Natal se aproximando

quinta-feira, janeiro 20, 2011

As tempestades - Papel do Espíritos nos fenômenos naturais





Andre Rieux - Ave Maria - Galia .mp3


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Mortes Coletivas


Um dos problemas mais difíceis de ser enfrentado,

pois a morte é sempre vista como mistério.

Todos nós temos compromissos

de reajuste perante

a Lei que rege o Universo

Texto com base em estudos diversos

Prezados irmãos e amigos, não pretendo com essa mensagem modificar o pensamento das pessoas. Apenas estou passando uma informação, demonstrando a minha crença, a minha verdade. Cabe a cada indivíduo a escolha de como quer entender as coisas, como quer viver a sua vida, e quais os métodos que quer utilizar para suas colheitas.

Por que tantos morrem juntos em desastres? Haverá explicação para tantas ocorrências “aparentemente inexplicáveis”?

Para os que professam determinadas religiões, é impossível compreender o sentido divino dessas tragédias, porque acreditam piamente que o homem vive na Terra uma vez somente. Agora, para aqueles que admitem que já viveram antes, fica mais fácil.

As grandes comoções que ocorrem na vida material trazem sempre enormes indagações e dúvidas por parte daqueles que ainda não adquiriram conhecimentos das verdades evangélicas a respeito da “Lei de Causa e Efeito” e das vidas sucessivas. Por este motivo, em determinados momentos de confusão mental e de dúvidas terríveis, as criaturas chegam a questionar o próprio Criador: Por que permitiu uma coisa dessas?

Esses acontecimentos, chamados catastróficos, como por exemplo, acidentes aéreos, marítimos, rodoviários, ferroviários e, hoje em dia, até por ato terrorista, que ocorrem com grupos de pessoas, muitas delas sem se conhecerem sequer, com famílias inteiras, em toda uma cidade ou até em uma nação, não são determinados por Deus, por terem essas pessoas infringido Suas leis, nem obra do acaso. Na realidade, todas essas pessoas atingidas estão marcadas, nos registros da espiritualidade, para participarem dessas desencarnações coletivas.

Se analisarmos esses fatos unicamente pelas causas humanas, poder-se-ia chegar à conclusão da má sorte de se estar exatamente naquele lugar e naquele momento. Entretanto, quando se expande esta compreensão e nela se agrega a lei de causa e efeito e o princípio das vidas sucessivas, o cenário começa a fazer sentido.

O próprio Cristo não nos ensinou que quem com ferro fere, com ferro será ferido? Dentro desse raciocínio legitimamente cristão, quem, em conjunto com outras pessoas, agrediu o próximo não teria que pagar em conjunto?

Então, podemos entender que nessas mortes coletivas há um encontro marcado desses Espíritos, que foram protagonistas de equívocos de comportamento, e na atual estada na Terra estão zerando as suas pendências.

Toda ação que praticamos, boa ou má, recebemos de volta. Nosso passado determina o nosso presente, ou seja, o que temos hoje é reflexo direto do nosso ontem. Se o raciocínio vale na escala individual, por que não valeria também para a escala coletiva?

Na provação coletiva, dá-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo delito, ou seja, de ações gravíssimas praticadas num pretérito longínquo, tais como: As Cruzadas, a Inquisição, as Guerras e similares, isto é, uma gama de violências e absurdos. Em que todos os participantes só se livram das dívidas quitando-as.

Mas por que só agora? Perguntarão. É que somos Espíritos milenares e, por este motivo, vamos adiando por várias encarnações a expiação necessária e imprescindível para a reparação de nossos atos danosos. Mas, por não haver mais condições de protelar tal decisão, chega o momento para muitos desses devedores.

O interessante é que o próprio Espírito assume, antes de reencarnar, esse compromisso com o propósito de resgatar esses velhos débitos.

No livro Ação e Reação, André Luiz afirma esse fato: “Nós mesmos é que criamos o carma e este gera o determinismo”.

Porém, esses Espíritos presos na teia de suas construções infelizes e que sucumbem não ficam desamparados.

A Espiritualidade superior, possuindo o conhecimento prévio desses fatos, providencia equipes de socorro para a assistência a esses Espíritos que irão adentrar no plano espiritual.

É importante saber que, mesmo que o desencarne coletivo ocorra identicamente para todos, individualmente, a situação dos traumas e do despertar no outro plano dependerá da evolução de cada um.

Desse modo, a Providência Divina ampara àqueles que assumiram tais resgates aflitivos e, por outro lado, ampara os que não vão fazer parte desse processo coletivo.

Quem não deve não paga! Diz o ditado popular. E é por isso que muitos perdem o avião, o trem, o ônibus que se acidentaria dali a pouco, enquanto outros viajam nesses meios de locomoção inesperadamente.

Segundo um ensinamento evangélico, “Não cai uma só folha da árvore sem que Deus saiba”.

E, com toda certeza, as mortes coletivas não são fatalidades nem obras do acaso.

Muita paz!

Helio Cruz




"O Espiritismo visto, pode ser fenômeno; estudado pode ser escola; interpretado, pode ser teoria; sistematizado, pode ser filosofia; observado, pode ser ciência; meditado, pode ser doutrina. A Codificação trouxe ao mundo uma chave gloriosa, cuja utilidade se adapta a numerosas portas. O Espiritismo ouvido, pode ser apenas consolação; vitorioso, pode ser somente festividade; propagado, pode ser somente movimentação; sentido, pode ser somente crença. Não nos esqueçamos, porém, de que o Espiritismo Aplicado é Vida Eterna com Eterna Libertação. Escolhamos o caminho da aplicação: Trabalho, Solidariedade, Tolerância".

