quinta-feira, janeiro 27, 2011

Como Retornaremos?







UM DIA NÓS TAMBÉM CHEGAREMOS LÁ....

EM QUE SITUAÇÃO CHEGAREMOS??????

EIS A QUESTÃO.....
.






TREINO PARA A MORTE

Irmão X



Preocupado com a sobrevivência além-túmulo, você pergunta, espantado, como deveria ser levado a efeito o treinamento de um homem para as surpresas da morte.

A indagação é curiosa e, realmente, dá o que pensar.

Creia, contudo, que, por enquanto, não é muito fácil preparar, tecnicamente, um companheiro à frente da peregrinação infalível.

Os turistas que procedem da Ásia ou da Europa habilitam futuros viajantes com eficiência, por lhes não faltarem os termos analógicos necessários. Mas, nós, desencarnados, esbarramos com obstáculos quase intransponíveis.

A rigor, a Religião deve orientar as realizações do espírito, assim como a Ciência dirige todos os assuntos pertinentes à vida material. Entretanto, a Religião até certo ponto, permanece jungida ao superficialismo do sacerdócio, sem tocar a profundeza da alma.

Importa considerar, também, que a sua consulta, ao invés de ser encaminhada a grandes teólogos da Terra, hoje domiciliados na Espiritualidade, foi endereçado justamente a mim, pobre noticiarista sem méritos para tratar de semelhante inquirição.

Pode acreditar que não obstante achar-me aqui de novo, há quase vinte anos de contado, sinto-me ainda no assombro de um xavante, repentinamente trazido da selva matogrossense para alguma de nossas Universidades, com a obrigação de filiar-se, de inopino, aos mais elevados estudos e às mais complicadas disciplinas.

Em razão disso, não posso reportar-me senão ao meu próprio ponto de vista, com as deficiências do selvagem surpreendido junto à coroa da Civilização.

Preliminarmente, admito deva referir-me aos nossos antigos maus hábitos. A cristalização deles, aqui, é uma praga tiranizante.

Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, Não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.

Os excitantes largamente ingeridos constituem outra perigosa obsessão. Tenho visto muitas almas de origem aparentemente primorosa, dispostas a trocar o prórpio Céu pelo uísque aristocrático ou pela nossa cachaça brasileira.

Tanto quanto lhe seja possível, evite os abusos do fumo. Infunde pena a angústia dos desencarnados amantes da nicotina.

Não se renda à tentação dos narcóticos. Por mais aflitivas pareçam as crises do estágio no corpo, agüente firme os golpes da luta. As vítimas da cocaína, da morfina e dos barbitúricos demoram-se largo tempo na cela escura da sede e da inércia.

E o sexo? Guarde muito cuidado na preservação do seu equilíbrio emotivo. Temos aqui muita gente boa carregando consigo o inferno rotulado de "amor".

Se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós, em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque.

Em família, observe cautela com testamentos. As doenças fulminatórias chegam de assalto, e, se a sua papelada não estiver em ordem, você padecerá muitas humilhações, através de tribunais e cartórios. Sobretudo, não se apegue demasiado aos laços consangüíneos. Ame sua esposa, seus filhos e seus parentes com moderação, na certeza de que, um dia, você estará ausente deles e que, por isso mesmo, agirão quase sempre em desacordo com sua vontade, embora lhes respeitem a memória. Não se esqueça de que, no estado presente da educação terrestre, se alguns afeiçoados lhe registrarem a presença extraterrena depois dos funerais, na certa intimá-lo-ão a descer aos infernos, receando-lhe a volta inoportuna.

Se você já possui o tesouro de uma fé religiosa, viva de acordo com os preceitos que abraça. É horrível a responsabilidade moral de quem já conhece o caminho, sem equilibrar-se dentro dele.

Faça o bem que puder, sem a preocupação de satisfazer a todos. Convença-se de que se você não experimenta simpatia por determinadas criaturas, há muita gente que suporta você com muito esforço. Por essa razão, em qualquer circunstância, conserve o seu nobre sorriso.

Trabalhe sempre, trabalhe sem cessar. O serviço é melhor dissolvente de nossas mágoas.

Ajude-se, através do leal cumprimento de seus deveres.

Quanto ao mais, não se canse nem indague em excesso, porque, com mais tempo ou menos tempo, a morte lhe oferecerá o seu cartão de visita, impondo-lhe ao conhecimento tudo aquilo que, por agora, não lhe posso dizer.



Psicografia : Francisco Cândido Xavier - Livro : Cartas e Crônicas



NA TRAVESSIA DA MORTE


Emmanuel



É na hora solene da morte que todas as recordações da vida sobem à tona da consciência.

Desacolchetam-se da memória os quadros que o tempo acumulou, em sua passagem, e as figurações do pensamento, as palavras desferidas e os atos endereçados ao caminho terrestre volvem à visão interior da alma em crise, carreando consigo os efeitos que produziram, segundo a própria espécie.

Vozes brandas e austeras se levantam para bendizer ou reprovar, mãos serenas ou crispadas de dor se erguem para auxiliar ou ferir, e imagens múltiplas, traduzindo amor e ódio, devotamento ou desprezo se sucedem irremovíveis no imo da criatura em prostração, compelindo-a a receber o fruto das próprias obras.

A morte é, por isso mesmo, o retrato da vida.

Cada atitude nossa entre os homens é uma pincelada na tela do destino a esperar-nos no limiar do sepulcro com a justa coloração.

Cada conflito que improvisamos ser-nos-á deplorável tumulto na mente, tanto quanto cada gesto de amor erigir-se-nos-á por luz crescente, na travessia no nevoeiro.

Ao invés, assim, de temeres a morte, faze da existência a lavoura de bondade e trabalho, auxílio e compreensão, em favor dos que te rodeiam, porque os semelhantes simbolizam tratos do solo que o Senhor nos concede lavrar em socorro de nossas necessidades, na vida imperecível, e para o lavrador que se vale do dia, na transformação do próprio suor em fartura de bênção e pão, a noite chega sempre por sombra esmaltada de estrelas, acalentando-lhe o sono e garantindo-lhe o despertar.

Emmanuel


(De “Comandos do Amor”, de Francisco Cândido Xavier)



DESENCARNADOS EM TREVAS

Emmanuel



Reunião pública de 18-9-61.

1ª Parte, cap. VII, § 25.



Desencarnados em trevas...

Insulados no remorso...

Detidos em amargas recordações...

Jungidos à trama dos próprios pensamentos atormentados...



Eram donos de palácios soberbos e sentem-se aferrolhados no estreito espaço do túmulo.

Mostravam-se insensíveis, nos galarins do poder, e derramam o pranto horizontal dos caídos.

Amontoavam haveres e agarram-se, agora, aos panos do esquife.

Possuíam rebanhos e pradarias e jazem num fosso de poucos palmos.

Despejavam fardos de dor nos ombros sangrentos dos semelhantes, e suportam, chorando, os mármores do sepulcro, a lhes partirem os ossos.

Estagiavam ciência inútil e tremem perante o desconhecido.

Devoravam prazeres e gemem a sós.

Exibiam títulos destacados e soluçam no chão.

Brilhavam em salões engrinaldados de fantasias e arrastam-se, estremunhados, ante as sombras da cova.

Oprimiam os fracos e não sabem fugir à gula dos vermes.

Eram campeões da beleza física, e procuram, debalde, esconder-se nas próprias cinzas.

Repoltreavam-se em redes de ouro, e estiram-se, atarantados, entre caixas de pó.

Emitiam discursos brilhantes e gaguejam agora.

Deitavam sapiência e estão loucos.


Nada disso, porém, acontece porque algo possuíssem, mas sim porque foram possuídos de paixões desregradas.

Não se perturbam, porque algo tiveram, mas sim porque retiveram isso ou aquilo, sem ajudar a ninguém.

Se podes verificar a tortura dos desencarnados em trevas, aproveita a lição.

Não sofrerás pelo que tens, nem pelo que és.

Todos colheremos o fruto dos próprios atos, no que temos e somos.

Onde estiveres, pois, faze o bem que puderes, sem apego a ti mesmo.

Escuta o companheiro que torna do Além, aflito e desorientado, e aprenderás, em silêncio, que todo egoísmo gera o culto da morte.


Do livro A Justiça Divina. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.




Reflexão



— Ao acordar, diga a si mesmo:

Deus me concede mais um dia de experiências e aprendizado. É fazendo que se aprende. Vou aproveitá-lo. Deus me ajuda. (Repita isso várias vezes, procurando manter essas palavras na memória. Repita-as durante o dia).

— Compreenda que a obsessão é um estado de sintonia da sua mente com mentes desequilibradas. Corte essa sintonia ligando-se a pensamentos bons e alegres. Repila as idéias más. Compreenda que você nasceu para ser bom e normal. As más idéias e os maus pendores existem para você vencê-los, nunca para se entregar.

— Mude sua maneira de encarar os semelhantes. Na essência, somos todos iguais. Se ele está irritado, não entre na irritação dele. Ajude-o a se reequilibrar, tratando-o com bondade. A irritação é sintonia de obsessão. Não se deixe envolver pela obsessão do outro. Não o considere agressivo. Certamente ele está sendo agredido e reage erradamente contra os outros. Ajude-o que será também ajudado.

— Vigie os seus sentimentos, pensamentos e palavras nas relações com os outros. O que damos, recebemos de volta.

— Não se considere vítima. Você pode estar sendo algoz sem perceber. Pense nisso constantemente, para melhorar as relações com os outros. Viver é permutar. Examine o que você troca com os outros.

— Ao sentir-se abatido, não entre nesta freqüência. É difícil sair dela. Lembre-se de que você está vivo, forte, com saúde e dê graças a Deus por isso. Seus males são passageiros, mas se você os alimentar eles durarão. É você que sustenta os seus males. Cuidado com isso.

— Freqüente a instituição espírita com que se sintonize. Não fique pulando de uma para outra. Quem não tem constância nada consegue.

— Se você ouve vozes, não lhes dê atenção. Responda simplesmente: Não tenho tempo a perder. Tratem de se melhorar enquanto é tempo. Vocês estão a caminho do abismo. Cuidem- se. E peça aos Espíritos Bons, em pensamento, por esses obsessores.

— Não lhes dê atenção nem se assuste com esses efeitos físicos. Leia diariamente, de manhã ou à noite, ao deitar-se, um trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo e medite sobre o que leu. Abra o livro ao acaso e não pense que a lição é só para você. Geralmente é para os obsessores, mas você também deve aproveitála.

Nunca se amedronte. É isso que eles querem, pois com isso se divertem. Esses pobres espíritos nada podem fazer, além disso, a menos que você queira brincar com eles, o que lhe custará seu aumento da obsessão. Corte as ligações que eles querem estabelecer com você, usando o poder da sua vontade. Pratique juntamente com sua família O Evangelho no Lar

— O passe tem por finalidade a transmissão de fluidos, de energias vitais e espirituais para fortificar a sua resistência. O passe é simplesmente a imposição das mãos, ensinada por Jesus e praticada por Ele. É uma doação humilde.

— Leia os livros de Allan Kardec Estude a Doutrina Espírita. Estude o Espiritismo, Dedique-se ao estudo, mas não queira saltar de aprendiz a mestre, pois o mestrado em espiritismo só se realiza no plano espiritual. Na Terra somos todos aprendizes, com maior ou menor grau de conhecimento e experiência.



ROGATIVAS....


Na oração, pede você um raio de luz, esquecendo, quase sempre, que tem ao seu dispor o Foco Solar para você cumprir os Sublimes Desígnios.

Seu espírito suplica uma réstea de amor e, em torno, a Humanidade aguarda a manifestação da sua capacidade de amar.

Roga você a concessão de encargos que o habilitem a colaborar com a Sabedoria Divina e olvida que milhões de seres estão à espera de sua disposição de servir em nome do Pai Celestial.

