio do indivíduo, numa zona imprevisível. Daí deriva o fato de que a profecia nos aparece como algo que desce de outros planos, o que leva a uma deslocação de mirantes e de valores, que desorienta a psicologia normal, que está ávida, ao contrário, de elementos particulares e positivos, próprios especialmente ao seu mundo. Assim se explica porque também pode acontecer que, na visão permitida pela contemporaneidade dos planos superiores, às vezes se misture, como no Apocalipse, a normal sucessão dos acontecimentos, que depois se projetarão na Terra em forma de sucessão no tempo. É por isso que, nas profecias, falta com freqüência, a precisão do tempo, que é a que mais gostaríamos de saber. Por isso é que mais emergem, ao invés, elementos morais, porque no plano de que descem as profecias, elas são fundamentais, e as profecias descem para transmiti-las ao nosso plano. Assim, seu objetivo é de converter ao bem, mais do que de satisfazer nossa curiosidade ou de fazer-nos organizar defesas contra reações merecidas, e portanto necessárias.

Se são essas as características da profecia, o problema de sua função é outro, quando a visão desce à Terra e é comunicada aos homens. Sua tarefa aqui é de avisar, para que os maus se encaminhem para o bem e para que os bons aí permaneçam com fé e paciência. O alvo das profecias na Terra é de indicar o cumprimento da Lei e de convidar o homem a segui-la de bom ânimo, se não quiser sofrer tremendos desastres. É natural, pois, que essas profecias se recusem à exploração que o homem quer fazer, ou seja, não querem fornecer informações e revelar o futuro, para que seja utilizado esse conhecimento apenas não para o bem, mas contra o bem, isto é, para fazer a própria vontade e ter bom êxito nos próprios intentos e até na guerra contra Deus. Das profecias, então, não devemos esperar o que elas não podem nem devem dar-nos, ou seja, informações para dominar os acontecimentos, para escapar ao determinismo da Lei que deve premiar-nos ou punir-nos como merecemos. Por isso, se uma profecia tiver que dizer: «acontecerá isto ou aquilo», procurará logo retrair-se, cobrindo-se de véus, porque, se deve e quer avisar, deve ao mesmo tempo impedir que as forças do mal que, porque involuídas, são ignorantes, o saibam e disso se aproveitem, para organizar melhor suas batalhas contra o bem. É natural assim que muitos fiquem desiludidos pelas profecias e se desinteressem delas. Mas as profecias não querem mesmo dizer tudo o que o homem, ao invés, desejara; elas recusam-se a ser exploradas pelo mal; estão já prevenidas para impedir este mau uso que delas se desejaria fazer. Às forças do mal que espiam essas luzes caídas do Céu, para descobrir os desígnios divinos só para melhor enganá-los, escapar deles ou contrastá-los, respondem as profecias: «não, nada sabereis». Tudo o que do Céu cai na Terra tem que estar prevenido contra o mau uso que em nosso mundo se consegue fazer de tudo.

Quantos olhos espiam, quantos ouvidos tentam escutar estas intuições do futuro! Que vantagem poder conhecê-lo por antecipação, para defender-se melhor! Ouvem-nas os bons, para ter coragem e perseverar, mas escutam-nas também os levianos, por curiosidade, e as escutam, sobretudo os maus, para reforçar-se no mal.

Ora, vimos que, no alto, nas grandes linhas, o futuro é determinístico, e, portanto não deve ser embaraçado em sua atuação pelo pequeno poder da liberdade humana que tem fim completamente diverso: isto é, experimentar e estabelecer as responsabilidades, porque as ações entram no campo da fatalidade e do destino logo que livremente realizadas. Quem interroga as profecias só para saber o futuro, e então pôr-se a lutar contra a Lei, deveria antes que interrogar a si mesmo, para ver qual sua posição diante da Lei, a posição que ele livremente quis tomar, com suas obras. Quando a profecia desce à Terra, trazendo consigo as notícias de outro mundo, ela vem chocar-se com uma realidade totalmente diversa. Então, o estado determinístico dos planos superiores, situados acima do futuro ou transformismo evolucionista, entra em contacto com aquele estado de incerteza da escolha que nós chamamos livre arbítrio. Neste ponto, o problema filosófico do contraste entre o livre arbítrio e o determinismo, torna-se vivo, atual, porque é o contacto real entre duas forças e posições opostas. E se já resolvemos, teoricamente e em linhas gerais (veja «Problemas do Futuro», cap. XI, «Livre Arbítrio e Determinismo»), esse problema, agora o argumento das profecias oferece-nos uma confirmação e aplicação do mesmo.

Tudo está enquadrado dentro de limites. O homem, que gostaria de conhecer os acontecimentos para modificá-los, deveria ao invés compreender que seu modo de ser, sua forma particular de vida, baseada na chamada liberdade, não pode alcançar os Céus, reino das profecias; deveria compreender que sua liberdade não pode ultrapassar os confins do campo humano de ação, não pode ultrapassar o limite e entrar no campo da Lei, onde reina o determinismo do absoluto. Os dois campos são diferentes: num domina o desenrolar-se obrigatório das grandes linhas, no outro a incerteza da pequena oscilação do livre arbítrio humano. Um campo não pode entrar no outro, embora nas profecias cheguem a tocar-se; mais até, o mais alto penetra no inferior, e a este é concedido olhar aquele. Cada um dos dois campos tem que ficar com suas leis. Assim, uma profecia muito exata e evidente, seja em relação ao futuro próximo ou longínquo, viria alterar a liberdade humana, introduzindo nela novos elementos de decisão e perturbando o cálculo das responsabilidades. A profecia não tem o objetivo de tranqüilizar-nos para que possamos entregar-nos melhor às nossas comodidades, e para poupar-nos o esforço de vigiar e estar prontos, agindo sempre bem. Assim se explica aquela linguagem sibilina, com que a profecia parece que gosta de esconder seu pensamento, justamente aí onde mais se desejaria saber. Dessa forma, se se anuncia como certo um acontecimento, esconde-se o tempo de sua realização, e tudo fica encoberto num simbolismo de difícil interpretação.

Após haver compreendido, nas linhas gerais, o significado e a natureza do ato profético, ocupemo-nos, agora, do Apocalipse. A interpretação do simbolismo com que se exprime esse grande livro, tentou muitas mentes, algumas delas movidas pela curiosidade e pela mentalidade de adivinho. É natural, então, que elas se tenham perdido no emaranhamento dos pormenores, ou tenham chegado às interpretações mais contraditórias, produzindo apenas discordantes círculos viciosos de fantasia. É inútil querer enfrentar esse livro sem antes ter conhecido e resolvido os grandes problemas da vida e da história; não resolve enfrentá-lo com olhos míopes, diretamente, por análises, sem saber antes olhar de longe, bem orientados pela visão panorâmica de síntese. A interpretação do Apocalipse não pode ser jogo de adivinhos, mas só trabalho de intuição e ao mesmo tempo raciocínio filosófico profundo.

Muitas interpretações foram feitas com objetivo preconcebido, de modo que, ao invés de representar obra de pesquisa, representam uma tentativa de servir-se da autoridade desse livro, para fazê-lo pronunciar, e assim valorizar, a condenação dos próprios inimigos, para provar a bondade de causa do próprio grupo e a segurança de seu triunfo. As demonstrações e conclusões mais opostas são obtidas dessa maneira, com a mesma precisão de cálculos e surpreendente coincidência de fatos. Ora, é certo que o Apocalipse não foi escrito como serviço particular de ninguém, nem para alimentar antagonismos de um grupo contra outros. Ao contrário, poderemos dizer que, dado seu caráter universal, quanto mais impessoal for sua interpretação, tanto mais terá probabilidade de aproximar-se da verdade.

Procuraremos, então, fazer aqui uma pesquisa lógica do Apocalipse, observando como seu pensamento concorda com o pensamento da Lei de Deus, dirigente da vida e da história, orientando-nos com os princípios gerais dessa Lei, que foram até expostos nestes volumes. A pesquisa será imparcial, porque não temos teses particulares a defender para o triunfo ou justificação de ninguém. Nosso único interesse é compreender a hora histórica atual e seus futuros desenvolvimentos, para poder delinear a aproximação e a natureza da nova civilização do terceiro milênio. Por isso, pediremos apoio também a outras profecias, para que a concordância das vozes mais diversas, mesmo daquelas escritas sobre os restos das mais antigas civilizações, possa ser uma confirmação positiva de nossas intuições passadas. Pedimos a todas essas fontes uma ajuda, para compreender o presente momento histórico, gigantesco e tremendo, e com isso a sorte do mundo. Procuraremos, então, entender o simbolismo dessas profecias em termos claros de psicologia moderna, mesmo limitando-nos às linhas gerais, se esta é a condição de maior certeza.

Basta-nos, aliás, uma visão de conjunto, mas bem consolidada, pois nada mais queremos, e seria imprudente pedi-lo, pois haveria o perigo de tentar ser adivinho e cair no fantástico. Enfim, ajudar-nos-emos com o raciocínio, apoiar-nos-emos na lógica do sistema e na própria inspiração que no-lo deu. Procuraremos, com estes meios, coordenados para o assalto ao mistério, chegar à visão mais demonstrada o exata possível, do futuro que nos aguarda a todos. É nosso dever indagá-lo, é necessário conhecê-lo, para preparar-nos melhor para ele, bem longe de qualquer sentimento de vã curiosidade.

Outro motivo ainda levou-nos a aproximar-nos do Apocalipse, e o fizemos após terminar a primeira série dos volumes, após haver aí exposto e demonstrado o sistema, e justamente porque não só o Apocalipse se enquadra perfeitamente nele, mas também porque o confirma plenamente, dando-nos uma nova prova de sua verdade. Achamos no Apocalipse o princípio da liberdade e da responsabilidade. Daí a sanção final, conseqüência do segundo princípio, após a longa luta, que é a conseqüência do primeiro. Mostra-nos o Apocalipse que o caos é transitório, e que no âmago dele está a ordem de Deus, em quem tudo tem que acabar, resolvendo-se nEle. Mostra-nos como funciona a Lei em sua reação, que é elástica e explode irrefreável, só depois de longa paciência. Mostra-nos a ignorância do mal que tripudia, acreditando-se vencedor, conquanto seja apenas tolerado pela grande bondade de Deus. Mas assim, é dado a todos, tempo para assumir livremente as próprias responsabilidades, que são as únicas que podem justificar, depois, a inexorabilidade da sanção. Há proporção entre esta dura inexorabilidade e a longa espera, cumulada prodigamente de boas ocasiões e advertências, para voltar ao bom caminho. É dado tempo, assim, ao mal, para desempenhar suas funções destrutivas a serviço do bem, para a vitória deste e para a prova purificadora dos bons.

Indica-nos o Apocalipse que na Lei há um princípio de equilíbrio que estabelece um limite ao mal, controla seu desenvolvimento e o detém quando a medida está esgotada. Esta profecia faz-nos assistir a esse lento esgotamento de medidas, enquanto Deus olha sem pressa, pois os artífices do mal não podem escapar à justiça que põe tudo em ordem. Lendo-o, sentimos a cada passo o inútil esforço dos rebeldes e a inexorabilidade do destino, que é a Lei nas mãos de Deus. As águas sobem, sobem afogando tudo, os bons de pouca fé tremem aterrorizados, os maus gritam vitória, e os olhos de Deus estão abertos sobre tudo e vêem. Mas quem tem fé, quem sabe, porque conheceu a Lei de Deus, não teme e espera. Tudo é jogo de ilusões da nossa dimensão tempo, tudo escapa no irreal, amarrado nesta sua corrida a um presente que jamais se detém. E as forças do mal em vão se agarram às crinas desse cavalo em fuga, porque nenhum edifício estável pode construir-se, correndo sobre as areias movediças do transformismo da evolução, mas só na zona alta do Espírito, onde as tempestades do tempo se acalmam, em mais elevadas dimensões. O mal porém é força decaída, repele e renega o Espírito, permanecendo desesperadamente preso à matéria e à sua forma. Traz assim, em si mesmo, com sua própria natureza, a sua própria condenação, como ele mesmo a quis.

O Apocalipse faz-nos ver o lento amadurecimento subterrâneo dos grandes fenômenos cósmicos, descobrindo-lhes as origens até no campo moral e mostrando-nos assim a unidade do todo, em que todos os fenômenos estão coligados nos mesmos princípios. Num perfeito jogo de equilíbrios, acumulam-se em silêncio os impulsos reativos, e sobem, sobem, até a explosão final, que é ao mesmo tempo o resultado de um cálculo de forças e um ato de justiça, fenômeno físico de elementos desencadeados, e fenômeno moral de punição dos culpados, terrificante fim de um mundo e afirmação do reino do Espírito, desespero de morte para os maus e vitória de vida para os bons. O mal avança afoito entre os olhares amedrontados dos bons e as forças reativas acumulam-se em seu seio, o corroem, minam-no e o esgotam até fazê-lo ruir. Confortem-se os bons, porque se tudo isso ocorre sem ser visto, e se aos ouvidos físicos só chegam os gritos de vitória dos maus, esta atividade secreta é obra de Deus que, estando ao centro, só pode obrar no centro das coisas e só no último instante aparece nas manifestações exteriores da forma. O mal está neste outro pólo, e não vê o que Deus opera em silêncio, no íntimo. O mal acredita nos rumores fictícios do plano físico, nos triunfos efêmeros do mundo, e os toma equivocadamente como vitórias. Mas, quem vê essa obra de Deus, que jamais se detém, presente em todos os lugares, sente este entumecer-se de impulsos vingativos, em favor do bem contra o mal e, mesmo que isso possa parecer aquiescência passiva e quase consentimento, fica aterrorizado por essa calma e ausência de reações, de que se prevalecem os maus. Tudo isso dá um sentimento de lenta sufocação, prelúdio de morte fatal. E o mal rebelde e cego avança para sua ruína, desprezando em sua complicada astúcia a invencível sabedoria da sincera simplicidade, método retilíneo dos bons que seguem a Deus.

Todas essas coisas, já ilustradas longamente nos volumes precedentes e fazendo parte da lógica do sistema, temos a alegria de achá-las agora inesperadamente no Apocalipse, que antes não conhecíamos. A gigantesca luta entre o bem e o mal só pode ser explicada com a teoria da ruína ou queda dos anjos, como mostramos no volume anterior «Deus e Universo». O Apocalipse é a história da volta, representa o caminho da reascensão, dividido em episódios de luta e conquista, até a meta. Esta profecia confirma os conceitos dos precedentes capítulos, a respeito do pensamento e da vontade da história, faz deles, como nós, uma coisa viva, pensante, inteligente; mostra-nos que o verdadeiro senhor dos acontecimentos é Deus, o verdadeiro guia deles é Sua Lei; sobretudo nos conforta nossa precedente interpretação da hora histórica atual, avançando num mar tempestuoso para mais altos destinos. Lampeja no Apocalipse o grande conceito da real chegada à Terra do Reino de Deus, conceito que é o da Nova Civilização do terceiro milênio.

O Apocalipse confirma o significado profundo da vinda de Cristo à Terra, e reforça as conclusões do Evangelho, em torno do qual gira a presente obra. Pode parecer que o estilo violento de batalha do Apocalipse não se possa conciliar com o estilo pacífico do Evangelho. E, no entanto, os dois livros se elevam sobre o mesmo conceito. Só que no Evangelho estamos no terreno dos princípios, altos e celestes, ao passo que no Apocalipse estamos no da luta, na Terra, por sua realização. Aqui desencadeia-se, para os surdos ao apelo do amor, a reação da justiça de Deus. Se os maus quisessem fazer mau uso do amor de Deus, nem por isso a Lei poderia ficar violada para sempre. Achamo-nos diante de duas fases do mesmo pensamento. O Evangelho é a Boa Nova aos homens de boa vontade, para que a Lei se cumpra por compreensão, espontaneamente. No Apocalipse, a Lei «deve» cumprir-se, impondo-se com a força. O Evangelho é a voz do Céu, proferida por um anjo vestido de bondade, que se dá aos homens pelo amor. O Apocalipse é um drama que se desenrola no inferno terrestre, reino de Satanás. O Evangelho anuncia o Reino de Deus. O Apocalipse narra a luta, para implantá-lo na Terra. O Evangelho termina com o sacrifício de Cristo para a salvação dos bons. O Apocalipse termina com a vitória de Cristo, com a condenação dos maus. Assim, Evangelho e Apocalipse concordam, indicando dois caminhos diferentes para alcançar a mesma vitória do bem. O Apocalipse mostra-nos que chegamos à plenitude dos tempos, à hora da realização daquela Boa Nova; diz-nos que o Reino de Deus, anunciado pelo Evangelho, não será sempre uma utopia e está verdadeiramente às portas. Por isso, o Apocalipse é fundamental, também, para nossa obra: porque ele a convalida, em todos os seus princípios e a confirma especialmente em sua conclusão e seus objetivos, que é a Nova Civilização de Terceiro Milênio.

Chegamos hoje ao momento em que o determinismo da Lei toma em mãos as rédeas da história e impõe suas diretrizes. Estamos, pois, no momento em que se manifesta a vontade de Deus, que quer entrar diretamente em ação. Ainda que Sua existência seja negada pelo mundo, Deus quer igualmente salvá-lo, num momento em que se acumularam tantos erros dos homens, em que tudo ameaça ruína. Estamos, pois, na plenitude dos tempos. Nos anteriores volumes estudamos a estrutura da Lei. Agora vemo-la entrar em ação, porque ela não é teoria abstrata, mas é vida que quer realizar-se entre nós. A elasticidade da Lei tem um limite e suas forças, comprimidas pela desobediência dos homens, e deixadas livres por Deus, Chefe e Dirigente, romperão os diques da divina misericórdia, semeando a destruição nas fileiras do mal rebelde. É a hora do juízo e da justiça. Deus, esquecido e negado, reaparece terrível sobre os horizontes da história e manifesta-se em ação. Sua paciência e Sua misericórdia, embora possam parecer ilimitadas, não podem ser traídas indefinidamente; e ai do homem que confunde essa espera da Lei — que só por compaixão difere a reação — com a ausência de um princípio divino, dirigente e senhor do mundo. Ai dele, porque este princípio, após longa espera, em que os homens se acomodam, porque pensam que são eles os vencedores e senhores do mundo, reage para restabelecer o equilíbrio e explode com uma violência tanto maior, quanto mais demoradamente tiver sido violada e comprimida.

Após haver estudado nos volumes precedentes a estrutura e o funcionamento da Lei, estudamos agora, aqui, seu aspecto histórico, neste nosso tempo, que é a hora de sua realização. Foi dito e repetido que o Evangelho jamais foi aplicado até hoje na Terra, que o anunciado Reino de Deus é ainda sonho remoto e que, se tivéssemos que ater-nos aos fatos, a vinda de Cristo à Terra teria sido quase inútil. Mas será possível que a realização da Boa Nova jamais deva chegar? Com efeito, o mundo hoje, com suas religiões, é substancialmente materialista. A concepção espiritual da vida é hoje utopia, está fora da realidade vivida. Entretanto, ninguém pode acreditar que a vinda de Cristo à Terra possa ter sido frustrada em seus principais objetivos. O fato é que o Evangelho representa essa revolução biológica, que não pode realizar-se toda em 2.000 anos. Mas qual das idéias nascidas no mundo, poderemos dizer, ter atingido imediatamente sua plena realização? Cada idéia nova é um impulso que se infiltra na corrente espiritual da vida, que já é uma força que resiste por inércia, tendendo a conservar sua trajetória precedente. Após haver sido lançada a nova idéia, é ela espalhada e com isto se funde a outras idéias, depois é alterada, às vezes renegada, mais tarde ressurge transformada, mas assimilada em parte. Sê-lo-á dez por cento, ou vinte, aqui mais, ali menos. É-o bem pouco. Mas esta percentagem se fixa na raça, a qual, porém a adapta a si, ao seu tipo e às suas necessidades. Será talvez uma adaptação, mas ao menos em parte, a idéia tornou-se realidade.

Ao Cristianismo ocorreu o mesmo. Terá realizado a percentagem mínima, mas realizou-a. Mais do que isso, em 2.000 anos, a natureza humana não podia assimilá-la. Por isso, certas idéias, como o inferno, certos fatos, como as guerras santas, o poder temporal, as formas materiais do rito, foram mais exigências dos tempos, sendo responsável disso o grau involuído da maioria humana, do que mesmo criação e responsabilidade de dirigentes piores que a mediania. Isto acontece em todos os campos, e é culpa da natureza humana, muito preguiçosa para evoluir. Assim, por exemplo, o farisaísmo, o dogmatismo, o jesuitismo são qualidades que todos os homem podem ter. Não inculpemos, portanto, um grupo particular, se ele tem os defeitos da natureza humana. É essa nossa velocidade de assimilação, o passo lento de nossa caminhada ascensional. Nestas condições, o Cristianismo teve que limitar-se à função da conservação dos princípios, à defesa do patrimônio recebido. Explica-se, assim, ainda que se não justifique, sua intransigência e seu dogmatismo. Mas com isso, não queremos dizer que a caminhada se detenha e que o Cristianismo possa ficar cristalizado na imobilidade. Se hoje os superficiais podem ter a impressão da falência de Cristo, nem por isso a partida está perdida e a vida se detém. O Apocalipse nos fala justamente deste amanhã, em que ocorrerá a realização do Reino de Deus na Terra.

Se o Evangelho tem fins didáticos e se, pelo caminho do amor, quer ensinar aos homens a viver, propondo o próprio Cristo como exemplo vivo e modelo para alcançar o Reino de Deus, o Apocalipse traça a história da realização desse Reino, fazendo ressaltar, pelo caminho das ameaças, a inflexibilidade final da justiça de Deus, mostrando-nos Cristo também em seu aspecto de poder e triunfo. Só assim o quadro estará completo, quando resultar da fusão de seus dois elementos complementares: Evangelho e Apocalipse. Se o Evangelho nos traça a linha de conduta, deixando-nos livres de aceitá-la ou não, o Apocalipse entra na história e narra as vicissitudes da realização na Terra daquele novo reino, que foi anunciado no Evangelho. Delineia-se assim o desenrolar-se daquela luta cósmica, entre o bem e o mal, em que se concretizam os mais altos destinos da vida, e dessa luta ele nos prevê e garante o desfecho. A linguagem do Apocalipse se transmuda de amorável como a do Evangelho, em trágica e violenta, porque exprime uma força que se ergue como espada flamejante, para derrotar definitivamente o furibundo assalto das forças do mal. O Apocalipse move-se num terreno de batalha, a maior do universo, aquela empenhada entre Deus e Satanás, e na qual Deus vence. O mal deve ser destruído, mas ele está armadíssimo e resiste com todos os meios. Este é o maior drama do ser, em que tomam parte Céu e Terra, fundidos na mesma tempestade e no mesmo desenvolvimento lógico. Agita-se o mundo das causas primeiras, que movimentam seus exércitos constituídos de poderes imponderáveis, que tomam forma no desencadeamento dos elementos destruidores, manifestação da rebelião de Satanás. A estes contrapõem-se outros exércitos, constituídos de potências espirituais, o braço direito de Deus, com que Ele fulmina os maus, rebeldes à Sua ordem. A evolução não é tranqüila ascensão pacífica, mas luta cruenta, em que Satanás se empenha a fundo, para permanecer rebelde e para não ser destruído.