Amigos

Considerando a tragédia vivida pelos nossos irmãos do Rio, São Paulo, Minas, Santa Catarina e Austrália, convido a todos para nos unirmos em prece pelos que partiram para que recebam nossas vibrações de amor e equilíbrio para que mais rapidamente se adaptem à nova realidade, bem como saibam aceitar os desígnios de Deus para com eles.
Peço uma prece, especialmente para os que ficaram, para que nossas vibrações de amor e simpatia possam envolvê-los e fortalecê-los, auxiliando-os a encontrar o amparo necessário e a fé necessária para recomeçar, independente da denominação religiosa que abracem. Que possam os espíritos de luz estar junto a eles inspirando-os e consolando-os nesta hora, auxiliando-os a superar a prova e as dores das perdas que sofreram.
Que possamos também orar pelos dirigentes das nações, pelos responsáveis por decisões para que se sintam tocados para socorrer tantos irmãos em situação de dor e penúria.
E, para melhor entendermos o que os espíritos nos ensinam, transcrevo, logo abaixo, o capítulo da Lei de Destruição do Livro dos Espíritos.



As tempestades Papel do Espíritos nos fenômenos naturais

(Sociedade, 22 de julho de 1859).

Revista Espírita, setembro de 1859

1. (A Fr. Arago.) Nos foi dito que a tempestade de Solferino tivera um objetivo providencial, e se nos assinala vários fatos desse gênero, notadamente em fevereiro e junho de 1848. Essas tempestades, durante os combates, tinham um fim análogo? - R. Quase todas.

2. O Espírito interrogado a esse respeito nos disse que só Deus agia, nessas circunstâncias, sem intermediários. Permiti-nos algumas perguntas a esse respeito, e rogamos consentirdes em resolver com a vossa clareza habitual.

Concebemos, perfeitamente, que a vontade de Deus seja a causa primeira, nisto como em todas as coisas, mas sabemos também que os Espíritos são seus agentes. Ora, uma vez que sabemos que os Espíritos têm uma ação sobre a matéria, não vemos porque, alguns dentre eles, não teriam uma ação sobre os elementos, para agitá-los, acalmá-los ou dirigi-los. - R. Mas é evidente; isso não pode ser de outro modo; Deus não se entrega a uma ação direta sobre a matéria; ele tem seus agentes devotados em todos os graus da escala dos mundos. O Espírito evocado não falou assim senão por um conhecimento menos perfeito dessas leis, como das da guerra.

Nota. A comunicação do oficial, narrada acima, foi obtida no dia 1ºde julho; esta não ocorreu senão no dia 22 e por um outro médium; nada, na questão, indica a qualidade do primeiro Espírito evocado, qualidade que lembra espontaneamente aquele que acaba de responder. Esta circunstância é característica, e prova que o pensamento do médium nada tem com a resposta. Assim é que, numa multidão de circunstâncias fortuitas, o Espírito revela, seja sua identidade, seja sua independência. Por isso, dizemos que é necessário sempre ver, sempre observar; então se descobre uma multidão de nuanças que escapam ao observador superficial e de passagem. Sabe-se que é necessário agarrar os fatos quando eles se apresentem, e que não é provocando que eles serão obtidos. O observador atento e paciente encontra sempre alguma coisa para aproveitar.

3. Á mitologia está inteiramente fundada sobre as idéias espíritas; nela encontramos todas as propriedades dos Espíritos, com a diferença que os Antigos deles fizeram os deuses. Ora, a mitologia nos representa esses deuses, ou esses Espíritos, com atribuições especiais; assim, uns estão encarregados do vento, outros do raio, outros de presidir a vegetação, etc; essa crença está despida de fundamentos? - R. Ela está tão pouco despida de fundamento que ainda está bem abaixo da verdade.

4. Na origem das nossas comunicações, os Espíritos nos disseram coisas que parecem confirmar esse princípio. Disseram-no, por exemplo, que certos Espíritos habitam mais especialmente o interior da Terra, e presidem aos fenômenos geológicos. -- R. Sim, e não tardareis muito para ver a explicação de tudo isso.

5. Esses Espíritos que habitam o interior da Terra, e presidem aos fenômenos geológicos, são de uma ordem inferior? - R. Esses Espíritos não habitam positivamente a Terra, mas presidem e dirigem; são de uma ordem muito diferente.

6. São Espíritos que estiveram encarnados em homens como nós? - R. Que o serão, e que foram. Disso vos direi mais, se quiserdes, dentro de pouco tempo.


O Livro dos Espíritos


Ação dos Espíritos sobre os fenômenos da natureza


536 Os grandes fenômenos da Natureza, aqueles que são considerados como uma perturbação dos elementos, são de causas imprevistas ou, ao contrário, são providenciais?

– Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus.

536 a Esses fenômenos sempre têm o homem como objetivo?

– Algumas vezes têm uma razão de ser direta para o homem. Entretanto, na maioria dos casos, têm por objetivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da natureza.

536 b Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária nisso como em todas as coisas, mas, como sabemos que os Espíritos têm uma ação sobre a matéria e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos: alguns dentre eles não exercem uma influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?

– Mas é evidente que exercem e não pode ser de outro modo. Deus não exerce ação direta sobre a matéria; ele tem agentes devotados em todos os graus da escala dos mundos.

537 A mitologia dos antigos é inteiramente fundada sobre as idéias espíritas, com a diferença de que consideravam os Espíritos divindades. Representavam esses deuses ou Espíritos com atribuições especiais: assim, uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir a vegetação, etc; essa crença é totalmente destituída de fundamento?

– Ela é tão pouco destituída de fundamento que ainda está muito aquém da verdade.

537 a Pela mesma razão, poderia haver Espíritos vivendo no interior da Terra e dirigindo os fenômenos geológicos?

– Evidentemente esses Espíritos não habitam exatamente o interior da Terra, mas presidem e dirigem

os fenômenos de acordo com suas atribuições. Um dia, tereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.

538 Os Espíritos que dirigem os fenômenos da natureza formam uma categoria especial no mundo espírita? São seres à parte ou Espíritos que estiveram encarnados como nós?

– Que estiveram ou que estarão.