Seu coração reclama sinais do céu, e, enquanto o Sábio dos Sábios manda colorir flores e horizontes para seus olhos, você procura vãos entretenimentos e nada vê.

Você exige justiça para seus casos pessoais e diariamente complica situações e problemas, sem reparar na Humanidade Suprema, retificando sempre ao redor de seus pés, por intermédio da dor e da morte.

Você deseja oportunidades de crescimento e ascenção na espiritualidade superior, mas, frequentemente, foge aos degraus do esforço laborioso e humilde de cada dia, concedidos a você pela Infinita Bondade, a título de misericórdia.

Se está sempre rogando felicidade eterna, recusando os recursos para adquiri-la, que espera você para o caminho??

André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Agenda Crista 1ª edição 1948 / F.E.B.




Madureza Espiritual

“Quando eu era menino falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando

cheguei a ser homem desisti das coisas próprias de menino.” – PAULO (1 Corintios, 13.11)

Antes do esclarecimento espírita é compreensível que

a criatura subverta os valores da vida, mas depois de

investir-se na posse do conhecimento da própria imortalidade

e das leis que lhe regem os destinos, a maneira

espírita de se conduzir claramente lhe revela o caráter

cristão nas mínimas circunstâncias da existência.

E por esse motivo que o espírita evangélico:

age sem apego;

progride sem soberbia;

ama sem egoísmo;

serve sem recompensa;

auxilia sem reclamação;

aprende sem vaidade;

ensina sem exigência;

esclarece sem azedume;

perdoa sem condição;

espera sem ociosidade;

corrige sem reproche;

observa sem malícia;

socorre sem barulho;

opera sem temeridade;

colabora sem constrangimento;

constrói sem alarde;

confia sem bazófia;

administra sem imposição;

obedece sem servilismo.

O espírita evangélico, onde esteja e com quem esteja,

sabe perfeitamente que as suas convicções se erigem

à condição de veículos das ideias que abraça e, em razão

disso, seleciona as suas próprias atitudes perante o

mundo e a vida, consciente de que, havendo atingido a

madureza espiritual, se pode fazer o que quer, somente

acerta com as

Leis do Senhor quando

faz o que deve.

Fonte: Bênção de Paz, Cap. 48



Chico Xavier Fala Sobre a Transição PlanetáriaChico Xavier Fala Sobre a Transição Planetária

A conversa abaixo foi feita no dia 5 de janeiro de 1954

Pergunta: – Que pode o irmão dizer-nos a respeito do astro que se avizinha, segundo a predição de Ramatís?

Chico Xavier: – Esclarece nosso orientador espiritual que o assunto alusivo à aproximação de um Planeta ou de Planetas, da zona – ou melhor da aura da Terra – deve, naturalmente, basear-se em estudos científicos, que possam saciar a curiosidade construtiva das novas gerações renascentes no mundo.

O problema, desse modo, envolve acurados exames, com a colaboração da ciência e da observação de nossos dias.

Razão por que pede ele que não nos detenhamos na expressão física dos acontecimentos que se vizinham, para marcar maiores acontecimentos – acontecimentos esses de natureza espetacular – na transformação do plano em que estamos estagiando, no presente século.

Afirma nosso amigo que o progresso da óptica e das ciências matemáticas, serão portadoras, naturalmente, de ilações, conclusões da mais alta importância para os nossos destinos, no futuro próximo.

Pergunta: – Pode Emmanuel dizer-nos algo a respeito da verticalização do eixo da Terra e das transformações que esta sofrerá, segundo Ramatís?

Chico Xavier: – Afirma nosso Orientador espiritual que não podemos esquecer que a Terra, em sua constituição física, propriamente considerada, possui os seus grandes períodos de atividade e de repouso.

Cada período de atividade e cada período de repouso da MATÉRIA PLANETÁRIA, que hoje representa o alicerce de nossa morada temporária, pode ser calculado, cada um, em duzentos e sessenta mil (260.000) anos.

Atravessando o período de repouso da matéria terrestre, a vida se reorganiza, enxameando de novo, nos vários departamentos do Planeta, representando, assim, novos caminhos para a evolução das almas.

Assim sendo, os GRANDES INSTRUTORES da Humanidade, nos PLANOS SUPERIORES, consideram que, desses 260.000 anos de atividade, 60 a 64 mil anos são empregados na reorganização dos pródomos da vida organizada.

Logo em seguida, surge o desenvolvimento das grandes raças que, como grandes quadros, enfeixam assuntos e serviços, que dizem respeito à evolução do espírito domiciliado na Terra.

Assim, depois desses 60 a 64 mil anos de reorganização de nossa Casa Planetária, temos sempre grandes transformações, de 28 em 28 mil anos.

Depois do período dos 64 mil anos, tivemos duas raças na Terra, cujos traços se perderam, por causa de seu primitivismo.

Logo em seguida, podemos considerar a grande raça Lemuriana, como portadora de urna inteligência algo mais avançada, detentora de valores mais altos, nos domínios do espírito.

Após a raça Lemuriana – em seguida aos 28.000 anos de trabalho lemuriano propriamente considerado – chegamos ao grande período da raça Atlântida, era outros 28.000 anos de grandes trabalhos, no qual a inteligência do mundo se elevou de maneira considerável.

Achamo-nos, agora, nos últimos períodos da grande raça Ariana.

Podemos considerar essas raças, como grandes ciclos de serviços, em que somos chamados de mil modos diferentes, em cada ano de nossa permanência na crosta do planeta, ou fora dela, ao aperfeiçoamento espiritual, que é o objetivo de nossas lutas, de nossos problemas, de nossas grandes questões, na esfera de relações, uns para com os outros.

Assim considerando, será mais significativo e mais acertado, para nós, venhamos a estudar a transformação atual da Terra sob um ponto de vida moral, para que o serviço espiritual, confiado às nossas mãos e aos nossos esforços, não se perca em considerações, que podem sofrer grandes alterações, grandes desvios; porque o serviço interpretativo da filosofia e da ciência está invariavelmente subordinado ao Pensamento Divino, cuja grandeza não podemos perscrutar.

Cabe-nos, então, sentir, e, mais ainda, reconhecer, que os fenômenos da vida moderna e as modificações que nosso “habitat” terreal vem apresentando nos indicam a vizinhança de atividades renovadoras, de considerável extensão.

Daí esse afluxo de revelações da vida extra-terrestre, incluindo sobre as cogitações dos homens; esses apelos reiterados, do mundo dos espíritos; essa manifestação ostensiva, daqueles que, supostamente mortos na Terra, são vivos na eternidade, companheiros dos homens em outras faixas vibratórias do campo em que a humanidade evolui.

Toda essa eclosão de notícias, de mensagens, de avisos da vida espiritual, devem significar para o homem, domiciliado na Terra do presente século, a urgência do aproveitamento das lições de JESUS.

Elas devera ser apreciadas em si mesmas, e examinadas igualmente no exemplo e no ensinamento de todos aqueles que, em variados setores culturais, políticos e filosóficos do globo – lhe traduzem a vontade divina, que na essência é sempre a nossa jornada para o Supremo Bem.

*Os termos da comunicação obtida em Curitiba (a “Conexão de Profecias”, de Ramatís) são de admirável conteúdo para a nossa inteligência, de vez que, realmente, todos os fatos alusivos à evolução da Terra, e referentes a todos os eventos, que se relacionam com a nossa peregrinação para a vida mais alta, estão naturalmente planificados, por aqueles MINISTROS de Nosso Senhor JESUS CRISTO; os quais, de acordo com Ele, estabelecem programas de ação para a COLETIVIDADE PLANETÁRIA, de modo a facilitar-lhe os vôos para a divina ascensão.

Embora, porém, esta mensagem, por isso mesmo, seja digna de nosso melhor apreço, contudo, na experiência de companheiro mais velho, recomenda-nos nosso Orientador Espiritual (Emmanuel) um interesse mais efetivo, para a fixação de valores morais em nossa personalidade terrena, de conformidade com os padrões estabelecidos no Evangelho de nosso Divino Mestre.

Porque, para nossa inteligência, os fenômenos renovadores da existência que nos cercam têm qualquer coisa sensacional, de surpreendente, nosso coração de inclinar-se, humilde, diante da Majestade do Senhor, que nos concede tantas oportunidades de trabalho, em nós mesmos, a revelação dos grandes acontecimentos porvindouros; novo soerguimento íntimo, novo modo de ser, a fim de que estejamos realmente habilitados a enfrentar valorosamente as lutas que se avizinham de nós, e preparados para desfrutar a Nova Era que, qual bonança depois da tempestade, facilitará nossos círculos evolutivos.

Será, todavia, muito importante encarecer, que não devemos reclamar, do TERCEIRO MILÊNIO, uma transformação absolutamente radical, nos processos que caracterizam, por enquanto, a nossa vida terrestre.

O prazo de 47 anos é diminuto, para sanar os desequilíbrios morais, de tantos séculos, em que o nosso campo coletivo e individual adquiriu tantos débitos, diante da sabedoria e diante do amor, que incessantemente apelam para nossa alma, no sentido de nos levantarmos, para uma clima mais aprimorado da existência.

Não podemos esquecer, que grandes imensidades territoriais, na América, na África e na Ásia, nos desafiam a capacidade de trabalho.

Não podemos olvidar, também, que a Europa, superalfabetizada, se encontra num Karma de débitos clamorosos, à frente da LEI, em doloroso expectação, para o reajuste moral, que Ihe é necessário.

Aqui mesmo, no Brasil, numa nação com capacidade de asilar novecentos (900) milhões de habitantes, em quatrocentos e alguns anos de evolução, mal estamos – os espíritos, encarnados na Terra em que temos a bênção de aprender ou recapitular a lição do Evangelho – mal estamos passando das faixas litorâneas.

Serviços imensos esperam por nossas almas no futuro próximo.

E, se é verdade que devemos aguardar, em nome de Nosso Senhor JESUS CRISTO, condições mais favoráveis para a estabilização da saúde humana, para o acesso mais fácil às fontes da ciência; se nos compete a obrigação de esperar o melhor para o dia de amanhã cabe-nos, igualmente, o dever de não olvidar que, junto desses direitos, responsabilidades constringentes contam conosco, para que o Mundo possa, efetivamente, atender ao programa Divino, através, não somente da superestrutura do pensamento científico – que é hoje um teto brilhante para os serviços de inteligência do mundo – mas também, através de nossos corações, chamados a plasmar uma vida, que seja realmente digna de ser vivida por aqueles que nos sucederão nos tempos duros; entre os quais, naturalmente, milhões de nós os reencarnados de agora, formaremos, de novo, como trabalhadores que voltam para o prosseguimento da tarefa de auto acrisolamento, para a ascensão sublime, que o Senhor nos reserva.

Considerando, assim, a questão sob este prisma, cabe-nos contar com o concurso da ciência, no setor das observações de ordem material; com a evolução dos instrumentos de óptica; com o avanço dos processos de exame, na esfera da QUÍMICA PLANETÁRIA, na qual os mundos podem ser analisados, como ÁTOMOS DA AMPLIDÃO DE UNIVERSOS, que se sucedem uns aos outros, no infinito da Vida.

Será lícito, então, esperar que certas afirmativas, referentes a vida material, se positivem satisfatoriamente, para mais altas concepções da MENTE PLANETÁRIA; de vez que, muito breve, o homem estará ligado à glória da RELIGIÃO CÓSMICA, da Religião do Amor e da Sabedoria, que o CRISTIANISMO RENASCENTE, no Espiritismo de hoje, edificará para a Humanidade, ajustando-a ao concerto de bênçãos, que o grande porvir nos reserva.

Pergunta: – Foi, de fato, há 37.000 anos que submergiu a Atlântida?