Entoa-se assim entre o Céu e a Terra uma orquestração de poder cósmico. Debatem-se na Terra exércitos de homens e demônios, guiados por formas monstruosas. Mas outros exércitos lutam no Céu, feitos de Anjos, e as forças do bem e do mal se medem, e só Deus, o grande general, dirige a batalha. Esta abarca o universo, transcende do plano físico ao plano moral, e deste aos mais altos planos espirituais. Treme todo o edifício do cosmos, sacudido desde os alicerces. O pensamento de Deus, relampejante, guia a ação; Sua vontade emite centelhas de cósmico poder, as quais, exprimindo Sua ação na batalha, cintilam e ferem, ora aqui ora ali, descendo até o espaço e o tempo, em nosso mundo concreto, e fulminando os rebeldes. As falanges celestes movem os elementos num desencadear terrificante. Responde sobre a Terra o desencadear das forças do mal. A humanidade está presa entre dois fogos, sem escapatória, fugitiva, destruída. É a hora do Juízo, a hora em que será feita justiça. O mal já se aproveitou muito, e tanto se orgulhou disso, como de uma vitória sua, que ousou subir os degraus do trono de Deus, e de desafiá-lo face a face. A medida está cheia. Uma bondade ulterior não é compatível com a ordem e o bem. A ordem tem que ser reconstituída, para não acabar no caos. Os bons esmagados, vilipendiados, atormentados, devem ser reerguidos à sua dignidade de filhos de Deus, que lutaram e deram seu sangue para reascender, e, portanto mereceram o auxílio. E Deus lhes estende o braço de Seu poder e os reergue para o alto. Esta é a hora da justiça. Fecham-se as portas da misericórdia, detém-se o porvir, pára e conclui o caminho da evolução, e então se fixam as posições conquistadas por cada um, no longo caminhar, e são feitas as contas, para cada um, segundo o que lhe cabe de direito, por suas obras. É a hora do juízo.

O Apocalipse fala de plenitude dos tempos. Estamos hoje nessa plenitude dos tempos. Deus se exprime no pensamento e na vontade da história, como uma onda que tudo arrasta e que se impõe aos homens e aos acontecimentos, e pende como um destino ameaçador sobre o mundo, porque a medida de suas iniqüidades está cheia e esta é a hora de prestar contas. Vivemos em tempos apocalípticos, em que a Lei deve cumprir-se. Por muitos séculos esperou Cristo a realização de seu Evangelho. O Reino de Deus tem que chegar, custe o que custar. Não é concedido ao homem o poder de tornar vã a vinda de Cristo sobre a Terra. O drama do Apocalipse é nosso, deste nosso tempo. As forças do mal chegaram até diante do trono de Deus e, orgulhosas disso, seguras de vencê-Lo, lançam o último ataque contra Ele mesmo. O olho de Deus, sempre aberto, olha e ainda espera. Mas a hora de Sua cobrança está próxima, porque chegamos à madureza do tempo e o Deus invencível se prepara para Seu triunfo. Ele é sempre o centro de tudo e, no meio da grande batalha, tem em mão o cetro de comando, para que o bem vença e os bons triunfem.

Achamos, hoje, no Apocalipse, uma tremenda ameaça para os maus e uma grande promessa para os bons. Já vimos no volume «Deus e Universo», que a destruição final dos primeiros, se não se converterem ao bem, faz parte integrante do próprio sistema. Está, portanto, garantida a vitória dos segundos. Ela é a vitória de Deus. O fim do mal significa também o fim da dor, e outra saída não pode haver no extremo da caminhada. Relegar Satanás e os maus, num inferno eterno, não é ato digno de Deus, já que não podemos admitir que Sua criação possa ter, nem mesmo apenas em parte, um fim tão desgraçado. A esta sua destruição final o Apocalipse alude, como veremos, (Ap. XX:14-15) quando nos fala da segunda morte, para todos os que não foram achados escritos no livro da vida (Deus e o Bem).

Doutro lado, para os bons, o Apocalipse conclui com sua felicidade e triunfo nos Céus, num tripúdio* de aleluias diante do trono de Deus. Esta é a inevitável solução do conflito, inevitável porque está implícita no determinismo, o qual, como vimos, está implícito da perfeição da Lei. Ora, saibam os bons, para seu conforto e esperança que, quando tudo tiver sido feito para salvar os maus, estes, livres por sua própria natureza, se quiserem ainda permanecer rebeldes, serão destruídos. Então os bons triunfarão. Este é o conforto que o Apocalipse traz aos bons.

E saibam os maus que se eles persistirem na revolta, espantosas provas os esperarão, até que sejam eliminados. Este é o aviso que o Apocalipse traz para os maus. Isto tem a função de confortar os bons, para que tenham coragem e perseverem, e de avisar aos maus para que invertam a rota. São assim oferecidos a cada um todos os meios, para subir até o bem. O Apocalipse, assim, se pode parecer um livro duro de ameaças, pela férrea realização da Lei, é ao invés um livro imparcial de justiça; porque se a prova que ele prediz é uma solução trágica para os maus, para os bons esta é apenas um deserto de sofrimentos que tem que ser atravessado, para atingir a inefável alegria de reviver em Deus.

Confortem-se, pois, os bons, porque, se hoje vivemos nos duros tempos apocalípticos, eles têm consigo este grande livro, hoje, como nunca, atual, que os sustentará nas provas, com a visão das grandes metas que devem ser alcançadas. E constitui uma maravilha da ordem que tudo rege, que o mesmo cataclisma, enviado por Deus à Terra, possa servir para sanar e reorganizar tudo — ou seja, como agente de depuração do mundo, dos maus que assim são eliminados do terreno que eles infectavam — e ao mesmo tempo, como uma prova para maior purificação dos bons, para que mais cedo e melhor possam eles tornar-se aptos a ascender para os planos mais felizes da vida. A Terra, com o homem qual é hoje, não pode ser lugar de paraíso, tão involuído é seu ambiente. Felizes os que o consideram apenas como um purgatório, para purificar-se e subir! Os bons, portanto, nada têm que temer dos tremendos presságios do Apocalipse, porque estes não lhes dizem respeito, mas só aos maus. Embora estejam todos misturados, juntos, Deus saberá executar a delicada operação cirúrgica de cortar fora os maus, salvando os bons. Estes, até exultem, porque o Apocalipse lhes recorda que, por mais que na Terra reine o mal e pareça vencer, o bem é rei do universo; que por mais cruenta que seja a luta entre Deus e Satanás, Deus é o mais forte e estes bons vencerão com Ele; recorda-lhes que o dia da destruição dos maus será o dia da ressurreição para os bons; que por mais que domine na Terra a injustiça e a desordem, há planos de vida muito mais altos, a que os bons, purificando-se na dor, chegarão, e nos quais reina justiça e ordem. Recorda-lhes que, no fim, cada um receberá segundo seu merecimento, e não de acordo com sua prepotência, porque o verdadeiro senhor não é o homem, mas Deus que, por trás da história, está Sua sabedoria, que salva tudo do egoísmo humano. Recorda-lhes que virá a justiça tão invocada, que reparará todos os erros, virá a verdade tão procurada, que varrerá para sempre todas as mentiras.

Se aqui na Terra tudo é imperfeição, no alto estão os planos perfeitos de Deus, e o sistema da Lei, feita de bondade, dirige tudo e nada lhe pode escapar. Em nenhum livro, tanto como no Apocalipse, se sente a bondade férrea de Deus que, no momento oportuno, impõe justiça; se sente Sua invencível potência, a impor que seja respeitada a ordem; se sente, como na hora da criação, a gigantesca presença de Deus, que retoma em suas mãos as rédeas do universo, não mais para lhe dar o primeiro impulso, mas para concluir a longa caminhada seguida e julgar. A luta cósmica entre o bem e o mal chega ao seu epílogo e se resolve na vitória de Deus sobre todas as forças, que assim são reconduzidas do caos à Sua ordem. Os problemas primeiros e últimos se reúnem na mesma solução. A última palavra do tema cósmico é o trovão do poder de Deus, é o lampejo de Seu pensamento triunfante. Assim a sinfonia se realiza. Sua orquestração é um perfeito processo lógico, em que se desenvolve o funcionamento orgânico do universo, no transformismo evolutivo, até este triunfo final do bem, até nos planos mais altos, lá onde a vida é vitória do Espírito.

(2ª Parte)

Examinemos, agora, mais de perto, o texto do Apocalipse. Lendo-o segundo o Espírito, mais do que segundo a letra, veremos seu verdadeiro pensamento, que é claro em suas grandes linhas. Esse pensamento é o mesmo que o da primeira mensagem espiritual, de Natal de 1931, com que se iniciou nossa primeira Obra. Com o Apocalipse, que apenas agora conhecemos, verificamos que ele nos repete o mesmo pensamento central que vimos desenvolvendo, desde aquela mensagem até agora, pensamento do qual uma grande profecia nos dá a mais clara confirmação.

Transcrevemos a mensagem de Natal, outra vez citada em parte no cap. IV: «.... O homem chegará a um tal sentimento de orgulho e força, que os trairá... Vejo uma elevação da tensão, lenta, mas constante, que preludiará o inevitável estouro do raio. A explosão é a última conseqüência de todo o movimento... Em outras ocasiões, os cataclismas da história podiam ficar circunscritos; mas agora não......

«Mas a destruição é necessária. Será apenas destruição do que é forma, incrustação, cristalização, de tudo o que deve cair, para que fique apenas o conceito que resume o valor das coisas. Um grande lavacro de dores é necessário, para que a humanidade torne a achar o equilíbrio que livremente violou; grande mal, condição de um bem maior».

«Depois, a humanidade purificada, aliviada, mais selecionada por ter perdido seus piores elementos, agrupar-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio e recomeçará, renovada, o caminho ascensional. Começará uma nova era, em que dominará o Espírito, e não mais a matéria, que estará reduzida à escravidão. Então aprendereis a ver-nos e nos ouvireis; nós desceremos em multidão e vós vereis a verdade».

Para facilitar sua compreensão, poderemos dividir o Apocalipse em três partes.

A 1.ª parte contém avisos às sete igrejas da Ásia Menor e abrange os três primeiros capítulos do Apocalipse.

A 2.ª parte descreve a grande luta entre o bem e o mal, até a chegada do prometido Reino de Deus. Este é o trecho maior do Apocalipse, o que mais se relaciona conosco, porque toca nosso tempo e o futuro próximo. Vai do capítulo IV ao XIX.

A 3.ª parte refere-se a um futuro remoto, até o juízo final, e vai do capítulo XX ao XXII, que é o fim.

Antes de ouvirmos o Apocalipse, orientemo-nos. O caminho da evolução do pensamento religioso humano pode dividir-se em três etapas ou idades:

• 1.ª idade, de Deus como senhor. É a idade anterior a Cristo. Temos um Deus forte, terrível, guerreiro, vingativo, ciumento, protetor apenas de seu povo. É o Deus dos exércitos. Deve-se-Lhe obediência servil, só pelo medo que inspira, sem compreensão nem amor, por desapiedada lei de talião. Época violenta e feroz, em que o homem, em seu estado involuído de egocentrismo estreito e de dura insensibilidade, não podia responder senão pelo egoísmo, interesse ou temor de seu prejuízo, seguindo seus instintos de guerra, nem sabia obedecer, só compreendendo a força e o comando absoluto do mais forte. Só por isso Deus é respeitado, só porque é o mais forte e porque, como tal, tem o poder de punir. Não fora o mais forte, todos se revoltariam contra Ele. Amor e compreensão ainda não nasceram na alma humana. Os povos não podem compreender senão a obediência cega, pela força e pelo terror.

• 2.ª idade, de Deus Pai. É a idade depois de Cristo até hoje. Temos um Deus bom e mais pacífico, mais universal. Deve-se-Lhe obediência filial, por amor e fé. Ele pune, não por vingança, mas por justiça, e para ensinar, conhece a bondade, a misericórdia e a providência do pai para com seus filhos. Ele aproximou-se de nós em compreensão e amor, conceitos que dantes eram ignorados. Foi isto possível pela maior evolução humana, pelo que pode fazer-se apelo ao sentimento e ao coração, forças antes desconhecidas e latentes, e só hoje chamadas a agir. Pode apelar-se também à cultura e à inteligência, e surge uma doutrina e uma teologia, uma reorganização filosófica. Época também da codificação, trabalho particularmente de defesa e conservação das verdades reveladas. Mas também época de mistérios, em que se deve crer sem explicações racionais, época dos dogmas, da disciplina obrigada do pensamento, sem o que, sendo o homem o que é, não se manteria a ordem. Ele não sabe ainda guiar-se de per si, por livre compreensão e necessita de uma coação, ainda que seja apenas moral, para não perder-se na anarquia.

• 3.ª idade, de Deus em nós. É a idade do Reino de Deus, na Terra, da Nova Civilização do Milênio, a civilização do Espírito. Deus sai dos templos fechados e revela-Se presente em cada alma pura. Temos um Deus amigo, com quem nos unimos em colaboração, porque compreendemos que, fazer Sua vontade significa nossa felicidade. Ele tornou-se mais do que vizinho a nós, que nos fundimos nEle, porque em nós, pela evolução, ocorreu um despertar, pelo qual adquirimos a consciência de que Ele está em nós e de que nós estamos nEle. Desaparecem não só as coações da força da 1.ª idade, mas também as morais da 2.ª idade, porque o homem progrediu e tornou-se capaz de guiar-se a si mesmo, por livre compreensão, sem necessidade de constrangimentos, para que a ordem seja mantida. A disciplina é livre, feita apenas de inteligência e amor, porque o homem compreendeu. Caem os mistérios e os dogmas de fé, porque sensibilidade, cultura e inteligência estarão mais desenvolvidos no homem, que poderá intuir a verdade diretamente, por si, sentir a presença de Deus, ou pelo menos entender por meios racionais, as verdades que serão todas claramente demonstradas, porque a época dos véus e das exclusões iniciáticas já terão terminado. Esta será a época da luz do Espírito, do conhecimento, da obediência, livre porque convicta. Por evolução, o Reino de Deus nascerá em nós como um despertar. Deus, então, não pune mais, mas cada homem se corrige a si mesmo, pela necessidade de harmonizar-se à Lei na qual unicamente reside a felicidade. Época da liberdade consciente, da disciplina espontânea, da convicta adesão à ordem de Deus.

Esta ascensão é lógica, como o é o desenvolvimento de uma semente. Assim se passa do terror da primeira idade, à fé da segunda, ao conhecimento da terceira; passa-se de um regime de força, a um de amor, e enfim a um de inteligência e espiritualidade. É um processo de liberação progressiva, que só pode realizar-se quando o permitir a evolução humana. Tudo é função dela. As religiões não podem ser nem mais altas, nem mais livres, do que é a natureza humana, que abaixa tudo, até o conhecimento de Deus, ao seu nível. Este último salto para a espiritualização é o grande acontecimento que nos aguarda no fim deste milênio e na alvorada do terceiro, é o grande acontecimento da instauração na Terra do Reino de Deus. É isto, justamente, o que nos anuncia o Apocalipse.

Comecemos, então, o exame da segunda parte do Apocalipse. Nos primeiros dois milênios, a obra de Cristo na Terra foi uma fase preparatória do próximo advento do Reino de Deus.

Nesta fase devia realizar-se: l.º a experimentação biológica dos novos princípios do Evangelho, para que a vida, evoluindo, conseguisse aos poucos aprender e, ao menos uma pequena parte, a eles adaptar-se; 2.º, a assimilação, para que ditos princípios novos começassem, com a repetição e a técnica dos automatismos, a fixar-se um pouco nos instintos; 3.º, a conservação do patrimônio espiritual herdado, para que as verdades reveladas pudessem, através das tempestades dos séculos, chegar intactas aos novos tempos. Desta fase preparatória, passa hoje à realização. Se, na penetração do Evangelho na vida, pouco se fez em 2.000 anos, ele continua, entretanto, a amadurecer nas almas, continua sua obra de elaboração interior, para que o mundo ressurja, na aurora do terceiro milênio, tal como Cristo ressurgiu na aurora do terceiro dia.

Mas esta vitória dos seguidores, nos quais se personifica o pensamento de Cristo na Terra, não é pacífica. É ao contrário uma luta gigantesca, a qual, no entanto, é apenas o momento terrestre de uma batalha cósmica, em que se agita e treme o universo. É luta de Satanás contra Deus. O Apocalipse narra-nos suas vicissitudes. Eis o esquema geral. Até certo momento, Deus olha e espera, deixando o homem livre para experimentar, a fim de que aprenda. Esta é a livre ação dos homens contra Deus (os primeiros 4 selos). Há depois a ação oposta dos amigos de Deus (5.º e 6.º selos). E finalmente há a ação direta de Deus que, saturada a medida, intervém diretamente, breve, instantâneo. «Está feito», diz o Apocalipse. O reino de Satanás é destruído, e Deus venceu. Esta é, nas grandes linhas, o plano da 2.a parte do Apocalipse, a de que agora nos ocupamos.

Tudo isto é expresso com 4 símbolos maiores: os selos, as trombetas, os portentos, as taças da ira de Deus. Esses símbolos, cada um em número de sete, exprimem o desenrolar-se da ação da grande batalha. O mesmo ritmo, com que avançam esses símbolos, várias concordâncias em seu conteúdo, e até idênticas palavras às vezes repetidas no mesmo ponto de seu ciclo, autorizam-nos a entender estes quatro símbolos, como expressão diversa, segundo vários mirantes, dos mesmos acontecimentos. Quisemos, por isso, emparelhar selos, portentos, trombetas e taças, para ler neles os mesmos fatos, mais bem demonstrados em aspectos diferentes.

Imaginemos o Apóstolo João, que já pousara a cabeça no peito de Jesus e o vira morrer, velho, após uma vida de ação e paixão, orando a Deus de joelhos, diante das florestas da ilha de Patmos, com a cabeleira desgrenhada pelos ventos do mar e a alma presa na tempestade imensa das vicissitudes do mundo. Arrebatado na imensa visão, supera o tempo e o espaço e projeta seu olhar fulgurante no futuro. Olham-no os Céus luminosos do oriente fantástico, e mais no alto, o olho de Deus, diante do qual ele treme e se inclina, ora, humilha-se e se incendeia. Ouve então uma voz que lhe diz : «O que vires, escreve-o num livro....». E ele viu e narrou: «...e vi, e depois disso, vi....».

Começa assim o Apocalipse. Abrem-se os Céus. «Eu sou o alfa e o omega*, diz o Senhor Deus, o que é, que era e que será, o Onipotente». Eis que aparece a visão do trono de Deus, diante do qual se eleva o cântico: «Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Onipotente»... João vê na direita d’Aquele que estava sentado sobre o trono, um livro fechado e selado com sete selos. O Divino Cordeiro toma-o da mão direita d’Aquele que estava sentado sobre o trono e o abre, rompendo um selo após o outro. João olha e conta.

Assim, após este prelúdio poderoso, começa a desenrolar-se a história espiritual do mundo. Soam as sete trombetas, aparecem visões terrificantes, monstros espantosos, rasgam-se os Céus donde chove destruição, e sete anjos derramam sobre a Terra as sete taças da ira de Deus, aniquilando os exércitos do mal. No entanto, os bons têm paciência, são escolhidos, reúnem-se e, enquanto ruem todas as suntuosas construções de Satanás, cantam por fim sua vitória no Céu, Cristo chefiando-os triunfa e Satanás é acorrentado. Verdadeiramente, as portas do inferno não prevalecerão. Desenrola-se a ação ao mesmo tempo na Terra e no Céu, que se fundem num único drama. E é este seu epílogo feliz: após uma luta apocalíptica, um final cósmico em que lampeja a potência vingativa de Deus. Se o livro é terrificante em suas vicissitudes e pode parecer uma cruel e desapiedada mensagem da ira de Deus, na realidade ele narra a história da salvação do mundo, por aquela inteligência que tudo guia, imposta à multidão humana que, desesperadamente, luta para destruir tudo e perder-se, enquanto é absoluta a vontade de Deus que tudo seja reconstruído.

Mas sigamos as vicissitudes mais de perto. Os selos são abertos um a um. E eis que aparecem os quatro famosos cavalos do Apocalipse; primeiro o cavalo branco, depois, no selo seguinte, o vermelho, depois o negro, e enfim o pálido ou verde-amarelado, quando se rompe o quarto selo. As personagens começam a aparecer na cena, mas ainda não agem, deixando-se apenas identificar por suas notas características. A tempestade ainda não explodiu e tudo está à espera. A estas quatro figuras foram dadas as mais diversas interpretações. Tentemos uma também nós, mas tendo presente que, neste ponto, saímos do terreno sólido da certeza, para entrar no das probabilidades. Ofereceremos, pois, tudo como hipóteses, porque assim exige a mentalidade moderna. Entretanto, teremos em conta todas as razões positivas que corroborem essa hipótese.

Para conseguir melhor nosso intento, faremos, como dissemos acima, um paralelo entre estes quatro primeiros selos e correspondentes prodígios, isto é, entre o cap. VI (1 a 8) e os cap. XII e XIII inteiros, do Apocalipse. Referiremos mais particularmente à mesma primeira personagem, tudo o que se relaciona como o cavalo branco do 1.º selo e o dragão do primeiro prodígio (cap. XII). Depois referiremos à segunda personagem o que se diz do cavalo vermelho do segundo selo e da besta que saiu do mar (cap. XIII - 1 a 10).

Enfim, referiremos à terceira personagem o que se diz do cavalo pálido do quarto selo e da besta que saiu da terra (cap. XIII - 11 a 18). O terceiro selo (cavalo negro) nós explicaremos, mais tarde, porque o deixamos para o fim. Estes dois ciclos parecem-nos paralelos e sua função indicar-nos-á melhor a personagem. No fim deste seu primeiro período, em ambos os casos, entram igualmente em cena os bons, cantando hosanas diante do trono de Deus, e no segundo caso é repetido o número exato, 144.000 dos escolhidos, como no primeiro. Tudo isso dá a impressão de que se trata do mesmo acontecimento, narrado em duas formas diferentes.

Sem entrar em pormenores, coincidências e razões, que cada um pode achar e analisar por si, daremos ao cavalo branco o valor de símbolo do imperialismo inglês; ao cavalo vermelho o símbolo da Rússia soviética, ao cavalo negro o da Alemanha de Hitler, e ao cavado pálido o dos Estados Unidos da América. Esta interpretação tem a vantagem de referir-se ao momento histórico atual, que é o que mais nos interessa. Vejamos agora nos selos as quatro personagens em pé, até a última guerra mundial. Nos prodígios, o ponto de vista seria em relação ao nosso atual presente, em que o cavalo negro ou Alemanha do Eixo desapareceu, porque caiu e foi aniquilado. Só permanecem de pé os outros três, isto é, Inglaterra, Rússia e Estados Unidos, que achamos nos três prodígios, na forma de dragão, da besta que saiu do mar e da besta que saiu da terra. Estas três potências são hoje as senhoras do mundo e guiam os acontecimentos.

Para justificar esta individuação, trabalho que nos levaria a um exame muito detalhado das características particulares dos símbolos que representam essas personagens, baste-nos apenas recordar que o dragão é poderoso e, no entanto, se arrasta como serpente, que é o símbolo da astúcia enganadora. A besta representa claramente a animalidade involuída, em antítese com o Espírito, aquela para a qual apela o materialismo moderno que se baseia apenas no bem-estar do corpo. As duas personagens são apenas duas bestas diversas, isto é, duas formas de materialismo, idênticas na substância, que é a de apegar-se só às coisas da terra, única finalidade da vida. Tudo isto em antítese ao reino do Espírito, em que se apreciam outros valores.

Para justificar a individuação paralela correspondente ao dragão (cap. XII), isto é, o cavalo branco ou Inglaterra, recordemos as palavras que a respeito desse cavalo, diz o Apocalipse: «...e lhe foi dada uma coroa e saiu, como vencedor, para vencer». Pela primeira besta, ou cavalo vermelho, ou Rússia soviética, diz o Apocalipse: «...foi-lhe dado poder de tirar a paz da Terra, de tal forma que os homens se matassem uns aos outros, e lhe foi dada uma grande espada». Para o cavalo negro, ou Alemanha do Eixo, o Apocalipse fala de medida e limitação de víveres, como na última guerra bem se experimentou. Para a segunda besta ou cavalo pálido, ou Estados Unidos, fala o Apocalipse de morte e destruição, e estas foram lançadas sobre a Europa a mancheias. Além disso, a cor vermelha para a Rússia, e negra, cor do Eixo, são evidentes. Os Estados Unidos aparecem também no último, no 4.º selo, como apareceram na última guerra.