538 a Esses Espíritos pertencem às ordens superiores ou inferiores da hierarquia espírita?

– Isso é conforme seja mais ou menos material ou inteligente o papel que desempenham. Uns comandam, outros executam. Aqueles que executam as coisas materiais são sempre de uma ordem inferior, entre os Espíritos como entre os homens.

539 Na produção de alguns fenômenos, as tempestades por exemplo, é um Espírito que age, ou se reúnem em massa?

– Em massas inumeráveis.

540 Os Espíritos que exercem ação sobre os fenômenos da natureza agem com conhecimento de causa, pelo seu livre-arbítrio, ou por um impulso instintivo ou irrefletido?

– Uns sim, outros não. Façamos uma comparação: imaginai essas imensidades de animais que pouco a pouco fazem sair do mar as ilhas e os arquipélagos, acreditais que não há nisso um objetivo providencial e que essa transformação da superfície do globo não seja necessária para a harmonia geral? Esses são apenas animais da última ordem que realizam essas coisas para proverem suas necessidades e sem desconfiarem que são os instrumentos de Deus. Pois bem! Do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados são úteis ao conjunto; enquanto ensaiam para a vida e antes de ter plena consciência de seus atos e seu livre-arbítrio, agem sobre alguns fenômenos dos quais são agentes inconscientes. Executam primeiro; mais tarde, quando sua inteligência estiver mais desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; mais tarde ainda, poderão dirigir as coisas do mundo moral. É assim que tudo serve, tudo se encaixa na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo que começou pelo átomo; admirável lei de harmonia da qual vosso Espírito limitado ainda não pode entender o conjunto.

O Livro dos Espíritos
Parte Terceira – Capítulo 6
Lei de destruição
Destruição necessária e destruição abusiva – Flagelos destruidores – Guerras – Assassinato – Crueldade – Duelo – Pena de morte

Destruição necessária e destruição abusiva

728 A destruição é uma lei natural?

– É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. O que chamais destruição é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos.

728 a O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos por desígnios providenciais?

– As criaturas são os instrumentos de que Deus se serve para atingir os seus objetivos. Para se alimentarem, os seres vivos se destroem entre si com um duplo objetivo: manter o equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e melhor utilização dos restos do corpo. Mas somente o corpo é destruído, porque é apenas o acessório, e não a parte essencial. O princípio inteligente é indestrutível e se elabora nas diferentes metamorfoses1 que sofre.

729 Se a destruição é necessária para a regeneração dos seres, por que a natureza os cerca com meios de preservação e de conservação?

– Para que a destruição não ocorra antes do tempo preciso. Toda destruição antecipada dificulta o desenvolvimento do princípio inteligente; é por isso que Deus deu a cada ser a necessidade de viver e de se reproduzir.

730 Uma vez que a morte deve nos conduzir a uma vida melhor, que nos livra dos males desta, e, por isso, mais deveria ser desejada do que temida, por que o homem tem um horror instintivo que o faz temê-la?

– Já dissemos, o homem deve procurar prolongar a vida para cumprir sua tarefa; eis por que Deus lhe deu o instinto de conservação, que o sustenta nas provas; sem isso, muitas vezes se deixaria levar pelo desencorajamento. A voz secreta que o faz temer a morte lhe diz que ainda pode fazer alguma coisa para seu adiantamento. Quando um perigo o ameaça, é uma advertência para que aproveite o tempo e a morada que Deus lhe concede. Mas, ingrato! Rende mais vezes graças à sua estrela do que ao seu Criador.

731 Por que, ao lado dos meios de conservação, a natureza colocou ao mesmo tempo os agentes destruidores?

– O remédio ao lado do mal, já dissemos, é para manter o equilíbrio e servir de contrapeso.

732 A necessidade de destruição é a mesma em todos os mundos?

– É proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e cessa quando os estados físico e moral estão mais depurados. Nos mundos mais avançados as condições de existência são completamente diferentes.

733 A necessidade da destruição existirá sempre entre os homens na Terra?

– A necessidade de destruição diminui e se reduz entre os homens à medida que o Espírito se sobrepõe à matéria; é por isso que se constata o horror à destruição crescer com o desenvolvimento intelectual e moral.

734 Em seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?

– Esse direito é regido pela necessidade de prover a sua alimentação e segurança. O abuso nunca foi um direito.

735 O que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança? Da caça, por exemplo, quando tem por objetivo apenas o prazer de destruir sem utilidade?

– Predominância dos maus instintos sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais destroem apenas de acordo com suas necessidades; mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade; ele deverá prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque cede aos maus instintos.

736 Os povos que são muito escrupulosos com relação à destruição dos animais têm um mérito particular?

– É um excesso, mesmo sendo um sentimento louvável em si mesmo; se se torna abusivo, seu mérito é neutralizado pelos abusos de outras espécies. Há entre eles mais medo supersticioso do que a verdadeira bondade.


Flagelos destruidores

737 Com que objetivo os flagelos destruidores atingem a humanidade?

– Para fazê-la progredir mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É preciso ver o objetivo para apreciar os resultados dele. Vós os julgais somente do ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que ocasionam; mas esses aborrecimentos são, na maior parte das vezes, necessários para fazer chegar mais rapidamente a uma ordem de coisas melhores e realizar em alguns anos o que exigiria séculos. (Veja a questão 744.)

738 A Providência não poderia empregar para o aperfeiçoamento da humanidade outros meios que não os flagelos destruidores?

– Sim, pode, e os emprega todos os dias, uma vez que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem que não tira proveito disso; é preciso castigá-lo em seu orgulho e fazer-lhe sentir sua fraqueza.

738 a Mas nesses flagelos o homem de bem morre como o perverso; isso é justo?