Chico Xavier: – Diz nosso Amigo (Emmanuel) que o cálculo é, aproximadamente, certo, considerando-se que as últimas ilhas, que guardavam os remanescentes da civilização atlântida, submergiram, mais ou menos, 9 a 10 mil anos, antes da Grécia de Sócrates.

Pergunta: * – Acha nosso irmão que a Mensagem de Ramatís deva ser divulgada com amplitude?

Chico Xavier: – Diz nosso Orientador que a Mensagem é de elevado teor…

E todo trabalho organizado com o respeito, com o carinho e com a dignidade, dentro dos quais essa Mensagem se apresenta, merece a nossa mais ampla consideração, de vez que todos nós, em todos os setores, somos estudiosos, que devemos permutar as nossas experiências e as nossas conclusões para a assimilação do progresso, com mais facilidade em favor de nós mesmos.


Revista Boa Vontade, Ano 1, n0 4 – Outubro de 1956.”


Créditos: Carlos Eduardo Cenerelli



quarta-feira, janeiro 26, 2011

Ode aos Malandros









ODE AOS MALANDROS

Mensagem do Sr Zé Navalha

Boa Noite senhores da noite e do dia, das ruas vazias e das avenidas lotadas,

Que ganham a vida balançando nos coletivos,

Em meio à pobreza aparente que é material, Mas nunca de espirito.

Andamos nos meios onde somos chamados

Desde a Encruzilhada até o Campo Santo,

Da Ferrovia até a Ladeira.

Da rua asfaltada à estrada de terra,

Sou Malandro e quem não é,

Viver é malandragem pura, no bom sentido,

Na Fé da Oração a Nossa Senhora à Mironga do Candomblé,

Sentado à beira do Cruzeiro oro pelas almas que estão a pé,

Sem rumo na vida depois da vida,

No meu paletó branco, no lenço vermelho,

Enxugo uma lágrima sofrida e meu chapéu tiro àqueles que lutam,

À mãe solteira, à mãe abandonada, pela criança órfã,

Aos doentes que se curam na Fé,

Aos que vivem nas periferias na Fé da labuta na noite e no dia,

Tiro meu chapéu àqueles que na sua Fé fazem o bem onde quer que seja:

Sou Zé,

Sou Maria,

Sou Negro,

Sou Branco,

De Punhal, de Navalha e até Rosa e Cravo na mão,

Estou na luta no lado de lá, não facilito nada, apenas gingo,

Pra lá e pra cá e passo no jogo de cintura pela vida apertada.

Estou aqui para te escutar, te entender e mostrar que rumo tomar

Vou na Fé, na sua, na minha, na de Deus, mas vou, sempre...

Mensagem ditada por Sr Zé Navalha

Recebida por Rafael Martins Marcondes e dedicado a todos

aqueles que Malandramente vivem, lutam e ajudam.

Alciléa Medeiros






segunda-feira, janeiro 24, 2011

Indios




Alem da Vida









Além da Vida

Roberto de Sousa Causo
De São Paulo

Além da Vida (Hereafter). Estados Unidos, 2010, 129 minutos. Direção de Clint Eastwood. Produzido por Clint Eastwood, Kathleen Kennedy, Robert Lorenz, e Steven Spielberg. Escrito por Peter Morgan. Com Matt Damon, Cécile de France, Frankie e George McLaren, Bryce Dallas Howard, Thierry Neuvic, Lindsey Marshall.

Quando eu era garoto, Clint Eastwood era símbolo de cinema hollywoodiano: o policial que faz justiça com as próprias mãos (Dirty Harry), o herói de pastelão-caipira (Philo Beddoe) e o cowboy solitário (Josey Wales). Eastwood era sinônimo de grandes bilheterias, e foi o ator mais bem pago da grande indústria do cinema. Mas em cada um desses personagens havia o embrião de algo subversivo, e em muitos dos seus filmes de menor bilheteria, o de um cineasta de atitudes e pontos de vista muito pessoais.

Se não falhar a memória, foram os críticos franceses que, em algum momento da década de 1980, o valorizaram pela primeira vez como diretor. Agora com 80 anos, idade em que o sujeito olha muito para trás - para a sua carreira - e para o futuro - para o tempo que lhe resta -, Eastwood comparece com um filme sobre a vida após a morte, e um filme com um estilo, eu diria, bastante europeu.

Não obstante, Além da Vida abre com um forte aceno a Hollywood, na sua tradição do filme catástrofe, com uma impactante seqüência sobre o tsunami que atingiu a Tailândia em 2004. A jornalista francesa Marie LeLay (Cécile De France) está em férias com o namorado (Thierry Neuvic) na Tailândia, quando o desastre acontece. Ela tem uma experiência de quase-morte. Depois disso, Marie fica fascinada pelo assunto da vida após a morte e de suas evidências testemunhais, e se empenha em escrever um livro a respeito, no processo comprometendo a sua carreira de âncora de telejornal. A seqüência do tsunami é bem realizada, ainda que os efeitos de imagens geradas por computador não representem o estado da arte.

O filme acompanha três personagens e seus confrontos com a morte, sendo que cada linha narrativa avança em paralelo às outras. Nesse sentido, o filme é uma "narrativa entrançada", onde os fios se unem apenas na segunda parte ou no seu terço final. Uma segunda linha acompanha os gêmeos londrinos Marcus e Jason (Frankie e George McLaren), em seu esforço para sobreviver unidos como família, diante do fato de que sua mãe, Jackie (Lindsey Marshal), é alcoólatra e viciada em drogas, colocando os dois na mira do serviço social inglês. Enfim, a narrativa que acompanha George Lonegan (Matt Damon) em San Francisco, torna ainda mais explícito o tema do filme: George é um médium vidente, que faz "leituras" ou channeling, como os americanos chamam a comunicação mediúnica.

Curiosamente, o que George representa é o esforço de abraçar a vida - ele já tinha sido famoso como médium, mas essa fama e as demandas incomuns (para dizer o mínimo) da atividade mediúnica tornavam impossível para ele levar uma vida normal. Agora ele está "aposentado", tendo abandonado o status de celebridade por uma vida de classe trabalhadora, empregado em uma fábrica da cidade. À noite, faz um curso de culinária, onde espera conhecer pessoas. Isso acontece quando o professor (Steve Schirripa) coloca uma ruivinha atrapalhada, Melanie (Bryce Dallas Howard), para fazer par com ele.

Melanie é mais direta do que George, e logo os dois estão no pequeno apartamento dele, cozinhando um para o outro. Mas ele não tem "solitário" ("lone") no nome à toa, e a cena, uma das mais intensas e brilhantes do filme, ilustra com surpreendente intensidade e emoção, as agruras da vida de um médium. Isso é realizado pela absoluta segurança e despojamento da direção, e pelo talento de Damon e Howard. A vida de George é complicada também pela insistência de seu irmão (Jay Mohr) em levá-lo de volta ao "negócio" da comunicação mediúnica.

Do outro lado do Atlântico, as explorações de Marcus, que se tornou obcecado em se comunicar com os mortos, fornecem um contraponto e ajudam a caracterizar George como um médium verdadeiro, e não como charlatão ou aventureiro.

Em uma narrativa entrançada, a progressão das diversas linhas narrativas gera um certo suspense sobre como e quando elas irão se encontrar. É o que acontece ao final de Além da Vida, e o entrançamento evita qualquer tentação de retumbancia - ao contrário de outros filmes sobre a vida além da morte, como O Mistério de Libélula (Dragonfly; 2002). O filme de Clint Eastwood também evita ser doutrinário e sensacional como o são Amor Além da Vida (When Dreams May Come; 1998) ou o brasileiro Nosso Lar (2010), valorizando, ao invés, o naturalismo que Eastwood sabe imprimir tão bem, e se voltando para a existência cotidiana de pessoas de países e classes sociais diferentes, marcadas por um questionamento que provavelmente nos atinge a todos, em um momento ou outro da vida.

A direção confere uma atmosfera muito intimista, não apenas pela iluminação e pela fotografia, mas principalmente pela inclusão da câmera - que representa o ponto de vista do espectador - no espaço de interação dos atores. Não se trata de um close à distância, mas da câmera partilhando o mesmo espaço. O filme também foge do esquema hollywoodiano por não ter antagonistas; ao contrário, as pessoas que de algum modo se colocam no caminho dos personagens (o irmão de George, o editor de Marie, os agentes sociais) podem estar contrariados com os heróis, mas têm boas intenções.

O dénouement se dá com a viagem de "turismo literário" de George, que é um grande fã de Charles Dickens, à Inglaterra. A menção a Dickens pode não ser casual - o grande autor inglês do século 19 escreveu muitas histórias de fantasma e o clássico Um Conto de Natal (A Christmas Carrol; 1843), com seus fantasmas dos Natais presentes, passados e futuros.

O que a mudança de ares reserva a George, Marie e Marcus são encontros, contato humano, e o final sugere uma reconciliação de George com o seu dom. O espectador talvez ache que eles são improváveis demais. Mas este é um filme sobre o destino e sobre ordenações da vida que estariam por trás do cotidiano. O ótimo roteiro de Peter Morgan pontua a trajetória dos personagens com ocorrências dos últimos anos, incluindo, além do tsunami, o atentado ao metrô de Londres e a recente crise econômica global. Talvez a mensagem subjacente seja a de que devemos resistir, pois tudo passa, tudo passará, talvez para o melhor.

O resultado final é uma produção que apenas Clint Eastwood poderia ter dirigido, demonstrando, por esse gênero, um interesse que apenas ele poderia ter antecipado.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4903666-EI6622,00-Cinema+Alem+da+Vida.html



Mais que uma Tragédia




MAIS DO QUE UMA TRAGÉDIA

No Brasil, em 2010 temporais mataram pessoas em plena noite de reveillon. Janeiro de 2011 segue no mesmo caminho: o número de mortos, de alagamentos e de destruição aumenta a cada dia. Como podemos entender essas situações? Como combater o medo que aflige milhões de pessoas a cada vez que uma situação inesperada atinge a vida de desconhecidos, de conhecidos e, algumas vezes, as nossas próprias?