Observemos, agora, as qualidades do 2.º prodígio, isto é, da besta que saiu do mar (Ap. XIII, 1 a 10) para ver se concordam com as da mesma personagem, ou seja, a Rússia soviética, expressa no 2.º selo ou cavalo vermelho. Besta quer dizer materialismo, como vimos, e o mar significa os povos, nações, línguas (ap. XVII, 15). Depois, o texto diz: «...e vi uma de suas cabeças como ferida de morte: mas sua chaga mortal foi curada». Isto podia significar a salvação de um grande golpe que ameaçou a Rússia, em Stalingrado. E o texto acrescenta: «...e lhe deu o dragão seu poder e seu trono e grande poder... E toda a Terra ficou arrebatada de admiração pela besta. E adoraram o dragão, porque dera autoridade à besta e adoraram a besta dizendo: Quem é semelhante à besta e quem pode concorrer com ela? ...»

Com efeito, não foi o recente poderio da Rússia devido ao apoio inglês (dragão), que depois convenceu os Estados Unidos a fazer o mesmo? Seguiu-se a fé fanática das massas pela ideologia comunista e todos adoraram os vencedores: materialismo, Inglaterra, Rússia. O texto prossegue: «...E abriu sua boca blasfemando contra Deus, blasfemando Seu nome .... e lhe foi dada faculdade de fazer guerra aos Santos e de vencê-los....». O ateísmo russo é conhecido e bem assim sua campanha anti-religiosa. Importante que, depois de ter dito: «....e lhe foi dada faculdade de agir por 42 meses....» vem a conclusão: «...se alguém tem ouvidos, ouça. Se alguém prender alguém, acabará preso; se matar à espada, será fatalmente morto à espada...». Eis, pois, como deverá acabar a Rússia: na auto-destruição. Este conceito faz parte da Lei e do sistema ilustrado nestes volumes, conceito amplamente explicado alhures. «Quem usa a espada, perecerá pela espada», norma evangélica que é lei de vida, que nenhuma força humana poderá deter. O Apocalipse conclui: «...Aqui está o sofrimento e a fé dos Santos». Os bons, pois, tenham coragem, que o mal não pode absolutamente vencer; existe a justiça de Deus e ninguém pode detê-la.

Observemos, agora, as qualidades do 3.º prodígio, ou seja da besta que saiu da terra (Ap. XIII, 11 a 18) para ver como concordam com as da mesma personagem, isto é, os Estados Unidos da América, expressas no 4.º selo ou cavalo pálido. Vimos que o cavalo negro do 3.º selo, ou Alemanha, desapareceu da cena política do mundo. Essa besta é outra forma de materialismo, que sai do poder da terra, riquezas do solo e indústrias. Diz o texto: «...e falava como um dragão...». Ou seja, a mesma língua inglesa. «...e todo o poder da primeira besta, ela o exercitava diante dela...», apresenta já realizados, de fato, os sonhos de bem-estar do comunismo russo. «....E fez que a Terra e seus habitantes louvassem a primeira besta, de que fora sanada a chaga mortal....».

Foi pelo auxílio dos Estados Unidos que a Rússia se tornou vitoriosa e grande. «....E fez prodígios grandiosos, tanto que fez descer fogo do Céu sobre a Terra...». Eis as fortalezas voadoras, as bombas atômicas, as novas descobertas científicas... «...E fará que ninguém possa comprar nem vender, se não tiver a marca, (ou seja) o nome da besta e o número de seu nome....». Isto é, domínio completo do dólar sobre tudo. O capítulo conclui com o famoso número 666. Calculando-se segundo o alfabeto hebraico, esse número diz Nero. Mais tarde, foi dada a essa cifra, segundo os casos, o significado de uma quantidade de personagens históricas. Talvez seja um número de fantasia, para dizer que muitas personagens igualmente más, se apresentarão até o fim da história. Mas tudo isto é trabalho para adivinhos, terreno em que não podemos entrar.

Neste ponto, ocorre, em ambos os ciclos, uma mudança de cena. Até aqui, assistimos à descrição de personagens em suas características e feitos passados. Agora temos um entre-ato, em que entram em cena as personagens das fileiras opostas, os soldados de Deus. Abre-se o 5.º selo. Os bons apelam para que se faça justiça e lhes é respondido que ainda fiquem quietos por breve tempo, até que seja completado o número de seus irmãos sacrificados. Ao abrir-se do 6.º selo, inicia-se a preparação espiritual dos soldados de Deus, a qual contrabalança a preparação material de Seus inimigos. Isto é necessário, porque se aproximam as grandes provas, que explodirão ao abrir-se do 7.º selo. Temos uma breve pausa, antes de desencadear-se a grande tempestade. Tudo faz pensar que esta pausa seja a hora presente. É um momento de espera em que as forças contrárias se preparam, medem-se, tomam o impulso para lançar-se uma contra a outra. Deus olha e espera, deixa-nos a todas as nossas experiências, que pretendem dispensá-lo. Os maus movem-se afoitos à conquista do mundo, e caminham para sua destruição. Os bons oram, tremem, esperam. Deus olha, deixa todos livres, mas tudo se escreve no livro da vida, de que nada mais se apaga, e pelo qual todo o mal se paga e todo bem frutifica. A Lei não tem pressa, pois o tempo não pode detê-la e nada pode escapar à sua sanção. Este exame que estamos fazendo do Apocalipse e de sua orientação interessa-nos, sobretudo, porque parece dizer respeito ao nosso presente, e dá-nos uma chave para conhecer nosso futuro próximo. Estamos num período de parada, em que o homem continua suas loucuras, sem saber que espada de Dâmocles lhe pende sobre a cabeça. Um nervosismo dominante revela-nos que o instinto sente vagamente o aproximar-se da tremenda reação da Lei. Ninguém mais tem fé no amanhã, tão prenhe de ameaças é o presente. Com o 7.º selo iniciar-se-á, com efeito, a série dos castigos, porque estamos próximos da hora em que Deus, já tendo esperado bastante, terá esgotado os oferecimentos de salvação e terá que intervir para que volte a ordem e a justiça seja feita.

Na abertura do 6.º selo vemos, portanto, duas manifestações opostas. Os maus desencadearam uma grande guerra. É obra deles, não ainda a de Deus. Paralelamente são escolhidos os bons para formar o contra-exército dos filhos de Deus. A tempestade procurada pelos maus toma o aspecto de um cataclisma natural: «...E todos se esconderam nas espeluncas* e rochas das montanhas...». Esta é a última tentativa para salvar-se das incursões aéreas, que desta vez serão atômicas. Doutro lado são retidos por um anjo, os ventos, para que estejam tranqüilos e nenhum dano causem enquanto não estejam marcados nas frontes, com o selo, os servos de Deus. E o número desses escolhidos será 144.000. (Sendo este número dado por 12 x 12 x 1000 = 144.000, e representando o número sagrado plenário, pode significar grande multidão). Forma-se, pois, multidão inumerável, de todas as raças, povos e línguas, diante do trono de Deus, multidão daqueles que vinham da grande tribulação; e Deus estenderá sobre eles Sua tenda.

Esta cena acha sua correspondência na de todo o cap. XIV do Apocalipse, que segue o 3.º prodígio da besta que saiu da terra, como vimos. Achamos aqui os mesmos 144.000, marcados na fronte. Repete-se a cena do cântico diante do trono. Estes são os escolhidos do exército de Deus. Continua o paralelismo num prolongamento de repouso. O cap. XIV continua com os anúncios feitos pelas quatro vozes de anjos. São os últimos acontecimentos, antes da catástrofe: «...Temei a Deus, porque chegou a hora do Seu juízo... Quem adora a besta e sua imagem e traz seu sinal na fronte ou na mão, beberá o vinho da ira de Deus, que está pronto no cálice de Sua cólera...».

Termina aqui o entre-ato. Continuemos a observar as duas narrações em paralelo. Na primeira delas chegamos finalmente à abertura do 7.º selo. Então houve um grande silêncio no Céu. E foram dadas sete trombetas a sete anjos. Enquanto eles se preparam para tocar as trombetas, eleva-se de um turíbulo de ouro o incenso diante do trono, com as orações dos Santos, e sobe a fumaça do incenso com suas orações até Deus. É o momento solene em que começa o desencadear-se da justiça divina. Tocarão agora, de seguida, as sete trombetas e a cada toque seguir-se-á um flagelo sem escapatória, numa tempestade, até o 7.º toque. Então tudo muda e, como na abertura do sétimo selo explodira o cataclisma, (as sete trombetas), assim ao 7.º toque tudo se acalma e o 7.º anjo e outras vozes anunciam: «O reino do mundo passou ao Senhor nosso e ao Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos». Eleva-se uma oração: «Agradecemos-Te, Senhor Deus onipotente, porque assumiste Teu grande poder e começaste a reinar... veio Tua ira... e o momento de premiar Teus servos... e de destruir os destruidores da Terra». (Ap. XI, 15 a 18).

Observemos outra narração paralela. Também aqui terminou o entre-ato e explode a catástrofe. Após as últimas advertências das quatro vozes (Ap. XIV, 6 a 13), há ainda um prolongamento de espera com novos anúncios. E outro Anjo grita ao divino Justiceiro, que aparece sobre uma nuvem: «...Apanha tua foice e ceifa, pois chegou a hora de ceifar, porque a colheita da Terra já está seca».

Outro Anjo grita: «...Apanha tua foice afiada e colhe os cachos da vinha da Terra, porque suas uvas estão maduras...». Então, à semelhança dos 7 anjos com as 7 trombetas, aparecem outros 7 anjos com as sete taças de ouro cheias da ira de Deus. Mas, também aqui, como na outra narração, antes que se passe à ação, se eleva um cântico a Deus (Ap. XV, 1 e seguintes), glorificando-O e adorando-O. Todas as nações se prostrarão diante dele, porque manifestou Seu juízo. É a hora de prestar contas. Os 7 anjos tomam as 7 taças. Enche-se o santuário de Deus da fumaça de Sua glória e de Seu poder; e ninguém poderá aí entrar até que tenham sido derramadas as 7 taças. É o momento solene em que começa o mesmo desencadear-se da justiça divina, como para as 7 trombetas. Derramar-se-ão de seguida, sobre a Terra, as 7 taças da ira de Deus, e a cada taça seguir-se-á um flagelo sem escapatória, numa tempestade gigantesca, até à 7.ª taça. Tudo foi merecido. As taças são esvaziadas sobre a terra, sobre o mar, depois sobre os rios e as fontes, depois sobre o sol, sobre o trono da besta, no próprio ar. Torna-se tudo de sangue e de fogo, seca, arde, adoece, rui numa queda universal. À sétima taça, aqui também, a ação se detém, como na sétima trombeta, e uma grande voz sai do Santuário, do lado do trono, dizendo: «Está feito». Tudo é claro, conclusivo, os inimigos de Deus não existem mais, o drama está completo com a vitória de Deus, o reino de Satanás foi destruído, aponta a alvorada do novo Reino de Deus. Este momento, expresso pela palavra: «Está feito», corresponde ao do 7.º toque da trombeta que anuncia: «O reino do mundo passou ao nosso Senhor e a Seu Cristo, e Ele reinará nos séculos dos séculos».

Esta poderia ser uma interpretação do conceito central do Apocalipse, sobrevoando sobre os pormenores, mas apanhando claramente o que há de mais importante, que se referiria de modo impressionante aos nossos tempos. É admissível, também, que numa revelação profética, proveniente por inspiração de dimensões superiores, a sucessão no tempo possa ter sido dada de modo pouco exato, em nosso plano de vida, justamente porque o profeta não pode deixar de perceber tudo como num estado de concomitância. Explica-se, assim, certa mistura de pormenores e a repetição da mesma visão como projetada em dois tempos diferentes que, à primeira vista, poderiam a nós parecer sucessivas. De qualquer modo, apresentamos tudo isto ao leitor moderno positivo, apenas como hipótese, que ele poderá controlar e também não aceitar. Mas esta nos pareceu a maior aproximação hoje possível de uma interpretação, racionalmente conduzida, do Apocalipse aos tempos atuais. Sozinha, talvez não fosse suficiente a explicá-los. Mas corroboraremos esta afirmação com as previsões de outras profecias e das Pirâmides. E quando virmos tudo concordar, permanecendo logicamente enquadrado no sistema da Lei, até agora explicado, estas afirmações serão mais aceitáveis, mesmo para o homem positivo moderno.

A substância do raciocínio é simples e nestes livros foi dito e repetido. Tudo é dirigido por uma lei que representa o pensamento de Deus. Assim, além da pequena liberdade humana, existe um determinismo inteligente histórico, que guia os acontecimentos. O homem hoje tomou a posição de Satanás, rebelde à Lei. É natural que o sistema lhe caia em cima. Explicamo-lo no volume «Deus e Universo». Dada sua orientação, o homem hoje se acha na posição de abandonado por Deus que, no entanto, respeita a sua liberdade, não o força, mas se retrai. E diz: «Quereis experimentar a força? Experimentai-a. Mas avisei-vos de que, quem usa a espada, perecerá pela espada. Credes nos exércitos e nas armas? Provai-as. Não quereis o amor evangélico e só concordais numa coisa: na mentira, no egoísmo, no trair-vos todos uns aos outros? Pagareis todos juntos. A punição, a realizareis vós mesmos, porque a trazeis em vós. Matar-vos-eis reciprocamente, porque a isso vos leva vosso próprio sistema. Quereis fazer do poder não uma função de vida e uma missão, mas um meio para esmagar indivíduos e povos? Fazei-o. Experimentai, experimentai. Sois livres. Assim vos massacrareis todos, mas, já que não sabeis aprender de outro modo, e precisa aprender, ireis à dura escola que escolhestes». Este raciocínio lemo-lo idêntico no Apocalipse, de modo que ele parece escrito de propósito para nosso tempo. E se parece feroz e sem piedade, não exprime, todavia, senão a exata conseqüência da livre mas louca conduta humana, no seio de uma Lei, cujas reações são fatais.

Estaremos agora no termo do período experimental da Lei, momento em que Deus já esperou bastante; as experiências humanas fazem-se cada vez mais, e agora desastrosas demais, para que não seja preciso uma intervenção superior para detê-las. O limite de elasticidade da Lei está quase sendo superado, quebram-se suas colunas protetoras e o sistema — como já ocorreu no princípio com a revolta de Satanás — desaba sobre os rebeldes que soçobram no caos por eles mesmos gerado na ordem de Deus. Soa então a hora do juízo, fazem-se as contas para que cada um tenha segundo suas obras e merecimentos. A esperada realização do Evangelho na Terra não deve ser frustrada mais tempo, a maldade e malícia humanas não podem mais ter por longo espaço o poder de tornar quase inútil a vinda de Cristo à Terra. A Igreja desempenhou sua missão de conservar sua preciosa bagagem, arrastando-a após si, através da tenebrosa época dos dois milênios. Hoje é mister realizar. No terceiro milênio, tal como Cristo no terceiro dia, é preciso ressurgir. Não basta a exceção dos Santos. O Evangelho deve apossar-se e penetrar a vida do homem, tem que inserir-se nas instituições sociais. Tudo nos diz que estamos na plenitude dos tempos. Já foram feitos bastantes anúncios e avisos. Estamos justamente nas pausas, ou entre-atos, que agora estudamos no Apocalipse, e que precedem o desencadear-se da tempestade? Quando se abrirá o 7.º selo e tocarão as trombetas, ou então se derramarão as 7 taças da ira de Deus? E que pode o homem sozinho, contra a grande inteligência que dirige a história e a vida? O certo é que, se foi reconhecida, nos planos superiores, a necessidade de uma intervenção direta de forças sobre-humanas, e se foi decidido executá-la, ninguém poderá detê-lo.

Então a história disporá de tais forças que poderá realizar o que hoje nos parece inacreditável, isto é, a formação de novas correntes de pensamento e de diferentes tipos biológicos dominantes, a purificação da humanidade, custe o que custar, e a posse que ela tomará no seio de uma nova civilização do Espírito no terceiro milênio. O que está fora de dúvida, é que acima das forças do mundo físico, conhecido pela ciência, há um mundo de forças que ela ainda ignora. Também fora de dúvida está, que o homem é uma pequenina formiga, agarrada a um grão de poeira cósmica, e nada pode contra essas forças. E está, outrossim, fora de dúvida, que nós não podemos negar a priori a possibilidade de acontecer em nosso tempo tudo o que o Apocalipse prediz. Como negar, mesmo cientificamente, que não pode haver relação entre forças morais e físicas? E quem pode dizer que a humanidade não esteja cometendo erros no terreno espiritual? Como afirmar que os poderes do pensamento não dirijam o mundo? E então, aos céticos, poderemos dizer: «E se tudo o que afirma o Apocalipse fosse verdadeiro»?

A visão da grande prostituta (Ap. XVII) é apenas um comentário e uma determinação de toda a visão. Esta mulher é a contraposição daquela vestida de sol, com uma coroa de doze estrelas, contra a qual luta o dragão do primeiro prodígio, agora examinado. Se nesta alguns vêem a Igreja, ou até mesmo a Virgem Maria, na outra, Babilônia a grande, mãe das prostitutas, vêem a cidade de Roma de Nero, das 7 colinas e 7 imperadores (de Nero a Domiciano), outros o paganismo corrupto, outros o materialismo de nossos tempos, outros, como diz o Apocalipse, a riquíssima rainha dos mares, isto é, a Inglaterra protestante, vestida de trabalhismo e em conúbio com a besta. Mas, enquanto alguns católicos preferem ver aí o protestantismo, alguns protestantes aí vêem a Igreja de Roma, que lhes parece haver traído a missão de Cristo a ela confiada. Para outros, a grande prostituta é a Europa. Olhando seu mapa virado, a partir do nordeste, seu perfil sobre os mares pode dar a impressão de uma mulher sentada sobre a Rússia, que representaria a besta vermelha, como diz o Apocalipse, sobre a qual está sentada a grande prostituta. O braço direito seria a Itália, e com ele parece segurar um cálice (a Sicília), ao passo que o braço esquerdo seria a Inglaterra, a cabeça a Espanha, e o chapéu, Portugal. E Roma estaria no meio do braço direito. O cap. XVII que fala da prostituta termina com este esclarecimento: «...As águas que viste, onde está sentada a meretriz, são povos e multidões, e nações e línguas...». E a Rússia teria justamente a tarefa sinistra de devorar a civilização européia. Esta interpretação provém, naturalmente, de escritores do lado americano do Atlântico, porque todos gostam de colocar o próximo nos erros e nos castigos, mas jamais a si mesmos.

Sem dúvida, em nosso tempo a ciência conseguiu conquistas inauditas. O automóvel, o rádio, a televisão, o domínio do ar, a descoberta da energia atômica, e até a previsão de uma possibilidade de explorações interplanetárias, representam uma tal conquista sobre as forças da natureza, que não se pode imaginar mais até onde possa chegar o homem. Há muitos elementos materiais para sustentar modos de vida absolutamente novos, num tipo de civilização de formas hoje incríveis. Os elementos-base para uma transformação radical de conceitos e hábitos, já estão em prática. Os fundamentos científicos e práticos de uma nova civilização já foram lançados com um entusiasmo sem precedentes, na conquista do tempo e do espaço, os dois grandes obstáculos ao livre movimento do homem. Sem dúvida, estas conquistas materiais reagirão, também, sobre o estado psíquico e espiritual da humanidade, ajudando-a a evolver.

Mas, infelizmente esse aumento de poderes é uma arma de dois gumes, porque, se não for acompanhado por um desenvolvimento paralelo de consciência, no terreno moral, pode representar um novo poder imenso de destruição colocado nas mãos de um inconsciente que, em sua inexperiência, não se sabe que uso possa disso fazer. Com a descoberta da energia atômica, o homem não se deu conta, ainda, de onde pôs as mãos, ou seja, de haver penetrado tão próximo à substância das coisas, tanto que se apossou da técnica da criação. Assim seus poderes cresceram sem medida, e se ele pode tirar vantagens proporcionais para seu bem, pode também sofrer dano, para seu mal. E é tão grande o novo poder, que lhe pode escapar das mãos inexperientes, sem que lhe seja possível mais controlá-lo, depois. E que dizer, quando esse poder não está, hoje, nas mãos dos sábios, mas de governantes que, por sua própria posição, estão enredados nas tristes artes da política? Que dizer, quando se sabe que esse poder está à mercê do egoísmo, do ódio, do interesse, do desencadear das mais baixas paixões? Que garantia de sabedoria podem ter, a esse respeito, governantes que só chegaram ao poder suprimindo os próprios rivais e mantendo-o com o terror? Se essa é a psicologia dos senhores dessas forças, pesa verdadeiramente sobre o mundo uma espada de Dâmocles, suspensa por um cabelo.

Se esse cabelo arrebenta, é a guerra. E a guerra de hoje tem as seguintes características: 1.º ameaça a todos, mesmo os civis. É, pois, também, guerra de nervos, e perigo e terror para todos; 2.º morrem todos, indistintamente, mesmo os inermes, numa hecatombe comum; 3.º é guerra em três dimensões; 4.º é guerra de todos os povos, porque mesmo os longínquos não-beligerantes se ressentem e saem dela com algum dano ou sofrimento; 5.º é guerra de extermínio, total, de aniquilamento, sem escapatória, em extensões vastíssimas.

Se arrebenta o cabelo da espada, ela cairá na cabeça da humanidade. Essas condições são tão catastroficamente ameaçadoras, que jamais se verificaram na história do mundo. Não serão estes os sinais indicadores da plenitude dos tempos, como dizem as profecias? Mas elas também dizem outra coisa:

«Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para o alto e levantai vossas cabeças, porque vossa redenção está próxima... Quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Reino de Deus está próximo». (Luc. XXI, 28 e 31). Esses sinais prenunciadores de acontecimentos espantosos anunciam, então, também outra coisa, ou seja, a plenitude dos tempos, também no sentido de que deve chegar à Terra o Reino de Deus, isto é, se deva realizar o novo modo de viver, o tipo da civilização do terceiro milênio. Estamos, portanto, verdadeiramente na época extraordinária da qual falam as profecias e que culmina numa transformação radical do mundo.

Mas ainda há outro fato indicador, outro sinal dos tempos: é a queda dos mistérios. Estes aos poucos são todos explicados e aclarados pela ciência. Então poderemos repetir as palavras de S. Paulo na Epístola aos Hebreus (X, 26, 27 e 31): «Se pecamos voluntariamente, após ter conhecimento da verdade, não há mais sacrifício pelos pecados, mas uma espantosa expectativa do juízo... É coisa espantosa cair nas mãos de Deus vivente». Quando tudo estiver esclarecido e evidente, quem não quiser aceitar as verdades do Espírito e obedecer à Lei, não poderá mais achar misericórdia, porque a não merece.

Poderão mudar e ser incertos os pormenores das previsões políticas, mas o que é certo é que o povo, grupo ou instituição que tiver pecado, terá que pagar. Esta é a lei certa. Cada um poderá deleitar-se em fazer o exame de consciência nos outros, antes que em si. A lei permanece a mesma. É inútil ter poder terreno, se há injustiça no Espírito. Esse poder não poderá defender-nos e ruirá diante da Lei que quer justiça. Assim conclui o Apocalipse, no cap. XVIII: «Ai, ai da grande cidade, Babilônia a cidade forte! Num momento chegou o juízo!... Num momento, sua magnificência ficou reduzida a um deserto! Alegrai-vos por ela, ó Céus, e vós Santos e apóstolos e profetas, porque vos fez justiça Deus, com Sua condenação!»