– Durante a vida, o homem sujeita tudo ao seu corpo; mas, após a morte, pensa de outro modo e, como já dissemos, a vida do corpo é pouca coisa; um século de vosso mundo é um relâmpago na eternidade. Portanto, os sofrimentos que sentis por alguns meses ou alguns dias não são nada, são um ensinamento para vós e servirão no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, compõem o mundo real. (Veja a questão 85.) Esses são filhos de Deus e objeto de toda a sua solicitude; os corpos são apenas trajes sob os quais aparecem no mundo. Nas grandes calamidades que destroem os homens, é como se um exército tivesse durante a guerra seus trajes estragados ou perdidos. O general tem mais cuidado com seus soldados do que com as roupas que usam.

738 b Mas nem por isso as vítimas desses flagelos são menos vítimas?

– Se considerásseis a vida como ela é, e quanto é insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Essas vítimas encontrarão numa outra existência uma grande compensação para seus sofrimentos se souberem suportá-los sem se lamentar.

☼ Quer a morte chegue por um flagelo ou por uma outra causa, não se pode escapar quando a hora é chegada; a única diferença é que, nos flagelos, parte um maior número ao mesmo tempo.

Se pudéssemos nos elevar pelo pensamento, descortinando toda a humanidade de modo a abrangê-la inteiramente, esses flagelos tão terríveis não pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.

739 Os flagelos destruidores têm alguma utilidade do ponto de vista físico, apesar dos males que ocasionam?

– Sim, eles mudam, muitas vezes, as condições de uma região; mas o bem que resulta disso somente é percebido pelas gerações futuras.

740 Os flagelos não seriam para o homem também provas morais que os submetem às mais duras necessidades?

– Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar sua inteligência, mostrar sua paciência e sua resignação à vontade da Providência, e até mesmo multiplicam neles os sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se não é dominado pelo egoísmo.

741 É dado ao homem evitar os flagelos que o atormentam?

– Sim, em parte, embora não como se pensa geralmente. Muitos dos flagelos são a conseqüência de sua imprevidência; à medida que adquire conhecimentos e experiência, pode preveni-los se souber procurar suas causas. Porém, entre os males que afligem a humanidade, há os de caráter geral, que estão nos decretos da Providência, e dos quais cada indivíduo sente mais ou menos a repercussão. Sobre esses males, o homem pode apenas se resignar à vontade de Deus; e ainda esses males são, muitas vezes, agravados pela sua negligência.

☼ Entre os flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, é preciso colocar na primeira linha a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais à produção da terra. Mas o homem encontrou na ciência, nos trabalhos de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, na rotatividade das culturas e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, os meios de neutralizar ou de pelo menos atenuar os desastres. Algumas regiões, antigamente assoladas por terríveis flagelos, não estão preservadas hoje? Que não fará, portanto, o homem pelo seu bem-estar material quando souber aproveitar todos os recursos de sua inteligência e quando, aos cuidados de sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento da verdadeira caridade por seus semelhantes? (Veja a questão 707.)

Guerras

742 Qual é a causa que leva o homem à guerra?

– Predominância da natureza selvagem sobre a espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, os povos conhecem apenas o direito do mais forte; é por isso que a guerra é para eles um estado normal. Contudo, à medida que o homem progride, ela se torna menos freqüente, porque evita as suas causas, e quando é inevitável sabe aliar à sua ação o sentimento de humanidade.

743 A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?

– Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então, todos os povos serão irmãos.

744 Qual o objetivo da Providência ao tornar a guerra necessária?

– A liberdade e o progresso.

744 a Se a guerra deve ter como efeito conduzir à liberdade, como se explica que tenha, muitas vezes, por objetivo e resultado a escravidão?

– Escravidão temporária para abater os povos, a fim de fazê-los progredir mais rápido.

745 O que pensar daquele que provoca a guerra em seu proveito?

– Esse é o verdadeiro culpado e precisará de muitas reencarnações para expiar todas as mortes que causou, porque responderá por todo homem cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.

Assassinato

746 O assassinato é um crime aos olhos de Deus?

– Sim, um grande crime; porque aquele que tira a vida de seu semelhante corta uma vida de expiação ou de missão, e aí está o mal.

747 O assassinato tem sempre o mesmo grau de culpabilidade?

– Já o dissemos: Deus é justo, julga mais a intenção do que o fato.

748 Perante Deus há justificativa no assassinato em caso de legítima defesa?

– Somente a necessidade pode desculpá-lo. Mas se o agredido pode preservar sua vida sem atentar contra a do agressor, deve fazê-lo.

749 O homem é culpado pelos assassinatos que comete durante a guerra?

– Não, quando constrangido pela força, embora seja culpado pelas crueldades que comete. O sentimento de humanidade com que se portou será levado em conta.

750 Qual é mais culpado diante da lei de Deus, aquele que mata um pai ou aquele que mata uma criança?

– Ambos o são igualmente, porque todo crime é crime.

751 Como se explica que alguns povos, já avançados do ponto de vista intelectual, matem crianças e isso seja dos costumes e consagrado pela legislação?

– O desenvolvimento intelectual não pressupõe a necessidade do bem; um Espírito Superior em inteligência pode ser mau. É aquele que viveu muito sem se melhorar: apenas sabe.

Crueldade

752 Pode-se ligar o sentimento de crueldade ao instinto de destruição?

– É o instinto de destruição no que há de pior. Se a destruição é, às vezes, uma necessidade, a crueldade nunca é; é sempre o resultado de uma natureza má.

753 Como se explica que a crueldade seja a característica predominante dos povos primitivos?

– Entre os povos primitivos, como os chamais, a matéria prepondera sobre o Espírito; eles se abandonam aos instintos bárbaros e, como não têm outras necessidades além da vida corporal, pensam somente em sua conservação pessoal, e é isso que os torna geralmente cruéis. Além do mais, os povos cujo desenvolvimento é imperfeito estão sob o domínio de Espíritos igualmente imperfeitos que lhes são simpáticos, até que povos mais avançados venham destruir ou enfraquecer essa influência.