Você pode se perguntar o que tantas tragédias tão diferentes têm em comum. A resposta é que todas elas envolvem a morte de um grupo grande de pessoas ao mesmo tempo, em situações que angustiam quem se imagine um dia passando por elas. Inevitavelmente, quando os números assombram, nosso medo também aumenta, junto com a vontade de entender por quê esse tipo de acidente ocorre. As perguntas não calam e uma das que mais causa alarde é com relação àqueles que “escaparam” do acidente: como eu sobrevivi ao deslizamento se estava exatamente ao lado de alguém que morreu? Como eu pressenti que não deveria embarcar naquele avião e preferi mudar o horário da passagem? Como eu consegui sair do prédio apenas um segundo antes do tremor fazer com que a estrutura viesse abaixo? Será que a resposta a essas perguntas seria: “ainda não era minha hora”? E, se não era “a minha hora”, era então o momento em que todas as pessoas que morreram deveriam desencarnar – juntas?
A vida futura
Somos espíritos temporariamente habitando corpos. Individualidades e imortais. Nossos sentimentos verdadeiros nada têm de material e continuam existindo mesmo após o desembaraço do corpo físico. Essa a mensagem de Jesus e que o espiritismo vem demonstrar com as milhares, milhões de comunicações de filhos, pais, de almas apaixonadas, de amigos reais. Sem essa constatação a vida na Terra perde o sentido, as perguntas não encontram respostas e Deus seria uma abstração, para não dizer uma farsa.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec pontua que todas as máximas de Jesus se dirigem para o grande princípio da vida depois da morte. E vai além: ‘sem essa vida futura, com efeito, a maior parte dos seus preceitos de moral não teria nenhuma razão de ser’. Toda solicitude de Deus está para o que realmente importa, nossos espíritos. E ela é infinita. Essa a verdade que liberta e consola. Mas por que tantos morrendo num mesmo acontecimento?
Resgate coletivo
“Nada há de fatalidade, senão o instante da morte. Quando esse momento chega, de um jeito ou de outro, não podeis dele vos livrar”. Assim os espíritos respondem em O livro dos Espíritos sobre o perecer ou não numa determinada situação. Já a ideia de resgate coletivo entrou de forma clara no espiritismo no livro Obras Póstumas, numa mensagem assinada por Clélia Duplantier.
Diz ela: “Essas faltas coletivas (do passado) é que são expiadas coletivamente pelos indivíduos que para elas concorreram, os quais se encontram de novo reunidos, para sofrerem juntos a pena de talião”.
Léon Denis também fala a esse respeito no livro O problema do Ser, do destino e da dor, quando diz:
“Sucede que os seres humanos passíveis dessa reparação se reúnem num ponto pela força do destino, para sofrerem, numa morte trágica, as conseqüências de atos que têm relação com o passado anterior ao nascimento. Daí, as mortes coletivas, as catástrofes que lançam no mundo um aviso”. Além deles, Emmanuel e André Luiz - através da mediunidade de Chico Xavier - também falam dessas mortes e da possibilidade de serem associadas a um resgate coletivo. Tudo isso para concluir que a morte ‘trágica’ pode ter esse caráter, já que tantos espíritos encarnados e desencarnados falam dela.
Mas o espiritismo é uma doutrina que privilegia a lógica, a razão e o bom-senso. Ao se generalizar que todos aqueles que morrem em decorrência dessas tragédias estão resgatando dívidas do passado, talvez estejamos simplificando demais as possibilidades e aumentando as chances de erro.
A soberana justiça é um dos atributos de Deus e deve estar em tudo, certamente. Mas qual de nós poderia interpretá-la para dizer que tal ou qual fato foi um resgate coletivo ou não?
Se a justiça fosse medida simplesmente pelo que acontece ao corpo, teríamos então que diferenciar o nível de resgate em função da quantidade e do tipo de material a que cada um sucumbiu. Ou ainda encontrar resposta para a diferença entre resgate coletivo de milhares que deixam o corpo físico num terremoto, ou num acidente de avião, por exemplo, em comparação com mais de 2 milhões que morrem de fome, ano após ano.
Justiça dos homens
Pedro, o apóstolo, diz que é ‘o amor que cobre uma multidão de pecados’.
Não fosse verdade, a proposta do Cristo de perdoarmos setenta vezes sete não teria sentido. Se a verdadeira lei fosse o ‘olho por olho’, partiríamos para uma sociedade que educaria impondo a reparação sempre pela similitude. Chegaríamos, enfim, na defesa da pena de morte para os que mataram! Isso está em desacordo com a lei do progresso, não pode estar com a razão.
No caso do terremoto do Haiti, onde perto de 150 mil pessoas deixaram o plano físico, pode ter havido resgate coletivo, como também provas e até missões. Vamos a um caso em particular: Zilda Arns. Aos 76 anos, idade em que muitos já estão aposentados, essa médica ainda encontrava forças para amar haitianos que não conhecia, mesmo que para isso tivesse que se privar momentaneamente da companhia dos filhos e netos, que conhecia e também amava. Uma vida dedicada à vida. Como ela, certamente centenas ou milhares de outros que não sabemos nem o nome e que podem estar na mesma situação.
Seria necessário um resgate coletivo para acalmar essas consciências?
A visão espírita
Quem foi buscar o texto de Clélia Duplantier pôde ver que no complemento ela diz: “...para sofrerem juntos a pena de talião, ou para terem ensejo de reparar o mal que praticaram, demonstrando devotamento à causa pública, socorrendo e assistindo aqueles a quem outrora maltrataram.”
Já Léon Denis escreve no mesmo livro: “Todos aqueles que sofrem não são forçosamente culpados em via de expiação. Muitos são simplesmente Espíritos ávidos de progresso, que escolheram vidas penosas e de labor para colherem o benefício moral que anda ligado a toda pena sofrida”.
E em O livro dos Espíritos, no item Flagelos Destruidores fica mais claro ainda: “Durante a vida (física), o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, de maneira diversa pensa depois da morte. Ora, conforme temos dito, a vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no vosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto vos queixais. Representam um ensino que se vos dá e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real. Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a Sua solicitude. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles.”
E um pouco mais além: “Se considerásseis a vida na Terra qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Em outra vida, essas vítimas acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.”
Para os que partiram, chegou a hora. Aos que ficam, mais uma oportunidade de exercitar a fraternidade com os necessitados e a resignação na bondade e na justiça divina.


Carlos Eduardo Cenerelli



INFLUENCIAÇÃO ESPIRITUAL NO LAR




INFLUENCIAÇÃO ESPIRITUAL NO LAR

"As almas se reúnem, obedecendo às tendências que lhes são características e à circunstância de que cada espírito tem as companhias que prefere. ”André Luiz”(1)

Onde houver uma reunião de pessoas, existirá também uma assembléia de espíritos desencarnados, tendo como fator de atração seus pensamentos e atos.

O lar sendo uma reunião permanente de almas, não pode fugir a esta lei de sintonia mental.

A influência espiritual no lar é tão intensa e profunda, que os instrutores espirituais dizem que nele a mediunidade se apresenta de forma mais espontânea e pura.

Os fenômenos mediúnicos ocorrem com facilidade admirável, no dia-a-dia dos acontecimentos na família.

Os espíritos elevados se dirigem às residências dos homens para inspirar, socorrer, amparar, encorajar e instruir, enquanto que os espíritos imperfeitos chegam sempre com o intuito de perseguir, obsidiar, vampirizar, complicar e desorientar.

Quanto ao poder de influência dos espíritos nos pensamentos dos encarnados, a questão nº. 459 de “O Livro dos Espíritos” esclarece:

“Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito freqûentemente são eles que vos dirigem."Vivemos em contínua comunhão mental com todos os espíritos que se afinizam com o nosso modo de ser. Desse modo, em todas as atividades no recinto doméstico os familiares se colocam automaticamente em sintonia psíquica com entidades de sua faixa de simpatia, vivendo em função dessas vibrações.

A ausência de princípios evangélicos na convivência familiar faz abrir as portas espirituais para a atuação desequilibrante e enfermiça de entidades de baixo padrão vibratório: “Os quadros de viciação mental, ignorância e sofrimentos nos lares sem equilíbrio religioso são muito grandes.”(2)

A casa que não cultiva a prece sincera e os bons pensamentos, mantendo vibrações inferiores, será fatalmente assaltada por grupos de entidades ignorantes, levianas, viciadas e perversas, de conformidade com a sintonia mental dos moradores.

O autor espiritual André Luiz, demonstrando certo espanto, descreve um fato ocorrido em uma residência no momento em que os familiares faziam suas refeições:

“Entretanto, um fato, até então inédito para mim, feriu-me a observação: seis entidades envolvidas em círculos escuros acompanhavam-nos ao repasto, como se estivessem tomando alimento por absorção.”(3) Seis espíritos de condição inferior, justapunham-se aos encarnados à mesa, absorvendo os fluidos que se desprendiam dos alimentos. Será que os espíritos realmente se alimentam com os fluidos emanados dos alimentos postos à mesa? Sim, pois, assimilando as energias desintegradas, conseguem obter a mesma sensação, como se estivessem fazendo uma refeição no corpo físico: “Os nossos irmãos viciados nas sensações fisiológicas encontram nos elementos desintegrados o mesmo sabor que experimentavam quando em uso do envoltório carnal.”(4)

Por que determinados espíritos permanecem no lar?

Entidades infelizes, sem méritos para se transferirem para as cidades espirituais organizadas e sem maiores culpas para se prenderem aos antros de sofrimentos do Umbral e das Trevas, fixam residência nas moradias onde são atraídos pelos familiares encarnados, vivendo em profunda simbiose psíquica. “Os que desencarnam em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, neles encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantêm ligados à casa, às situações domésticas e aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico.(5) Estes espíritos em sua maioria não são maus e, sim, ignorantes, resultado natural daquelas criaturas que deixaram a Vida Física, sem nenhum preparo moral e espiritual, indiferentes ao próprio aperfeiçoamento íntimo.

Na ânsia de somente gozarem os bens passageiros da vida material, deixaram o envoltório da carne na condição de escravos de suas próprias fraquezas. Seguem a rotina dos encarnados invigilantes, como se estivessem ainda na vida corpórea, cegos para as realidades sublimes e eternas da Espiritualidade. “Estamos vendo familiares diversos que os próprios encarnados retêm com as suas pesadas vibrações de apego doentio.”(6)

A morte não opera milagres de iluminação para nenhum espírito. Tudo segue a lei universal de seqüência e de mérito, alicerçado na conquista legítima pela boa vontade, esforço, disciplina e perseverança no Bem. Ninguém fugirá da Lei que determina o mérito ou o sofrimento, o prêmio ou o castigo, de acordo com as nossas próprias criações nas lutas e trabalhos da vida humana.

BIBLIOGRAFIA

1 a 6 – Missionários da Luz / André Luiz / F.C. Xavier / FEB - Capítulo 11: Intercessão.

Fonte

“A Flama Espírita" n.º 2.598.

Matéria extraída da revista Informação ANO XVI 182 Janeiro de 1992, escrita por Walter Barcelos.


Carlos Eduardo Cenerelli



quinta-feira, janeiro 20, 2011

As tempestades - Papel do Espíritos nos fenômenos naturais





Andre Rieux - Ave Maria - Galia .mp3


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Mortes Coletivas


Um dos problemas mais difíceis de ser enfrentado,

pois a morte é sempre vista como mistério.

Todos nós temos compromissos

de reajuste perante

a Lei que rege o Universo

Texto com base em estudos diversos

Prezados irmãos e amigos, não pretendo com essa mensagem modificar o pensamento das pessoas. Apenas estou passando uma informação, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas.

Por que tantos morrem juntos em desastres? Haverá explicação para tantas ocorrências “aparentemente inexplicáveis”?

Para os que professam determinadas religiões, é impossível compreender o sentido divino dessas tragédias, porque acreditam piamente que o homem vive na Terra uma vez somente. Agora, para aqueles que admitem que já viveram antes, fica mais fácil.

As grandes comoções que ocorrem na vida material trazem sempre enormes indagações e dúvidas por parte daqueles que ainda não adquiriram conhecimentos das verdades evangélicas a respeito da “Lei de Causa e Efeito” e das vidas sucessivas. Por este motivo, em determinados momentos de confusão mental e de dúvidas terríveis, as criaturas chegam a questionar o próprio Criador: Por que permitiu uma coisa dessas?

Esses acontecimentos, chamados catastróficos, como por exemplo, acidentes aéreos, marítimos, rodoviários, ferroviários e, hoje em dia, até por ato terrorista, que ocorrem com grupos de pessoas, muitas delas sem se conhecerem sequer, com famílias inteiras, em toda uma cidade ou até em uma nação, não são determinados por Deus, por terem essas pessoas infringido Suas leis, nem obra do acaso. Na realidade, todas essas pessoas atingidas estão marcadas, nos registros da espiritualidade, para participarem dessas desencarnações coletivas.

Se analisarmos esses fatos unicamente pelas causas humanas, poder-se-ia chegar à conclusão da má sorte de se estar exatamente naquele lugar e naquele momento. Entretanto, quando se expande esta compreensão e nela se agrega a lei de causa e efeito e o princípio das vidas sucessivas, o cenário começa a fazer sentido.

O próprio Cristo não nos ensinou que quem com ferro fere, com ferro será ferido? Dentro desse raciocínio legitimamente cristão, quem, em conjunto com outras pessoas, agrediu o próximo não teria que pagar em conjunto?