Paralela a essa ruína do mal, corresponde o triunfo nos Céus (Ap. XIX). A ruína na Terra foi completa. A voz de uma multidão imensa se eleva gritando: «...Aleluia! O Senhor fez justiça... Louvai nosso Deus!... porque o Senhor Deus começou a reinar». Chegamos ao epílogo, que é a vitória de Cristo. Satanás é acorrentado. Pode finalmente realizar-se na Terra o anunciado Reino de Deus. Tudo isto é de uma lógica constringente. É possível que o bem fique vencido pelo mal, Deus por Satanás, que a missão de Cristo, na Terra, naufrague assim, sem nenhum resultado? O próprio sistema da Lei tem uma lógica e, se tudo isso acontecesse, todo o sistema ruiria. E isto seria uma ruína muito mais fragorosa e desastrosa do que a queda das potências do mal, como o descreve o Apocalipse. Pois, se estas ruem, permanecem a salvação e a vida na ordem divina. Mas se a Lei, isto é, o sistema de Deus e do bem, se arruínam, só fica a destruição de tudo, pela precipitação definitiva do universo no caos.

O grande drama do Apocalipse está em seu epílogo e fecha-se, em sua terceira parte, com a cena grandiosa da ressurreição dos mortos e do Juízo Universal. Satanás está definitivamente derrotado. Diante do trono de Deus comparecem os mortos. Abre-se o livro da vida, em que tudo está escrito e cada um é julgado segundo suas obras. O mar entrega os seus mortos. A morte e o inferno entregam seus mortos. Depois «...a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo; esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo» (Ap. XX, 14 e 15). Há, pois, uma absoluta destruição final, em que são anulados também a morte e o inferno, uma segunda morte, última e definitiva, em que são precipitados todos os que não foram achados escritos no livro da vida. E a vida é Deus. Então isto significa, os que não eram da parte de Deus e do bem. Eles são eliminados do sistema, anulados mesmo como Espíritos. Esta não é a habitual morte do corpo, não é a normal decadência de todas as coisas, para renovar-se e evoluir. Não é a costumeira morte temporária, de que tudo ressurge. Esta é a segunda morte, a definitiva, do Espírito.

Chegamos ao limite da Lei, na hora em que o ciclo involução-evolução se fecha com o regresso a Deus, termina a cadeia das reencarnações, está completa a caminhada da reascensão, concedida por Deus ao ser decaído para redimir-se, cessa a possibilidade de erro e a necessidade da expiação. Está na lógica do sistema, que a experiência não possa ser procrastinada até o infinito, que o ser não possa ter à sua disposição a misericordiosa elasticidade da Lei e a paciência de Deus, para sempre. Seria um absurdo inadmissível, na ordem que tudo dirige, que se concedesse à liberdade humana, que ela se sobrepusesse à Lei e se substituísse a ela, ultrapassando os limites das próprias funções, para as quais, apenas, é admitida a liberdade, e assim subvertesse eternamente aquela ordem. Deve chegar a hora em que termina o tempo máximo concedido, para que o caminho da evolução tenha sido percorrido por aqueles que o quiseram percorrer, o tempo em que todos os auxílios foram dados, todas as possibilidades esgotadas, a hora em que se fazem as somas, e ficam de fora aqueles que, mesmo tendo-o podido, absolutamente não quiseram redimir-se. Então, tudo está terminado, pois o processo evolucionista atingiu suas conclusões. Detém-se então o tornar-se fenomênico, isto é, cada fenômeno não se prende mais ao seguinte, mas alcança finalmente sua última e definitiva fase, resolvendo-se na estase, porque se esgotou o processo do tornar-se, e na cadeia... causa-efeito-causa..., não há mais anéis. Então para o transformismo, no tempo, termina toda possibilidade de recuperação e a escola se fecha.

Já então, por não terem mais sentido nem objetivo, acabam a morte, a dor, os estados de castigo, o inferno. Esgotados os parênteses da revolta e da desordem, tudo tem que voltar ao estado perfeito da originária felicidade, como Deus quis sua criação.
O ciclo da descida e da reascensão está todo percorrido, quem quis redimir-se alcançou sua salvação e, mesmo tendo errado, aprendeu a grande lição do bem e do mal. Quem não quis redimir-se, dado que ninguém pode ser constrangido e que o rebelde não poderia permanecer indefinidamente aí, nem inqüinar* o sistema, este rebelde vem definitivamente expulso, com o aniquilamento de seu eu. Então é lógico que tudo o que era necessário num universo decaído, para tornar a subir a Deus — todos os instrumentos úteis para realizar a obra de reconstrução — não tendo mais objetivo de bem nem razão de existir, são eliminados, da mesma forma que a um edifício construído tiram-se os andaimes, que foram necessários para executar os trabalhos.

Deus só pode ser vencedor absoluto. Não poderia sê-lo com inimigos acorrentados, que eternamente clamassem contra Ele a voz de sua maldição, meditando uma revolta. A lógica impõe não só a vitória absoluta de Deus, mas, numa ordem que se tornou perfeita, como deve ser toda obra de Deus, também não se permite absolutamente a dissonância de vozes rebeldes, ainda que afastadas, e a presença de um tumor maligno à espera de arrebentar. Ele se acharia no próprio seio de Deus que é o todo, do qual nada se pode tirar, porque recairia em Deus, já que nenhuma coisa pode existir fora do todo que é Deus. E como poderia ficar em Deus uma zona de anti-Deus? Além disso, no universo, em que só achamos fenômenos que tendem a resolver-se, o fato da sobrevivência eterna de individuações pessoais das forças do mal, seria o único fenômeno que permaneceria incompleto, sem conclusão, nem em sentido positivo, de vitória, nem em sentido negativo, da derrota absoluta e definitiva. E ele está incluído no transformismo universal ou tornar-se evolucionista, como o estão todos os outros fenômenos. Não há, pois, razão para que ele se comporte diferentemente.

Não sabemos explicar-nos essa concepção da sobrevivência do mal em forma de prisão que, como uma projeção antropomórfica, como um produto da psicologia humana, transportada num mundo em que ela não pode chegar, isto é, do relativo ao absoluto. Essa concepção pertence à miséria das vitórias humanas, caducas e encadeadas a novas derrotas, colocadas no vir-a-ser, filhas do transformismo, concepção que está fechada dentro desse limite e que não tem mais sentido e não pode subsistir além dele, ou seja, quando o tornar-se e o transformismo cessarem, porque resolvidos.

É preciso compreender que, passado esse limite, entra-se no absoluto, no imóvel perfeito, e que aí todos os conceitos do nosso relativo do tornar-se, em busca de uma perfeição, todos os seus pontos de referência em que se baseia, caem. Nesse mundo superior é lógico que não podem subsistir nossas concepções. As vitórias do absoluto não podem ser iguais às do relativo. Os triunfos de Deus têm que ser diversos dos nossos, ou seja, absolutos, sem possibilidade de reações e continuações de luta, simplesmente resolutivas e definitivas. E, dado que a vitória de Deus é absoluta, no fim o inimigo não deve existir mais.

A única existência dele, mesmo acorrentado, seria uma sobrevivência perturbadora, de desordem e até, por menor que fosse, uma vitória mínima, um testemunho de revolta, ainda que latente; seria uma coexistência de vontade de negação no sistema positivo, uma prova de imperfeição, isto é, de obra incompleta. É necessário que cada individuação das forças do mal, por fim, se quiserem permanecer tais, devam ser desintegradas como personalidade própria, porque a divina substância espiritual que a constituía, a abandona para canalizar-se na corrente oposta do bem, como vencedor absoluto. É assim que aquele «eu sou» chega a não existir mais e, na segunda morte, como diz o Apocalipse, que aqui nos confirma, vem anulado até mesmo como Espírito.

Não há solução mais lógica do que esta, porque racionalmente conclui segundo os princípios do sistema, solução mais cabal e definitiva, porque resolve tudo para sempre, mais harmônica, equilibrada e justa, porque os negadores de Deus, que é vida, vem negados por Deus, na morte. Não há solução mais grave e resolutiva, e no entanto piedosa, porque é a única que possa ser compatível com a bondade de um Deus que não quer inutilmente ser cruel ou vingar-se, e cujo escopo foi a felicidade do ser e cujo princípio fundamental no criar foi: Amor.

Assim conclui também o Apocalipse. A destruição final do mal e das individuações que o personificam, já a tínhamos sustentado nos volumes precedentes. Agora voltamos a esta nova confirmação, depois que o longo caminho ascensional através destas obras nos levou a um conhecimento mais profundo e um amadurecimento mais avançado. Agora vejamos em cheio a absoluta lógica e a imprescindível necessidade deste conceito, pelo qual, se no fim permanecesse no universo a menor partícula ou traço de mal e de dor, que lhe está ligada, a criação ficaria inqüinada e sua perfeição estragada, a grande obra de Deus resultaria manchada e falida, numa forma que é inconciliável com o conceito de Divindade, que só pode ser perfeita.

Em Deus não há lugar para o incompleto, para o relativo, e tudo deve ser completo e absoluto, mesmo a vitória sobre o mal. O governo do universo é, e pode ser, totalitário e absoluto, porque está nas mãos de um Ser perfeito. Esses governos, na Terra, são inadmissíveis, porque não existe o homem perfeito, e procura remediar-se a isso, com uma compensação de erros, multiplicando o número dos dirigentes, para que estes os eliminem, controlando-se entre opostos. Mas, no absoluto, um Deus senhor e vencedor não incondicionado, seria um absurdo. Por isso, o extermínio do mal deve ser completo até as ruínas do ser, no ponto em que se diz: «eu sou», de modo que o mal não possa mais levantar-se. O tempo das lutas deve ser terminado sem a possibilidade de volta.

Nem as cinzas do incêndio destruidor do mal devem permanecer, para recordar esse triste passado, porque até esse mínimo resquício inquinaria e tornaria imperfeita a perfeição do Absoluto, ao qual tudo, no fim, regressa. Sobreviverão só os puros, que assim permaneceram, e os decaídos que se purificaram, já agora todos em igual estado de pureza.

Com isto, o Apocalipse dá uma nova confirmação das teorias do volume «Deus e Universo». No Apocalipse tornamos a achar todos os motivos do sistema: a revolta originária, que se perpetua nos maus, o dualismo bem-mal, Deus-Satanás, a destruição final do mal, e o triunfo total de Deus. O Apocalipse narra o caminho do ser rebelde, que volta a Deus, e conclui com a vitória final do sistema sobre o anti-sistema. Se a ascese se desenvolve numa grande luta, em que Deus permitiu ao mal que agisse, para que a ele fossem oferecidas todas as ocasiões para subir, e para a experimentação do bem; se o Apocalipse pode parecer para os maus um livro de terror, porque de condenação inexorável; no entanto, é ele um livro de justiça para todos, e para os bons é uma mensagem de alegria, porque exprime o desenrolar-se do processo evolutivo do mundo, até a reconquista da originária felicidade, até o triunfo absoluto daqueles bons, no bem, na glória de Deus.

(Profecias – Pietro Ubaldi)


TRANSIÇÃO DO ESPÍRITO - FINAL DOS TEMPOS

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Vamos passar algumas mensagens do Espírito do Mestre Ramatis, nos esclarecendo sobre o final dos tempos. Achamos importante dispô-las, para que possamos avaliar nossas posturas e nossas práticas religiosas. Repararem que o “final dos tempos” já é chegado, e temos que nos posicionar, deixando de lado nossos egoísmos, vaidades, imposições e nos irmanarmos no amor, ensinando e praticando religião e não somente superstições, totemismos, idolatria, dando ênfase tão somente a cultos externos.

MENSAGENS DO ESPÍRITO DE RAMATIS

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Temos nesta página mensagens do Espírito hindu Ramatís, bastante conhecido e conceituado no meio espiritualista brasileiro. A primeira parte desta pesquisa é o resumo de uma entre várias de suas obras, o livro “Mensagens do Astral”, psicografado por Hercílio Maes entre os anos de 1948 e 1949. A segunda parte da pesquisa consta de uma mensagem avulsa, distribuída sob a forma de panfleto nos centros de estudos espiritualistas dedicados à Ramatís.

Coletânea do livro “O Evangelho à Luz do Cosmo”, Ramatís/Hercílio Maes. 1974 – Capítulo 16 “O trigo e o joio”:

Pergunta — Mas essa emigração de Espíritos terrícolas para um mundo inferior e muito aquém do que já usufruíram na Terra, parece-nos mais punitiva do que mesmo reeducativa! Estamos certos?

Ramatís: As vidas nas faces dos orbes físicos são apenas ensejos ou recursos educativos, no sentido de se plasmarem as consciências individuais dos Espíritos recém-saídos da energia psíquica cósmica! Através das inúmeras situações e “testes” pedagógícos dos mundos materiais, as centelhas espirituais promovem a sua própria conscientização, adquirindo a noção de “existir”, e o “saber” pelo pensar! Ademais, as próprias forças sublimadas da vivência animal, acasalando-se com as energias sutilíssimas atraídas dos planos superiores, constituem-se na substância fundamental da estrutura e configuração do perispírito do homem encarnado! Em consequência, o perispírito se organiza no limiar das forças refinadas da animalidade, e, também, pelas energias “descidas” da fonte sidérea divina!

Mas durante esse intercâmbio ou ativação entre o Espírito e a matéria, no sentido de se desenvolver a consciência espiritual do homem, o seu perispírito também se imanta do residual inferior produzido pelo campo vigoroso e instintivo da contribuição animal. Tratando-se de um veículo definitivo e que opera normalmente nos planos superiores da angelitude, o perispírito então precisa submeter-se a uma terapia ou saneamento energético, a fim de o Espírito desencarnado conseguir alcançar os campos de forças mais sutis da vida espiritual. Mas o processo que sublima e purifica o períspírito, e o liberta do residual inferior conseqüente às suas experiências vividas na matéria, que o diafaniza para a espiritualidade, atua à semelhança de um “lixamento” em todos os interstícios perispirituais, cujo atrito então repercute no campo nervoso do encarnado, causando-lhe a reação conceptual da “dor” ou do “sofrimento” tão indesejáveis. Trata-se de algo semelhante a um circuito no campo físico, mas que atinge de modo aflitivo e desagradável o campo psíquico! É, enfim, a cota de sacrifício, que resulta durante a elaboração da consciência espiritual do “novo indivíduo”, modelado no seio de Deus!

Em conseqüência, os mundos físicos funcionam como verdadeiras “lixas” de áspera granulação, que extirpam compulsoriamente da veste perispiritual a crosta dos resíduos e das paixões da animalidade instintiva. E quando os Espíritos matriculados no curso primário dos mundos físicos são reprovados no exame escolar ou de “juízo final”, porque ainda lhes predomina a instintividade animal sobre a freqüência sidérea perispiritual, então só resta à Administração Sideral despejar os “maus inquilinos” para outra moradia agreste, mas eletiva para eles recapitularem as lições negligenciadas. Não se trata de nenhuma punição ou castigo de Deus, mas simplesmente uma operação retificadora, cuja finalidade essencial é promover a ventura do ser!

Pergunta — Ainda sob o tema do “Festim de Bodas”, que são as imagens ou configurações alusivas, que nos indica especificamente o acontecimento dos Espíritos reprovados serem alijados para outro mundo inferior?

Ramatís: Na parábola do “Festim de Bodas”, é muito significativo, quando o rei assim indaga ao “intruso”, que se encontra em situação ilegal no banquete divino: “meu amigo, como entraste aqui sem a túnica nupcial?” Sem dúvida, o Senhor ali figurado como o rei refere-se ao fato de o convidado apresentar-se sem a túnica nupcial, ou conforme já vo-lo dissemos, sem o perispírito devidamente higienizado ou “imaculado”!

É fácil de aperceber-se que o “intruso” não oferece as condições autênticas exigíveis para poder-se ajustar em equilíbrio com o ambiente superior, e, conseqüentemente, deve ser dali “expulso”! Ele vivia satisfatoriamente condicionado num ambiente inferior, e, por lei vibratória, então até deve sentir dificuldade em mudar-se para um nível superior! É de lei; no mundo físico, que o sapo viva no pântano nauseabundo, que lhe é o ambiente apropriado, enquanto o colibri esvoaça entre os odores das flores. Cada ser vive de acordo com a sua eletividade ambiental, por cujo motivo o colibri sucumbe asfixiado no mesmo lodo onde o sapo canta eufórico.

O tema dessa parábola, portanto, presta-se muitíssimo para também explicar e comprovar o exílio dos Espíritos reprovados na seleção de “juízo final” da Terra. A figura do “convidado intruso” do “Festim de Bodas” simboliza o conjunto de Espíritos que devem ser alijados da face da Terra, porque eles não conseguiram aprender o ABC do Amor, e, portanto, não possuem as condições necessárias, para se reencarnarem no próximo milênio no orbe em prosseguimento ao seu desenvolvimento consciencial.

Isso porque a Terra, já devidamente reformada e ajustada geologicamente, será um planeta sem ódios e sem guerras, onde há de predominar a busca da sabedoria e das atividades criativas através da arte e da ciência sublimadas pela fraternidade.

A parábola do “Festim de Bodas” não só identifica o tipo espiritual terrícola reprovado no “juízo final”, e simbolizado na figura do hóspede intruso, como ainda assinala o exílio dos “esquerdistas” do Cristo para as “trevas exteriores”, onde há “prantos e ranger de dentes”. Essa figura ajusta-se perfeitamente ao simbolismo de um mundo físico primário, ainda povoado por uma vida animal selvática e feroz. Só num mundo físico de natureza agreste é que realmente pode existir “ranger de dentes e prantos”, como símbolo da animalidade, e onde ainda grassa a violência, guerra e ferocidade na luta pela sobrevivência, tão comuns à maioria dos atuais terrícolas.

Qualquer discípulo de filosofia espiritualista, baseado no pensamento oriental, sabe que, ao buscar o “reino dos céus”, o candidato deve trilhar a “senda interna” do Espírito, apurar a sua sensibilidade psíquica e aperceber-se do que é divino. Deste modo, as “trevas exteriores”, mencionadas por Jesus, nada mais são do que o “caminho exterior”, transitado pela alma encarnada através do seu invólucro físico. Em conseqüência, os Espíritos que negligenciarem o seu aprimoramento espiritual, desprezando a “senda interna”, deverão recuperar o tempo perdido e recapitular suas lições ao longo do “caminho externo”, numa vida física ainda mais dificultosa e mais dolorosa, porque se trata de uma verdadeira restauração para o nível que decaíram na Terra.

Pergunta — Que dizeis quanto à referência mencionada no “Festim de Bodas” de que “muitos serão os chamados e poucos os escolhidos”?

Ramatís: Até o fim do século atual, período em que se processa o profético “Juízo Final”, e época dos “Tempos Chegados”, provavelmente devem ser convocados à reencarnação mais de 5 bilhões de Espíritos na erraticidade, para aí no mundo físico darem o testemunho da evolução espiritual. Antigos magos-negros serão chamados a militar na magia branca de Umbanda, e muitos retornarão às antigas práticas em prejuízo do próximo, ainda estimulados pela sua deficiência espiritual. Entre antigos inquisidores, líderes sombrios da Idade Média, polemistas de dissensões religiosas e mesmo políticas, serão convidados a participar da renovação espiritual do mundo, embora muitos deles ainda devam prosseguir preferindo as discussões estéreis à ação crístíca. Mas, conforme as estatísticas da “Administração Sideral”, apenas um terço da vossa humanidade deverá ser escolhido à direita do Cristo e gozar da concessão de voltar a encarnar-se na Terra, no próximo milênio, Os dois terços restantes compreendem os “feixes” de joio, que “atados de pés e mãos”, e devido à sua irresponsabilidade espiritual, serão classificados à “esquerda” do Cristo e obrigados a emigrar para um mundo primitivo, onde o homem ali mal consegue amarrar machados de pedra!

São esses Espíritos escravos do “mundo de César”, que preferiram exclusivamente a “porta larga” dos prazeres, vícios, das ignomínias, paixões e facilidades humanas, desprezando a “porta estreita”, que simboliza o dever, estoicismo, e paciência e resignação.

Coletânea do livro “Mensagens do Astral”, de Ramatís. Esta coletânea reproduz fielmente alguns trechos do livro. Para melhor compreensão e organização deste resumo, estes trechos foram reorganizados por assunto.

O que é e como ocorrerá o “fim dos tempos”

“O “fim do mundo” profetizado refere-se tão somente ao fim da humanidade anti-cristã; será uma seleção em que se destaquem os da “direita” e os da “esquerda” do Cristo. Trata-se de promoção da Terra e de sua humanidade; lembra um severo exame que, para os alunos relapsos e ociosos, representa terrível calamidade! Mas de modo algum a vossa morada planetária sairá do rodopio em torno do Sol, onde também constitui importante âncora do sistema. Após a operação cósmica, que lhe será de excelente benefício para a estrutura geofísica, deverá possuir maior equilíbrio, melhor circulação vital-energética na distribuição harmônica das correntes magnéticas, além de oferecer um ambiente psíquico já higienizado”. (pg. 22)

“As épocas de “juízo final”, têm também por função ajustar a substância planetária para se tornar melhor habitat e, consequentemente, requerem seleção de almas com melhor padrão, necessário para as sucessivas reencarnações em moradia aperfeiçoada”. (pg. 41)

“A eclosão desses acontecimentos dar-se-á pela presença de um planeta que se move em direção à Terra e cuja aproximação já foi prevista remotamente pelos Engenheiros Siderais. A sua órbita é oblíqua sobre o eixo imaginário do vosso orbe e o seu conteúdo magnético, poderosíssimo, atuará tão fortemente que obrigará, progressivamente, a elevação do eixo terráqueo.

... a influência magnética deste astro far-se-á sentir até que se complete a verticalização da posição Terra. Quando o eixo terráqueo estiver totalmente verticalizado, o planeta intruso já se terá distanciado do vosso orbe”. (pg. 35 e 36)

Efeitos físicos sobre a Terra

“... as principais modificações que sofrerão os oceanos Pacífico e Atlântico, com as emersões da Lemúria e da Atlântida, que formarão então extensa área de terra, do que resultará a existência de apenas três continentes, para melhores condições de existência da humanidade futura”. (pg. 132)

“É óbvio que, ao se elevar o eixo terráqueo, o que há de acontecer até o fim deste século, também se modificarão, aparentemente, os quadros do Céu astronômico com que estão acostumadas as nações, os povos e tribos,..”. (pg. 122)

“Com a elevação gradativa do eixo terráqueo, os atuais pólos deverão ficar completamente libertos dos gelos e, até o ano 2000, aquelas regiões estarão recebendo satisfatoriamente o calor solar. O degelo já principiou; vós é que não o tendes notado....

O degelo descobrirá à luz do dia as vastas regiões que se encontram refrigeradas e que conservam em seu seio vegetação luxuriante e minerais preciosos, que servirão ao homem do terceiro milênio. Grandes reservas nutritivas, de muito antes da catástrofe da Atlântida, resguardam-se debaixo do gelo, desde quando os pólos não eram ainda regelados e que a Terra se situava noutras condições em relação ao seu eixo imaginário”. (pg. 228)

O exílio no astro intruso

“Simbolizai esse astro num gigantesco aspirador magnético que deve efetuar a absorção dos detritos mentais que povoam e obscurecem a atmosfera etéreo-astral da Terra, detritos esses que servem de barreira às influências benéficas dos bons Espíritos sobre o vosso mundo, assim como a poeira nas vidraças dificulta a penetração dos raios solares. Refleti que a verdadeira profilaxia num porão cheio de detritos imundos exige primeiramente a retirada do monturo e não a saturação improdutiva do ambiente por meio de perfume. As substâncias deletérias aderidas às vidraças não serão removidas com água destilada, mas requerem a aplicação de ácidos corrosivos; ..”. (pg. 185)

“O seu papel é o de atrair para o seu bojo etéreo-astral todos os desencarnados que se sintonizem com sua baixa vibração, pois, analogamente às limalhas de ferro quando atraídas por ferro magnético, esses Espíritos terrícolas desregrados,... ver-se-ão solicitados para a aura do orbe visitante.