754 A crueldade não vem da ausência do senso moral?

– Diremos melhor, que o senso moral não está desenvolvido, mas não que esteja ausente, porque ele existe, como princípio, em todos os homens; é esse senso moral que os faz mais tarde serem bons e humanos. Ele existe, portanto, no selvagem, mas está como o princípio do perfume está no germe da flor antes de desabrochar.

☼ Todas as faculdades existem no homem em condição rudimentar ou latente. Elas se desenvolvem conforme as circunstâncias lhes são mais ou menos favoráveis. O desenvolvimento excessivo de uma faz cessar ou neutraliza o das outras. A superexcitação dos instintos materiais sufoca, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece, pouco a pouco, as faculdades puramente selvagens.

755 Como se explica existirem, no seio da civilização mais avançada, seres algumas vezes tão cruéis quanto os selvagens?

– Exatamente como numa árvore carregada de bons frutos há os que ainda não amadureceram, não atingiram o pleno desenvolvimento. São, se o quiserdes, selvagens que têm da civilização apenas o hábito, lobos extraviados no meio de ovelhas. Espíritos de ordem inferior e muito atrasados podem encarnar em meio a homens avançados na esperança de avançarem; mas, sendo a prova muito pesada, a natureza primitiva os domina.

756 A sociedade dos homens de bem estará um dia livre dos malfeitores?

– A humanidade progride; esses homens dominados pelo instinto do mal que se acham deslocados entre as pessoas de bem desaparecerão pouco a pouco, como o mau grão é separado do bom depois de selecionado. Então renascerão sob um outro corpo e, como terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. Tendes um exemplo disso nas plantas e nos animais que o homem conseguiu aperfeiçoar e nos quais desenvolveu qualidades novas. Pois bem! É somente depois de muitas gerações que o aperfeiçoamento se torna completo. É a imagem das diferentes existências do homem.

Caos, Complexidade e a Influência dos Espíritos sobre os Fenômenos da Natureza


Alexandre Fontes da Fonseca

Department of Chemistry, Rutgers, the State University of New Jersey, Piscataway, New Jersey 08854-8087 USA Instituto de Física da Universidade de São Paulo, São Paulo, S.P.

afonseca@if.usp.br


Analisamos, à luz dos conhecimentos atuais da Ciência e da Doutrina Espírita, a questão sobre a ação dos espíritos nos fenômenos da natureza. Apesar dos espíritos confirmarem tal influência esse assunto foi pouco discutido pelo codificador em razão dos poucos conhecimentos científicos, existentes à época, a respeito de tais fenômenos.

Graças ao desenvolvimento das disciplinas científicas conhecidas como Teoria do Caos e Complexidade podemos retomar a questão. Neste artigo, argumentamos que a influência ou ação dos espíritos num fenômeno natural de larga escala como, por exemplo, uma tempestade, não requer, do ponto de vista físico, uma grande quantidade de energia, em comparação com a magnitude do fenômeno em si.

Em termos espíritas isto significa que não há necessidade de uma grande quantidade de fluido animalizado para realiza-se tal influência, o que a torna um evento perfeitamente possível. Utilizamos os conceitos de Caos e Complexidade para entender como isso pode ser possível.


I Introdução

Em “A Gênese”, capítulo XV ítem 45, Kardec apresenta uma passagem evangélica intitulada “Tempestade Acalmada”[1]. Nesta passagem Jesus e os discípulos estavam passando de uma margem à outra de um lago, em um barco, quando fortes ventos surgiram e os discípulos, assustados, pediram ajuda ao Mestre. Este, segundo a narrativa evangélica, se dirigiu aos ventos e às ondas apaziguando-os. Jesus, então, aproveita a oportunidade para falar-lhes sobre a fé.

Kardec, no ítem 46 da referência acima e Caibar Schutel[2] comentam a passagem. Kardec, neste ítem, admite que não se conhece os “segredos da Natureza para afirmar se há, ou não, inteligências ocultas que presidem à ação dos elementos”. Caibar Schutel vai mais além afirmando que “todos os fenômenos sísmicos e atmosféricos são dirigidos por seres inteligentes encarregados das manifestações da Natureza” [2]. Em ambas as citações os autores afirmam a possibilidade da atuação dos espíritos sobre o fenômeno de uma tempestade mas, conforme veremos adiante, não existe na literatura espírita nenhuma explicação sobre como seria tal atuação .

De todos os fenômenos conhecidos pelo ser humano, de uma maçã que cai ao chão, até os mais belos fenômenos luminosos observados no Universo, temos que lembrar que as leis que estão por trás de cada um deles são leis naturais e, portanto, de origem divina. Ao longo da história, o ser humano tentou compreendê-las através da observação e estudo dos fenômenos naturais que ocorriam.

Em 1687, um salto ocorreu na maneira como estudar e entender tais fenômenos. Galileu, em Diálogos Sobre os Dois Sistemas de Mundo e, de modo mais formal, Isaac Newton, em Principia Mathematica Philosophiae Naturalis, inauguraram uma nova maneira de se fazer Ciência ao descreverem, matematicamente, os fenômenos mecânicos da natureza.

Esta se desenvolveu rapidamente trazendo luz e progresso a toda a humanidade. Os conhecimentos científicos consistem na forma pela qual se entende as leis naturais que regem os fenômenos materiais. Por isso, o uso que vamos fazer de conceitos modernos da Ciência (Teoria do Caos e Complexidade), na tentativa de entender como os espíritos podem atuar em um determinado fenômeno natural, não diminuem em nada o caráter natural tanto dos fenômenos quanto das leis.

Neste artigo, portanto, apresentaremos uma forma pela qual os espíritos poderiam exercer uma ação sobre os fenômenos da Natureza de larga escala, como uma tempestade, baseando-se nos conceitos de Teoria do Caos e Complexidade.