Então, podemos entender que nessas mortes coletivas há um encontro marcado desses Espíritos, que foram protagonistas de equívocos de comportamento, e na atual estada na Terra estão zerando as suas pendências.

Toda ação que praticamos, boa ou má, recebemos de volta. Nosso passado determina o nosso presente, ou seja, o que temos hoje é reflexo direto do nosso ontem. Se o raciocínio vale na escala individual, por que não valeria também para a escala coletiva?

Na provação coletiva, dá-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo delito, ou seja, de ações gravíssimas praticadas num pretérito longínquo, tais como: As Cruzadas, a Inquisição, as Guerras e similares, isto é, uma gama de violências e absurdos. Em que todos os participantes só se livram das dívidas quitando-as.

Mas por que só agora? Perguntarão. É que somos Espíritos milenares e, por este motivo, vamos adiando por várias encarnações a expiação necessária e imprescindível para a reparação de nossos atos danosos. Mas, por não haver mais condições de protelar tal decisão, chega o momento para muitos desses devedores.

O interessante é que o próprio Espírito assume, antes de reencarnar, esse compromisso com o propósito de resgatar esses velhos débitos.

No livro Ação e Reação, André Luiz afirma esse fato: “Nós mesmos é que criamos o carma e este gera o determinismo”.

Porém, esses Espíritos presos na teia de suas construções infelizes e que sucumbem não ficam desamparados.

A Espiritualidade superior, possuindo o conhecimento prévio desses fatos, providencia equipes de socorro para a assistência a esses Espíritos que irão adentrar no plano espiritual.

É importante saber que, mesmo que o desencarne coletivo ocorra identicamente para todos, individualmente, a situação dos traumas e do despertar no outro plano dependerá da evolução de cada um.

Desse modo, a Providência Divina ampara àqueles que assumiram tais resgates aflitivos e, por outro lado, ampara os que não vão fazer parte desse processo coletivo.

Quem não deve não paga! Diz o ditado popular. E é por isso que muitos perdem o avião, o trem, o ônibus que se acidentaria dali a pouco, enquanto outros viajam nesses meios de locomoção inesperadamente.

Segundo um ensinamento evangélico, “Não cai uma só folha da árvore sem que Deus saiba”.

E, com toda certeza, as mortes coletivas não são fatalidades nem obras do acaso.

Muita paz!

Helio Cruz




"O Espiritismo visto, pode ser fenômeno; estudado pode ser escola; interpretado, pode ser teoria; sistematizado, pode ser filosofia; observado, pode ser ciência; meditado, pode ser doutrina. A Codificação trouxe ao mundo uma chave gloriosa, cuja utilidade se adapta a numerosas portas. O Espiritismo ouvido, pode ser apenas consolação; vitorioso, pode ser somente festividade; propagado, pode ser somente movimentação; sentido, pode ser somente crença. Não nos esqueçamos, porém, de que o Espiritismo Aplicado é Vida Eterna com Eterna Libertação. Escolhamos o caminho da aplicação: Trabalho, Solidariedade, Tolerância".

Amigos

Considerando a tragédia vivida pelos nossos irmãos do Rio, São Paulo, Minas, Santa Catarina e Austrália, convido a todos para nos unirmos em prece pelos que partiram para que recebam nossas vibrações de amor e equilíbrio para que mais rapidamente se adaptem à nova realidade, bem como saibam aceitar os desígnios de Deus para com eles.
Peço uma prece, especialmente para os que ficaram, para que nossas vibrações de amor e simpatia possam envolvê-los e fortalecê-los, auxiliando-os a encontrar o amparo necessário e a fé necessária para recomeçar, independente da denominação religiosa que abracem. Que possam os espíritos de luz estar junto a eles inspirando-os e consolando-os nesta hora, auxiliando-os a superar a prova e as dores das perdas que sofreram.
Que possamos também orar pelos dirigentes das nações, pelos responsáveis por decisões para que se sintam tocados para socorrer tantos irmãos em situação de dor e penúria.
E, para melhor entendermos o que os espíritos nos ensinam, transcrevo, logo abaixo, o capítulo da Lei de Destruição do Livro dos Espíritos.



As tempestades Papel do Espíritos nos fenômenos naturais

(Sociedade, 22 de julho de 1859).

Revista Espírita, setembro de 1859

1. (A Fr. Arago.) Nos foi dito que a tempestade de Solferino tivera um objetivo providencial, e se nos assinala vários fatos desse gênero, notadamente em fevereiro e junho de 1848. Essas tempestades, durante os combates, tinham um fim análogo? - R. Quase todas.

2. O Espírito interrogado a esse respeito nos disse que só Deus agia, nessas circunstâncias, sem intermediários. Permiti-nos algumas perguntas a esse respeito, e rogamos consentirdes em resolver com a vossa clareza habitual.

Concebemos, perfeitamente, que a vontade de Deus seja a causa primeira, nisto como em todas as coisas, mas sabemos também que os Espíritos são seus agentes. Ora, uma vez que sabemos que os Espíritos têm uma ação sobre a matéria, não vemos porque, alguns dentre eles, não teriam uma ação sobre os elementos, para agitá-los, acalmá-los ou dirigi-los. - R. Mas é evidente; isso não pode ser de outro modo; Deus não se entrega a uma ação direta sobre a matéria; ele tem seus agentes devotados em todos os graus da escala dos mundos. O Espírito evocado não falou assim senão por um conhecimento menos perfeito dessas leis, como das da guerra.

Nota. A comunicação do oficial, narrada acima, foi obtida no dia 1ºde julho; esta não ocorreu senão no dia 22 e por um outro médium; nada, na questão, indica a qualidade do primeiro Espírito evocado, qualidade que lembra espontaneamente aquele que acaba de responder. Esta circunstância é característica, e prova que o pensamento do médium nada tem com a resposta. Assim é que, numa multidão de circunstâncias fortuitas, o Espírito revela, seja sua identidade, seja sua independência. Por isso, dizemos que é necessário sempre ver, sempre observar; então se descobre uma multidão de nuanças que escapam ao observador superficial e de passagem. Sabe-se que é necessário agarrar os fatos quando eles se apresentem, e que não é provocando que eles serão obtidos. O observador atento e paciente encontra sempre alguma coisa para aproveitar.

3. Á mitologia está inteiramente fundada sobre as idéias espíritas; nela encontramos todas as propriedades dos Espíritos, com a diferença que os Antigos deles fizeram os deuses. Ora, a mitologia nos representa esses deuses, ou esses Espíritos, com atribuições especiais; assim, uns estão encarregados do vento, outros do raio, outros de presidir a vegetação, etc; essa crença está despida de fundamentos? - R. Ela está tão pouco despida de fundamento que ainda está bem abaixo da verdade.

4. Na origem das nossas comunicações, os Espíritos nos disseram coisas que parecem confirmar esse princípio. Disseram-no, por exemplo, que certos Espíritos habitam mais especialmente o interior da Terra, e presidem aos fenômenos geológicos. -- R. Sim, e não tardareis muito para ver a explicação de tudo isso.

5. Esses Espíritos que habitam o interior da Terra, e presidem aos fenômenos geológicos, são de uma ordem inferior? - R. Esses Espíritos não habitam positivamente a Terra, mas presidem e dirigem; são de uma ordem muito diferente.

6. São Espíritos que estiveram encarnados em homens como nós? - R. Que o serão, e que foram. Disso vos direi mais, se quiserdes, dentro de pouco tempo.


O Livro dos Espíritos


Ação dos Espíritos sobre os fenômenos da natureza


536 Os grandes fenômenos da Natureza, aqueles que são considerados como uma perturbação dos elementos, são de causas imprevistas ou, ao contrário, são providenciais?

– Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus.

536 a Esses fenômenos sempre têm o homem como objetivo?

– Algumas vezes têm uma razão de ser direta para o homem. Entretanto, na maioria dos casos, têm por objetivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da natureza.

536 b Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária nisso como em todas as coisas, mas, como sabemos que os Espíritos têm uma ação sobre a matéria e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos: alguns dentre eles não exercem uma influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?

– Mas é evidente que exercem e não pode ser de outro modo. Deus não exerce ação direta sobre a matéria; ele tem agentes devotados em todos os graus da escala dos mundos.

537 A mitologia dos antigos é inteiramente fundada sobre as idéias espíritas, com a diferença de que consideravam os Espíritos divindades. Representavam esses deuses ou Espíritos com atribuições especiais: assim, uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir a vegetação, etc; essa crença é totalmente destituída de fundamento?

– Ela é tão pouco destituída de fundamento que ainda está muito aquém da verdade.

537 a Pela mesma razão, poderia haver Espíritos vivendo no interior da Terra e dirigindo os fenômenos geológicos?

– Evidentemente esses Espíritos não habitam exatamente o interior da Terra, mas presidem e dirigem

os fenômenos de acordo com suas atribuições. Um dia, tereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.

538 Os Espíritos que dirigem os fenômenos da natureza formam uma categoria especial no mundo espírita? São seres à parte ou Espíritos que estiveram encarnados como nós?

– Que estiveram ou que estarão.

538 a Esses Espíritos pertencem às ordens superiores ou inferiores da hierarquia espírita?

– Isso é conforme seja mais ou menos material ou inteligente o papel que desempenham. Uns comandam, outros executam. Aqueles que executam as coisas materiais são sempre de uma ordem inferior, entre os Espíritos como entre os homens.

539 Na produção de alguns fenômenos, as tempestades por exemplo, é um Espírito que age, ou se reúnem em massa?

– Em massas inumeráveis.

540 Os Espíritos que exercem ação sobre os fenômenos da natureza agem com conhecimento de causa, pelo seu livre-arbítrio, ou por um impulso instintivo ou irrefletido?

– Uns sim, outros não. Façamos uma comparação: imaginai essas imensidades de animais que pouco a pouco fazem sair do mar as ilhas e os arquipélagos, acreditais que não há nisso um objetivo providencial e que essa transformação da superfície do globo não seja necessária para a harmonia geral? Esses são apenas animais da última ordem que realizam essas coisas para proverem suas necessidades e sem desconfiarem que são os instrumentos de Deus. Pois bem! Do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados são úteis ao conjunto; enquanto ensaiam para a vida e antes de ter plena consciência de seus atos e seu livre-arbítrio, agem sobre alguns fenômenos dos quais são agentes inconscientes. Executam primeiro; mais tarde, quando sua inteligência estiver mais desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; mais tarde ainda, poderão dirigir as coisas do mundo moral. É assim que tudo serve, tudo se encaixa na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo que começou pelo átomo; admirável lei de harmonia da qual vosso Espírito limitado ainda não pode entender o conjunto.

O Livro dos Espíritos
Parte Terceira – Capítulo 6
Lei de destruição
Destruição necessária e destruição abusiva – Flagelos destruidores – Guerras – Assassinato – Crueldade – Duelo – Pena de morte

Destruição necessária e destruição abusiva

728 A destruição é uma lei natural?

– É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. O que chamais destruição é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos.

728 a O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos por desígnios providenciais?

– As criaturas são os instrumentos de que Deus se serve para atingir os seus objetivos. Para se alimentarem, os seres vivos se destroem entre si com um duplo objetivo: manter o equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e melhor utilização dos restos do corpo. Mas somente o corpo é destruído, porque é apenas o acessório, e não a parte essencial. O princípio inteligente é indestrutível e se elabora nas diferentes metamorfoses1 que sofre.

729 Se a destruição é necessária para a regeneração dos seres, por que a natureza os cerca com meios de preservação e de conservação?

– Para que a destruição não ocorra antes do tempo preciso. Toda destruição antecipada dificulta o desenvolvimento do princípio inteligente; é por isso que Deus deu a cada ser a necessidade de viver e de se reproduzir.