Essas entidades atraídas para o astro intruso serão os egoístas, os malvados, os hipócritas, os cruéis, os desonestos, os orgulhosos, tiranos, déspotas e avaros;... encontrarão o cenário adequado aos seus despotismos e degradações, pois o habitante desse orbe encontra-se na fase rudimentar do homem das cavernas; mal consegue amarrar pedras com cipó, para fazer machados! A Terra será promovida à função de Escola do Mentalismo e os desregrados, ou os esquerdistas do Cristo, terão que abandoná-la, por lei natural de evolução”. (pg. 169)

“O psiquismo do terrícola exilado, embora tenha sido considerado impróprio para que ele viva na Terra – motivo pelo qual terá de afastar-se dela – é considerado superior no planeta primitivo,... O psiquismo do orbe inferior renovar-se-á sucessivamente, em sua qualidade primária, sob o mecanismo psíquico mais evoluído do exilado terrícola”. (pg. 193)

“..., no futuro, em certas horas de nostalgia espiritual, sentir-se-ão como estranhos no planeta, recompondo outra lenda parecida com a de Adão e Eva enxotados do Paraíso, por haverem abusado da “árvore da ciência do Bem e do Mal”. E sob a mesma índole do que já se registrou na Terra, também surgirá no astro-exílio uma versão nova dos “Anjos Decaídos”, rebeldes à Luz Divina, formando a gênese daquele planeta inferior”. (pg. 211)

“Segundo prevê a Psicologia Sideral, deverá atingir a dois terços da vossa humanidade o total dos Espíritos a serem transferidos para o astro de que temos tratado”. (pg. 189)

Nova civilização e nova terra de paz

“A vida sempre se reorganiza novamente, após as grandes comoções do orbe, a fim de se apresentarem novas oportunidades, mais eficazes, para o adiantamento das almas, que também pressentem a proximidade dos eventos importantes”. (pg. 32 e 33)

“O fenômeno da sucção incessante e gradativa, por parte do astro, não elimina ex-abrupto o ensejo das renovações, as quais ainda pertencem à responsabilidade pessoal dos próprios escolhidos para a direita de Cristo. Os que reencarnarem na Terra, no terceiro milênio, como candidatos a planos celestiais, não ficarão metamorfoseados em “anjos imaculados”, apenas porque seja higienizada certa porcentagem magnética do ambiente em que terão que viver.

Eles serão escolhidos e agrupados pelas tendências simpáticas ao Cristo, mas terão que buscar a sua completa purificação sob as disciplinas costumeiras das vicissitudes naturais do mundo físico e também de conformidade com o restante dos seus débitos cármicos”. (pg. 188)

“Apesar de apresentar a Terra satisfatórias condições de habitabilidade, a humanidade terrícola ainda não encontrará, no princípio do terceiro milênio, um panorama edênico e venturoso. Serão aplicados todos os esforços e conhecimentos artísticos, científicos e educativos, para a edificação de um cenário agradável à existência humana dos escolhidos. O êxito desejado não será obtido de modo ex-abrupto, mas sim no decorrer dos primeiros dois ou três séculos, como fruto do entendimento entre as criaturas bem intencionadas... Ao começo, quase tudo estará por fazer e renovar...”. (pg. 290)

As áreas menos afetadas

“As civilizações mais importantes, no próximo milênio, constituir-se-ão nas zonas menos atingidas pelas catástrofes profetizadas para o fim do mundo. Algumas florescerão exatamente nas regiões onde atualmente se encontram os pólos congelados, conforme já anunciamos, a fim de ser aproveitada a exuberância das reservas que surgirão à luz do dia e que se acham debaixo das camadas regeladas. Nem todos os países e agrupamentos serão atingidos catastroficamente pelas comoções geológicas, submersões de faixas litorâneas e pelas inundações inevitáveis, porquanto a elevação do eixo se processará gradativamente. No plano traçado pela engenharia sideral já foram assinaladas as coletividades que devem permanecer como sustentáculos das tradições morais, históricas e iniciáticas, a fim de servirem de base lógica e sensata para o desenvolvimento disciplinado da civilização futura”. (pg. 294)

A guerra

“Quando se fizer a conjunção dos efeitos do astro intruso com os efeitos da loucura humana, no mau emprego da desintegração atômica, a terra será abrasada”. (pg. 219)

Até o final deste século, libertar-se-ão da matéria dois terços da humanidade, através de comoções sísmicas, inundações, maremotos, furacões, terremotos, catástrofes, hecatombes, guerras e epidemias estranhas. O conflito entre o continente asiático e o europeu, já mentalmente delineado entre os homens para a segunda metade do século, com a cogitação do emprego de raios incendiários e da arma atômica, comprovará a profecia de São João, quando vos adverte de que o mundo será destruído pelo fogo e não mais pela água.

Em virtude dos cientistas não poderem prever com absoluto êxito os efeitos de vários tipos de energias destrutivas, que serão experimentadas para serem empregadas na hecatombe final, mesmo no período de Paz e com o mundo exausto, surgirão estranhas epidemias, deformando, diluindo e perturbando os genes formativos de muitas criaturas, do que resultarão sofrimentos para as próprias gestantes. (pg. 189 e 190)

Mensagens finais

“..., as almas trazem impressas em sua retina espiritual as recordações dos acontecimentos dolorosos que já viveram de modo catastrófico e, além disso, recebem instruções, no Espaço, sobre aquilo que está para acontecer. Todos vós estais devidamente avisados dos próximos eventos dos “tempos chegados”; conheceis, no subjetivismo de vossas almas, a sequência dos fatos que se desenrolarão sobre a crosta do vosso orbe. ..”. (pg. 34 e 35)

“Não vos impressioneis, portanto, e aguardai, na rotina comum de vossas vidas, o dia em que o Alto vos pedirá provas de amor, de bondade e de perdão!...

Em qualquer “fim do mundo” que ocorrer durante vossas existências espirituais, a vossa libertação só será encontrada na vossa absoluta integração nos postulados do Evangelho do Cristo!” (pg. 38)

“..., embora nos preocupemos com a sequência dos próximos eventos trágicos, procurando explicá-los de modo compreensível às vossas mentes, cogitamos mais seriamente do conteúdo crístico do que mesmo do fenômeno astronômico, pois só o primeiro é que poderá diplomar-vos para as academias superiores do Espírito”. (pg. 178)



A seguir, temos a cópia de um impresso distribuído em centros de estudos espiritualistas, onde mais uma vez Ramatís alerta sobre a vinda de uma nova era e suas consequências.

Elucidações sobre o advento do Terceiro Milênio. As grandes transformações do final do século. O Brasil será não só o celeiro, mas também o coração do Mundo.

Como já tenho explicado através de inúmeras obras publicadas, o fim do ciclo terreno se aproxima. Há no Espaço Sideral uma grande campanha para alertar a vós, habitantes do planeta condenado a uma “higienização”.

A campanha, já o sabeis, é de esclarecimento. Todos serão alertados. Todos serão avisados. Todos conhecerão a Verdade.

É chegada a hora em que se definirão as posições. É chegada a hora em que todos prestarão contas de seus atos, não só desta encarnação que vivem agora, mas também de muitas, inúmeras que tiveram através dos séculos. ...

... A Terra será planeta onde, lavados e purificados de seus resíduos, ares e mares emanarão eflúvios benéficos à nova humanidade que semeará o Bem, a energia benéfica, o amor, o altruísmo, fazendo florescer a doutrina do Cristo.

... Poucos anos restam à Terra para atingir o ano 2.000. Muitos sinais serão dados de que os tempos são chegados. O mundo não acabará como pensam alguns: sofrerá apenas tremendas modificações com a verticalização do eixo da Terra. O que está em cima, para baixo irá e, o que está embaixo, ressurgirá. Montanhas se tornarão planícies e mares invadirão terras. Vosso país muito será poupado.

Muitos dos nossos irmãos escolhidos já aqui se encontram, reencarnados, e outros virão de outras terras, daquelas que já se acham condenadas. Homens, assumi vosso verdadeiro papel! Homens, meditai sobre vossos erros! Homens, voltai atrás em vossas vaidades! Reconsiderai e segui pela estrada do Bem e do Amor!

Ramatís II

Aqueles que serão escolhidos para ficar sobre a Terra no advento do novo século, podem crer que não serão atingidos pelo que está para acontecer. Serão poupados e aqueles ou os seus parentes que partirem é que já se achavam no tempo de desencarnar. Os que permanecerem, terão árdua missão a cumprir; árdua e espinhosa, árdua e trabalhosa, árdua e gloriosa: reconstruir um mundo, reconstruir em sua essência espiritual o mundo cuja parte material será extinta (materialismo).

... Orai e prossegui. Não precisareis fazer vida de ascetas ou vos privardes das puras alegrias terrenas: música, leitura, família, inocentes prazeres, daqueles que tanto vos contentam a alma, como a contemplação da Natureza. Nada disso vos é proibido. O que vos exortamos a fazer é não vos fechardes num árido egoísmo, sem vos lembrardes daquele que tem fome, daqueles que tem frio, dos órfãos, dos enfermos, dos que sofrem em sua carne e em sua alma...

Ramatís III

O Brasil será não só o celeiro, mas, também, o coração do mundo. Perguntareis: por que coração? Somente por ser o povo que mais conhecimento tem das coisas espirituais.

Aqui Jesus pousou agora os seus olhares, aqui na vossa terra, nesse imenso continente que tanto foi poupado aos cataclismos da Natureza que assolam os outros países. Sim, aqui Jesus pousou seus doces olhares e aqui fixou sua residência astral, até que o advento do Terceiro Milênio passe e refloresça. Será daqui, de sobre esta nação pacifista e amiga de todas as outras, cujo povo abre seus braços a todos os seus irmãos de todas as latitudes e quadrantes do globo, que Jesus emitirá suas vibrações.

É daqui que partirão as emissões do seu entranhado amor aos homens. É daqui que, como de um grande coração ardente, partirá a chama de amor para a humanidade, que ressurgirá das cinzas do que está para vir.

O que está para vir é quase irreversível. Dizemos quase, porque muita coisa pode ainda ser mudada, se assim o desejarem os homens e se para isto se esforçarem. Daqui, desta terra, deste imenso Brasil, partirão os fundamentos do mundo de amanhã. Não queremos dizer com isto que não sejais também sacudidos por grandes acontecimentos, mas eles todos serão de pouca monta em relação com o que acontecerá em outras regiões da Terra. Nada aqui perecerá definitivamente, vossos férteis campos e vossas cidades pouco mudarão, apesar de também sofrerdes os efeitos da verticalização do eixo da Terra. Mas como saireis reforçados e mais seguros espiritualmente depois de tudo isso!

Meus queridos irmãos, dessa misteriosa e selvagem Amazônia, um grande destino vos está reservado. Praza aos Céus que possais levar a cabo a missão que vos cabe no grande plano que aqui no Alto, foi traçado.

Meus bons trabalhadores e amigos, hoje estamos contentes e felizes. Grande vitória alcançamos com a encarnação de um nosso grande companheiro de luz, cujo nome não tenho ainda permissão para vos revelar. Sob essa bandeira verde e amarela, nasceu ainda hoje, para os grandes trabalhos que o esperam. Praza a Deus que sua iluminação seja sempre e sempre cada vez mais evidente, desde os mais tenros anos de vida, de sua vida passada aqui embaixo. A aura desse nosso companheiro é de grande potência. Suas vibrações, desde sua infância, se espalharão beneficamente sobre este Brasil, fazendo pulsar cada vez mais bondoso e compreensivo o coração desta terra símbolo do Novo Mundo que breve despontará.

Que Deus esteja presente em vossos corações, hoje e sempre, é o que vos deseja o vosso irmão em Deus.

Ramatís IV

Aqueles que permanecerem na Terra e tiverem a ventura de aqui continuar a viver, terão uma nova maneira de encarar as coisas.

As ciências florescerão de tal maneira, que hoje nem sonham os homens, aqueles homens que lidam com essa ciência que sempre seduziu as mentes terrenas.

Ora meus irmãos, e por que a nova era será um florescer? Por que a nova era será um alvorecer? Porque os homens mudarão, porque os homens não serão mais aqueles que vivem em função de guerras, de mortes, de cataclismos que frequentemente se abalam sobre a Terra.

... Aqueles que daqui partirem (para um planeta inferior) começarão de muito baixo a caminhar novamente para frente e aqueles que aqui permanecerem, também caminharão para frente, para o alto, mas de forma diferente.

... Os homens se amarão, os homens descobrirão novas coisas, os homens se visitarão de planeta a planeta e a Terra será um novo paraíso, aquele paraíso tão decantado há séculos e séculos.

Ramatís V

Como se fosse apenas uma bola de criança, que a própria criança virasse à sua vontade, a Terra se virará subitamente, verticalizando seu eixo. Com esse movimento, terras férteis surgirão do fundo dos oceanos e aquele perigo de se esgotarem os recursos naturais para a alimentação do homem desaparecerá.

Os continentes se estenderão em maior extensão e os mares serão contidos e distribuídos de maneira diversa. Os povos sofridos serão mais agraciados com os benefícios que virão e serão muitos. A ciência dará um salto gigantesco, mas bem ao contrário do momento presente, todo progresso será empregado para a Paz e a Harmonia entre os homens. E assim, o sacrifício do Grande Mestre não terá sido vão.

...no final dos tempos acontecerão coisas, como, por exemplo, a materialização dos Espíritos em plena luz do dia, exatamente para mostrar aqueles que ainda são incrédulos, que a Verdade é uma só.

... Pergunta – Seria possível uma explicação sobre os acontecimentos que afetarão o Brasil no final do ciclo?

Resposta - Este pedacinho de terra (Brasil) – eu digo pedacinho porque me refiro ao conjunto geral que é o Cosmos – este pedacinho de terra, não será um pedaço de terra privilegiado.

Todavia, assim o podereis considerar quando, mais tarde, considerando-se os acontecimentos, puderdes constatar que não sereis quase atingidos pelas calamidades que cobrirão o restante do planeta. É uma transformação necessária, já o dissemos, e os engenheiros siderais, os engenheiros do Espaço, nisso trabalham incansavelmente. As transformações serão muito grandes e, por isso, sentidas com toda intensidade na crosta terrestre. Países desaparecerão, nações inteiras, poderosas... assim como vós as chamais. Pobres irmãos, não sabem o que os espera! Montanhas serão submersas, novas terras emergirão do fundo dos mares. Terras férteis, prontas para o renascimento de uma nova Humanidade.

O Brasil não ficará incólume. Todavia, será abrandado o seu carma coletivo porque para aqui virão os refugiados de outras terras, de todas as partes do globo e, aos que aqui estiverem, caberá o papel de anfitriões, abrindo os seus braços e ofertando o seu coração, sem olhar cores ou nacionalidades, porque aí então começarão a compreender o verdadeiro sentido da palavra Fraternidade.



Achamos importante disponibilizar a entrevista abaixo, por se tratar do amado e abalizado médium, Francisco Cândido Xavier, onde o Espírito de Emmanuel dá instruções sobre os apontamentos de Ramatis, referentes ao final dos tempos.

EMMANUEL FALA SOBRE RAMATIS

A mensagem abaixo reproduzida contém a íntegra de uma entrevista realizada com o médium Francisco Cândido Xavier e seu Instrutor Espiritual chamado Emmanuel, publicada pela Revista Boa Vontade, Ano 1, nº 4 – Outubro de 1956:

Logo que apareceram as primeiras publicações da “Conexão de Profecias” (Hoje com o título “Mensagens do Astral”), de Ramatis, fomos a Pedro Leopoldo, a fim de ouvir a palavra autorizada de Emmanuel, através daquele aparelho maravilhoso que é Francisco Cândido Xavier. Isto, porque o que era dito pelo Espírito de Ramatis, parecia-nos perfeitamente lógico. Mas, como constituía novidade, não queríamos aceitar de pronto algo que não passasse pelo crivo de várias manifestações mediúnicas, através de diversos aparelhos.

Desta forma, munidos do aparelho de gravação em fita, fomos atendidos gentilmente pelo médium, que respondeu às perguntas que fazíamos, repetindo as palavras da resposta, que eram ditadas por Emmanuel. A gravação foi feita no dia 5 de janeiro de 1954. Conservamos até hoje o rolo gravado em nosso poder. Passamos a estampar as perguntas e respectivas respostas:

Pergunta: - Que pode o irmão dizer-nos a respeito do astro que se avizinha, segundo a predição de Ramatis?

Chico Xavier: - Esclarece nosso orientador espiritual que o assunto alusivo à aproximação de um Planeta ou de Planetas, da zona – ou melhor da aura da Terra – deve, naturalmente, basear-se em estudos científicos, que possam saciar a curiosidade construtiva das novas gerações renascentes no mundo. O problema, desse modo, envolve acurados exames, com a colaboração da ciência e da observação de nossos dias.

Razão por que pede ele que não nos detenhamos na expressão física dos acontecimentos que se vizinham, para marcar maiores acontecimentos – acontecimentos esses de natureza espetacular – na transformação do plano em que estamos estagiando, no presente século. Afirma nosso amigo que o progresso da óptica e das ciências matemáticas, serão portadoras, naturalmente, de ilações, conclusões da mais alta importância para os nossos destinos, no futuro próximo.


Pergunta: - Pode Emmanuel dizer-nos algo a respeito da verticalização do eixo da Terra e das transformações que esta sofrerá, segundo Ramatis?

Chico Xavier: - Afirma nosso Orientador espiritual que não podemos esquecer que a Terra, em sua constituição física, propriamente considerada, possui os seus grandes períodos de atividade e de repouso. Cada período de atividade e cada período de repouso da matéria planetária, que hoje representa o alicerce de nossa morada temporária, pode ser calculado, cada um, em duzentos e sessenta mil (260.000) anos. Atravessando o período de repouso da matéria terrestre, a vida se reorganiza, enxameando de novo, nos vários departamentos do Planeta, representando, assim, novos caminhos para a evolução das almas.

Assim sendo, os grandes instrutores da Humanidade, nos planos superiores, consideram que, desses 260.000 anos de atividade, 60 a 64 mil anos são empregados na reorganização dos pródomos da vida organizada. Logo em seguida, surge o desenvolvimento das grandes raças que, como grandes quadros, enfeixam assuntos e serviços, que dizem respeito à evolução do Espírito domiciliado na Terra.

Assim, depois desses 60 a 64 mil anos de reorganização de nossa Casa Planetária, temos sempre grandes transformações, de 28 em 28 mil anos. Depois do período dos 64 mil anos, tivemos duas raças na Terra, cujos traços se perderam, por causa de seu primitivismo. Logo em seguida, podemos considerar a grande raça Lemuriana, como portadora de urna inteligência algo mais avançada, detentora de valores mais altos, nos domínios do Espírito. Após a raça Lemuriana – em seguida aos 28.000 anos de trabalho lemuriano propriamente considerado – chegamos ao grande período da raça Atlântida, era outros 28.000 anos de grandes trabalhos, no qual a inteligência do mundo se elevou de maneira considerável.

Achamo-nos, agora, nos últimos períodos da grande raça Ariana. Podemos considerar essas raças, como grandes ciclos de serviços, em que somos chamados de mil modos diferentes, em cada ano de nossa permanência na crosta do planeta, ou fora dela, ao aperfeiçoamento espiritual, que é o objetivo de nossas lutas, de nossos problemas, de nossas grandes questões, na esfera de relações, uns para com os outros.


Assim considerando, será mais significativo e mais acertado, para nós, venhamos a estudar a transformação atual da Terra sob um ponto de vida moral, para que o serviço espiritual, confiado às nossas mãos e aos nossos esforços, não se perca em considerações, que podem sofrer grandes alterações, grandes desvios; porque o serviço interpretativo da filosofia e da ciência está invariavelmente subordinado ao Pensamento Divino, cuja grandeza não podemos perscrutar.

Cabe-nos, então, sentir, e, mais ainda, reconhecer, que os fenômenos da vida moderna e as modificações que nosso “habitat” terreal vem apresentando nos indicam a vizinhança de atividades renovadoras, de considerável extensão. Daí esse afluxo de revelações da vida extra-terrestre, incluindo sobre as cogitações dos homens; esses apelos reiterados, do mundo dos Espíritos; essa manifestação ostensiva, daqueles que, supostamente mortos na Terra, são vivos na eternidade, companheiros dos homens em outras faixas vibratórias do campo em que a humanidade evolui. Toda essa eclosão de notícias, de mensagens, de avisos da vida espiritual, devem significar para o homem, domiciliado na Terra do presente século, a urgência do aproveitamento das lições de Jesus. Elas deverão ser apreciadas em si mesmas, e examinadas igualmente no exemplo e no ensinamento de todos aqueles que, em variados setores culturais, políticos e filosóficos do globo – lhe traduzem a vontade divina, que na essência é sempre a nossa jornada para o Supremo Bem.

Os termos da comunicação obtida em Curitiba (a “Conexão de Profecias”, de Ramatis) são de admirável conteúdo para a nossa inteligência, de vez que, realmente, todos os fatos alusivos à evolução da Terra, e referentes a todos os eventos, que se relacionam com a nossa peregrinação para a vida mais alta, estão naturalmente planificados, por aqueles ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo; os quais, de acordo com Ele, estabelecem programas de ação para a coletividade planetária, de modo a facilitar-lhe os vôos para a divina ascensão.

Embora, porém, esta mensagem, por isso mesmo, seja digna de nosso melhor apreço, contudo, na experiência de companheiro mais velho, recomenda-nos nosso Orientador Espiritual (Emmanuel) um interesse mais efetivo, para a fixação de valores morais em nossa personalidade terrena, de conformidade com os padrões estabelecidos no Evangelho de nosso Divino Mestre. Porque, para nossa inteligência, os fenômenos renovadores da existência que nos cercam têm qualquer coisa de sensacional, de surpreendente, nosso coração de inclinar-se, humilde, diante da Majestade do Senhor, que nos concede tantas oportunidades de trabalho, em nós mesmos, a revelação dos grandes acontecimentos porvindouros; novo soerguimento íntimo, novo modo de ser, a fim de que estejamos realmente habilitados a enfrentar valorosamente as lutas que se avizinham de nós, e preparados para desfrutar a Nova Era que, qual bonança depois da tempestade, facilitará nossos círculos evolutivos.

Será, todavia, muito importante encarecer, que não devemos reclamar, do terceiro milênio, uma transformação absolutamente radical, nos processos que caracterizam, por enquanto, a nossa vida terrestre.

O prazo de 47 anos é diminuto, para sanar os desequilíbrios morais, de tantos séculos, em que o nosso campo coletivo e individual adquiriu tantos débitos, diante da sabedoria e diante do amor, que incessantemente apelam para nossa alma, no sentido de nos levantarmos, para um clima mais aprimorado da existência. Não podemos esquecer, que grandes imensidades territoriais, na América, na África e na Ásia, nos desafiam a capacidade de trabalho. Não podemos olvidar, também, que a Europa, superalfabetizada, se encontra num Karma de débitos clamorosos, à frente da Lei, em dolorosa expectação, para o reajuste moral, que Ihe é necessário.