É sabido que os fenômenos da atmosfera, em torno dos quais trabalharemos, são sistemas caóticos e complexos[3]. Um sistema é dito caótico[4] quando extremamente sensível a pequenas perturbações1. Como exemplo, considere um jogo de bilhar com a mesa cheia de bolas. Se o jogador, ao dar uma tacada, errar um pouco a direção desejada, o resultado final, que é o movimento das bolas, será completamente diferente daquele previsto se a tacada fosse correta, e não apenas um pouco diferente, como se poderia pensar. Este tipo de dinâmica, sensível às condições iniciais, é chamada de caótica. Como conseqüência, perde-se, efetivamente, o poder de prever o que vai acontecer após a tacada se o jogador não tiver total certeza de qual será a sua direção.

Um sistema é dito complexo[5] quando o seu comportamento é rico em possibilidades inesperadas e diversificadas, mesmo que sua estrutura não seja complicada, isto é, composta de muitas partes interligadas entre si. A vida é um dos melhores exemplos de complexidade. As características do ser vivo mais simples, como uma ameba, exibem qualidades inesperadas e diversificadas. Apesar da vantagem da velocidade, nossos computadores, por exemplo, são menos complexos do que o ’cérebro’ de uma minhoca[6]. Se considerarmos que os gases que compõem a atmosfera são formados por partículas, aproximadamente, esféricas, podemos imaginar que milhares delas estão a todo momento se chocando como no jogo de bilhar acima exemplificado. A atmosfera, portanto, é um sistema que apresenta comportamento caótico e complexo por ser extremamente sensível a relativamente pequenas perturbações e por se manifestar em uma grande variedade de situações conhecidas como tempestades, tufões, ventos, frentes frias e quentes, etc. O grande físico Stephen Hawking, em seu mais novo livro intitulado “O Universo numa Casca de Noz”[6], expõe de forma poética este fato ao dizer que: “Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”. Como ele mesmo explica, não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima. É por esta razão que a atmosfera é um sistema de difícil previsão e faz com que, pelo menos uma vez por semana, consultemos a Meteorologia sobre as condições do tempo2.

Para realizar previsões no tempo, a Meteorologia se utiliza de ferramentas teóricas para calcular, com alguma precisão, o comportamento do clima a partir de um dado conjunto de medidas atmosféricas obtidas experimentalmente.

Edward N. Lorenz propôs o primeiro modelo teórico[7] para a dinâmica da atmosfera, conhecido como o Modelo de Lorenz. A figura 1 mostra um exemplo do chamado atrator estranho ou borboleta de Lorenz que é uma solução das equações obtidas com o seu modelo.

Figura 1: Atrator estranho ou borboleta de Lorenz obtida resolvendo-se as equações diferenciais do modelo de Lorenz. x, y e z representam grandezas físicas como temperatura, pressão e velocidade das partículas.

Lorenz também demonstrou, em um artigo de 1982[8], que existe um limite para a previsibilidade de sistemas atmosféricos em largas escalas, que é em torno de 2 semanas. Isto quer dizer que não podemos confiar nas previsões do tempo feitas após este intervalo.

Enfatizamos, portanto, que existe um limite para o conhecimento que o ser humano atingiu com relação a este problema. Essa informação será importante na discussão sobre a capacidade dos espíritos de realizarem melhores cálculos e previsões.

Este artigo está organizado da seguinte forma.

Na seção II exporemos tudo o que encontramos nas obras básicas de Allan Kardec sobre a ação dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza. Lembraremos algumas idéias básicas sobre fenômenos de efeitos físicos, já que qualquer atuação dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza pertence a esta classe de efeitos.

Na seção III, mostraremos que esta atuação é perfeitamente plausível e requer pouco fluido animalizado. Finalmente, na seção IV nós resumimos os resultados apresentando as principais conclusões.

II O que diz o Espiritismo

Além das citações feitas do livro A Gênese e do livro de Caibar Schutel a respeito de uma passagem evangélica onde Jesus “controla” uma tempestade, as questões de 536 a 540 do Livro dos Espíritos[9] falam sobre o assunto. Existe, ainda, uma pequena mencão ao tema na Revista Espírita de setembro de 1859[10], intitulada “As tempestades” que não acrescenta em nada o conteúdo presente nas questões de 536 a 540 acima citadas. Por isso, vamos nos ater, apenas, ao Livro dos Espíritos. Transcreveremos algumas destas questões, grifando aquilo que acharmos importante para a discussão proposta neste artigo. A primeira questão que nos interessa é a de número 536-a: “536 -a Esses fenômenos (da Natureza) sempre visam ao homem?

- Algumas vezes têm uma razão de ser diretamente relacionada ao homem, mas freqüentemente não tem outro objetivo que o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza.”

“536 -b Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária, (...); mas como sabemos que os espíritos podem agir sobre a matéria e que eles são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exerceriam uma influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir.

- Mas é evidente; isso não pode ser de outra maneira. Deus não se entrega a uma ação direta sobre a Natureza, mas tem seus agentes dedicados, em todos os graus da escala dos mundos.”

“537 -a (...), poderia então haver Espíritos habitando o interior da Terra e presidindo aos fenômenos geológicos ?

- Esses espíritos não habitam precisamente a Terra, mas presidem e dirigem os fenômenos, segundo as suas atribuições. Um dia tereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.”

“538 Os espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza formam uma categoria especial no mundo espírita, são seres à parte ou espíritos que foram encarnados, como nós ?

- Que o serão, ou que o foram.”

“538 -a Esses espíritos pertencem às ordens superiores ou inferiores da hierarquia espírita?

- Segundo o seu papel for mais ou menos material ou inteligente: uns mandam, outros executam; os que executam as ações materiais são sempre de uma ordem inferior, entre os espíritos como entre os homens.”

“539 Na produção de certos fenômenos, da tempestades, por exemplo, é somente um espírito que age ou se reúnem em massa ?

- Em massas inumeráveis.”

“540 Os espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza agem com conhecimento de causa, em virtude de seu livre arbítrio, ou por um impulso instintivo e irrefletido ?