730 Uma vez que a morte deve nos conduzir a uma vida melhor, que nos livra dos males desta, e, por isso, mais deveria ser desejada do que temida, por que o homem tem um horror instintivo que o faz temê-la?

– Já dissemos, o homem deve procurar prolongar a vida para cumprir sua tarefa; eis por que Deus lhe deu o instinto de conservação, que o sustenta nas provas; sem isso, muitas vezes se deixaria levar pelo desencorajamento. A voz secreta que o faz temer a morte lhe diz que ainda pode fazer alguma coisa para seu adiantamento. Quando um perigo o ameaça, é uma advertência para que aproveite o tempo e a morada que Deus lhe concede. Mas, ingrato! Rende mais vezes graças à sua estrela do que ao seu Criador.

731 Por que, ao lado dos meios de conservação, a natureza colocou ao mesmo tempo os agentes destruidores?

– O remédio ao lado do mal, já dissemos, é para manter o equilíbrio e servir de contrapeso.

732 A necessidade de destruição é a mesma em todos os mundos?

– É proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e cessa quando os estados físico e moral estão mais depurados. Nos mundos mais avançados as condições de existência são completamente diferentes.

733 A necessidade da destruição existirá sempre entre os homens na Terra?

– A necessidade de destruição diminui e se reduz entre os homens à medida que o Espírito se sobrepõe à matéria; é por isso que se constata o horror à destruição crescer com o desenvolvimento intelectual e moral.

734 Em seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?

– Esse direito é regido pela necessidade de prover a sua alimentação e segurança. O abuso nunca foi um direito.

735 O que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança? Da caça, por exemplo, quando tem por objetivo apenas o prazer de destruir sem utilidade?

– Predominância dos maus instintos sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais destroem apenas de acordo com suas necessidades; mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade; ele deverá prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque cede aos maus instintos.

736 Os povos que são muito escrupulosos com relação à destruição dos animais têm um mérito particular?

– É um excesso, mesmo sendo um sentimento louvável em si mesmo; se se torna abusivo, seu mérito é neutralizado pelos abusos de outras espécies. Há entre eles mais medo supersticioso do que a verdadeira bondade.


Flagelos destruidores

737 Com que objetivo os flagelos destruidores atingem a humanidade?

– Para fazê-la progredir mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É preciso ver o objetivo para apreciar os resultados dele. Vós os julgais somente do ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que ocasionam; mas esses aborrecimentos são, na maior parte das vezes, necessários para fazer chegar mais rapidamente a uma ordem de coisas melhores e realizar em alguns anos o que exigiria séculos. (Veja a questão 744.)

738 A Providência não poderia empregar para o aperfeiçoamento da humanidade outros meios que não os flagelos destruidores?

– Sim, pode, e os emprega todos os dias, uma vez que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem que não tira proveito disso; é preciso castigá-lo em seu orgulho e fazer-lhe sentir sua fraqueza.

738 a Mas nesses flagelos o homem de bem morre como o perverso; isso é justo?

– Durante a vida, o homem sujeita tudo ao seu corpo; mas, após a morte, pensa de outro modo e, como já dissemos, a vida do corpo é pouca coisa; um século de vosso mundo é um relâmpago na eternidade. Portanto, os sofrimentos que sentis por alguns meses ou alguns dias não são nada, são um ensinamento para vós e servirão no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, compõem o mundo real. (Veja a questão 85.) Esses são filhos de Deus e objeto de toda a sua solicitude; os corpos são apenas trajes sob os quais aparecem no mundo. Nas grandes calamidades que destroem os homens, é como se um exército tivesse durante a guerra seus trajes estragados ou perdidos. O general tem mais cuidado com seus soldados do que com as roupas que usam.

738 b Mas nem por isso as vítimas desses flagelos são menos vítimas?

– Se considerásseis a vida como ela é, e quanto é insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Essas vítimas encontrarão numa outra existência uma grande compensação para seus sofrimentos se souberem suportá-los sem se lamentar.

☼ Quer a morte chegue por um flagelo ou por uma outra causa, não se pode escapar quando a hora é chegada; a única diferença é que, nos flagelos, parte um maior número ao mesmo tempo.

Se pudéssemos nos elevar pelo pensamento, descortinando toda a humanidade de modo a abrangê-la inteiramente, esses flagelos tão terríveis não pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.

739 Os flagelos destruidores têm alguma utilidade do ponto de vista físico, apesar dos males que ocasionam?

– Sim, eles mudam, muitas vezes, as condições de uma região; mas o bem que resulta disso somente é percebido pelas gerações futuras.

740 Os flagelos não seriam para o homem também provas morais que os submetem às mais duras necessidades?

– Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar sua inteligência, mostrar sua paciência e sua resignação à vontade da Providência, e até mesmo multiplicam neles os sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se não é dominado pelo egoísmo.

741 É dado ao homem evitar os flagelos que o atormentam?

– Sim, em parte, embora não como se pensa geralmente. Muitos dos flagelos são a conseqüência de sua imprevidência; à medida que adquire conhecimentos e experiência, pode preveni-los se souber procurar suas causas. Porém, entre os males que afligem a humanidade, há os de caráter geral, que estão nos decretos da Providência, e dos quais cada indivíduo sente mais ou menos a repercussão. Sobre esses males, o homem pode apenas se resignar à vontade de Deus; e ainda esses males são, muitas vezes, agravados pela sua negligência.

☼ Entre os flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, é preciso colocar na primeira linha a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais à produção da terra. Mas o homem encontrou na ciência, nos trabalhos de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, na rotatividade das culturas e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, os meios de neutralizar ou de pelo menos atenuar os desastres. Algumas regiões, antigamente assoladas por terríveis flagelos, não estão preservadas hoje? Que não fará, portanto, o homem pelo seu bem-estar material quando souber aproveitar todos os recursos de sua inteligência e quando, aos cuidados de sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento da verdadeira caridade por seus semelhantes? (Veja a questão 707.)

Guerras

742 Qual é a causa que leva o homem à guerra?

– Predominância da natureza selvagem sobre a espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, os povos conhecem apenas o direito do mais forte; é por isso que a guerra é para eles um estado normal. Contudo, à medida que o homem progride, ela se torna menos freqüente, porque evita as suas causas, e quando é inevitável sabe aliar à sua ação o sentimento de humanidade.

743 A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?

– Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então, todos os povos serão irmãos.

744 Qual o objetivo da Providência ao tornar a guerra necessária?

– A liberdade e o progresso.

744 a Se a guerra deve ter como efeito conduzir à liberdade, como se explica que tenha, muitas vezes, por objetivo e resultado a escravidão?

– Escravidão temporária para abater os povos, a fim de fazê-los progredir mais rápido.

745 O que pensar daquele que provoca a guerra em seu proveito?

– Esse é o verdadeiro culpado e precisará de muitas reencarnações para expiar todas as mortes que causou, porque responderá por todo homem cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.

Assassinato

746 O assassinato é um crime aos olhos de Deus?

– Sim, um grande crime; porque aquele que tira a vida de seu semelhante corta uma vida de expiação ou de missão, e aí está o mal.

747 O assassinato tem sempre o mesmo grau de culpabilidade?

– Já o dissemos: Deus é justo, julga mais a intenção do que o fato.

748 Perante Deus há justificativa no assassinato em caso de legítima defesa?

– Somente a necessidade pode desculpá-lo. Mas se o agredido pode preservar sua vida sem atentar contra a do agressor, deve fazê-lo.

749 O homem é culpado pelos assassinatos que comete durante a guerra?

– Não, quando constrangido pela força, embora seja culpado pelas crueldades que comete. O sentimento de humanidade com que se portou será levado em conta.

750 Qual é mais culpado diante da lei de Deus, aquele que mata um pai ou aquele que mata uma criança?

– Ambos o são igualmente, porque todo crime é crime.

751 Como se explica que alguns povos, já avançados do ponto de vista intelectual, matem crianças e isso seja dos costumes e consagrado pela legislação?

– O desenvolvimento intelectual não pressupõe a necessidade do bem; um Espírito Superior em inteligência pode ser mau. É aquele que viveu muito sem se melhorar: apenas sabe.

Crueldade

752 Pode-se ligar o sentimento de crueldade ao instinto de destruição?

– É o instinto de destruição no que há de pior. Se a destruição é, às vezes, uma necessidade, a crueldade nunca é; é sempre o resultado de uma natureza má.

753 Como se explica que a crueldade seja a característica predominante dos povos primitivos?

– Entre os povos primitivos, como os chamais, a matéria prepondera sobre o Espírito; eles se abandonam aos instintos bárbaros e, como não têm outras necessidades além da vida corporal, pensam somente em sua conservação pessoal, e é isso que os torna geralmente cruéis. Além do mais, os povos cujo desenvolvimento é imperfeito estão sob o domínio de Espíritos igualmente imperfeitos que lhes são simpáticos, até que povos mais avançados venham destruir ou enfraquecer essa influência.

754 A crueldade não vem da ausência do senso moral?

– Diremos melhor, que o senso moral não está desenvolvido, mas não que esteja ausente, porque ele existe, como princípio, em todos os homens; é esse senso moral que os faz mais tarde serem bons e humanos. Ele existe, portanto, no selvagem, mas está como o princípio do perfume está no germe da flor antes de desabrochar.

☼ Todas as faculdades existem no homem em condição rudimentar ou latente. Elas se desenvolvem conforme as circunstâncias lhes são mais ou menos favoráveis. O desenvolvimento excessivo de uma faz cessar ou neutraliza o das outras. A superexcitação dos instintos materiais sufoca, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece, pouco a pouco, as faculdades puramente selvagens.

755 Como se explica existirem, no seio da civilização mais avançada, seres algumas vezes tão cruéis quanto os selvagens?

– Exatamente como numa árvore carregada de bons frutos há os que ainda não amadureceram, não atingiram o pleno desenvolvimento. São, se o quiserdes, selvagens que têm da civilização apenas o hábito, lobos extraviados no meio de ovelhas. Espíritos de ordem inferior e muito atrasados podem encarnar em meio a homens avançados na esperança de avançarem; mas, sendo a prova muito pesada, a natureza primitiva os domina.

756 A sociedade dos homens de bem estará um dia livre dos malfeitores?

– A humanidade progride; esses homens dominados pelo instinto do mal que se acham deslocados entre as pessoas de bem desaparecerão pouco a pouco, como o mau grão é separado do bom depois de selecionado. Então renascerão sob um outro corpo e, como terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. Tendes um exemplo disso nas plantas e nos animais que o homem conseguiu aperfeiçoar e nos quais desenvolveu qualidades novas. Pois bem! É somente depois de muitas gerações que o aperfeiçoamento se torna completo. É a imagem das diferentes existências do homem.

Caos, Complexidade e a Influência dos Espíritos sobre os Fenômenos da Natureza


Alexandre Fontes da Fonseca

Department of Chemistry, Rutgers, the State University of New Jersey, Piscataway, New Jersey 08854-8087 USA Instituto de Física da Universidade de São Paulo, São Paulo, S.P.

afonseca@if.usp.br


Analisamos, à luz dos conhecimentos atuais da Ciência e da Doutrina Espírita, a questão sobre a ação dos espíritos nos fenômenos da natureza. Apesar dos espíritos confirmarem tal influência esse assunto foi pouco discutido pelo codificador em razão dos poucos conhecimentos científicos, existentes à época, a respeito de tais fenômenos.

Graças ao desenvolvimento das disciplinas científicas conhecidas como Teoria do Caos e Complexidade podemos retomar a questão. Neste artigo, argumentamos que a influência ou ação dos espíritos num fenômeno natural de larga escala como, por exemplo, uma tempestade, não requer, do ponto de vista físico, uma grande quantidade de energia, em comparação com a magnitude do fenômeno em si.