Aqui mesmo, no Brasil, numa nação com capacidade de asilar novecentos (900) milhões de habitantes, em quatrocentos e alguns anos de evolução, mal estamos – os Espíritos, encarnados na Terra em que temos a bênção de aprender ou recapitular a lição do Evangelho – mal estamos passando das faixas litorâneas. Serviços imensos esperam por nossas almas no futuro próximo. E, se é verdade que devemos aguardar, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, condições mais favoráveis para a estabilização da saúde humana, para o acesso mais fácil às fontes da ciência; se nos compete a obrigação de esperar o melhor para o dia de amanhã cabe-nos, igualmente, o dever de não olvidar que, junto desses direitos, responsabilidades constringentes contam conosco, para que o Mundo possa, efetivamente, atender ao programa Divino, através, não somente da superestrutura do pensamento científico – que é hoje um teto brilhante para os serviços de inteligência do mundo – mas também, através de nossos corações, chamados a plasmar uma vida, que seja realmente digna de ser vivida por aqueles que nos sucederão nos tempos duros; entre os quais, naturalmente, milhões de nós os reencarnados de agora, formaremos, de novo, como trabalhadores que voltam para o prosseguimento da tarefa de auto acrisolamento, para a ascensão sublime, que o Senhor nos reserva.

Considerando, assim, a questão sob este prisma, cabe-nos contar com o concurso da ciência, no setor das observações de ordem material; com a evolução dos instrumentos de óptica; com o avanço dos processos de exame, na esfera da química planetária, na qual os mundos podem ser analisados, como átomos da amplidão de universos, que se sucedem uns aos outros, no infinito da Vida.

Será lícito, então, esperar que certas afirmativas, referentes a vida material, se positivem satisfatoriamente, para mais altas concepções da mente planetária; de vez que, muito breve, o homem estará ligado à glória da religião cósmica, da Religião do Amor e da Sabedoria, que o cristianismo renascente, no Espiritismo de hoje, edificará para a Humanidade, ajustando-a ao concerto de bênçãos, que o grande porvir nos reserva.


Pergunta: - Foi, de fato, há 37.000 anos que submergiu a Atlântida?

Chico Xavier: - Diz nosso Amigo (Emmanuel) que o cálculo é, aproximadamente, certo, considerando-se que as últimas ilhas, que guardavam os remanescentes da civilização Atlântida, submergiram, mais ou menos, 9 a 10 mil anos, antes da Grécia de Sócrates.

Pergunta: - Poderíamos ter alguns informes a respeito de Antúlio?

Chico Xavier: - Vejo, aqui, nosso diretor espiritual, Emmanuel, que nos diz que um estudo acerca da personalidade de Antúlio exigiria minudências relacionadas com a história, no espaço e no tempo, que, de imediato, não podemos realizar. De modo que, tão somente, pode afiançar-nos que se trata de uma entidade de elevada hierarquia, no plano espiritual; vamos dizer; um assessor, ou um daqueles assessores, que servem nos trabalhos de execução do plano divino, confiado ao Nosso Senhor Jesus Cristo, para a realização do progresso da Terra, em geral.

Esclarece nosso amigo que Jesus Cristo, como governador de nosso mundo, no sistema solar, conta, naturalmente, com grandes instrutores, para a evolução física e para a evolução espiritual, na organização planetária. E, subordinados a esses ministros, para o progresso da matéria e do Espírito, no plano que nós habitamos presentemente, conta Ele com uma assembléia de múltiplos instrutores, de variadas condições, que lhe obedecem as ordens e instruções, numa esfera, cuja elevação, de momento, escapa à nossa possibilidade de apreciação. Antúlio forma no quadro destes elevados servidores.


Pergunta: - Acha nosso irmão que a Mensagem de Ramatis deva ser divulgada com amplitude?

Chico Xavier: - Diz nosso Orientador que a Mensagem é de elevado teor... E todo trabalho organizado com o respeito, com o carinho e com a dignidade, dentro dos quais essa Mensagem se apresenta, merece a nossa mais ampla consideração, de vez que todos nós, em todos os setores, somos estudiosos, que devemos permutar as nossas experiências e as nossas conclusões para a assimilação do progresso, com mais facilidade em favor de nós mesmos”.
É isso. Esperamos que todos tenham entendido, e possam rapidamente, voltarem-se para Jesus e Seus ensinamentos. O melhor dia é hoje e a melhor hora é agora. Mãos a obra.


O REGRESSO DO PLANETA X - UM ASTRO INTRUSO NO SISTEMA SOLAR?

05

Ramatis fala de um planeta (astro intruso), bem maior que a Terra, que entraria no Sistema Solar e “higienizaria” a Terra de grande parte da humanidade, levando-a para as profundezas do espaço cósmico. Zecharia Sitchin, no livro “O 12º Planeta”, conta a história desse astro intruso, chamado de Nibiru pelos antigos sumérios, e Planeta X na atualidade.

O primeiro registro do misterioso astro (que muitos chamam de Niribu, Hercólubus, Planeta X, etc.) apareceu em 1983, transmitido pelo satélite “IRAS” (Satélite Astronômico Infravermelho), pioneiro na descoberta.

A notícia foi dada pelo jornal Washington Post e dizia: “Foi encontrado por um telescópio em órbita da Terra, um corpo celeste tão grande quanto Júpiter que faz parte do nosso Sistema Solar”. Era a opinião de quem pensava assim. Porém...

Em 1992, veio a confirmação da descoberta pelo cientista Robert Harrington, então Diretor do Observatório Naval dos Estados Unidos que dizia: “A massa deste corpo celeste é quatro vezes maior do que a da Terra e trata-se, provavelmente, de uma estrela anã escura, cuja órbita a leva de um lado a outro do nosso Sistema Solar”.

Ainda em 1992, os sinais ficaram mais precisos. Uma informação da NASA dava conta de que: “desvios inexplicáveis nas órbitas de Urano e Netuno apontavam para um grande corpo fora do Sistema Solar, de massa entre quatro a oito vezes a da Terra, numa órbita altamente inclinada e a mais de 11 bilhões de quilômetros do Sol”.

Estava consumado que o artefato celeste era real, mas seria este corpo, que já estava apelidado de Planeta X, o mesmo “Nibiru” previsto pelos sumérios na Antiguidade? – Sim, é o mesmo astro que foi revelado pelo estudioso de civilizações antigas, Zecharia Sitchin, em suas obras.

Da mesma forma, a Bíblia Kolbrin, escrita pelos Egípcios após o Êxodo e pelos Celtas após a morte de Jesus, oferece relatos históricos sobre as andanças deste planeta. Os egípcios o chamavam de O Destruidor. Os druidas, antepassados dos celtas, o chamavam de O Espantador ou O Apavorante.

Depois de encontrado pelo satélite “IRAS”, o corpo já foi confirmado oficialmente em Abril de 2006, pelo telescópio “SPT” (South Pole Telescope ou Telescópio do Pólo Sul), localizado na estação polar Amundsen Scott, na Antártida. Este telescópio iniciou suas operações justamente naquele ano e é considerado um instrumento perfeito, no lugar perfeito e funciona no momento perfeito para observar o Planeta X que está sendo alvo de vigilância constante.

Muitos estudiosos dedicam significativos esforços para identificar as alterações causadas por Nibiru em nosso sistema solar, e já identificaram várias.

Por exemplo, o Sol, desde 1940, apresenta mais atividade do que nos 1.150 anos anteriores – o próximo ciclo solar será o mais violento de todos e terá seu pico justamente em 2012, o ano em que termina o calendário Maia.

As características de Nibiru

O estranho corpo que se encontra no Sistema Solar tem características astronômicas distintas que podem ser deduzidas de observações diretas feitas recentemente. Por exemplo, sua órbita é excêntrica, elíptica e dramaticamente inclinada.

Já em 1953, tudo isto tinha sido vislumbrado ou revelado por uma entidade de alta estirpe espiritual conhecida por Ramatis que se comunicava com o famoso médium brasileiro Dr. Hercílio Maes, tendo-lhe transmitido tudo no livro “Mensagens do Astral”.

Ramatis, referia mesmo um “Astro Intruso” de grandes dimensões, oriundo de um sistema solar vizinho ao nosso, que se aproximaria da Terra numa órbita inclinada em relação a esta, completando seu curso de 6.666 em 6.666 anos que por sinal tem a ver com o número da Profecia do Apocalipse.

Mais afirmava Ramatis que esse astro (quer o chamem de Niribu, Hercólubus, Planeta X, etc.) terá uma função de “higienizar” a Terra, atraindo para si todas as energias negativas e almas humanas que não evoluíram ou degeneraram espiritualmente, não podendo mais continuar neste Planeta após uma grande mudança ou renovação, necessária de resto para que haja um Mundo Novo com uma Nova Civilização. Esta está no fim!

Diz-se mesmo que o “astro intruso” se aproximará de tal forma que obrigará a Lua a aproximar-se da Terra até ficar 11 vezes maior que o seu tamanho atual, para evitar que os mares saltem de seus leitos, fazendo equilíbrio com o corpo celeste que também exercerá grande atração sobre o próprio eixo terrestre que mudará de posição e desse acontecimento surgirá de novo a lendária Atlântida que ficará a descoberto, bem como os pólos sem gelos, a par de outras partes do globo que submergirão.

Curiosamente, Jesus Cristo falava (no seu Sermão Profético) de que “a vinda do filho do homem será como nos dias de Noé”, ou seja, como no tempo do Dilúvio, sendo certo que os nossos cientistas já prevêem que o aumento do nível das águas do mar cobrirão extensas zonas do Planeta devido aos degelos que se aceleram cada vez mais pelo “Aquecimento Global” e consequentes alterações climáticas (das últimas décadas) provocadas pelo homem com sua forma de Civilização.

Fica aqui mais este assunto para nossa reflexão!

(Rui Palmela)


A FUNÇÃO HISTÓRICA DO BRASIL NO MUNDO

06

«As grandes idéias formam os grandes povos. Um povo só é grande quando chega a realizar uma grande santa missão no mundo». — Giuseppe Mazzini

«Este Brasil está destinado a ser, industrialmente, um dos mais importantes fatores do desenvolvimento futuro do mundo» — Zweig

É natural que, neste volume, escrito no Brasil, devamos ocupar-nos de modo especial também deste grande país e dos problemas mundiais vistos em função dele. É natural que, quem escreve, assuma a psicologia do país em que se acha, e olhe os problemas também desse ponto de vista. O ponto de vista, em relação a determinado país não é uma preconcebida determinação de chegar a certas conclusões, em função de interesses particulares ou em defesa de orientações particulares, mas é sempre uma visão objetiva de realidades que pertencem a todos.

Qual é a função histórica do Brasil no mundo, especialmente em relação à esperada nova civilização do Terceiro Milênio? Evidentemente, não é uma hipótese, mas um fato positivo, que o hemisfério norte é um armazém de bombas atômicas, e é evidente que não são elas construídas por pura curiosidade científica. Os Estados Unidos e a Rússia estão armando-se cada vez mais, e naturalmente não é para abraçar-se. O medo de uma luta perigosa e tremendamente destrutiva para todos, os retém. Mas também os atrai a miragem do domínio do mundo, prêmio de sua vitória. A guerra fria já está em ação. Sem dúvida, os meandros da política são tão tenebrosos, a imprensa é tão obediente a quem manda e a quem paga, e no círculo vicioso dos interesses costuma dar-se ao público tanta propaganda e tão pouca verdade, que é possível que haja talvez outra realidade sob estas aparências, geralmente aceitas. Entretanto, estes são fatos. Mesmo se a Rússia, com seu sistema de expansão de ideologias, chegasse a realizar seu objetivo de submeter outros países, ao entrar nestes pela porta da representação parlamentar de partido, jamais seriam conseguidas por este meio a paz e a ordem.

Um fato, entretanto, parece certo: que a hora é apocalíptica e que o terreno norte está minado. Ora, a primeira grande riqueza e potência do Brasil é de estar em outro hemisfério, longe de tudo isso. Este fato o garante, ao menos, de não ser objeto de ataques e teatro de guerras, sorte que a Europa, os Estados Unidos e a Rússia estão bem longe de ter. Além disso, o Brasil não precisa de expansões nem imperialismo, porque seu território já é vasto como um império, e só espera ser povoado. Não tem, pois, razões de rivalidade com nenhum país.

É finalmente o lugar em que há espaço para todos, e em que não há necessidade de guerras para conquistar um lugar ao sol, nem precisa garantir-se contra vizinhos perigosos, que andem atrás de espaço, dado que para todos há lugar de sobra. Acha-se, pois, o Brasil em condições pacíficas naturais, e é esta sua posição natural no mundo. Que os Estados Unidos e a Rússia preguem a paz, eles que se estão armando cada vez mais, é coisa que não tem sentido, senão o de querer desarmar o próprio antagonista e captar o favor das massas, esfaimadas de tranqüilidade. Um verdadeiro sentido de pacifismo não pode vir do hemisfério norte, mas apenas desta grande terra da América do Sul. A função histórica do Brasil no mundo só pode ser, portanto, neste nosso tempo, uma função de paz. Esta é sua posição atual no pensamento da história, esta é a missão que lhe foi por ela confiada. As circunstâncias, com efeito, enquadram hoje o Brasil nesta posição, como num destino, expresso pelas condições de fato.

Compreendamos bem este conceito. De acordo com o que dissemos antes, no capítulo «O Pensamento e a Vontade da História», é esta que, com uma inteligência e sabedoria que o homem não tem, escolhe homens e povos para determinadas funções históricas e lhas confia, utilizando-se delas segundo sua natureza e capacidade. Num sentido mais vasto, é a vida que atribui aos indivíduos e povos mais aptos, determinada função biológica. Se o fenômeno pode assim exprimir-se com termos científicos, também o pode em termos religiosos, dizendo que Deus confia uma missão. Dizer: executar uma função biológica, ou uma missão confiada por Deus, ou fazer Sua vontade, é tudo a mesma coisa. Ora, de tudo o que foi dito nos nossos volumes precedentes, resulta que, aquele que se acha nessas condições, virá personificar uma força em ação no funcionamento orgânico do universo.

Tornando-se, assim, um operário executor do plano divino que dirige o evolver das coisas, ele se acha então protegido pela vida, que lhe oferece os meios, para que realmente se complete a realização da função ou missão. Por isso pudemos dizer num dos capítulos precedentes, que a vida ajuda aos homens e movimentos que têm uma função biológica, e deixa indefesos os que a não têm. Disto pode compreender-se de que poder disponha o homem ou o povo que tenha uma função biológica, ou seja, uma missão. É a própria vida que o investe de seus poderes, os quais, embora concedidos apenas onde Deus o queira e na medida em que o queira Deus, são meios ilimitados por sua própria natureza. E isto, praticamente, se chama sorte ou destino, pelo que são vistos homens comuns lançados subitamente aos primeiros planos da história. Diga-se o mesmo para os povos.

Ora, o Brasil, como no-lo indicam as condições de fato, personifica essa função biológica ou missão, de pacifismo no mundo. Quem é verdadeiramente honesto, não vai a cada passo apregoando que é honesto. Os não-honestos é que procuram esconder seu rosto verdadeiro e defender-se. Assim, o povo verdadeiramente pacifico e pacifista é o que menos se faz paladino oficial de pacifismo, o que faz menos campanhas propagandistas com esse escopo. E o Brasil é assim. Pacifista até o âmago, é-o naturalmente e não precisa dizê-lo muito, porque o é. Ora, se aplicarmos a esta nação os conceitos acima expostos, poderemos dizer que, nesta direção do pacifismo, o Brasil personifica uma força em ação, segundo a vontade de Deus e da história. A conseqüência disto, é que ele é protegido pela vida, que lhe oferecerá os meios, para que a realização desta função ou missão de pacifismo realmente se complete. E dissemos acima, de que poder dispõe quem tenha uma função biológica, porque a vida mesma é que dele faz o instrumento das próprias realizações. É ela própria que age nele, naquele sentido e momento determinado, cedendo-lhe seus poderes dentro desses limites.

O fato é que, quando a vida oferece uma função biológica, depois lhe dá os meios e prepara os acontecimentos para que ela a execute dado que as palavras da linguagem da vida são os fatos. É fácil deduzir as conseqüências de tudo isso. As previsões dos cálculos e astúcias políticas não trabalham neste terreno, ignoram essas forças que, para elas, são contidas no desconhecido imponderável. Mas nós falamos aqui em termos de raciocínio, fazendo apelo à lógica das coisas, para que ficasse compreensível e manifestasse suas notas características, a presença desse imponderável que aqui aparece.

O Brasil acha-se, portanto, numa posição particular de privilégio, embora ainda em forma não manifesta, porque é uma realização de amanhã, ou seja, acha-se com uma grande riqueza em estado latente. E esta espera ser explorada e utilizada em benefício de todos; uma mina de carácter espiritual, que espera o trabalho dos homens, os quais, com sua boa vontade, possam tirar proveito, para a expansão da vida, da mesma forma que as tirarão de tantas outras riquezas ainda inexploradas no Brasil. Esta é a Lei. A vida quer expandir-se. Esta é sua vontade irrefreável. Por isso concede missões, funções, meios e circunstâncias adequadas, para que se realize esta sua vontade.

Eis a atual posição do Brasil na história. A vida lhe oferece uma função a executar, a qual faz parte de seu plano de expansão e de evolução do planeta. É um oferecimento, é a investidura de uma grande missão. Cabe agora ao povo brasileiro corresponder ao oferecimento, compreendendo-o e aceitando-o. Os momentos históricos jamais se repetem idênticos e esses oferecimentos não são feitos duas vezes. Perdida uma oportunidade, ela não volta mais. Cabe além disso ao povo brasileiro compreender que a natureza desta missão é manter-se na linha do pacifismo, isto é, que a função biológica que a vida confia ao Brasil, é função de paz e amor.

Segue-se daí que, se esta é a vontade da história, e se o Brasil quiser caminhar nessa direção, aceitando a missão, ser-lhe-ão concedidos todos os auxílios; mas se ao contrário o Brasil se colocar, como primordial posição, no terreno da força bélica ou como potência ávida de supremacia, então a vida lhe retirará todos os auxílios e assim tudo será perdido, no sentido de que a função e a missão lhe serão tiradas, e a oportunidade de exercer um papel mundial se esfumará. Quem vai de encontro à vontade da história, é cortado de suas fontes vitais, e não recebe mais ajuda.

Ora, tudo isso corresponde perfeitamente às condições atuais do Brasil; é um estado de fato já existente e nada é preciso fazer para prepará-lo. Esta concordância automática entre o que é a realidade atual e a natureza da missão oferecida, confirma a verdade de nosso raciocínio. Assumir hoje o Brasil, no mundo, uma função diferente, seria coisa de difícil realização. Seria bem estranho um Brasil imperialista e expansionista, se já de per si é maior que um império e não chega a povoar sua própria terra ilimitada. Seria bem estranho um Brasil que quisesse levantar-se como grande potência militar, quando não tem inimigos próximos para combater. Seria bem estranho que um país, definido como coração do mundo e pátria do Evangelho, se pusesse a fazer guerras de conquistas ou de defesa, de que absolutamente não necessita. É claro, pois, que a função histórica do Brasil no mundo só pode ser a de abraçar a humanidade com o seu amor, em seu imenso território, à espera de ser povoado. Deixemos aos povos do hemisfério norte outras funções a executar no organismo social do mundo. Deixemos à Ásia a função metafísica, à Europa as funções cerebrais do mundo, à Rússia a função revolucionária e destruidora, à América do Norte a função econômica da riqueza, e assim por diante, e reconheçamos que a função histórica do Brasil é bondade, tolerância, amor.

Se olharmos ao mapa do mundo, acharemos uma distribuição de qualidades e funções correspondentes, diversas e complementares, como num organismo único. Este, na Terra, está em formação e se chama humanidade. O Brasil acha-se na posição oposta à Rússia, e é estranho que, a essa oposição geográfica, nos antípodas quase, corresponda também uma oposição de muitas outras qualidades fundamentais. E pode ser instrutivo observar-se isto. Não se trata somente de oposição geográfica, mas também climática, ideológica, política, moral, etc. Ambas as terras imensas, o Brasil irrompe quase ilimitado interiormente, tal como a Rússia na Sibéria, mas em posições emborcadas, o primeiro em direção ao calor do Equador, a segunda em direção aos gelos dos pólos. A Rússia é o país de regime policial de coação, de menor liberdade do mundo, de ideologia única obrigatória. O Brasil é o país da máxima liberdade, em que todas as ideologias, suportáveis com o mínimo da ética e da ordem indispensável, são toleradas. A Rússia é abertamente atéia e materialista. O Brasil é crente e espiritualista, qualquer que seja a religião que se professe. A Rússia é o país bélico por excelência; formado agora na revolução violenta, só sabe fazer guerra e preparar-se para a guerra, para conquistar tudo. O Brasil é o país pacífico por excelência, que não pensa, absolutamente, fazer guerra a ninguém. A Rússia é imperialista e expansionista. O Brasil tem tanto para expandir-se internamente, que não precisa transpor seus limites à busca de impérios. A Rússia é o centro maior do Comunismo. O Brasil é o ponto de maior rarefação dele, pois é um dos poucos Países em que, ao menos oficialmente, não há representantes de partido, do Comunismo. Pode ser apenas casual uma tão perfeita coincidência de opostos? E então, poderemos concluir também, que se a função da Rússia é destruir com a religião do ódio, a função do Brasil poderá ser a de criar com a religião do amor.

Não é esse, com efeito, o temperamento deste país, em que pacificamente se misturam todas as raças, com seu sentimentalismo tolerante, com seu Espírito anti-exclusivista e anti-racista? Estas qualidades espontâneas, que já achamos existentes de fato, correspondem perfeitamente à missão que deve ter o Brasil, e a provam. Tudo concorda em cheio. É natural que a história escolha, para cada determinada tarefa, os indivíduos dotados das qualidades mais adequadas para executá-las, justamente porque a vida quer realizar, alcançando no terreno prático, todos os seus objetivos. E o Brasil pode fazer-se representante da vontade da vida, no terreno da bondade e do amor. É este um setor vazio no equilíbrio de todas as funções do organismo social da humanidade, e que outro povo poderia preenchê-lo? Não digo que não haja outros povos bons, no mundo. Mas estão empenhados em outros trabalhos. Muitas vezes, mesmo, é pelo fato de serem melhores, que estão mais sujeitos às opressões e às dores, porque na humanidade há também os encarregados da expiação e da prova do sofrimento.

Tudo o que diz respeito ao Brasil, parece feito sob medida, de propósito para torná-lo apto a essa função. Trata-se sobretudo, de amar, ou seja, de abrir os braços, evangelicamente. São tantas as ideologias propagadas no mundo. Por que deve parecer tão absurda a de um Evangelho verdadeiramente vivido? Abrir os braços ao mundo! E pode acontecer que o mundo, amanhã, com a infernal destruição que hoje se está preparando, tenha inadiável necessidade de um refúgio, em que achar paz, de uma terra em que não viva o ódio ou o interesse, mas o amor. Quem sabe que a luta entre as ideologias armadas de bombas atômicas, não se resolva num desastre tão grande no hemisfério norte, que os povos devam fugir de lá em massa, especialmente da Europa que está mais ameaçada? E quem sabe se esse impulso não exercite uma pressão desesperada sobre as portas do Brasil, tão forte que as faça ceder, e opere uma imigração em massa de milhões de europeus? Assim, se preencheria rapidamente o Brasil, de frutos mais carregados de dinamismo e de inteligência, produto da milenária elaboração da velha civilização européia, que já viveu tantas experiências, para que funcione como semente que se transplante para um terreno virgem para fecundá-lo. Tudo isto na linha das maiores probabilidades.

E então, a função do Brasil seria não só receber e abraçar, mas, com seus princípios de liberdade, de hospitalidade e bondade, de amalgamar todas as raças, como já está fazendo, assimilando-as em sua nova terra. Os povos novos se fazem com a fusão, não com o racismo, e a fusão se faz com o amor.