- Uns sim; outros não. (...) (sobre os espíritos mais atrasados) ... Primeiro, executam; mais tarde, quando sua inteligência estiver mais desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; (...)”

Estas questões juntamente com o que nós assinalamos e grifamos, servirão de base para a nossa discussão. De modo a organizarmos os argumentos, vamos enumerar os pontos principais:

1 Os espíritos são os agentes de Deus na execução de seus desígnios. Portanto são os espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza quando isso é necessário.

2 Os agentes (os espíritos) existem em todos os graus da escala evolutiva. Existem, então, os que dirigem, mandam e comandam; e os que executam a ação sobre os fenômenos. Isso significa que os que mandam e dirigem, devem ter capacidade de coordenar, calcular, prever as conseqüências da atitude a ser tomada pelos que executam a tarefa.

3 Os espíritos se reúnem em massas para a realização do fenômeno.

Antes de passarmos para a seção onde explicaremos como os espíritos podem controlar os fenômenos da Natureza, vamos rever alguns princípios básicos necessários para que ocorram efeitos físicos.

Do capítulo IV da segunda parte do Livro dos Médiuns[11], retiramos os seguintes princípios:

· Um espírito só pode mover um corpo sólido se ele combinar uma porção do fluido universal com o fluido que se desprende do médium apropriado a esses efeitos.

· Um espírito pode agir sem que o médium, doador do fluido animalizado, perceba.

· Um espírito pode agir tanto sobre a matéria mais densa quanto sobre o ar ou algum líquido.

De posse destes princípios básicos da Doutrina Espírita podemos analisar a influência dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza sabendo que esses fenômenos são caóticos e complexos.

III Influência dos espíritos sobre a natureza

Como vimos anteriormente, os espíritos superiores ensinam que são os próprios espíritos os agentes de Deus nos fenômenos da Natureza. Vimos também que espíritos superiores (os que dirigem) e inferiores (os que executam) se unem na execução dos desígnios divinos. Vamos, nesta seção mostrar que, diante de um fenômeno de larga escala, como uma tempestade, não é necessário que os espíritos atuem em cada porção do espaço onde ocorre o fenômeno. Faremos uma estimativa da ordem de grandeza do volume de uma tempestade em uma região do tamanho de uma pequena cidade de modo a percebermos a inviabilidade de se atuar em todo o espaço. Em seguida discutiremos, com base nos conhecimentos atuais da ciência, uma proposta sobre como os espíritos poderiam influenciar um fenômeno destes atuando em uma região espacial bem menor.



Consideremos uma cidade que ocupe uma área de 100km2 (uma área quadrada de lado igual a 10km). Consideremos um conjunto de nuvens de tempestades que se formem a uma altura de 5km. Basta multiplicarmos pela área para obtermos uma estimativa do volume de espaço onde a tempestade ocorrerá: 100 x 5 = 500km3. Um metro cúbico (1m3) é o volume de uma caixa d’água de 1000 litros. Uma unidade de kilômetro cúbico (1km3) equivale a um volume de 1.000.000.000 de metros cúbicos (1 bilhão m3) que equivale a mesma quantidade de caixas d’água de 1000 litros. São 1000 bilhões, ou 1 trilhão de litros de volume para cada km3 de espaço. Imaginemos que um espírito deseja influenciar ou atuar sobre um litro de água ou ar de modo a produzir, por exemplo, algum movimento. Um litro é um volume de espaço considerável quando pensamos neste tipo de fenômeno. Suponha que um médium seria suficiente para fornecer fluidos necessários para produzir-se tal efeito físico. Imaginemos, agora, que para influenciar uma tempestade inteira seria preciso atuar em mais de 1 trilhão de litros de uma mistura de ar, vapor de água e água líquida.

Quantos médiuns seriam necessários para produzir-se um efeito, mesmo que pequenino, em todo este volume? Imaginemos, ainda, que uma tempestade pode estar ocorrendo em milhares de cidades espalhadas pelo mundo ao mesmo tempo. Lembremos também que para afastar uma tempestade, por exemplo, é preciso não só atuar na região onde ela ocorre mas, nas regiões vizinhas pois elas podem estar enviando frentes frias ou úmidas ou algo do tipo, e é preciso, portanto, atuar nestas regiões também. A figura 2 abaixo nos dá uma idéia da ordem de grandeza de um fenômeno de uma tempestade.


Figura 2: Uma tempestade se aproximando de uma cidade. Compare o tamanho do conjunto formado por nuvens e chuva com o tamanho dos prédios.

Tudo isso nos leva a crer na inviabilidade de se realizar tal influência da maneira descrita acima. Mesmo uma massa inumerável de espíritos, conforme o ponto número 3, atuando sobre todo o espaço seria insuficiente para realizar-se uma influência que culminasse num efeito preciso. Porém, a história é outra se levarmos em consideração a dinâmica dos sistemas formados pela atmosfera. Sabemos que esta dinâmica é caótica o que significa que tais sistemas são extremamente sensíveis à pequenas perturbações em algumas de suas partes. Isso nos leva a imaginar que, se pudéssemos calcular com precisão o efeito de cada perturbação imposta numa pequena região do espaço (ou em mais de uma, porém poucas, regiões do espaço), poderíamos controlar e até conduzir o fenômeno total a um resultado desejado. Vimos na seção anterior que os espíritos superiores comandam a influência sobre os fenômenos.

O princípio 2 nos leva crer na capacidade destes espíritos de calcularem e decidirem a melhor atuação. Na introdução nós comentamos sobre o progresso que a ciência humana já fez neste campo e seus limites. Acreditamos que seja perfeitamente possível aos espíritos superiores calcular com muito maior precisão os efeitos de uma dada perturbação em uma dada região do espaço. Assim, desde que o sistema é caótico, bastaria aos espíritos atuarem numa porção de espaço muito pequena, possivelmente bem menor do que 1% do volume total. Apesar de não podermos estimar qual seria esse tamanho (lembremos que a nossa Ciência ainda não consegue fazer isso), podemos afirmar, com toda a certeza, que não seria necessário atuar-se sobre toda a região do espaço. Desta forma, não seria necessário uma grande quantidade de fluido animalizado para que a atuação espiritual ocorra. Isso, enfim, significa que a influência dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza passa a ser algo perfeitamente viável.