Em termos espíritas isto significa que não há necessidade de uma grande quantidade de fluido animalizado para realiza-se tal influência, o que a torna um evento perfeitamente possível. Utilizamos os conceitos de Caos e Complexidade para entender como isso pode ser possível.


I Introdução

Em “A Gênese”, capítulo XV ítem 45, Kardec apresenta uma passagem evangélica intitulada “Tempestade Acalmada”[1]. Nesta passagem Jesus e os discípulos estavam passando de uma margem à outra de um lago, em um barco, quando fortes ventos surgiram e os discípulos, assustados, pediram ajuda ao Mestre. Este, segundo a narrativa evangélica, se dirigiu aos ventos e às ondas apaziguando-os. Jesus, então, aproveita a oportunidade para falar-lhes sobre a fé.

Kardec, no ítem 46 da referência acima e Caibar Schutel[2] comentam a passagem. Kardec, neste ítem, admite que não se conhece os “segredos da Natureza para afirmar se há, ou não, inteligências ocultas que presidem à ação dos elementos”. Caibar Schutel vai mais além afirmando que “todos os fenômenos sísmicos e atmosféricos são dirigidos por seres inteligentes encarregados das manifestações da Natureza” [2]. Em ambas as citações os autores afirmam a possibilidade da atuação dos espíritos sobre o fenômeno de uma tempestade mas, conforme veremos adiante, não existe na literatura espírita nenhuma explicação sobre como seria tal atuação .

De todos os fenômenos conhecidos pelo ser humano, de uma maçã que cai ao chão, até os mais belos fenômenos luminosos observados no Universo, temos que lembrar que as leis que estão por trás de cada um deles são leis naturais e, portanto, de origem divina. Ao longo da história, o ser humano tentou compreendê-las através da observação e estudo dos fenômenos naturais que ocorriam.

Em 1687, um salto ocorreu na maneira como estudar e entender tais fenômenos. Galileu, em Diálogos Sobre os Dois Sistemas de Mundo e, de modo mais formal, Isaac Newton, em Principia Mathematica Philosophiae Naturalis, inauguraram uma nova maneira de se fazer Ciência ao descreverem, matematicamente, os fenômenos mecânicos da natureza.

Esta se desenvolveu rapidamente trazendo luz e progresso a toda a humanidade. Os conhecimentos científicos consistem na forma pela qual se entende as leis naturais que regem os fenômenos materiais. Por isso, o uso que vamos fazer de conceitos modernos da Ciência (Teoria do Caos e Complexidade), na tentativa de entender como os espíritos podem atuar em um determinado fenômeno natural, não diminuem em nada o caráter natural tanto dos fenômenos quanto das leis.

Neste artigo, portanto, apresentaremos uma forma pela qual os espíritos poderiam exercer uma ação sobre os fenômenos da Natureza de larga escala, como uma tempestade, baseando-se nos conceitos de Teoria do Caos e Complexidade.

É sabido que os fenômenos da atmosfera, em torno dos quais trabalharemos, são sistemas caóticos e complexos[3]. Um sistema é dito caótico[4] quando extremamente sensível a pequenas perturbações1. Como exemplo, considere um jogo de bilhar com a mesa cheia de bolas. Se o jogador, ao dar uma tacada, errar um pouco a direção desejada, o resultado final, que é o movimento das bolas, será completamente diferente daquele previsto se a tacada fosse correta, e não apenas um pouco diferente, como se poderia pensar. Este tipo de dinâmica, sensível às condições iniciais, é chamada de caótica. Como conseqüência, perde-se, efetivamente, o poder de prever o que vai acontecer após a tacada se o jogador não tiver total certeza de qual será a sua direção.

Um sistema é dito complexo[5] quando o seu comportamento é rico em possibilidades inesperadas e diversificadas, mesmo que sua estrutura não seja complicada, isto é, composta de muitas partes interligadas entre si. A vida é um dos melhores exemplos de complexidade. As características do ser vivo mais simples, como uma ameba, exibem qualidades inesperadas e diversificadas. Apesar da vantagem da velocidade, nossos computadores, por exemplo, são menos complexos do que o ’cérebro’ de uma minhoca[6]. Se considerarmos que os gases que compõem a atmosfera são formados por partículas, aproximadamente, esféricas, podemos imaginar que milhares delas estão a todo momento se chocando como no jogo de bilhar acima exemplificado. A atmosfera, portanto, é um sistema que apresenta comportamento caótico e complexo por ser extremamente sensível a relativamente pequenas perturbações e por se manifestar em uma grande variedade de situações conhecidas como tempestades, tufões, ventos, frentes frias e quentes, etc. O grande físico Stephen Hawking, em seu mais novo livro intitulado “O Universo numa Casca de Noz”[6], expõe de forma poética este fato ao dizer que: “Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”. Como ele mesmo explica, não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima. É por esta razão que a atmosfera é um sistema de difícil previsão e faz com que, pelo menos uma vez por semana, consultemos a Meteorologia sobre as condições do tempo2.

Para realizar previsões no tempo, a Meteorologia se utiliza de ferramentas teóricas para calcular, com alguma precisão, o comportamento do clima a partir de um dado conjunto de medidas atmosféricas obtidas experimentalmente.

Edward N. Lorenz propôs o primeiro modelo teórico[7] para a dinâmica da atmosfera, conhecido como o Modelo de Lorenz. A figura 1 mostra um exemplo do chamado atrator estranho ou borboleta de Lorenz que é uma solução das equações obtidas com o seu modelo.

Figura 1: Atrator estranho ou borboleta de Lorenz obtida resolvendo-se as equações diferenciais do modelo de Lorenz. x, y e z representam grandezas físicas como temperatura, pressão e velocidade das partículas.

Lorenz também demonstrou, em um artigo de 1982[8], que existe um limite para a previsibilidade de sistemas atmosféricos em largas escalas, que é em torno de 2 semanas. Isto quer dizer que não podemos confiar nas previsões do tempo feitas após este intervalo.

Enfatizamos, portanto, que existe um limite para o conhecimento que o ser humano atingiu com relação a este problema. Essa informação será importante na discussão sobre a capacidade dos espíritos de realizarem melhores cálculos e previsões.

Este artigo está organizado da seguinte forma.

Na seção II exporemos tudo o que encontramos nas obras básicas de Allan Kardec sobre a ação dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza. Lembraremos algumas idéias básicas sobre fenômenos de efeitos físicos, já que qualquer atuação dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza pertence a esta classe de efeitos.

Na seção III, mostraremos que esta atuação é perfeitamente plausível e requer pouco fluido animalizado. Finalmente, na seção IV nós resumimos os resultados apresentando as principais conclusões.

II O que diz o Espiritismo

Além das citações feitas do livro A Gênese e do livro de Caibar Schutel a respeito de uma passagem evangélica onde Jesus “controla” uma tempestade, as questões de 536 a 540 do Livro dos Espíritos[9] falam sobre o assunto. Existe, ainda, uma pequena mencão ao tema na Revista Espírita de setembro de 1859[10], intitulada “As tempestades” que não acrescenta em nada o conteúdo presente nas questões de 536 a 540 acima citadas. Por isso, vamos nos ater, apenas, ao Livro dos Espíritos. Transcreveremos algumas destas questões, grifando aquilo que acharmos importante para a discussão proposta neste artigo. A primeira questão que nos interessa é a de número 536-a: “536 -a Esses fenômenos (da Natureza) sempre visam ao homem?

- Algumas vezes têm uma razão de ser diretamente relacionada ao homem, mas freqüentemente não tem outro objetivo que o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza.”

“536 -b Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária, (...); mas como sabemos que os espíritos podem agir sobre a matéria e que eles são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exerceriam uma influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir.

- Mas é evidente; isso não pode ser de outra maneira. Deus não se entrega a uma ação direta sobre a Natureza, mas tem seus agentes dedicados, em todos os graus da escala dos mundos.”

“537 -a (...), poderia então haver Espíritos habitando o interior da Terra e presidindo aos fenômenos geológicos ?

- Esses espíritos não habitam precisamente a Terra, mas presidem e dirigem os fenômenos, segundo as suas atribuições. Um dia tereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.”

“538 Os espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza formam uma categoria especial no mundo espírita, são seres à parte ou espíritos que foram encarnados, como nós ?

- Que o serão, ou que o foram.”

“538 -a Esses espíritos pertencem às ordens superiores ou inferiores da hierarquia espírita?

- Segundo o seu papel for mais ou menos material ou inteligente: uns mandam, outros executam; os que executam as ações materiais são sempre de uma ordem inferior, entre os espíritos como entre os homens.”

“539 Na produção de certos fenômenos, da tempestades, por exemplo, é somente um espírito que age ou se reúnem em massa ?

- Em massas inumeráveis.”

“540 Os espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza agem com conhecimento de causa, em virtude de seu livre arbítrio, ou por um impulso instintivo e irrefletido ?

- Uns sim; outros não. (...) (sobre os espíritos mais atrasados) ... Primeiro, executam; mais tarde, quando sua inteligência estiver mais desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; (...)”

Estas questões juntamente com o que nós assinalamos e grifamos, servirão de base para a nossa discussão. De modo a organizarmos os argumentos, vamos enumerar os pontos principais:

1 Os espíritos são os agentes de Deus na execução de seus desígnios. Portanto são os espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza quando isso é necessário.

2 Os agentes (os espíritos) existem em todos os graus da escala evolutiva. Existem, então, os que dirigem, mandam e comandam; e os que executam a ação sobre os fenômenos. Isso significa que os que mandam e dirigem, devem ter capacidade de coordenar, calcular, prever as conseqüências da atitude a ser tomada pelos que executam a tarefa.

3 Os espíritos se reúnem em massas para a realização do fenômeno.

Antes de passarmos para a seção onde explicaremos como os espíritos podem controlar os fenômenos da Natureza, vamos rever alguns princípios básicos necessários para que ocorram efeitos físicos.

Do capítulo IV da segunda parte do Livro dos Médiuns[11], retiramos os seguintes princípios:

· Um espírito só pode mover um corpo sólido se ele combinar uma porção do fluido universal com o fluido que se desprende do médium apropriado a esses efeitos.

· Um espírito pode agir sem que o médium, doador do fluido animalizado, perceba.

· Um espírito pode agir tanto sobre a matéria mais densa quanto sobre o ar ou algum líquido.

De posse destes princípios básicos da Doutrina Espírita podemos analisar a influência dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza sabendo que esses fenômenos são caóticos e complexos.

III Influência dos espíritos sobre a natureza

Como vimos anteriormente, os espíritos superiores ensinam que são os próprios espíritos os agentes de Deus nos fenômenos da Natureza. Vimos também que espíritos superiores (os que dirigem) e inferiores (os que executam) se unem na execução dos desígnios divinos. Vamos, nesta seção mostrar que, diante de um fenômeno de larga escala, como uma tempestade, não é necessário que os espíritos atuem em cada porção do espaço onde ocorre o fenômeno. Faremos uma estimativa da ordem de grandeza do volume de uma tempestade em uma região do tamanho de uma pequena cidade de modo a percebermos a inviabilidade de se atuar em todo o espaço. Em seguida discutiremos, com base nos conhecimentos atuais da ciência, uma proposta sobre como os espíritos poderiam influenciar um fenômeno destes atuando em uma região espacial bem menor.