Tudo parece pronto para estas novas realizações. O Brasil possui território imenso, cheio de riquezas incalculáveis, que só esperam a mão do homem para ser valorizadas. Maior muitas vezes que a Europa, fértil, e com um clima que torna fácil a vida, pode conter mais de 500 milhões de habitantes. E tem hoje apenas a décima parte. E o mundo da velha civilização européia acha-se justamente em condições opostas, de super-população e de pressão demográfica, à procura de um espaço vital. Dois impulsos opostos, que convergem para a mesma solução. A civilização emigrou do Egito para a Grécia, da Grécia para Roma, de Roma para a Europa e da Europa para as Américas. A raça anglo-saxã criou a civilização do dólar nos Estados Unidos. Por que a raça latina, herdeira de Roma, não poderia criar a civilização do Evangelho no Brasil?

Há também uma razão de caráter moral e, para a história, têm poder outrossim as forças desse tipo, mesmo se a política não as leva em conta. E esta razão pode ter maior valor hoje, porque esta é a hora do juízo, a hora apocalíptica, em que será liquidado um velho mundo indigno, para que nasça outro melhor. Ora, a América do Sul é inocente de vítimas de guerra e a raça latina é inocente da criação e do uso da bomba atômica. Esta inocência, diante da justiça de Deus, imanente nas leis da vida, forma uma base e um direito de ser salvo. Tudo, pois, parece concordar para uma missão do Brasil no mundo, que o faça, em grande parte, herdeiro especialmente da civilização latina.

O Brasil é a terra clássica das fusões de raças, é o «melting-pot» em que tudo se mistura. E sabemos que a natureza se regenera na fusão de tipos diversos, ao passo que o princípio racista isolacionista é antivital. Prova-o o esgotamento das aristocracias muito puras e selecionadas. E já se pode dizer que todas as nações do mundo tenham, hoje seus representantes no Brasil. Este, dessa forma, já as concentra todas em síntese como modelos, num todo que as funde juntamente numa raça nova, que pode ser chamada a síntese de todas as outras. Por isso, o Brasil, com este seu universalismo, que o coloca aos antípodas das cisões nacionalistas européias, está apto a ser o berço de uma nova civilização, cujo primordial caráter será a universalidade. O mundo caminha hoje para as grandes unidades, e os patriotismos, em sentido exclusivista e agressivo, da velha Europa, tendem hoje a ser rapidamente liquidados pelas leis da vida, porque são contra-producentes para seus objetivos evolutivos. Nisto, o Brasil tão jovem se acha mais adiantado do que a Europa, dividida e belicosa, adiantado numa idéia mais vasta, de nacionalidade cosmopolita, em que todas as nacionalidades se fundem sob o mesmo céu. Por este motivo, o Brasil é mais apto do que a velha Europa a realizar uma idéia, que é a idéia do futuro, uma unidade livre, constituída não de satélites submetidos à força, mas de fusão demográfica, a única que resiste no tempo e que forma os povos novos.

Mas outras qualidades ainda possui o Brasil, para desempenhar a função histórica que a vida lhe oferece. É ele um país jovem. O fato de não estar carregado de milênios de história, isto é, de lutas e de dores, de fadigas pelas conquistas de tantos valores de todo o gênero, o torna mais ágil. E a história do Brasil, assim como ocorre para os jovens, está mais no futuro que no passado. Este povo tem a vantagem de poder colher ainda em idade juvenil, os produtos de uma longa civilização, já confeccionados e prontos para o uso, pela Europa já velha, que suportou e sente o cansaço, produzido pelo esforço de quem os teve que criar por si mesmos. É uma vantagem poder dispor de tais meios; porque isso permite enfrentar a vida mais ricos e armados de recursos. Com a técnica moderna, derruba-se a floresta virgem, transformando-a em cidades habitadas e civilizadas, muito mais facilmente do que com os meios primitivos de nossos avós. E tudo isso é mais fácil, quando esses meios são utilizados pela força dos jovens. O Brasil é jovem. O ponto de chegada da civilização européia é, para ele, um ponto de partida. Ele começa sua vida com os meios mais adiantados da civilização: o arranha-céu, o automóvel, o avião, o rádio, a televisão; meios novos que, nesta terra acham o espaço livre, ao passo que na Europa devem ser sobrepostos aos meios mais velhos, que estavam em plena eficiência dantes, e que em determinada época constituíam a base da civilização.

Diga-se o mesmo para as idéias. O Brasil é terreno desimpedido, pronto para assimilar o que é novo. Na Europa, tudo está encadeado, cada idéia já foi fixada na vida em formas concretas, que constituem hoje uma barreira ao que é novo e criam um obstáculo a cada passo, do sofisma e do bizantinismo, enquanto que a vida nova pulsa com idéias simples, fortes e grandes. Quem tem este gênero de idéias, não pode encontrar terreno propício numa Europa que está entregue a todos os requintes da decadência: pode só em países novos que, ao contrário, estão esfaimados dessas idéias, porque sentem que elas são vitais. A Europa é a árvore carregada de frutos e sementes, à espera que o vento os carregue para longe, para frutificar em terras virgens. Eles penetrarão nos povos novos que os olham com admiração e anseiam beber-lhes o pensamento, a civilização, a vida madura, que fecunde sua vida nova. Talvez poderá ser a Europa, bem cedo, o que foi a Grécia vencida diante de Roma: vencida e mestra. E a nova luz virá ainda de Roma, sempre viva no pensamento do mundo.

Mas, a grande qualidade do Brasil, a que estabelece sua função vital, é o sentimento, o coração. Nesta terra estão as raízes daquela expansividade de afetos, que é a qualidade humana que, mais tarde, evoluindo, é a mais apta a sublimar-se no amor evangélico.

Aqui até o feroz Comunismo russo idealiza-se e concebe-se como programa de justiça social, torna-se até cristão, formas inconcebíveis na sua realidade russa. Tudo, também as coisas piores, aqui procuram tornar-se boas, porque cada biótipo tudo transforma, adaptando-o ao próprio temperamento.

O poderio bélico e o econômico, por mais que queiram evolver, partem de uma semente de natureza muito diversa, e jamais poderão transformar-se em amor evangélico. Os senhores do ouro e do poder bélico poderão sorrir de tudo isto. Mas a vida é feita de tal forma, que não pode ser construída apenas com estes dois meios. Assim como cada corpo humano precisa, não apenas do ventre para digerir, da inteligência para dirigir-se, dos braços para trabalhar e defender-se, mas também do coração para amar e proteger; como cada família necessita não só do pai, que luta, ganha e ordena, mas também do amor da mãe, que gera, e cria no amor; assim também a humanidade necessita também de povos que representem, em seu grande organismo, esta nobre função da bondade e do amor, da proteção e da conservação. Na humanidade são necessários também os povos, como o Brasil, encarregados da função da coesão e unificação. A vida, que tem que ser completa, precisa também de tudo isso. Portanto ela confia a essas nações, o desempenho de funções biológicas, que são verdadeiras missões históricas. Estas adquirem hoje uma importância muito maior, porque a seleção biológica se apresta a tomar formas mais evoluídas, que já não são mais aquelas tradicionais do mundo animal, aquelas que levam à vitória do mais forte no plano material; isto é, a seleção tende, ao contrário, a produzir o biótipo do mais inteligente e do mais adequado, por qualidades de sentimento, a confraternizar, ou seja, a saber viver socialmente. A inteligência é o caminho para chegar a compreender a utilidade individual e coletiva de ser bons e honestos; e o sentimento é a estrada mestra para alcançar a essa fusão de almas, sem o que não poderão surgir os futuros organismos das grandes coletividades sociais.

O europeu que, pela primeira vez, chega ao Brasil, trazendo consigo sua mentalidade européia, não pode compreender muitas coisas, porque seus pontos do referência são diferentes. Ele, que provém de uma terra em que tudo tem uma longa história, por ter vivido muito, e desde muito tempo está maduro e adulto, não pode compreender de imediato um país jovem, em que tudo está no estado de gérmen, e porque este ainda não nasceu nem cresceu, lhe parece o terreno inculto e deserto. No entanto, à planta madura resta apenas envelhecer e morrer, e às sementes só falta desenvolver-se. Aos jovens pertencem a vida e o futuro. O que mais importa é o amanhã. Neste amanhã deve ser olhada e compreendida a grandeza do Brasil, um amanhã que para a Europa só pode ser, ao contrário, velhice e decadência.

Sem dúvida, o europeu traz em si um requinte que o leva a olhar do alto uma terra que, na Europa, é muito pouco conhecida, tanto que é considerada de tipo colonial. Apenas aqueles que se fixam um pouco e queiram olhar menos superficialmente as coisas, podem ver o que haja sob essas aparências; pode então observar como no requinte da civilização européia nem tudo seja ouro que reluz e haja também um reverso da medalha. A madureza européia pode significar também cristalização senil, uma carga de supraestruturas que bloqueiam a evolução, o esgotamento de forças vitais. Estas refervem, emergindo sempre do mais elementar, que está ávido de subir; ao passo que, quem já chegou, gosta de repousar do esforço realizado e, como os velhos, dormir sobre as próprias conquistas. É mesmo provável que a grande Europa, mãe e mestra do mundo moderno, já tenha esgotado sua tarefa e suas forças. O requinte pode significar então velhice, e o estado primitivo significar vida não no passado, mas no futuro.

Há todavia mais coisas, no reverso da medalha. Requinte, madureza de pensamento, são, muitas vezes, ausência de virgindade de Espírito, isto é, qualidades contraproducentes para o desenvolvimento diante do futuro. A mentalidade européia, com o passar e repassar em revista todos os seus valores, destruindo-os e reconstruindo-os para ascender, de controle em controle, em busca de verdades cada vez mais exatas, tornou-se hipercrítica, tanto que assumiu difusamente a psicologia do filósofo, que, após haver tudo examinado e discutido, só sabe ser cético de tudo. O próprio catolicismo não pode deixar de ficar preso na vastidão e no poderio desse ciclo histórico e, embora formal e teoricamente intacto, está de fato naufragando na realidade das almas. Chegou-se assim, na prática, a um estado difuso de ateísmo, que assume, nos que se dizem crentes, uma forma de materialismo religioso, ou seja, de religião materialista em que, na forma ortodoxa intacta, a chama da espiritualidade está apagada. Por muitas razões, assim, entre as quais as duas últimas guerras, pelo exemplo da ferocidade e pelo estado de necessidade que se lhe seguiu, está ainda vigorando nas almas, sob a formalidade do cristianismo, uma religião de egoísmo e de cálculo. Quem está de fora segue, sem ambages*, a religião do ódio, quando isto é necessário para sobreviver.

Sem dúvida que a cultura, a crítica de tudo, desenvolveu a inteligência, tornou mais requintados os métodos de luta, fazendo-os mais sutis e terríveis. Por isso as massas cresceram em desconfiança e astúcia, não em bondade. Sua agressividade tornou-se organizada, racionalizada, científica. A crítica e a cultura destruíram as trevas da ignorância, sim, mas ficou apenas a razão, fria calculadora de egoísticos interesses materiais. Este é o positivismo do mundo civilizado de hoje. O poder criador, representado por um transporte de fé, com esperança no futuro, parece perdido neste mundo cinzento de ceticismo, agarrado, sem esperança, apenas à vantagem que pode oferecer o minuto que foge. Perdeu-se, assim, na realidade, todo o sentido verdadeiro de religiosidade, embora quase todos se declarem homogeneamente católicos apostólicos romanos, ao menos na Itália, ou protestantes e católicos alhures, mas todos igualmente cristãos.

Na prática, as massas adoram o deus dinheiro e só nele crêem firmemente. Muitas belas práticas formais sobrevivem, mas domina, na maioria, a indiferença e desapareceu todo sentido de verdadeira espiritualidade.

O Brasil acha-se em condições opostas. Antes de tudo, o temperamento é menos frio, menos fechado, mais expansivo. Poucos, na Europa, se abraçam em público, mesmo entre os íntimos, e todas as expressões de afeto são controladas e sopesadas. No Brasil a luta menos dura e a virgindade maior de Espírito ainda não fizeram fechar-se as portas da alma nem as manifestações dos próprios sentimentos, pela desconfiança necessária aos povos mais experimentados pela calamidade inimiga. O tipo biológico do Brasil é levado mais à religião espontânea, numa expansão livre, de amor e de fé, do que a uma religião já rigidamente codificada, em que o pensamento e o sentimento permanecem enregelados nas formas. Ora, este primitivo estado espiritual incandescente, ainda que, pelo europeu, possa ser olhado com um sorriso de compaixão, é o estado mais apto aos futuros desenvolvimentos. Aqui as almas são virgens e receptivas e pode criar-se o novo. Na Europa só se pode continuar a elaborar o velho, requisitando-o sempre mais em sutilezas capilares, ficando tudo fechado nas velhas barreiras construídas pelos séculos.

Assim, não há apenas, no Brasil, um estado de sentimentalismo dominante, que suaviza os homens, mas prevalece uma disposição à religiosidade e ao misticismo. Este é um povo religioso por excelência. É esse seu tipo biológico. Não importa que as religiões e as formas sejam muitas. Encontram-se no Brasil quase todas as religiões do mundo, vivendo juntas na mesma terra. Na Europa pode dizer-se que há apenas uma religião, tão afins são as duas dominantes, catolicismo e protestantismo, ambas cristãs. Entretanto, não há muita disposição espontânea à espiritualidade, e o biótipo místico não domina em absoluto. Quem pela primeira vez chega ao Brasil, fica escandalizado com a Macumba, com tantas superstições, assim como com o carnaval do Rio de Janeiro. Pois bem, estes são os graus mais ínfimos da tendência à religiosidade, ao misticismo, ao amor. Estamos muito em baixo, mas o gérmen existe. E se existe, ele pode ser guiado e desenvolvido. Na Europa mais puritana, mas não mais casta, mais formalmente religiosa e disciplinada, mas não mais crente, não existe esse gérmen, e nada pode ser desenvolvido. Que futuro se pode dar a uma religião mecânica, sem grandes transportes de fé, a uma alma friamente calculadora, sem grandes transportes de paixão? Os grandes santos surgiram, mais freqüentemente, dos grandes pecadores passionais, do que dos frios e ortodoxos pensadores. No Brasil há o estado passional que, embora no estado caótico, representa a matéria prima da fé, da religiosidade, do misticismo. Condena-se justamente a sexualidade, quando é animalesca, entretanto, representa ela a primeira porta, embora a mais baixa, pela qual começa a alma a irromper do egoísmo frígido, (naturalmente calculador e que acumula para si, sexualmente neutro) para dar de si mesmo aos outros. Por esta porta passarão mais tarde, com a evolução, todas as sublimações deste primeiro e grosseiro movimento de expansão altruísta, que aos poucos se irá cada vez mais desmaterializando, até o amor dos pais pelos filhos, do homem evangélico ao próximo, do filantropo à humanidade, do místico à divindade.

Resumamos, neste terreno, a posição do Brasil diante da Europa, num quadro de conjunto, expondo qualidades e defeitos de ambos os lados. O Brasil primitivo, simples, espontâneo, de boa fé, tendente à confiança, alma infantil, acreditando em Deus e no futuro, ainda não experimentado pelos golpes das guerras duríssimas e da iminente ameaça de uma terceira, não prostrado por milênios de luta; alma virgem, quente, entusiasta, ávida de assimilar, rica de sentimento, substancialmente religiosa, com disposições e tendências místicas, num ambiente de vida fácil que, suavizando a luta, induz à bondade e à tolerância; alma exuberante e expansiva, generosa como a dos jovens, tendente, pois, a confraternizar e a fundir-se no próximo. Tipo biológico capaz de infinitos desenvolvimentos, retomando o caminho da fé, do estado de transporte virginal em que se encontravam os primeiros cristãos, mas hoje já no terreno de mais vasta base científica e racional, que a mente moderna atingiu e pode oferecer. Tudo no estado da semente que quer e tem fome de crescer, tudo enquadrado numa fase histórica de desenvolvimento do mundo para um novo tipo de civilização, no amadurecimento dos tempos, e diante da vontade da vida de fazer um grande salto à frente. E eis que, diante dos grandes problemas do século, como principalmente o da justiça econômica e da confraternização e cooperação para poder viver e trabalhar concordemente nas grandes unidades coletivas, que a história quer fazer nascer, agora, eis que diante desses problemas, há muito mais probabilidades que os saiba resolver um povo que amorosamente os enfrenta com o coração, do que o resto do mundo, que só os sabe enfrentar com a força do dinheiro ou das armas e exércitos. Estas qualidades, a tendência à religiosidade, a virgindade de alma, que significa terreno livre para novos desenvolvimentos, representam uma capacidade de progresso nas crenças religiosas, ao qual vemos corresponder, na história da humanidade, tão freqüentemente, um progresso social.

Do outro lado a Europa, madura, complexa, hipercrítica, cética e desconfiada, sem fé nem em Deus nem no futuro, envenenada pela ferocidade de duas guerras e cansada do trabalho de civilizar o mundo, alma que já navegou por todos os mares do conhecimento, fria, reflexa, auto-controlada, farta de saber, que desbarata tudo com a análise até chegar ao ceticismo, carregada demais de coisas velhas e privada de espaço livre para o que é novo; temperamento positivo, e portanto egoísta, calculador, nada generoso, como em geral os velhos, a isso constrangido por uma vida mais difícil e dura, pela falta de espaço e pela pressão demográfica; alma tornada por tudo isso exacerbada, fechada e desconfiada, essencialmente materialista, utilitária, levada ao absolutismo e à intransigência, a um individualismo separatista, que repele a espontânea confraternização.

Tipo biológico saturado, incapaz de renovações substanciais, mas apenas de aperfeiçoamentos cada vez mais sutis, na base das grandes estradas já fixadas pela raça, por assimilação de milênios. Tudo maduro, ao qual só resta envelhecer, no vasto mundo que procura, ao contrário, novos caminhos e elementos jovens para percorrê-las. Aqui, uma floresta de grandes árvores; no Brasil um campo fértil, carregado de sementes. Na floresta tudo está feito; não se pode nem semear nem colher. E nela se anda com dificuldade. A alma adulta é individualista, à maneira de grossos troncos eretos, e o resultado é o separativismo. Tudo está dividido, é rival, incrédulo até o materialismo religioso. A fé em qualquer coisa, que não seja o que é útil no presente, está em decadência.

Vejamos um só exemplo. Na catolicíssima Itália, centro do catolicismo, em cinco anos, até as eleições de 1953, os comunistas aumentaram de um milhão e meio. A Igreja de Roma condenou severamente, até com a excomunhão, a doutrina ateu-materialista. Pois bem, o comunismo, com isso, não foi absolutamente contido e continuou a progredir. Mais de nove milhões de adultos não fez caso da condenação da Igreja. Em 1953, sobre nove milhões e meio de adultos, isto é, uma pessoa em cada três era, declaradamente, materialista. Isto quer dizer que o Cristianismo, embora, com a Democracia Cristã, se tenha tornado na Itália, além de religião, um partido político, não pode deter a expansão dos princípios materialistas e nada consegue contra eles. Suas reações servem, assim, mais para desacreditá-lo, demonstrando sua impotência, do que para alcançar seu objetivo. Um terço da população adulta, que é o que conta, na catolicíssima Itália, onde oficialmente todos são católicos, e onde está o centro do catolicismo, é atéia. E dos outros dois terços, quantos crêem verdadeiramente? Sua conduta faria crer que também a maioria deles seja atéia.

O materialismo é, então, uma corrente coletiva, que arrasta todos, e contra a qual, já agora, uma Igreja reduzida à forma e vazia de espiritualidade profunda e convicta, ao menos no conjunto, não mais pode lutar para vencer. Os homens da Igreja podem dizer: Deus está conosco. Mas, se sabemos que Cristo está com Sua Igreja espiritual, estamos seguros de que Ele permaneça com aqueles homens, se eles não seguem seus ditames? Perdida dessa forma a força maior, que é a espiritual, que defesa lhes sobrará? Então, eles cairão no grande curso da corrente geral, até que ocorra uma renovação radical, com a volta ao Espírito. Isto porque tudo se reduz a um grande fenômeno biológico, que não se pode realizar com os retoques da reforma, mas só por meio de grandes agitações políticas e sociais, que limpem e renovem radicalmente, refazendo-se tudo desde a raiz. Pesa sobre a Europa toda uma vingança comum da história, preparada longamente nos séculos, e que agora atinge sua fase culminante. Representa já um determinismo histórico comum a todos, porque foi preparada concordemente por toda a Europa, não obstante a diversidade de línguas e raças, e que converge toda para o estado atual. O Brasil terá outros defeitos, mas é inocente dessas culpas, próprias de quem teve a responsabilidade de guiar intelectual e espiritualmente o mundo: sua história não se fez, ainda se fará; não há, pois, diante da Lei, violações executadas, nem espera de suas reações nem débitos que pagar.

Então, a qual desses dois grupos étnicos pertence o futuro? Diante dos grandes problemas do século, como o da justiça econômica e da confraternização para poder conviver e colaborar nas novas grandes unidades coletivas, qual dos dois grupos étnicos se acha mais apto e espiritualmente preparado para resolver tudo isto, e chegar a uma conclusão, que não seja a da destruição de meio mundo, por meio de guerras exterminadoras?

Não queremos aqui impor conclusão alguma. Procuramos apenas expor dados de fato, para que o leitor os utilize livremente, para concluir por si, como melhor quiser. Mas o certo é que, salvo erro ou omissão, parece que estes dados queiram concluir a favor do Brasil. Tudo isso nos aparece nas condições de fato, escrito na onda da história, onda que carreia homens e acontecimentos, como explicamos acima. Sem dúvida, a vontade de um povo, sozinho, embora com a maior boa vontade, não poderia criar a natureza da onda histórica, num determinado momento nem sua posição dentro dela. Cada nação se acha aí situada em atitudes diversas, com diferentes funções, de acordo com o desenvolvimento das proposições lógicas do pensamento progressivo da vida. O que mais pesa, a esse respeito, é a vontade da história, é o momento, é o desenrolar dos acontecimentos. Ora, tudo está a favor do Brasil, para que, secundando os impulsos da história, que oferece, mas jamais coage, possa ele desempenhar esta sua função e missão. Esta convergência de circunstâncias favoráveis demonstra que efetivamente a história faz, hoje, ao Brasil, este oferecimento e para que este se torne função histórica e missão, e mais tarde se realize na ação, a questão é apenas de que o Brasil a aceite e a queira. Não nos detenhamos nas condições e aparências do momento. Esta que fazemos, é uma visão remota e de conjunto, e não um trabalho de análise do pormenor, em que vivem os homens políticos. Colocamo-nos aqui, em contacto com os grandes movimentos da vida do mundo, e não com o jogo dos partidos, nem com as competições humanas.

No quadro de síntese que pusemos sob os olhos do leitor, vemos que a onda histórica, que exprime a vontade da vida, vai nesta direção, e faz, a esta nação, seu oferecimento. Trata-se de aceitar e compreender, de colocar-se na corrente que a história quer seguir. Mas um homem ou um povo pouco podem sozinhos, e nada podem contra a história. Mas se a onda que os leva é favorável, Deus está com eles, as forças imensas da vida estão à sua disposição, e eles podem, portanto, alcançar até o inacreditável. As qualidades, que o Brasil possui, não só são aprovadas pelo novo rumo dos tempos, como também são aproveitadas, porque a vida, hoje, precisa justamente delas. É provável que o mundo se ache, brevemente, com uma necessidade tão premente de paz e de bondade, que se valorizem de modo extraordinário os poucos lugares em que seja possível encontrá-las. E o Brasil poderá ser o primeiro entre estes.