IV Conclusões

Na questão número 536 (não transcrita na seção II) Kardec pergunta aos espíritos se os grandes fenômenos da Natureza, como terremotos e tempestades, possuem um fim providencial e os espíritos respondem que "Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus". Não foi nosso objetivo, neste artigo, discutir os aspectos morais que levariam aos espíritos a influenciarem tais fenômenos. No entanto, cabe refletirmos que determinados acontecimentos desta natureza influenciam de maneira muito significativa na evolução dos povos levando ao desenvolvimento tanto moral quanto intelectual de seus indivíduos.

No artigo da referência [3], o Dr. Ross N. Hoffman afirma ser possível, num futuro, relativamente, próximo, controlar-se os fenômenos da atmosfera terrestre.

Com base nas teorias do caos e no desenvolvimento do que se chama "Controle do Caos"[3] ele propõe um esquema similar ao que expomos aqui, para o que poderia ser um controle de tais fenômenos. Se a ciência humana já cogita esta possibilidade, podemos dizer que tais conhecimentos já estão desenvolvidos nos planos espirituais superiores.

Como vimos na seção 3, a união do avanço intelectual dos espíritos superiores com a natureza caótica e complexa da dinâmica dos fenômenos da natureza permite que entendamos, de modo mais plausível, como a influência dos espíritos sobre os fenômenos da natureza pode ocorrer. Esta proposta está de acordo com o que os espíritos disseram na questão de número 537-a, a respeito sobre a explicação e a compreensão destes fenômenos.

Ainda resta um ponto que devemos comentar.

É sobre a questão do número de espíritos necessários à influenciação (ponto 3). Este ponto diz que os espíritos que atuam nos fenômenos da natureza o fazem em grupos numerosos. Apesar de que, conforme demonstramos, não é necessário agir sobre toda a região do espaço para influenciar uma tempestade, isto não significa que tal influência seja simples e que apenas um espírito seja necessário. Conforme descrito em Missionários da Luz, Cap. 10[13], um efeito físico como a materialização de uma garganta requer a colaboração de uma grande equipe de espíritos. Portanto, para se efetuar uma ação numa porção do espaço com grande precisão não é de se estranhar que se necessite movimentar um grande número de colaboradores desencarnados.

Por fim, lembramos que este trabalho apresenta uma forma pela qual os espíritos poderiam influenciar os fenômenos da natureza. Não pretendemos que ela seja a única solução ou a solução final para a questão.

Apesar de não ser comum pensarmos na Mecânica Quântica como modelo teórico para tais fenômenos, um estudo sobre as possibilidades de sua aplicação ao problema exposto aqui merece atenção. Isso será considerado em uma futura publicação.

Agradecimentos

O autor agradece a D. Floriza S. A. Chagas, Dr. Alexandre C. Gonçalves, Dra. Hebe M. L. de Souza, Sr. Henri Barreto, Dr. Zalmino Zimmermann e ao Prof. Dr. Silvio S. Chibeni pela leitura crítica deste compuscrito e por valiosas sugestões e incentivos.

Notas de rodapé:

1 A palavra “perturbação” aqui deve ser entendida como alguma pequena influência que gera uma pequena alteração num determinado sistema.

2 Ainda sim, nos surpreendemos com as variações!

3 Nuvens de tempestades possuem uma base a 2 ou 3km de altitude e o topo em até 20km[12]. Em nossas estimativas tomamos um valor hipotético de 5km, mas se considerarmos o limite superior de 20km a questão da inviabilidade da influência dos espíritos fica, apenas, mais evidente.

Referências

[1] A. Kardec, A Gênese, Editora IDE, (1992).

[2] C. Schutel, Parábolas e Ensinos de Jesus, Editora CASA EDITORA O CLARIM, 12a Edição, (1987).

[3] R. N. Hoffman, Bulletin of the American Meteorological Society, 83, p.241, (2002).

[4] E. Ott, Chaos in Dynamical Systems, Cambridge University Press, (1993).

[5] Y. Bar–Yam, Dynamics of Complex Systems, Perseus Books, (1997).

[6] S. Hawking, O Universo Numa Casca de Nóz, Editora Mandarim, 2a Edição, (2002).

[7] E. N. Lorenz, Journal of Atmospheric Science, 20, p.130, (1963).

[8] E. N. Lorenz, Tellus, 34, p.505, (1982).

[9] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora Edições FEESP, 9a Edição, (1997).

[10] A. Kardec, Revista Espírita, 8, p.276, (1859).

[11] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Editora Edições FEESP, 1a Edição, (1984).

[12] M. M. F. Saba, Física na Escola, 2, p.19, (2001).

[13] A. Luiz, Psicografia de F. C. Xavier, Missionários da Luz, Editora FEB, 26a Edição, (1995)

TITLE AND ABSTRACT IN ENGLISH


Chaos, complexity and the influence of the spirits on the phenomena of nature

Abstract

We analyze the question about the influence of the spirits on the phenomena of the nature. Despite the confirmation of this influence from the spirits, this subject was not studied deeply by Allan Kardec due to lack of scientific knowledge. The development of the theories of chaos and complexity permits us to analyze the question about the influence of spirits. It is shown that this influence is perfectly possible and that there is no necessity of great amount of animalized fluids to produce the phenomenon. We show how the knowledge of chaos and complexity help us to understand the solution.

KEYWORDS: Chaos; Complexity; Influence of spirits on the nature; phenomena of the atmosphere; physical effects; physical manifestations.


Artigo publicado na Revista FidelidadESPÍRITA Setembro 2003



Pesquisa de textos e Compilação: Carlos Eduardo Cennerelli


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