Consideremos uma cidade que ocupe uma área de 100km2 (uma área quadrada de lado igual a 10km). Consideremos um conjunto de nuvens de tempestades que se formem a uma altura de 5km. Basta multiplicarmos pela área para obtermos uma estimativa do volume de espaço onde a tempestade ocorrerá: 100 x 5 = 500km3. Um metro cúbico (1m3) é o volume de uma caixa d’água de 1000 litros. Uma unidade de kilômetro cúbico (1km3) equivale a um volume de 1.000.000.000 de metros cúbicos (1 bilhão m3) que equivale a mesma quantidade de caixas d’água de 1000 litros. São 1000 bilhões, ou 1 trilhão de litros de volume para cada km3 de espaço. Imaginemos que um espírito deseja influenciar ou atuar sobre um litro de água ou ar de modo a produzir, por exemplo, algum movimento. Um litro é um volume de espaço considerável quando pensamos neste tipo de fenômeno. Suponha que um médium seria suficiente para fornecer fluidos necessários para produzir-se tal efeito físico. Imaginemos, agora, que para influenciar uma tempestade inteira seria preciso atuar em mais de 1 trilhão de litros de uma mistura de ar, vapor de água e água líquida.

Quantos médiuns seriam necessários para produzir-se um efeito, mesmo que pequenino, em todo este volume? Imaginemos, ainda, que uma tempestade pode estar ocorrendo em milhares de cidades espalhadas pelo mundo ao mesmo tempo. Lembremos também que para afastar uma tempestade, por exemplo, é preciso não só atuar na região onde ela ocorre mas, nas regiões vizinhas pois elas podem estar enviando frentes frias ou úmidas ou algo do tipo, e é preciso, portanto, atuar nestas regiões também. A figura 2 abaixo nos dá uma idéia da ordem de grandeza de um fenômeno de uma tempestade.


Figura 2: Uma tempestade se aproximando de uma cidade. Compare o tamanho do conjunto formado por nuvens e chuva com o tamanho dos prédios.

Tudo isso nos leva a crer na inviabilidade de se realizar tal influência da maneira descrita acima. Mesmo uma massa inumerável de espíritos, conforme o ponto número 3, atuando sobre todo o espaço seria insuficiente para realizar-se uma influência que culminasse num efeito preciso. Porém, a história é outra se levarmos em consideração a dinâmica dos sistemas formados pela atmosfera. Sabemos que esta dinâmica é caótica o que significa que tais sistemas são extremamente sensíveis à pequenas perturbações em algumas de suas partes. Isso nos leva a imaginar que, se pudéssemos calcular com precisão o efeito de cada perturbação imposta numa pequena região do espaço (ou em mais de uma, porém poucas, regiões do espaço), poderíamos controlar e até conduzir o fenômeno total a um resultado desejado. Vimos na seção anterior que os espíritos superiores comandam a influência sobre os fenômenos.

O princípio 2 nos leva crer na capacidade destes espíritos de calcularem e decidirem a melhor atuação. Na introdução nós comentamos sobre o progresso que a ciência humana já fez neste campo e seus limites. Acreditamos que seja perfeitamente possível aos espíritos superiores calcular com muito maior precisão os efeitos de uma dada perturbação em uma dada região do espaço. Assim, desde que o sistema é caótico, bastaria aos espíritos atuarem numa porção de espaço muito pequena, possivelmente bem menor do que 1% do volume total. Apesar de não podermos estimar qual seria esse tamanho (lembremos que a nossa Ciência ainda não consegue fazer isso), podemos afirmar, com toda a certeza, que não seria necessário atuar-se sobre toda a região do espaço. Desta forma, não seria necessário uma grande quantidade de fluido animalizado para que a atuação espiritual ocorra. Isso, enfim, significa que a influência dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza passa a ser algo perfeitamente viável.

IV Conclusões

Na questão número 536 (não transcrita na seção II) Kardec pergunta aos espíritos se os grandes fenômenos da Natureza, como terremotos e tempestades, possuem um fim providencial e os espíritos respondem que "Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus". Não foi nosso objetivo, neste artigo, discutir os aspectos morais que levariam aos espíritos a influenciarem tais fenômenos. No entanto, cabe refletirmos que determinados acontecimentos desta natureza influenciam de maneira muito significativa na evolução dos povos levando ao desenvolvimento tanto moral quanto intelectual de seus indivíduos.

No artigo da referência [3], o Dr. Ross N. Hoffman afirma ser possível, num futuro, relativamente, próximo, controlar-se os fenômenos da atmosfera terrestre.

Com base nas teorias do caos e no desenvolvimento do que se chama "Controle do Caos"[3] ele propõe um esquema similar ao que expomos aqui, para o que poderia ser um controle de tais fenômenos. Se a ciência humana já cogita esta possibilidade, podemos dizer que tais conhecimentos já estão desenvolvidos nos planos espirituais superiores.

Como vimos na seção 3, a união do avanço intelectual dos espíritos superiores com a natureza caótica e complexa da dinâmica dos fenômenos da natureza permite que entendamos, de modo mais plausível, como a influência dos espíritos sobre os fenômenos da natureza pode ocorrer. Esta proposta está de acordo com o que os espíritos disseram na questão de número 537-a, a respeito sobre a explicação e a compreensão destes fenômenos.

Ainda resta um ponto que devemos comentar.

É sobre a questão do número de espíritos necessários à influenciação (ponto 3). Este ponto diz que os espíritos que atuam nos fenômenos da natureza o fazem em grupos numerosos. Apesar de que, conforme demonstramos, não é necessário agir sobre toda a região do espaço para influenciar uma tempestade, isto não significa que tal influência seja simples e que apenas um espírito seja necessário. Conforme descrito em Missionários da Luz, Cap. 10[13], um efeito físico como a materialização de uma garganta requer a colaboração de uma grande equipe de espíritos. Portanto, para se efetuar uma ação numa porção do espaço com grande precisão não é de se estranhar que se necessite movimentar um grande número de colaboradores desencarnados.

Por fim, lembramos que este trabalho apresenta uma forma pela qual os espíritos poderiam influenciar os fenômenos da natureza. Não pretendemos que ela seja a única solução ou a solução final para a questão.

Apesar de não ser comum pensarmos na Mecânica Quântica como modelo teórico para tais fenômenos, um estudo sobre as possibilidades de sua aplicação ao problema exposto aqui merece atenção. Isso será considerado em uma futura publicação.

Agradecimentos

O autor agradece a D. Floriza S. A. Chagas, Dr. Alexandre C. Gonçalves, Dra. Hebe M. L. de Souza, Sr. Henri Barreto, Dr. Zalmino Zimmermann e ao Prof. Dr. Silvio S. Chibeni pela leitura crítica deste compuscrito e por valiosas sugestões e incentivos.

Notas de rodapé:

1 A palavra “perturbação” aqui deve ser entendida como alguma pequena influência que gera uma pequena alteração num determinado sistema.

2 Ainda sim, nos surpreendemos com as variações!

3 Nuvens de tempestades possuem uma base a 2 ou 3km de altitude e o topo em até 20km[12]. Em nossas estimativas tomamos um valor hipotético de 5km, mas se considerarmos o limite superior de 20km a questão da inviabilidade da influência dos espíritos fica, apenas, mais evidente.

Referências

[1] A. Kardec, A Gênese, Editora IDE, (1992).

[2] C. Schutel, Parábolas e Ensinos de Jesus, Editora CASA EDITORA O CLARIM, 12a Edição, (1987).

[3] R. N. Hoffman, Bulletin of the American Meteorological Society, 83, p.241, (2002).

[4] E. Ott, Chaos in Dynamical Systems, Cambridge University Press, (1993).

[5] Y. Bar–Yam, Dynamics of Complex Systems, Perseus Books, (1997).

[6] S. Hawking, O Universo Numa Casca de Nóz, Editora Mandarim, 2a Edição, (2002).

[7] E. N. Lorenz, Journal of Atmospheric Science, 20, p.130, (1963).

[8] E. N. Lorenz, Tellus, 34, p.505, (1982).

[9] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora Edições FEESP, 9a Edição, (1997).

[10] A. Kardec, Revista Espírita, 8, p.276, (1859).

[11] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Editora Edições FEESP, 1a Edição, (1984).

[12] M. M. F. Saba, Física na Escola, 2, p.19, (2001).

[13] A. Luiz, Psicografia de F. C. Xavier, Missionários da Luz, Editora FEB, 26a Edição, (1995)

TITLE AND ABSTRACT IN ENGLISH


Chaos, complexity and the influence of the spirits on the phenomena of nature

Abstract

We analyze the question about the influence of the spirits on the phenomena of the nature. Despite the confirmation of this influence from the spirits, this subject was not studied deeply by Allan Kardec due to lack of scientific knowledge. The development of the theories of chaos and complexity permits us to analyze the question about the influence of spirits. It is shown that this influence is perfectly possible and that there is no necessity of great amount of animalized fluids to produce the phenomenon. We show how the knowledge of chaos and complexity help us to understand the solution.

KEYWORDS: Chaos; Complexity; Influence of spirits on the nature; phenomena of the atmosphere; physical effects; physical manifestations.


Artigo publicado na Revista FidelidadESPÍRITA Setembro 2003



Pesquisa de textos e Compilação: Carlos Eduardo Cennerelli


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13 – sábado – Saudação aos Pretos Velhos

16 – sexta-feira – Não tem Gira

17 – quarta-feira – Doutrina - Vovó Catarina

21 – quart-feira – Doutrina – Vovó Catarina

19 – sexta-feira – Caboclos

23 – sexta-feira – Caboclos

24 – quarta-feira –Saudação à Sta. Sara,

e Povo Cigano

28 – quarta-feira – Doutrina

26 – sexta-feira - Malandros

30 – sexta-feira - Exus

JULHO

AGOSTO

SETEMBRO

05 – quarta-feira – Doutrina

02 – quarta-feira – Doutrina

01 – sexta-feira – Pretos Velhos

07 – sexta-feira – Pretos Velhos

04 – sexta-feira – Pretos Velhos

06 – quarta-feira – Doutrina

12 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

08 – sexta-feira – Saúde

14 – sexta-feira – Saúde

11 – sexta-feira – Saúde

13 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

19 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

16 – quarta-feira – Saudação à Obaluaê e Omolu

15 – sexta-feira – Caboclos

21 – sexta-feira – Caboclos

18 – sexta-feira – Caboclos

20 - quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

28 – Sexta feira - Exus

23 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

22 – sexta-feira – Não Tem Gira


25 – sexta-feira – Malandros

24 – Domingo – Saudação à Ibeijada - às 17h

30 – quarta-feira - Doutrina

27 – quarta-feira – Distribuição Doces

29 – sexta - Exus

OUTUBRO

NOVEMBRO

DEZEMBRO

.04 – quarta-feira – Doutrina

01 – quarta-feira – Terreiro Fechado

02 - Confraternização

06 – sexta-feira – Pretos Velhos

03 – sexta-feira – Não tem Gira

08 – sexta-feira – Saudação à Oxum e bênção dos Pretos Velhos – 20h

11 – quarta-feira - Não tem Esudo Umb.

08 – quarta-feira –Doutrina

09 – Oferendas na Praia – saída 17h

12 – quinta-feira – Cachoeira / Mata

10 - sexta-feira – Saúde

13 – sexta-feira – Não tem Gira

15 – Feriado – Saudação aos Malandros

18 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

17 – sexta-feira – Caboclos

20 – sexta-feira – Caboclos

22 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

25 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

24 – sexta-feira – Exus

27 – sexta-feira - Ciganos

29 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

ATENÇÃO: NÃO É PERMITIDO PARA ATENDIMENTO, PESSOAS COM MINI-SAIAS, SHORTS OU BERMUDAS CURTAS, BLUSAS MUITO DECOTADAS OU MINI-BLUSAS, CAMISETAS TIPO MACHÃO.

A CARIDADE NÃO SERÁ NEGADA, PORÉM RESPEITEM O TEMPLO RELIGIOSO.

Baixe o seu Calendário clicando no link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/0B_tHAuZk-NssSVY4TG1HYVQzVTg/view?usp=sharing


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