É provável que os conflitos do hemisfério norte terminem com grandes destruições, após as quais a vida terá imperiosa necessidade, para sua reconstituição, de paz, amor, compreensão e colaboração, e de um lugar tranqüilo onde possa repousar e recomeçar sobre essas bases. A carência crescente desses elementos e a progressiva elevação da procura, os valorizará cada vez mais, tornando-os buscados e preciosos. A humanidade, traída pela força e pela riqueza, nas quais unicamente acreditou, enregelada por um egoísmo da qual só terá recebido desolação, procurará, para não morrer, um sentimento de bondade em que possa viver com mais calor, e que termine de uma vez com as lutas. Eis a grande função histórica do Brasil, se este souber preparar-se desde já; eis sua missão, se ele quiser desempenhá-la amanhã, pois que a história está pronta para confiar-lha.

Então, poderemos dizer que o Brasil poderá ser a sede da primeira realização da terceira idéia, que funda, num todo, o que há de melhor nas duas atualmente em luta mortal, ou seja, a liberdade dum lado e a justiça econômica do outro, no amor evangélico, sem o que nada é aplicável, em paz, nem pode dar fruto algum. Isso tudo é possível, porque, como diz Victor Hugo: «há uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: é uma idéia, cujo tempo tenha chegado». Então, poderemos dizer, que o Brasil poderá ser verdadeiramente o berço da nova civilização do Espírito e do Evangelho, da nova civilização do terceiro milênio.

(Profecias – Pietro Ubaldi)


GRANDES REVELAÇÕES DE CHICO XAVIER SOBRE O DESTINO DA TERRA

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PODEREMOS DAR UM SALTO EM 2019, COM INTERAÇÃO E AJUDA INTERPLANETARIA OU TER UM ATRASO DE 1000 ANOS, SÓ DEPENDE DE NÓS.

O prestigiado jornal Folha Espírita de maio/2011 traz uma revelação feita em 1986, pelo médium Francisco Cândido Xavier a Geraldo Lemos Neto, fundador da Casa de Chico Xavier de Pedro Leopoldo (MG) e da Vinha de Luz Editora, de Belo Horizonte/MG, sobre o futuro reservado ao planeta Terra e a todos os seus habitantes nos próximos anos. Marlene Nobre pelo FE, entrevista Lemos Neto, que disse carregar este fardo há muito tempo (25 anos), cumprindo agora o dever de revelá-lo em sua completude. Diz que, em 1986, quando dessa conversa com o Chico, sentiu que sua mente estava recebendo um tratamento mnemônico diferente para que não viesse a esquecer aquelas palavras proféticas, e que seria chamado a testemunhá-las no momento oportuno, que chegou. Conhecendo a seriedade dos confrades Marlene Nobre e Geraldo Lemos Neto, sendo que o profeta em questão é nada menos que Chico Xavier, e tendo em vista o teor das considerações a respeito, reputo da mais alta importância a divulgação dessa revelação apocalíptica. É a razão pela qual estou encaminhando esse e-mail a tantos companheiros.

Copiei as partes principais da longa entrevista, mantendo o texto fiel ao que consta do jornal em sua maior parte, sem me ater em pormenores de forma para não estender demais essas palavras. Os grifos no texto são meus. A íntegra pode ser lida no exemplar nº 439, ano XXXV, de maio de 2011 do jornal Folha Espírita. Entendo ser um momento de muita reflexão de todo o movimento espírita e, acima de tudo, de muita prece, com muito otimismo, positivismo e serenidade, enfatizando-se a necessidade de um maior esforço individual e coletivo de renovação. Os jornais espíritas em geral deveriam encartar em seu corpo o referido exemplar do FE, ou pedir autorização para transcrever a matéria em questão, visando dar a mais ampla divulgação.

Fraternalmente. Paulo Marinho – CEAE – Genebra

(...) Assim, tive a felicidade de conviver na intimidade com Chico Xavier, dialogando com ele vezes sem conta, madrugada a dentro, sobre variados assuntos de nossos interesses comuns, notadamente sobre esclarecimentos palpitantes acerca da Doutrina dos Espíritos e do Evangelho de Jesus.

Um desses temas foi em relação ao Apocalipse, do Novo Testamento. (...) Desde então, Chico tinha sempre uma ou outra palavra esclarecedora sobre o assunto. Numa dessas conversas, lembrando o livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, pelo Espírito Humberto de Campos, Lemos Neto externou ao Chico sua dúvida quanto ao título do livro, uma vez que ainda naquela ocasião, em meados da década de 80, o Brasil vivia às voltas com a hiperinflação, a miséria, a fome, as grandes disparidades sociais, o descontrole político e econômico, sem falar nos escândalos de corrupção e no atraso cultural.

Lembro-me, como hoje, a expressão surpresa do Chico me respondendo:

“Ora, Geraldinho, você está querendo privilégios para a Pátria do Evangelho, quando o fundador do Evangelho, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, viveu na pobreza, cercado de doentes e necessitados de toda ordem, experimentou toda a sorte de vicissitudes e perseguições para ser supliciado quase abandonado pelos seus amigos mais próximos e morrer crucificado entre dois ladrões? Não nos esqueçamos de que o fundador do Evangelho atravessou toda sorte de provações, padeceu o martírio da cruz, mas depois ele largou a cruz e ressuscitou para a Vida Imortal! Isso deve servir de roteiro para a Pátria do Evangelho. Um dia haveremos de ressuscitar das cinzas de nosso próprio sacrifício para demonstrar ao mundo inteiro a imortalidade gloriosa!”

Na sequência da nossa conversa, perguntei ao Chico o que ele queria exatamente dizer a respeito do sacrifício do Brasil. Estaria ele a prever o futuro de nossa nação e do mundo? Chico pensou um pouco, como se estivesse vislumbrando cenas distantes e, depois de algum tempo, retornou para dizer-nos:

“Você se lembra, Geraldinho, do livro de Emmanuel A Caminho da Luz? Nas páginas finais da narrativa de nosso benfeitor, no capítulo XXIV, cujo título é “O Espiritismo e as Grandes Transições”, Emmanuel afirmara que os Espíritos abnegados e esclarecidos falavam de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do Sistema Solar, da qual é Jesus um dos membros divinos, e que a sociedade celeste se reuniria pela terceira vez na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de redimir a nossa humanidade, para, enfim, decidir novamente sobre os destinos do nosso mundo.

Pois então, Emmanuel escreveu isso nos idos de 1938 e estou informado que essa reunião de fato já ocorreu. Ela se deu quando o homem finalmente ingressou na comunidade planetária, deixando o solo do mundo terrestre para pisar pela primeira vez o solo lunar. O homem, por seu próprio esforço, conquistou o direito e a possibilidade de viajar até a Lua, fato que se materializou em 20 de julho de 1969.

Naquela ocasião, o Governador Espiritual da Terra, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, ouvindo o apelo de outros seres angelicais de nosso Sistema Solar, convocara uma reunião destinada a deliberar sobre o futuro de nosso planeta.

O que posso lhe dizer, Geraldinho, é que depois de muitos diálogos e debates entre eles foram dadas diversas sugestões e, ao final do celeste conclave, a bondade de Jesus decidiu conceder uma última chance à comunidade terráquea, uma última moratória para a atual civilização no planeta Terra. Todas as injunções cármicas previstas para acontecerem ao final do século XX foram então suspensas, pela Misericórdia dos Céus, para que o nosso mundo tivesse uma última chance de progresso moral.

O curioso é que nós vamos reconhecer nos Evangelhos e no Apocalipse exatamente este período atual, em que estamos vivendo, como a undécima hora ou a hora derradeira, ou mesmo a chamada última hora”.

Extremamente curioso com o desenrolar do relato de Chico Xavier, perguntei-lhe sobre qual fora então as deliberações de Jesus, e ele me respondeu:

“Nosso Senhor deliberou conceder uma moratória de 50 anos à sociedade terrena, a iniciar-se em 20 de julho de 1969, e, portanto, a findar-se em julho de 2019. Ordenou Jesus, então, que seus emissários celestes se empenhassem mais diretamente na manutenção da paz entre os povos e as nações terrestres, com a finalidade de colaborar para que nós ingressássemos mais rapidamente na comunidade planetária do Sistema Solar, como um mundo mais regenerado, ao final desse período.

Algumas potências angélicas de outros orbes de nosso Sistema Solar recearam a dilação do prazo extra, e foi então que Jesus, em sua sabedoria, resolveu estabelecer uma condição para os homens e as nações da vanguarda terrestre. Segundo a imposição do Cristo, as nações mais desenvolvidas e responsáveis da Terra deveriam aprender a se suportarem umas às outras, respeitando as diferenças entre si, abstendo-se de se lançarem a uma guerra de extermínio nuclear.

A face da Terra deveria evitar a todo custo a chamada III Guerra Mundial. Segundo a deliberação do Cristo, se e somente se as nações terrenas, durante este período de 50 anos, aprendessem a arte do bem convívio e da fraternidade, evitando uma guerra de destruição nuclear, o mundo terrestre estaria enfim admitido na comunidade planetária do Sistema Solar como um mundo em regeneração. Nenhum de nós pode prever, Geraldinho, os avanços que se darão a partir dessa data de julho de 2019, se apenas soubermos defender a paz entre nossas nações mais desenvolvidas e cultas!”

Perguntei então ao Chico a que avanços ele se referia e ele me respondeu:

“Nós alcançaremos a solução para todos os problemas de ordem social, como a solução para a pobreza e a fome que estarão extintas; teremos a descoberta da cura de todas as doenças do corpo físico pela manipulação genética nos avanços da Medicina.

O homem terrestre terá amplo e total acesso à informação e à cultura, que se fará mais generalizada; também os nossos irmãos de outros planetas mais evoluídos terão a permissão expressa de Jesus para se nos apresentarem abertamente, colaborando conosco e oferecendo-nos tecnologias novas, até então inimagináveis ao nosso atual estágio de desenvolvimento científico; haveremos de fabricar aparelhos que nos facilitarão o contato com as esferas desencarnadas, possibilitando a nossa saudosa conversa com os entes queridos que já partiram para o além-túmulo; enfim estaríamos diante de um mundo novo, uma nova Terra, uma gloriosa fase de espiritualização e beleza para os destinos de nosso planeta.”

Então perguntei a ele: Chico, até agora você tem me falado apenas da melhor hipótese, que é esta em que a humanidade terrestre permaneceria em paz até o fim daquele período de 50 anos. Mas, e se acontecer o caso das nações terrestres se lançarem a uma guerra nuclear?

“Ah! Geraldinho, caso a humanidade encarnada decida seguir o infeliz caminho da III Guerra Mundial, uma guerra nuclear de consequências imprevisíveis e desastrosas, aí então a própria mãe Terra, sob os auspícios da Vida Maior, reagirá com violência imprevista pelos nossos homens de ciência. O homem começaria a III Guerra, mas quem iria terminá-la seriam as forças telúricas da Natureza, da própria Terra cansada dos desmandos humanos, e seríamos defrontados então com terremotos gigantescos; maremotos e ondas (tsunamis) consequentes; veríamos a explosão de vulcões há muito tempo extintos; enfrentaríamos degelos arrasadores que avassalariam os pólos do globo com trágicos resultados para as zonas costeiras, devido à elevação dos mares; e, neste caso, as cinzas vulcânicas associadas às irradiações nucleares nefastas acabariam por tornar totalmente inabitável todo o Hemisfério Norte de nosso globo terrestre.”

Segundo o médium: “em todas as duas situações, o Brasil cumprirá o seu papel no grande processo de espiritualização planetária. Na melhor das hipóteses, nossa nação crescerá em importância sociocultural, política e econômica perante a comunidade das nações. Não só seremos o celeiro alimentício e de matérias-primas para o mundo, como também a grande fonte energética com o descobrimento de enormes reservas petrolíferas que farão da Petrobras uma das maiores empresas do mundo”.

E prosseguiu Chico:

“O Brasil crescerá a passos largos e ocupará importante papel no cenário global, e isso terá como consequência a elevação da cultura brasileira ao cenário internacional e, a reboque, os livros do Espiritismo Cristão, que aqui tiveram solo fértil no seu desenvolvimento, atingirão o interesse das outras nações também. Agora, caso ocorra a pior hipótese, com o Hemisfério Norte do planeta tornando-se inabitável, grandes fluxos migratórios se formariam então para o Hemisfério Sul, onde se situa o Brasil, que então seria chamado mais diretamente a desempenhar o seu papel de Pátria do Evangelho, exemplificando o amor e a renúncia, o perdão e a compreensão espiritual perante os povos migrantes.

A Nova Era da Terra, neste caso, demoraria mais tempo para chegar com todo seu esplendor de conquistas científicas e orais, porque seria necessário mais um longo período de reconstrução de nossas nações e sociedades, forçadas a se reorganizarem em seus fundamentos mais básicos”.

Pergunta Marlene Nobre pela Folha Espírita – Segundo Chico Xavier, esses fluxos migratórios seriam pacíficos? Geraldo – Infelizmente não. Segundo Chico me revelou, o que restasse da ONU acabaria por decidir a invasão das nações do Hemisfério Sul, incluindo-se aí obviamente o Brasil e o restante da América do Sul, a Austrália e o sul da África, a fim de que nossas nações fossem ocupadas militarmente e divididas entre os sobreviventes do holocausto no Hemisfério Norte. Aí é que nós, brasileiros, iríamos ser chamados a exemplificar a verdadeira fraternidade cristã, entendendo que nossos irmãos do Norte, embora invasores a “mano militare”, não deixariam de estar sobrecarregados e aflitos com as consequências nefastas da guerra e das hecatombes telúricas, e, portanto, ainda assim, devendo ser considerados nossos irmãos do caminho, necessitados de apoio e arrimo, compreensão e amor.

Neste ponto da conversa, Chico fez uma pausa na narrativa e completou:

“Nosso Brasil como o conhecemos hoje será então desfigurado e dividido em quatro nações distintas. Somente uma quarta parte de nosso território permanecerá conosco e aos brasileiros restarão apenas os Estados do Sudeste somados a Goiás e ao Distrito Federal. Os norte-americanos, canadenses e mexicanos ocuparão os Estados da Região Norte do País, em sintonia com a Colômbia e a Venezuela. Os europeus virão ocupar os Estados da Região Sul do Brasil unindo-os ao Uruguai, à Argentina e ao Chile. Os asiáticos, notadamente chineses, japoneses e coreanos, virão ocupar o nosso Centro-Oeste, em conexão com o Paraguai, a Bolívia e o Peru. E, por fim, os Estados do Nordeste brasileiro serão ocupados pelos russos e povos eslavos. Nós não podemos nos esquecer de que todo esse intrincado processo tem a sua ascendência espiritual e somos forçados a reconhecer que temos muito que aprender com os povos invasores.

Vejamos, por exemplo: os norte-americanos podem nos ensinar o respeito às leis, o amor ao direito, à ciência e ao trabalho.

Os europeus, de uma forma geral, poderão nos trazer o amor à filosofia, à música erudita, à educação, à história e à cultura. Os asiáticos poderão incorporar à nossa gente suas mais altas noções de respeito ao dever, à disciplina, à honra, aos anciãos e às tradições milenares. E, então, por fim, nós brasileiros, ofertaremos a eles, nossos irmãos na carne, os mais altos valores de espiritualidade que, mercê de Deus, entesouramos no coração fraterno e amigo de nossa gente simples e humilde, essa gente boa que reencarnou na grande nação brasileira para dar cumprimento aos desígnios de Deus e demonstrar a todos os povos do planeta a fé na Vida Superior, testemunhando a continuidade da vida além-túmulo e o exercício sereno e nobre da mediunidade com Jesus”.

FE: O Brasil, embora sofrendo o impacto moral dessa ocupação estrangeira, estaria imune aos movimentos telúricos da Terra? Geraldinho – Infelizmente, não. Segundo Chico Xavier, o Brasil não terá privilégios e sofrerá também os efeitos de terremotos e tsunamis, notadamente nas zonas costeiras. Acontece que de acordo com o médium, o impacto por aqui será bem menor se comparado com o que sobrevirá no Hemisfério Norte do planeta.

FE - Você também crê que a ida do homem à Lua, em julho de 1969, tenha precipitado de certa forma a preocupação com as conquistas científicas dos humanos, que poderiam colocar em risco o equilíbrio do Sistema Solar? Geraldinho – sim, creio que a revelação de Chico Xavier a respeito traz, nas entrelinhas, essa preocupação celeste quanto às possíveis interferências dos humanos terráqueos nos destinos do equilíbrio planetário em nosso Sistema Solar. Pelo que Chico Xavier falou alguns dos seres angélicos de outros orbes planetários não estariam dispostos a nos dar mais este prazo de 50 anos, que vencerá daqui a apenas oito anos, temerosos talvez de nossas nefastas e perniciosas influências. Essa última hora bem que poderia ser por nós considerada como a última bênção misericordiosa de Jesus Cristo em nosso favor, uma vez que, pela explicação de Chico Xavier, foi ele, Nosso Senhor, quem advogou em favor de nossa causa, ainda mais uma vez.

Outra decisão dos benfeitores espirituais da Vida Maior foi a que determinou que, após o alvorecer do ano 2000 da Era Cristã, os Espíritos empedernidos no mal e na ignorância não mais receberiam a permissão para reencarnar na face da Terra.

Reencarnar aqui, a partir dessa data equivaleria a um valioso prêmio justo, destinado apenas aos Espíritos mais fortes e preparados, que souberam amealhar, no transcurso de múltiplas reencarnações, conquistas espirituais relevantes como a mansidão, a brandura, o amor à paz e à concórdia fraternal entre povos e nações. Insere-se dentro dessa programação de ordem superior a própria reencarnação do mentor espiritual de Chico Xavier, o Espírito Emmanuel, que, de fato, veio a renascer, segundo Chico informou a variados amigos mais próximos, exatamente no ano 2000.

Certamente, Emmanuel, reencarnado aqui no coração do Brasil, haverá de desempenhar significativo papel na evolução espiritual de nosso orbe. Todos os demais Espíritos, recalcitrantes no mal, seriam então, a partir de 2000, encaminhados forçosamente à reencarnação em mundos mais atrasados, de expiações e de provas aspérrimas, ou mesmo em mundos primitivos, vivenciando ainda o estágio do homem das cavernas, para poderem purgar os seus desmandos e a sua insubmissão aos desígnios superiores. Chico Xavier tinha conhecimento desses mundos para onde os Espíritos renitentes estariam sendo degredados. Segundo ele, o maior desses planetas se chamaria Kírom ou Quírom.

É a nossa última chance, é a última hora... Não há mais tempo para o materialismo. Não há mais tempo para ilusões ou enganos imediatistas. Ou seguiremos com a Luz que efetivamente buscarmos, ou nos afundaremos nas sombras de nossa própria ignorância. Que será de nós? A resposta está em nosso livre-arbítrio, individual e coletivo. É a nossa escolha de hoje que vai gerar o nosso destino. Poderemos optar pelo melhor caminho, o da fraternidade, da sabedoria e do amor, e a regeneração chegará para nós de forma brilhante a partir de 2019; ou poderemos simplesmente escolher o caminho do sofrimento e da dor e, neste caso infeliz, teremos um longo período de reconstrução que poderá durar mais de mil anos, segundo Chico Xavier. Entretanto, sejamos otimistas. Lembremo-nos que deste período de 50 anos já se passaram 42 anos em que as nações mais desenvolvidas e responsáveis do planeta conseguiram se suportar umas às outras sem se lançarem a uma guerra de extermínio nuclear. Essa era a pré-condição imposta por Jesus.

Não estamos entregues à fatalidade nem predeterminados ao sofrimento. Estamos diante de uma encruzilhada do destino coletivo que nos une à nossa casa planetária, aqui na Terra. Temos diante de nós dois caminhos a seguir. O caminho do amor e da sabedoria nos levará a mais rápida ascensão espiritual coletiva. O caminho do ódio e da ignorância acarretar-nos-á mais amplo dispêndio de séculos na reconstrução material e espiritual de nossas coletividades. Tudo virá de acordo com nossas escolhas de agora, individuais e coletivas. Oremos muito. O próprio Emmanuel, através de Chico Xavier, respondendo a uma entrevista já publicada em livro nos diz que as profecias são reveladas aos homens para não serem cumpridas. São na realidade um grande aviso espiritual para que nos melhoremos e afastemos de nós a hipótese do pior caminho.

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Fonte e agradecimentos: http://www.umbanda.com.br



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Calendário Assistência 2017

TENDA ESPÍRITA MAMÃE OXUM

CALENDÁRIO ASSISTÊNCIA - 2017.

C.E. Miguel Arcanjo e Tenda Espirita Mamãe Oxum-

Rua Francisco Framback, 91 E – Cascatinha - Petrópolis - RJ

ABRIL

MAIO

JUNHO

23 – Reabertura do Terreiro às 20h – Saudação à Ogum

02 – sexta-feira – Pretos Velhos

28 - sexta-feira - Exus

05 - sexta-feira – Pretos Velhos

07 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

10 - quarta-feira- Estudo da Umbanda

09 – sexta-feira – Saúde

12 - sexta-feira – Saúde

13 – terça-feira – Saudação Aos Exus – Bênção dos Pães – 20h

13 – sábado – Saudação aos Pretos Velhos

16 – sexta-feira – Não tem Gira

17 – quarta-feira – Doutrina - Vovó Catarina

21 – quart-feira – Doutrina – Vovó Catarina

19 – sexta-feira – Caboclos

23 – sexta-feira – Caboclos

24 – quarta-feira –Saudação à Sta. Sara,

e Povo Cigano

28 – quarta-feira – Doutrina

26 – sexta-feira - Malandros

30 – sexta-feira - Exus

JULHO

AGOSTO

SETEMBRO

05 – quarta-feira – Doutrina

02 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

01 – sexta-feira – Pretos Velhos

07 – sexta-feira – Pretos Velhos

04 – sexta-feira – Pretos Velhos

06 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

12 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – quarta-feira – Doutrina

08 – sexta-feira – Saúde

14 – sexta-feira – Saúde

11 – sexta-feira – Saúde

13 – quarta-feira – Doutrina

19 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

16 – quarta-feira – Saudação à Obaluaê e Omolu

15 – sexta-feira – Caboclos

21 – sexta-feira – Caboclos

18 – sexta-feira – Caboclos

20 - quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

28 – sexta-feira - Exus

23 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

22 – sexta-feira – Não Tem Gira

25 – sexta-feira – Malandros

24 – Domingo – Saudação à Ibeijada - às 17h

30 – quarta-feira – Doutrina ou Palestra

27 – quarta-feira – Distribuição Doces

29 – sexta - Exus

OUTUBRO

NOVEMBRO

DEZEMBRO

.04 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

01 – quarta-feira – Terreiro Fechado

02 - Confraternização

06 – sexta-feira – Pretos Velhos

03 – sexta-feira – Não tem Gira

08 – sexta-feira – Saudação à Oxum e bênção dos Pretos Velhos – 20h

11 – quarta-feira - Não tem Doutrina

08 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – Oferendas na Praia – saída 17h

12 – quinta-feira – Cachoeira / Mata

10 - sexta-feira – Saúde

13 – sexta-feira – Não tem Gira

15 – Feriado – Saudação aos Malandros

18 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

17 – sexta-feira – Caboclos

20 – sexta-feira – Caboclos

22 – quarta-feira – Doutrina

25 – quarta-feira – Doutrina – Doutrina ou Palestra

24 – sexta-feira – Exus

27 – sexta-feira - Ciganos

29 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

ATENÇÃO: NÃO É PERMITIDO PARA ATENDIMENTO, PESSOAS COM MINI-SAIAS, SHORTS OU BERMUDAS CURTAS, BLUSAS MUITO DECOTADAS OU MINI-BLUSAS, CAMISETAS TIPO MACHÃO.

A CARIDADE NÃO SERÁ NEGADA, PORÉM RESPEITEM O TEMPLO RELIGIOSO.

(Baixe o seu calendário em PDF, clicando aqui)

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